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sexta-feira, 22 de maio de 2026

CIENTISTAS CONSEGUEM MEDIR OS' "QUALIA" NO CÉREBRO ... Eles determinam as experiências sensoriais e, anteriormente, eram considerados inacessíveis.

 


As Árvores têm a copa verde e o tronco marrom. Mas será que o verde e o marrom que você vê, ao olhar para uma delas, são idênticos aos que as outras pessoas enxergam? E impossível saber: o máximo que podemos fazer é usar palavras para tentar descrever as cores. E isso vale para todas as experiências sensoriais:
     • os tons das cores,
     • o gosto da comida.
 • as sensações de calor, frio, prazer,  dor etc.
são subjetivas, produzidas pelo cérebro. e não podem ser compartilhadas nem analisadas de forma concreta.

A filosofia e a neurociência até têm um termo, "qualia", para definir essas coisas imensuráveis. Mas, agora, uma experiência conseguiu medir os qualia. Cientistas japoneses monitoraram o cérebro de 35 voluntários, usando uma máquina de ressonância magnética, enquanto eles viam nove cores (exibidas numa telinha). Resultado:
    • os voluntários tiveram padrões parecidos, mas não idênticos, de atividade no córtex occipitotemporal ao enxergar cada uma das cores.
A diferença entre uma pessoa e outra são os qualia.

Verdade! A diferença fundamental entre as pessoas é atribuída "aos qualia" porque eles representam a essência da nossa experiência subjetiva e individual do mundo.

Então pergunto: O que são Qualia?
     • Definição: São as qualidades subjetivas das experiências conscientes.
   • Exemplos: O brilho do vermelho, o gosto do sal ou a dor de uma topada.
     • Privacidade: Ninguém pode acessar diretamente a experiência de outra pessoa.
Por que eles criam a diferença entre nós?
1. Vivência única
Mesmo que duas pessoas olhem para o mesmo objeto físico, o processamento neural e a interpretação consciente de cada uma são inteiramente individuais.
O "seu" azul pode ser ligeiramente diferente do "meu" azul.
2. Limite da linguagem
A ciência e as palavras conseguem explicar as propriedades físicas do mundo (como o comprimento de onda da luz), mas falham em transferir a sensação real de como é vivenciar essa propriedade.
3. Filtro biológico e histórico
Os qualia são moldados pela nossa fiação cerebral única, genética e memórias acumuladas. Isso transforma a realidade em uma simulação interna estritamente pessoal.

A neurociência busca explicar a origem dos qualia investigando como o cérebro transforma estímulos físicos em experiências conscientes. Embora a ciência ainda não tenha decifrado o mecanismo exato — um enigma conhecido como o "Problema Difícil da Consciência" —, as principais frentes de pesquisa explicam o fenômeno através de três pilares:
1. Correlatos Neurais da Consciência (CNC)
  • Mapeamento: Cientistas identificam quais áreas cerebrais disparam durante uma experiência específica.
     • Exemplo: A ativação da área V4 do córtex visual gera a percepção consciente da cor (o qualia do vermelho).
    • Resultado: Se essa área for lesionada, a pessoa perde a capacidade de vivenciar a cor, enxergando o mundo em tons de cinza.
2. Integração e Redes Globais
     • Teoria do Espaço de Trabalho Global: O cérebro processa estímulos de forma inconsciente em áreas isoladas. "Os qualia" surgem quando essa informação é transmitida para uma rede centralizada, tornando-se disponível para todo o cérebro.
     • Teoria da Informação Integrada (IIT): Defende que a consciência é o resultado da capacidade do cérebro de integrar vastas quantidades de informação de maneira unificada e indivisível.
3. Filtros Pessoais e Plasticidade
     • Fiação Única: Cada cérebro possui conexões moldadas por genes e experiências passadas.
     • Sinestesia: Em cérebros com conexões cruzadas, um som pode ativar o córtex visual, fazendo a pessoa "ouvir" uma cor. Isso prova que os qualia dependem diretamente da arquitetura física dos neurônios.
     • Subjetiva. Se um sistema biológico pode realizar tarefas idênticas às nossas operando puramente no "modo automático" e inconsciente, por que a natureza gastaria energia criando a experiência subjetiva?

Alguns cientistas acreditam que o problema é tão difícil que nossa biologia sequer tem capacidade de decifrá-lo. Mesmo em razão das implicações éticas e, caso a ciência desvende esse mistério, também avaliar se as "IAs atuais" correm o risco de desenvolver seus próprios qualia. Será?

Por: Roberto Costa Ferreira, 21mai26.
Prof.Pesquisa,Pedagogista,Med-MEng
HILASA-SP-Instit. História Letras Artes
Santo Amaro - SÃO PAULO - SP.