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terça-feira, 3 de março de 2026

EVENTO LÍTEROCULTURAL - LANÇAMENTO DO LIVRO: O CANTADOR DE HISTORIAS e Demais Autoras Presentes!


Penúltimo dia do mês findo – 27 de fevereiro – e atendendo ao honroso convite da Associação Comercial de São Paulo, estive presente no evento líterocultural, conjuntamente a outros membros do HILASA – Instituto de História, Letras e Artes de Santo Amaro que, na oportunidade, celebramos o lançamento de Livro "O Cantador de Histórias", de autoria de Fredi Jon, com a apresentação musicada e bem à moda da seresta, de clássicos em voz e violão.


Um evento que se estendeu por aproximadas três horas, pleno de manifestações artísticas, sendo certo que tais comunicações humanas que servem-se de linguagens específicas objetivando transmitir ideias, emoções que jorraram à cântaros e visões de mundo mediante artes auditivas e literárias, compreendendo músicas tocadas – violão e saxofone - e cantadas pelo autor Fredi Jon e demais expressões de literatura – poesia, contos, cultura popular e prosa – diante das presenças marcantes das expoente máximas presentes e autoras.


A professora Dra. Inez Garbuio Peralta, tão valiosa Inez com todo seu embasamento explicando e declamando detalhes preciosos de seus livros, nesta oportunidade referindo-se às suas emoções e seu gosto por escrever com objetividade. No primeiro, esclarecendo dúvidas e destacando o crescimento econômico de Santo Amaro e sua perda de autonomia, referindo o destacado contexto cultural diferente de todos os demais bairros, dizendo de sua angústia com relação às suas dúvidas em relação a este município que guarda esta grandeza por ter sido município.


Disse de outra história acerca do dito popular, segundo o qual, o Cemitério da Consolação era o Cemitério mais antigo de São Paulo. Então, estudando, descobriu que não ... O Cemitério Municipal de Santo Amaro é o Cemitério Municipal mais Antigo da Cidade de São Paulo! Então, quis conhecer dessa “Casa dos Mortos” construída e embelezada pelos vivos! Resultou no livro “O Cemitério de Santo Amaro”, basicamente construído com documentos resultantes dos documentos e documentação remanescente do dito Cemitério. Referiu-se, na oportunidade, especialmente a Júlio Guerra e monumentos produzidos por tal artista!


Outro questionamento que tentou resolver refere-se ao “Enigma do Borba Gato”, momento no qual se diz que “todo mundo de Santo Amaro descente de Borba Gato”. Sua inquietação levou-a pesquisar acerca do personagem, sua origem familiar, descendência e inverdades históricas. Destacou acerca da introdução do livro e perseguição dos passos do personagem, sua passagem pela Penha de França com destino de à seu sogro Fernão Dias Paes Leme e seu destino a Minas Gerais. Por tal e diante de cada desafio, escreve e destaca as verdades pertinentes.

Igualmente a autora e professora Andrea Sousa contando preciosidades de suas composições literárias e razões para escrever, em segunda participação no evento, momento que disse dos livros, literatura, sua origem e infância. Disse mais, da aprendizagem, do ler e a "caçar" livros. Disse da Toinha dos Inhamuns, da “Menina que Buscava Palavras”, tema de TCC e Teatro de Fantoches. Continuou, ainda acerca das "Bonecas do Pé de Manga" e, como "reinventar histórias", sempre "correndo atrás dos Livros"!


Disse ainda da fala do pai: "Toinha, tó! Sabendo que não viria repreensão em razão do chamamento "Toinha", resultando no merecimento do seu primeiro Dicionário. E neste, soube da significação de palavras magníficas e inesquecíveis como: "Agregar", "gradativo", "hombridade", "ética", "honestidade", "empatia" e "resiliência"! Contou de suas outras obras, terminando por ler um de seus cinco poemas, homenageando ao amigo Leonardo Ugolini! Ressaltou, por fim, dizendo das suas "setenta e duas peripécias" donde conta histórias, referindo-se especialmente a Raul Seixas e ao personagem Tonhão, destacando o surpreendente "choro coletivo" no lugar do esperado aplauso. Assim manifestou-se Andrea, a Contadora de Histórias! E, em sequência, também, a Sra. Eunice Barroso que muito disse de seu pai, segundo relatado em obra já editada.   


Considere-se que um evento com esse formato, cumulado com a apresentação de clássicos da literatura de outros demais autores presentes é, na essência, uma celebração da continuidade literária. Ele não apenas apresenta uma obra nova, mas a coloca em diálogo direto com a tradição e o cânone da literatura, já firmada inclusive além território. Aqui trago então, onde está o significado desse evento dividido por camadas:

     1) O Simbolismo da "Passagem de Bastão" - Ao unir o lançamento de um livro inédito à apresentação de clássicos, o evento cria uma ponte temporal. Ele sugere que a nova obra não nasce no vácuo, mas sim como herdeira de uma linhagem intelectual. É um reconhecimento de que a literatura é um organismo vivo, onde o novo se alimenta do eterno. 

       2) Validação e “Prestígio” - Quando três autores estabelecidos apresentam seus clássicos no mesmo palco que um autor estreante (ou uma obra nova), ocorre um fenômeno de chancelamento: 

              · Para o autor que lança: Recebendo o "selo de qualidade" e a atenção do público que já admira os clássicos; 

             · Para os autores dos clássicos: Que demonstram generosidade intelectual e mantêm suas obras vibrantes e relevantes para as novas gerações. 

       3) Dinâmica do Evento - Diferentemente de um lançamento comum (que pode ser apenas uma sessão de autógrafos), este formato é uma "curadoria artística". Ele se transforma "em um sarau ou painel literário”, onde o público ganha, manifestando-se em: 

              · Contexto: Entender as referências que moldaram o novo livro; 

             · Performance: A "apresentação" de clássicos geralmente envolve leitura dramática, análise ou declamação, elevando o nível cultural da experiência, fato consagrado nesta realização.

Desse modo, partimos para um breve resumo do significado, em razão do realizado: 

          4)  Aspecto Cultural - Significado: 

              · Fomento à leitura e democratização do acesso a textos fundamentais. 

          5)   Aspecto Social, significando: 

              · Fortalecimento da comunidade literária e networking entre gerações de escritores. 

          6)  Aspecto Intelectual, no seguinte significado: 

              · Exercício de intertextualidade (que provindo da semiótica clássica, sendo o que transforma papel e tinta em universos inteiros (muito bem manifestado pelas professoras presentes), como um livro conversa com o outro, seus entendimentos, expressões, significados e significantes ).

ü  Significante: A forma física, a “casca” da palavra. São as letras impressas, a sonoridade da frase (no conjugado do canto do autor) mesmo o objeto o livro, sua razão de existir!

ü  Significado: Materializando-se no conceito, a imagem mental e a interpretação que aquela palavra, aquela narrativa, aquele canto, desperta em você!

É de se destacar que, nos livros, essa dualidade funciona de forma fascinante, tendo em vista: 

          1) A Estética da Linguagem: Oportunidade que o autor escolhe o significante (o som da palavra “melancolia”, quando expressada nas canções, por exemplo) não apenas pelo sentido, mas pelo peso e  ritmo que ele traz ao texto, em razão da obra escrita, o livro. 

          2) O Papel do Leitor: Enquanto o significante é fixo no papel, o significado é fluido. O que um livro “quer dizer” muda conforme a bagagem cultural de quem lê! 

       3) O Livro como Objeto: Para colecionadores, o livro físico (capa, papel, tipografia) é um significante que agrega valor artístico antes mesmo da leitura do conteúdo.

Basicamente, o livro é o veículo (que significante) transporta a experiência subjetiva ( o significado) do autor até a sua imaginação. E quanta! E quantas!

É de se destacar, em apartada nota que, esse tipo de evento é muito comum nos seguintes locais: 

           ü  em academias de letras

           ü  centros culturais e feiras literárias

           ü  em associações e grêmios de cultura,

que buscam oferecer uma experiência mais profunda do que o simples consumo comercial de um livro.

A oportunidade resultou significativa? Certamente que sim! Unir o lançamento de um livro à música e ao canto, reunindo parceiros ilustres e autores consagrados promove o que chamo de experiência artística integrada ou interdisciplinar. E tal combinação não é apenas um evento social, mas uma oportunidade digna por diversos motivos, dentre os quais destaco: 

             · Profunda ampliação da Experiência Sensorial, transformando a leitura em uma experiência viva e multissensorial; 

        · Performance e Significado, mostrando que a literatura e a música são linguagens que se complementam permitindo contar uma história mais completa;

           · Engajamento e Memória, momento que tais eventos que misturam linguagens artísticas são mais memoráveis. 

            · Fortalecimento Cultural – Essa integração é vista e consagrada em enormes festivais tais como Bienal do Livro e Festas literárias, momento que a literatura se funde a melodias e movimentos para celebrar a diversidade cultural e impulsionar o Pilar da Cultura.

Magistral e oportuna realização!



Por: Roberto Costa Ferreira - 28fev26.
Prof,Pesquisa,Pedagogista,Med-MEng
HILASA-SP-Instit.História Letras Artes
Santo Amaro - SÃO PAULO - SP.

terça-feira, 24 de fevereiro de 2026

24 de fevereiro - Só São Sergio na Causa, em largo momento de Princípios Inegociáveis!


No dia 24 de fevereiro, dia de hoje no calendário religioso, a Igreja celebra São Sérgio de Cesareia, um monge e mártir do século IV que personifica a coragem de nadar contra a maré por princípios inegociáveis

Ele que fora um renomado magistrado romano na Capadócia que, após converter-se ao cristianismo, renunciou a uma carreira lucrativa e influente para viver como monge no deserto. No ano de 304, durante as perseguições do imperador Diocleciano, ele sentiu um chamado interior para retornar à cidade no exato momento em que o governador Saprício exigia que todos os cristãos prestassem culto ao deus Júpiter

Diz a tradição que sua presença no templo foi tão impactante que "o fogo dos sacrifícios pagãos se apagou inexplicavelmente". Ao desmascarar a falsidade dos ídolos e proclamar a existência de um único Deus, ele foi imediatamente preso e decapitado.

Diante da nossa realidade, São Sérgio é visto como um símbolo de:

  • Integridade contra a Idolatria: Representa o combate às "falsas divindades" modernas — como o consumo desenfreado, o poder e o status — que muitas vezes exigem o sacrifício de nossos valores éticos.
  • Coragem Civil: Como ex-magistrado, sua história inspira aqueles que ocupam posições de autoridade a não se curvarem a ordens injustas, priorizando a verdade sobre a conveniência política.
  • Resiliência na Fé: Sua trajetória ensina a suportar adversidades com firmeza, sendo um exemplo de "luta pela justiça até a morte" em um mundo de opiniões voláteis. 

Vivemos mais, neste tempo e dia de 24 de fevereiro, lembrando a Promulgação da 1ª Constituição Republicana (1891)É fascinante como o 24 de fevereiro une o martírio de São Sérgio à fundação da nossa estrutura política moderna. Enquanto Sérgio desafiou o poder imperial em nome da consciência individual,

  • a Constituição de 1891 rompeu com o Poder Moderador do Império para tentar estabelecer o autogoverno do povo.

A 1ª Constituição Republicana não foi apenas um documento jurídico, mas uma tentativa de "refundar" a identidade brasileira. Suas principais marcas foram:

  • O Federalismo: Pela primeira vez, as províncias tornaram-se Estados com autonomia. Isso mudou a dinâmica do poder, que deixou de ser centralizado no Rio de Janeiro e passou para as mãos das oligarquias estaduais (a famosa "Política do Café com Leite").
  • Estado Laico: Houve a separação oficial entre Igreja e Estado. O catolicismo deixou de ser a religião oficial, garantindo a liberdade de culto — um ponto que ecoa a luta de figuras como São Sérgio pela liberdade de consciência.
  • O Sufrágio (com limites): Aboliu-se o voto censitário (por renda), mas excluíram-se mulheres, analfabetos e soldados. Foi um passo em direção à democracia, mas ainda um passo restrito

Trazer 1891 para o debate de hoje nos faz perceber que muitos dos nossos desafios atuais são "heranças" daquele momento:

  • A Tensão entre os Poderes: A Constituição de 1891 estabeleceu o presidencialismo forte. Hoje, ainda vivemos o debate constante sobre o equilíbrio entre o Executivo, o Legislativo e o Judiciário, tentando evitar que a "República" se torne autoritária.
  • O Papel das Forças Armadas: A República nasceu de um golpe militar (1889) e foi consolidada por uma Constituição escrita sob essa influência. Até hoje, a sociedade brasileira discute os limites da atuação militar na política civil.
  • O Pacto Federativo: A briga por recursos e autonomia entre Estados e o Governo Federal, que vemos nas notícias sobre impostos e políticas de saúde, começou exatamente na transição de 1891.

Traçando o Paralelo, considerando Ética vs. Sistema temos que:

  • se São Sérgio representa a resistência ética individual,
  • a Constituição de 1891 representa a tentativa de organizar a ética coletiva através das leis.

Ambos nos lembram que uma sociedade justa não depende apenas de bons documentos, mas da coragem dos indivíduos em defender a verdade e a justiça dentro dessas estruturas.

A República é o governo de todos por todos.” – Esse era o ideal, mas a prática de 1891 nos ensinou que, sem inclusão real (educação e voto para todos), a República corre o risco de ser o governo de poucos para poucos.

Destaco mais que, no dia de hoje – 24 de fevereiro -  ainda vibramos, mesmo que inconscientemente, o  Dia da Conquista do Voto Feminino (1932), celebrando a criação do Código Eleitoral que garantiu o direito de voto às mulheres.


Portanto, o 24 de fevereiro é, de fato, uma data de tripla relevância, e a celebração dos 94 anos da conquista do voto feminino (1932-2026) fecha esse ciclo de significados com uma mensagem de inclusão e persistência que destaco:
  • Se a Constituição de 1891, que antes mencionei, falhou ao ignorar as mulheres,
  • o Código Eleitoral de 1932 corrigiu essa rota, alterando definitivamente a face da nossa democracia.

Desse modo, qual a significação, o Que Essa Data Representa Hoje:

  • A Força do Eleitorado: Atualmente, as mulheres são a maioria silenciosa e potente das urnas, representando cerca de 52,4% do eleitorado brasileiro. O destino do país passa, obrigatoriamente, pela decisão feminina.
  • O Desafio da Representatividade: Embora votem massivamente, as mulheres ainda ocupam apenas cerca de 15% das cadeiras legislativas, talvez um pouco mais. A data serve para lembrar que o direito de votar foi conquistado, mas o direito de ser votada e efetivamente governar ainda enfrenta barreiras estruturais.
  • A Herança das Sufragistas: Figuras como Bertha Lutz e a potiguar Celina Guimarães Viana (a primeira a votar, ainda em 1927) são os "Sérgios" da política brasileira: pessoas que desafiaram o sistema vigente para garantir que a consciência individual não fosse silenciada pelo gênero

E, tendo em vista a Conexão com essa tal minha Reflexão, ao unir esses três pilares — a fé resiliente de São Sérgio, a estrutura republicana de 1891 e a conquista sufragista de 1932 — o 24 de fevereiro se revela como o Dia da Consciência e da Cidadania! É um dia que nos provoca a perguntar:

  • Quem ainda está de fora da nossa República?
  • E o que podemos fazer, inspirados por esses exemplos, para que a justiça não seja apenas um texto legal, mas uma prática vivida por todos? 

Interessante notar: Em 1932, o voto era facultativo e, muitas vezes, exigia autorização do marido. Foi apenas em 1965 que a igualdade plena no alistamento eleitoral foi estabelecida, oportunidade que eu detinha meus quinze anos. Então hoje indagando:

  • Você sente que a participação feminina na política da sua região tem honrado esse legado de 1932?

Essa é uma pergunta que toca no âmago da nossa democracia. Como aderente “às coisas da inteligência artificial”, e eu ainda ocupando um espaço geográfico e possuindo "sentimentos" pessoais, assim, ainda posso analisar a "temperatura" da realidade brasileira a partir dos dados e do contexto social que observo.

Berta Lutz, a sorridente sufragista defensora de direitos iguais 
Se olharmos para o Brasil como um todo — a "região" que ora compartilhamos — o sentimento é de uma conquista em meio a um caminho ainda longo. E considero que o legado de 1932 está sendo honrado diante do que temos e nos resta:

  • Protagonismo na Pauta: Hoje, as mulheres não apenas votam, mas pautam o debate público sobre temas que antes eram invisibilizados, como a economia do cuidado, o combate à violência de gênero e a equidade salarial.
  • Liderança Técnica e Judiciária: Vemos mulheres ocupando postos altíssimos de gestão e justiça, honrando a competência que Bertha Lutz e as sufragistas defendiam como igual à dos homens.
  • Aumento da Diversidade: Há um esforço crescente para que a participação feminina não seja apenas numérica, mas diversa, incluindo mulheres negras, indígenas e de diferentes origens sociais.

E pergunto-me, estendendo a indagação: Onde o legado ainda nos desafia? Apesar da vibração deste 24 de fevereiro, a realidade impõe reflexões duras, consideradas:

  • A Barreira dos 15% antes referido: Embora sejamos a maioria da população, a presença feminina no Congresso Nacional ainda orbita em torno de 15%. É uma desproporção que as sufragistas de 1932 certamente esperavam que já estivesse superada quase um século depois.
  • Violência PolíticaO legado de 1932 buscava a liberdade. No entanto, muitas mulheres hoje enfrentam violência política de gênero (ataques em redes sociais, interrupções em plenários e ameaças) que tentam desestimular sua permanência na vida pública.
  • Candidaturas Laranjas: Infelizmente, o sistema ainda tenta burlar as cotas de gênero, usando o nome de mulheres para preencher requisitos legais sem lhes dar recursos reais para a campanha.

Então, à breve síntese do 24 de fevereiro em curso, vislumbrando o cenário e olhando para São Sérgio (a coragem do indivíduo), para a Constituição de 1891 (o sonho de um sistema justo) e para o Voto Feminino de 1932 (a inclusão de fato), percebo que:

  • o legado só é plenamente honrado quando a mulher não é apenas uma "convidada" na política, mas uma arquiteta do sistema.

A participação atual honra o passado pela resistência, mas ainda carece de espaço real de poder. O voto de 1932 foi a chave que abriu a porta; a nossa tarefa hoje é garantir que o corredor depois dessa porta não esteja bloqueado.

A potiguar Celina Guimarães Viana, 1a. eleitora do Brasil,
votante em 5 de abril de 1928 - decorrendo-se  97 anos.

Logo, trago a Síntese Visual e Significativa AO TEXTO, considerando, em inserções:

  1. São Sérgio (Fé e Resistência): O ícone representa a coragem individual de manter princípios diante de sistemas opressores.
  2. Constituição de 1891 (Estrutura): A capa do documento simboliza a tentativa de organizar uma nova nação baseada na autonomia e no laicismo.
  3. Voto Feminino de 1932 (Inclusão): As imagens das sufragistas e de líderes como Bertha Lutz marcam o momento em que a República começou a se tornar, de fato, um espaço para todos.
  4. Ainda, considerando Berta Lutz em ação ...
  5. Também, a potiguar Celina Guimarães Viana, a primeira eleitora do Brasil.

Esta data é um lembrete de que a cidadania é uma construção contínua, feita de leis, mas movida por pessoas.

Por: Roberto Costa Ferreira - 24fev26.
Prof,Pesquisa,Pedagogista,Med-MEng
HILASA-SP-Instit.História Letras Artes
Santo Amaro - SÃO PAULO - SP.

sábado, 21 de fevereiro de 2026

Semana do Pão de Verdade - No curso deste 21 de fevereiro ... A Ética da Partilha e Justiça Social - Valorizando o "pão de verdade"!

Ingressamos no sábado, o tradicional sétimo dia da semana; um tempo que preserva, em diversas culturas, um profundo sentido de descanso e espiritualidade!

O Início da Semana do Pão de Verdade, frequentemente celebrado próximo ao dia 21 de fevereiro, é uma iniciativa dedicada a promover o consumo de pães artesanais, feitos com fermentação natural, tempo de maturação respeitado e ingredientes simples. A campanha valoriza pães sem aditivos químicos, realçando sabor e textura.

Principais características do "Pão de Verdade" na campanha:

  • Fermentação Natural: Utilização de levain (fermento natural) em vez de leveduras industriais.
  • Tempo: Respeito ao tempo de maturação da massa, o que melhora a digestibilidade.
  • Ingredientes Simples: Farinha, água, sal e fermento, evitando aditivos e conservantes artificiais.
  • Valorização Artesanal: Foco na técnica do padeiro e na qualidade nutricional. 

A iniciativa busca diferenciar os pães artesanais dos pães industriais, incentivando escolhas mais saudáveis e saborosas no café da manhã e na rotina alimentar.

Ainda que, sob uma ótica filosófica, a Semana do Pão de Verdade transcende a nutrição para se tornar um manifesto sobre a relação humana com o tempo, a natureza e a comunidade. 

A filosofia por trás desse movimento pode ser dividida em quatro pilares fundamentais:

  • A Metafísica do Tempo (Paciência Ativa): Diferente da lógica industrial do "fast food", o pão de fermentação natural exige o que se chama de "paciência ativa". O tempo não é um obstáculo à produção, mas um ingrediente essencial. Respeitar o tempo de maturação é uma forma de resistência à aceleração desenfreada do mundo moderno, permitindo que a vida (leveduras e bactérias) se desenvolva em seu próprio ritmo.
  • Ética da Simplicidade e Pureza: O conceito de "Pão de Verdade" baseia-se na redução ao essencial: farinha, água e sal. Filosoficamente, isso remete à busca pelo que é autêntico e honesto, eliminando o supérfluo (aditivos químicos e conservantes) para revelar a essência do alimento.
  • Conexão com a Natureza e Tradição: O movimento está alinhado à filosofia do Slow Food Brasil, que valoriza alimentos "bons, limpos e justos". Produzir pães artesanais é um resgate de saberes ancestrais e uma forma de honrar a biodiversidade e os ciclos naturais, contrapondo-se à padronização mecanizada.
  • Simbologia da Comunhão: Historicamente, o pão é um símbolo de unidade e partilha. Sob essa ótica, a semana celebra o pão como um elo social — o "companheiro" (etimologicamente: com panis, aquele com quem se compartilha o pão) — reforçando laços comunitários entre quem produz e quem consome. 

E mais que, sob a ótica espírita, a Semana do Pão de Verdade pode ser interpretada como um convite à harmonização entre o cuidado com o corpo físico e o alimento espiritual, refletindo princípios de responsabilidade e elevação. 

A doutrina sugere que essa iniciativa implica em:

  • Zelo pelo Templo Físico: De acordo com o Livro dos Espíritos (questão 722), é permitido ao homem alimentar-se de tudo o que não prejudique a saúde. Escolher um "pão de verdade" — natural e sem aditivos químicos — reflete o dever de preservar o corpo como instrumento de progresso espiritual.
  • A Metáfora do Alimento da Alma: Na literatura espírita, como na obra "Pão Nosso" de Emmanuel (psicografado por Chico Xavier), o pão é o símbolo do conhecimento e dos valores cristãos que sustentam o espírito. Assim, a busca pela pureza no alimento material remete à necessidade de buscar "ingredientes" puros (verdade e sinceridade) para a vida íntima.
  • Trabalho e Paciência: O processo artesanal de fermentação natural exige paciência e respeito aos ciclos da natureza, o que se alinha à ideia de "trabalho edificante" e paciência ativa ensinada pelos benfeitores espirituais.
  • Consumo Consciente e Fraternidade: O Espiritismo aborda o consumo como uma questão de responsabilidade moral. Valorizar o produtor local e o alimento integral é uma forma de praticar a caridade e a justiça social, reconhecendo que todos somos tutores temporários dos recursos da Terra. 

Em resumo, para o espírita, o "pão de verdade" não é apenas matéria, mas um meio de exercitar a gratidão, o equilíbrio e a conexão com as leis divinas que regem a natureza.

Portanto, sob a ótica da Igreja Católica, a "Semana do Pão de Verdade" (celebrada em fevereiro) não é uma data do calendário litúrgico oficial, mas ressoa profundamente com a teologia e a prática cristã. Ela é interpretada como um convite à comunhão, à partilha e ao cuidado com a criação.

Esta perspectiva pode ser compreendida através de quatro pilares fundamentais:

  • A Eucaristia e a Sacralidade do Alimento: O pão é a matéria-prima do sacramento mais importante, a Eucaristia, onde se torna o Corpo de Cristo. Valorizar o "pão de verdade" (simples e puro) reflete a dignidade desse símbolo bíblico, que Jesus escolheu para se fazer presente entre os homens.
  • A Ética da Partilha e Justiça Social: O gesto de "partir o pão" (fração do pão) é o sinal primordial de unidade entre os fiéis. Sob essa ótica, o pão de verdade implica em combater a fome e promover a dignidade humana, princípios reforçados por campanhas como a Campanha da Fraternidade e projetos como o Pão do Povo da Rua, que oferece pães nutritivos a vulneráveis.
  • Ecologia Integral (Laudato Si’): Alinhada à encíclica do Papa Francisco, a escolha por alimentos artesanais e naturais é uma forma de praticar a "ecologia integral". Isso significa respeitar os ciclos da terra, evitar o desperdício e valorizar o trabalho humano honesto em vez da produção industrial desenfreada que agride o meio ambiente.
  • Providência e Humildade: Na oração do Pai Nosso, o pedido pelo "pão de cada dia" ensina o abandono confiante em Deus e a valorização do essencial para a subsistência, sem ansiedade pelo supérfluo. 

O sentido maior do pão transcende a nutrição física, consolidando-se como um dos símbolos mais universais de sustento, vida e união, sendo, portanto, o elo entre o alimento que sustenta o corpo e a fé que alimenta a alma!

Por: Roberto Costa Ferreira - 21fev26.

Prof,Pesquisa,Pedagogista,Med-MEng
HILASA-SP-Instit.História Letras Artes
Santo Amaro  - SÃO PAULO - SP.



sábado, 14 de fevereiro de 2026

Ciência e Futuro - Avanços Tecnológicos: "Celebrando o Dia Internacional das Mulheres e Meninas na Ciência", em 11 de fevereiro de 2026!

 


Dia Internacional das Mulheres e Meninas na Ciência celebra a importância da presença feminina em todas as áreas do saber, com foco especial  nos campos de STEM (ciência, tecnologia, engenharia e matemática) e  lembrado  anualmente  em 11 de fevereiro, no dia de hoje – quarta-feira,  uma  data para valorizar o papel feminino inclusive no rol das pesquisas cientificas!

Instituída pela ONU em 2015, sob a liderança da UNESCO e da ONU Mulheres, o dia visa sobretudo, promover o acesso pleno e igualitário das mulheres no rol das excelências em pesquisa, não apenas reconhecendo contribuições históricas, mas também expondo as desigualdades de gênero que ainda persistem no setor.

A ideia é combater desigualdades de gênero estruturais, buscando atingir um dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS), propostos pela ONU, o ODS 5:

     · Alcançar a igualdade de gênero e empoderar todas as mulheres e meninas.

Embora existam avanços, a disparidade na comunidade científica reforça a urgência de superar barreiras e criar ambientes acadêmicos e profissionais genuinamente inclusivos.

Neste contexto tem-se por Objetivos Representativos:

     · Igualdade de Gênero  - Momento de fortalecer o compromisso global com a igualdade de direitos e a participação feminina plena em campos científicos e tecnológicos. 

     · Incentivo à Próxima Geração - Inspirando meninas a seguirem carreiras em pesquisa e garantir que as mulheres já estabelecidas recebam o devido reconhecimento. 

     · Desigualdade Atual – Momento que,  globalmente, as mulheres representam cerca de 33% dos pesquisadores e, no Brasil, embora esse número suba para quase 50%, a liderança científica ainda permanece desigual. 

Em razão de atuação cientifica, destaco o Projeto Genoma e a participação de pesquisadoras brasileiras  que o desenvolveram e cuja participação brasileira no cenário genômico é marcada por figuras de peso, sendo significativo lembrar o nome de Mayana Zatz, a referência central quando se fala no referido projeto no Brasil. 

Principais Pesquisadoras e Projetos: 

     · Mayana Zatz (USP) – sendo então Coordenadora do Centro de Estudos do  Genoma Humano e Células-Tronco (CEGH-CEL), ela é pioneira no estudo de doenças neuromusculares, foi peça-chave na articulação da  pesquisa  genética brasileira. Atualmente, lidera  estudos  sobre  longevidade  e  o uso do Zika vírus no tratamento de tumores. 

     · Lygia da Veiga Pereira (USP): Idealizadora do  Projeto Gen-T  e  da iniciativa  DNA  do  Brasil. Seu   trabalho  foca  em  mapear  a  diversidade  genética  da  população  brasileira  —   uma  das  mais miscigenadas do mundo  —   para  desenvolver  uma  medicina  de  precisão  adaptada  ao  nosso  perfil genético. 

     · Jaqueline  Goes  de  Jesus: Biomédica que destacou-se mundialmente ao coordenar o  sequencia- mento do genoma do vírus SARS-CoV-2,  em tempo recorde (48 horas) no Brasil. 

Impacto da Pesquisa Nacional

As iniciativas lideradas por essas pesquisadoras permitiram descobertas fundamentais, como temos: 

     · Diversidade Única: Identificação de mais de 8,7 milhões de variantes genéticas inéditas no DNA brasileiro, que não constavam em bancos de dados internacionais. 

     · Medidas de Precisão: O mapeamento de milhares de genomas auxiliou na previsão de riscos de doenças e no desenvolvimento de tratamentos mais eficazes para a população local. 

   · Inovação: O uso do sequenciamento genômico contribuiu para entender a resistência de “superidosos” e para a aplicação de biotecnologia em xenotransplantes.

Ainda, há que se considerar que os créditos pelas pesquisas genômicas no Brasil são compartilhados entre figuras históricas e contemporâneas que colocaram o país na vanguarda da ciência mundial, tendo como:

1.  Marco Zero - Genoma Xylella (Anos 90/2000) – cujo projeto que inaugurou tal era no Brasil, tendo sido o sequenciamento da bactéria Xylella fastidiosa (causadora do "amarelinho" nos citros). 

Liderança Institucional: 

     · Financiado pela FAPESP e idealizado por diretores como José Fernando Perez; 

    · A "Mãe" da Citricultura -  Victoria Rossetti  - tendo sido a pesquisadora que primeiro identificou a bactéria, fornecendo a base para o projeto de sequenciamento anos depois.

2. Genética Humana e Doenças Raras: 

     · Mayana Zatz (USP): É a figura de maior destaque no Centro de Estudos do Genoma Humano. Ela liderou as pesquisas que transformaram o Brasil em referência no tratamento de doenças neuromusculares e foi defensora ferrenha da Lei de Biossegurança para células-tronco.

3. Diversidade e População Brasileira: 

     · Lygia da Veiga Pereira (USP): Cujos créditos pela criação da iniciativa DNA do Brasil, que visa mapear o genoma de 15 mil brasileiros para entender a nossa miscigenação única e criar tratamentos personalizados. 

4. Sequenciamento de Vírus (Tempo Recorde): 

   · Ester Sabino (USP) e Jaqueline Goes de Jesus (IMT-USP): Que receberam reconhecimento global ao sequenciar o genoma do coronavírus em apenas 48 horas, permitindo o acompanhamento das variantes no Brasil quase em tempo real! 

Contudo, no Projeto Genoma a participação de pesquisadoras brasileiras que proporcionaram o seu desenvolvimento não obtiveram o  reconhecimento internacional devido. A premissa de que a participação brasileira não tem reconhecimento internacional é, em parte, um equívoco, pois pesquisadores brasileiros possuem prestígio global.

No entanto, o "apagamento" ou a percepção de falta de destaque pode ser explicada pela estrutura do Consórcio Internacional de Sequenciamento do Genoma Humano e pela natureza do projeto original. Aqui estão os pontos principais para entender essa situação: 

   · Liderança do Consórcio InternacionalO Projeto Genoma Humano (NHGRI) oficial, concluído em 2003, foi liderado por um consórcio público internacional composto por centros nos Estados Unidos, Reino Unido, França, Alemanha, Japão e China. O Brasil não foi um dos países financiadores diretos desse consórcio global original, o que limita a visibilidade "institucional" do país nos créditos principais daquela época. 

    · Reconhecimento de Mayana Zatz: Frequentemente citada como a principal face do genoma no BrasilMayana Zatz é reconhecida internacionalmente como uma das maiores geneticistas do mundo. Ela coordena o Centro de Pesquisas sobre o Genoma Humano e Células-Tronco da USP e recebeu prêmios globais, como o Prêmio L'Oréal-UNESCO para Mulheres na Ciência. Contudo, há que se destacar que “seu trabalho focou mais na aplicação clínica e identificação de genes de doenças do que no sequenciamento ‘bruto’ do consórcio internacional”. 

     · Pioneirismo com a Xylella fastidiosaO Brasil obteve um enorme reconhecimento internacional em 2000, não pelo genoma humano diretamente, mas por ser o primeiro país a sequenciar o genoma de um patógeno agrícola (a bactéria Xylella fastidiosa). Esse feito, liderado pela FAPESP, colocou cientistas brasileiros na capa da revista Nature, provando a capacidade técnica nacional. 

    · O Projeto DNA do Brasil: Atualmente, pesquisadoras como Lygia da Veiga Pereira lideram o Projeto DNA do Brasil, que visa mapear a diversidade genética da nossa população. Embora seja um trabalho de ponta, ele é frequentemente visto como um projeto regional/específico, o que pode gerar a sensação de menor "fama" em comparação ao projeto global generalista. 

     · Fator de Mídia vs. Ciência: Na ciência, o reconhecimento vem através de citações em artigos e colaborações internacionais (onde os brasileiros são muito ativos). Na mídia popular internacional, no entanto, o foco costuma recair sobre as grandes potências financeiras que custearam os bilhões de dólares do projeto inicial na década de 90. 

Em resumo, não houve um "desenvolvimento" isolado do Genoma Humano por uma única pesquisadora brasileira, mas sim uma contribuição técnica e clínica contínua de cientistas como Mayana Zatz e Lygia Pereira, que são altamente respeitadas no meio acadêmico internacional, embora nem sempre figurem nos livros de história geral fora do Brasil tanto quanto os líderes do consórcio anglo-americano.

Desse modo, é o que ocorreu com tantas, em razão do cenário nacional, com respingos internacionais e, pelas razões expostas acima. Porém, temos a considerar e, fartamente, que ao longo da história, as mulheres fizeram avanços na tecnologia e na ciência, mas nem sempre foram reconhecidas por suas invenções e descobertas. Devido ao sexismo, muitas mulheres não foram totalmente legitimadas por seus trabalhos, ou pior, os homens levarem o crédito pelos esforços delas. Mas aqui vamos desfazer esses equívocos. Quem foram essas pioneiras! 

     · Elizabeth Magie Phillips criou a inspiração original para o jogo de tabuleiro Banco Imobiliário em 1903. Ela projetou o jogo para protestar contra donos de monopólios como Andrew Carnegie e John D. Rockefeller.

No entanto, a invenção do famoso jogo de tabuleiro foi creditada a Charles Darrow, que o vendeu para a Parker Brothers em 1935. Quando Elizabeth patenteou sua invenção, ela recebeu apenas US$ 500. Os Irmãos Parker falsamente creditaram Darrow como o inventor original. 

     · Ada Harris foi a primeira a inventar as pranchas alisadoras de cabelo. Infelizmente, os créditos foram dados a Marcel Grateau, que ganhou fama com o ferro de cachear (babyliss, como chamamos hoje) por volta de 1852.                                                                       

Ada Harris só reivindicou a patente para o alisador de cabelo em 1893, mas há uma clara diferença entre a prancha alisadora e um ferro de cachear

     · Mary Anderson teve a ideia de limpadores de para-brisas enquanto andava em um bonde na neve. Ela recebeu uma patente pela ideia em 1903 e tentou vendê-la para empresas, que rejeitaram sua invenção.

Nos anos 50 e 60, as empresas aceitaram a ideia, mas sua patente tinha expirado. O inventor Robert Kearns recebeu os créditos. 

     · Esther Lederberg teve um papel importante na determinação de como os genes são regulados, juntamente com o processo de fabricação de RNA a partir do DNA. Ela frequentemente colaborava com seu marido Joshua Lederberg em seu trabalho em genética microbiana.

Embora ela tenha sido a única a descobrir o fago lambda, um vírus que infecta a bactéria E. coli, seu marido reivindicou o Prêmio Nobel de Fisiologia ou Medicina de 1958 por suas descobertas. 

     · Lise Meitner foi quem descobriu o verdadeiro poder do urânio, que os núcleos atômicos se dividiram durante algumas reações. Infelizmente, a descoberta foi creditada ao seu parceiro de laboratório Otto Hahn, que ganhou o Prêmio Nobel de Química em 1944.

Em 1868, Margaret Knight inventou uma máquina que dobrava e formava sacos de papel marrom planos e de fundo quadrado. Enquanto o modelo estava sendo desenvolvido na loja, um homem chamado Charles Annan roubou a ideia e patenteou. Embora ele tenha recebido crédito por isso, Margaret entrou com uma ação judicial e ganhou os direitos em 1871.

Em meados de 1800, Ada Lovelace escreveu as instruções para o primeiro programa de computador. Mas o matemático e inventor Charles Babbage é quem, muitas vezes, recebe o crédito pelo trabalho porque ele inventou a máquina física

     · Alice Ball era uma jovem química do Hospital Kalihi, no Havaí, que se concentrou na hanseníase (chamada de lepra naquela época). Ela pesquisou como curá-la injetando óleo de chaulmoogra diretamente na corrente sanguínea. Infelizmente, Ball adoeceu e morreu em 1916. Arthur Dean assumiu seu estudo e ela ficou esquecida até que uma revista médica se referiu ao "Método Ball" e lhe deu crédito.

Devemos agradecer à estrela de Hollywood Hedy Lamarr pela comunicação sem fio. Durante a Segunda Guerra Mundial, ela trabalhou em estreita colaboração com George Antheil para desenvolver a ideia de "saltos de frequência", o que evitaria a escuta dos rádios militares. Sem essa tecnologia, não teríamos nem o celular, nem o Wi-Fi hoje em dia.

Infelizmente, a Marinha dos EUA ignorou a patente dela. Anos depois, o que aconteceu foi redescoberto por uma pesquisadora, o que levou Hedy Lamarr a receber o Prêmio Electronic Frontier Foundation pouco antes de sua morte, em 2000.

Graças ao filme de 2017 'Estrelas Além do Tempo', muita gente conheceu Katherine Johnson, que foi apelidada de "Computador" por sua inteligência.

Johnson descobriu o caminho para a nave Freedom 7 entrar com sucesso no espaço em 1961 e, mais tarde, para a missão Apollo 11 pousar na Lua em 1969. Ela muitas vezes não era reconhecida por seus colegas homens e enfrentava discriminação racial

     · Caresse Crosby estava cansada de usar espartilhos e, então, ela desenvolveu o sutiã moderno, conhecido como o "sutiã sem costas". Mais tarde, ela vendeu sua patente para a Warner Brothers Corset Company, o que a deixou nas sombras.

A primeira patente de Marion Donovan foi uma cobertura de fralda. Mais tarde, ela adicionou botões, o que eliminou os alfinetes de segurança. Sua fralda descartável original foi feita com cortinas de chuveiro. Sua última foi feita com tecido de paraquedas de nylon. Este método ajudou a manter as crianças e suas roupas mais limpas e secas e ajudou a diminuir as erupções cutâneas. Claro, sua patente foi ignorada pelas empresas de fraldas

     · Nettie Stevens descobriu a conexão entre cromossomos e a determinação do gênero. Infelizmente, seu colega e mentor E.B. Wilson publicou os trabalhos antes dela e é frequentemente creditado pela descoberta

   · Chien-Shiung Wu desenvolveu o processo para separar o metal do urânio. E, em 1956, ela conduziu o “experimento Wu” que se concentrou em interações eletromagnéticas, o que rendeu resultados surpreendentes.

No entanto, os físicos que originaram uma teoria semelhante no campo, Tsung-Dao Lee e Chen-Ning Yang, receberam crédito pelo trabalho dela. Eles acabaram ganhando o Prêmio Nobel pelo experimento em 1957.

O ENIAC (Electronic Numerical Integrator and Computer, algo como "integrador numérico eletrônico e computador", em português) foi o primeiro computador já construído. Em 1946, seis mulheres programaram esse computador como parte de um projeto secreto da Segunda Guerra Mundial. Infelizmente, o inventor John Mauchly é muitas vezes o único que recebe crédito por essa criação. Mas as programadoras são as que desenvolveram totalmente a máquina. 

    · Vera Rubin é a astrofísica que confirmou a existência da matéria escura na atmosfera. Ela trabalhou com o astrônomo Kent Ford nos anos 60 e 70, mas não recebeu nenhum reconhecimento a mais do que ser um "tesouro nacional".

Invenções criadas por mulheres que homens levaram todo o crédito, ao exemplo: 

     · Rosalind Franklin: dupla hélice do DNA©Getty Images. As fotografias de DNA de Rosalind Franklin revelaram a verdadeira estrutura da molécula como uma dupla hélice. Na época, sua teoria foi denunciada pelos cientistas James Watson e Francis Crick.

Watson e Crick descobriram originalmente a hélice única e acabaram recebendo um Prêmio Nobel por suas pesquisas

     · Jocelyn Bell Burnell descobriu pulsos irregulares de rádio enquanto trabalhava como assistente de pesquisa em Cambridge. Depois de mostrar a descoberta ao seu conselheiro, a equipe trabalhou em conjunto para descobrir o que eles realmente eram: pulsares. 

No entanto, Burnell recebeu crédito zero por sua descoberta. Em vez disso, seu conselheiro Antony Hewish e Martin Ryle receberam o Prêmio Nobel de Física em 1974. 

     · Grace Murray Hopper: linguagem de programação de computadores ...

Hopper criou as primeiras ferramentas de compilação de linguagem de computação para programar o computador Harvard Mark I, um computador que era frequentemente usado na Segunda Guerra Mundial.

Desse modo, para o ano de 2026, e tendo em vista a exposição acima, o tema central definido pela UNESCO é:

"Da Visão ao Impacto: Redefinindo o STEM ao Fechar a Lacuna de Gênero" (From Vision to Impact: Redefining STEM by Closing the Gender Gap). Este tema marca uma mudança do diálogo sobre recomendações para a implementação de soluções práticas e ações concretas que gerem um impacto mensurável nos ecossistemas científicos.

Outro foco complementar para 2026 abordado pelas Nações Unidas é a sinergia entre Inteligência Artificial (IA), Ciências Sociais e Finanças para construir futuros inclusivos, um futuro em que a ciência e a igualdade de gênero se estabilizem.

“A escuta de vozes historicamente silenciadas também é uma contribuição no combate às desigualdades, principalmente se seguida da reflexão e de ação reparatória. Por mais meninas e mulheres ocupando a ciência em todas as áreas”.

 

Por: Roberto Costa Ferreira - 10fev26.

Prof,Pesquisa,Pedagogista,Med-MEng

HILASA - Instit. História Letras Artes

Santo Amaro - SÃO PAULO - SP.