O Dia
Internacional das Mulheres e Meninas na Ciência celebra a importância
da presença feminina em todas as áreas do saber, com foco especial nos campos
de STEM (ciência, tecnologia, engenharia e matemática) e lembrado anualmente em 11 de fevereiro, no dia de hoje – quarta-feira, uma data
para valorizar o papel feminino inclusive no rol das pesquisas cientificas!
Instituída
pela ONU em 2015, sob a liderança da UNESCO e
da ONU Mulheres, o dia visa sobretudo, promover o acesso pleno e
igualitário das mulheres no rol das excelências em pesquisa, não apenas reconhecendo
contribuições históricas, mas também expondo as desigualdades de gênero que
ainda persistem no setor.
A
ideia é combater desigualdades de gênero estruturais, buscando atingir um dos Objetivos
de Desenvolvimento Sustentável (ODS), propostos pela ONU, o ODS 5:
· Alcançar
a igualdade de gênero e empoderar todas as mulheres e meninas.
Embora
existam avanços, a disparidade na comunidade científica reforça a urgência de
superar barreiras e criar ambientes acadêmicos e profissionais genuinamente
inclusivos.
Neste
contexto tem-se por Objetivos Representativos:
· Igualdade
de Gênero - Momento de fortalecer o compromisso global
com a igualdade de direitos e a participação feminina plena em campos
científicos e tecnológicos.
· Incentivo
à Próxima Geração
- Inspirando meninas a seguirem carreiras em pesquisa e garantir que as
mulheres já estabelecidas recebam o devido reconhecimento.
· Desigualdade
Atual – Momento
que, globalmente, as mulheres representam cerca de 33% dos
pesquisadores e, no Brasil, embora esse número suba para quase 50%,
a liderança científica ainda permanece desigual.
Em
razão de atuação cientifica, destaco o Projeto Genoma e a participação
de pesquisadoras brasileiras que o
desenvolveram e cuja participação brasileira no cenário genômico é marcada por
figuras de peso, sendo significativo lembrar o nome de Mayana Zatz, a
referência central quando se fala no referido projeto no Brasil.
Principais
Pesquisadoras e Projetos:
· Mayana
Zatz (USP) – sendo
então Coordenadora do Centro de Estudos do Genoma Humano e
Células-Tronco (CEGH-CEL), ela é pioneira no estudo de doenças
neuromusculares, foi peça-chave na articulação da pesquisa genética
brasileira. Atualmente, lidera estudos sobre longevidade e o uso do Zika
vírus no tratamento de tumores.
· Lygia
da Veiga Pereira (USP): Idealizadora
do Projeto Gen-T e da iniciativa DNA do Brasil.
Seu trabalho foca em mapear a diversidade genética da população brasileira — uma das mais miscigenadas do mundo — para desenvolver uma medicina de precisão adaptada ao nosso perfil genético.
· Jaqueline Goes de Jesus: Biomédica que destacou-se mundialmente ao coordenar o sequencia- mento do genoma do vírus
SARS-CoV-2, em tempo recorde (48 horas) no Brasil.
Impacto
da Pesquisa Nacional
As
iniciativas lideradas por essas pesquisadoras permitiram descobertas
fundamentais, como temos:
· Diversidade
Única: Identificação
de mais de 8,7 milhões de variantes genéticas inéditas no DNA
brasileiro, que não constavam em bancos de dados internacionais.
· Medidas
de Precisão: O
mapeamento de milhares de genomas auxiliou na previsão de riscos de doenças e
no desenvolvimento de tratamentos mais eficazes para a população local.
· Inovação: O uso do sequenciamento genômico
contribuiu para entender a resistência de “superidosos” e para a aplicação de
biotecnologia em xenotransplantes.
Ainda,
há que se considerar que os créditos pelas pesquisas genômicas no Brasil são
compartilhados entre figuras históricas e contemporâneas que colocaram o país
na vanguarda da ciência mundial, tendo como:
1. Marco Zero - Genoma Xylella (Anos 90/2000) – cujo projeto que inaugurou tal
era no Brasil, tendo sido o sequenciamento da bactéria Xylella
fastidiosa (causadora do "amarelinho" nos citros).
Liderança
Institucional:
· Financiado
pela FAPESP e
idealizado por diretores como José Fernando Perez;
· A
"Mãe" da Citricultura - Victoria Rossetti - tendo
sido a pesquisadora que primeiro identificou a bactéria, fornecendo a base para
o projeto de sequenciamento anos depois.
2.
Genética Humana e Doenças Raras:
· Mayana
Zatz (USP): É
a figura de maior destaque no Centro de Estudos do Genoma Humano.
Ela liderou as pesquisas que transformaram o Brasil em referência no tratamento
de doenças neuromusculares e foi defensora ferrenha da Lei de Biossegurança
para células-tronco.
3.
Diversidade e População Brasileira:
· Lygia
da Veiga Pereira (USP): Cujos
créditos pela criação da iniciativa DNA do Brasil, que visa
mapear o genoma de 15 mil brasileiros para entender a nossa miscigenação única
e criar tratamentos personalizados.
4.
Sequenciamento de Vírus (Tempo Recorde):
· Ester
Sabino (USP) e Jaqueline
Goes de Jesus (IMT-USP): Que receberam reconhecimento global ao
sequenciar o genoma do coronavírus em apenas 48 horas, permitindo o
acompanhamento das variantes no Brasil quase em tempo real!
Contudo,
no Projeto Genoma a participação de pesquisadoras brasileiras que
proporcionaram o seu desenvolvimento não obtiveram o reconhecimento internacional devido. A
premissa de que a participação brasileira não tem reconhecimento internacional
é, em parte, um equívoco, pois pesquisadores brasileiros possuem prestígio
global.
No
entanto, o "apagamento" ou a percepção de falta de destaque
pode ser explicada pela estrutura do Consórcio Internacional de
Sequenciamento do Genoma Humano e pela natureza do projeto original.
Aqui estão os pontos principais para entender essa situação:
· Liderança
do Consórcio Internacional
- O Projeto Genoma Humano (NHGRI) oficial, concluído em
2003, foi liderado por um consórcio público internacional composto por centros
nos Estados Unidos, Reino Unido, França, Alemanha,
Japão e China. O Brasil não foi um dos países
financiadores diretos desse consórcio global original, o que limita a
visibilidade "institucional" do país nos créditos principais daquela
época.
· Reconhecimento
de Mayana Zatz: Frequentemente
citada como a principal face do genoma no Brasil, Mayana
Zatz é reconhecida internacionalmente como uma das maiores
geneticistas do mundo. Ela coordena o Centro de Pesquisas sobre o Genoma
Humano e Células-Tronco da USP e recebeu prêmios globais, como o Prêmio
L'Oréal-UNESCO para Mulheres na Ciência. Contudo, há que se destacar
que “seu trabalho focou mais na aplicação clínica e identificação de genes de
doenças do que no sequenciamento ‘bruto’ do consórcio internacional”.
· Pioneirismo com a Xylella fastidiosa: O
Brasil obteve um enorme reconhecimento internacional em 2000, não pelo
genoma humano diretamente, mas por ser o primeiro país a sequenciar o genoma
de um patógeno agrícola (a bactéria Xylella fastidiosa). Esse
feito, liderado pela FAPESP, colocou cientistas brasileiros na capa da
revista Nature, provando a capacidade técnica nacional.
· O
Projeto DNA do Brasil: Atualmente, pesquisadoras como Lygia
da Veiga Pereira lideram o Projeto DNA do Brasil, que visa
mapear a diversidade genética da nossa população. Embora seja um trabalho de
ponta, ele é frequentemente visto como um projeto regional/específico, o
que pode gerar a sensação de menor "fama" em comparação ao
projeto global generalista.
· Fator
de Mídia vs. Ciência: Na
ciência, o reconhecimento vem através de citações em artigos e colaborações
internacionais (onde os brasileiros são muito ativos). Na mídia popular
internacional, no entanto, o foco costuma recair sobre as grandes potências
financeiras que custearam os bilhões de dólares do projeto inicial na década de
90.
Em
resumo, não houve
um "desenvolvimento" isolado do Genoma Humano por
uma única pesquisadora brasileira, mas sim uma contribuição técnica e clínica
contínua de cientistas como Mayana Zatz e Lygia Pereira, que são altamente
respeitadas no meio acadêmico internacional, embora nem sempre figurem nos
livros de história geral fora do Brasil tanto quanto os líderes do consórcio
anglo-americano.
Desse
modo, é o que ocorreu com tantas, em razão do cenário nacional, com respingos
internacionais e, pelas razões expostas acima. Porém, temos a considerar e, fartamente,
que ao longo da história, as mulheres fizeram avanços na tecnologia e na
ciência, mas nem sempre foram reconhecidas por suas invenções e descobertas.
Devido ao sexismo, muitas mulheres não foram totalmente legitimadas por seus
trabalhos, ou pior, os homens levarem o crédito pelos esforços delas. Mas aqui
vamos desfazer esses equívocos. Quem foram essas pioneiras!
· Elizabeth
Magie Phillips criou
a inspiração original para o jogo de tabuleiro Banco Imobiliário em 1903.
Ela projetou o jogo para protestar contra donos de monopólios como Andrew
Carnegie e John D. Rockefeller.
No
entanto, a invenção do famoso jogo de tabuleiro foi creditada a Charles
Darrow, que o vendeu para a Parker Brothers em 1935. Quando
Elizabeth patenteou sua invenção, ela recebeu apenas US$ 500. Os Irmãos
Parker falsamente creditaram Darrow como o inventor original.
· Ada
Harris foi a
primeira a inventar as pranchas alisadoras de cabelo. Infelizmente, os créditos
foram dados a Marcel Grateau, que ganhou fama com o ferro de cachear (babyliss,
como chamamos hoje) por volta de 1852.
Ada
Harris só
reivindicou a patente para o alisador de cabelo em 1893, mas há uma clara
diferença entre a prancha alisadora e um ferro de cachear.
· Mary
Anderson teve a ideia de limpadores de para-brisas enquanto andava em um bonde
na neve. Ela recebeu uma patente pela ideia em 1903 e tentou vendê-la para
empresas, que rejeitaram sua invenção.
Nos
anos 50 e 60, as empresas aceitaram a ideia, mas sua patente tinha expirado. O
inventor Robert Kearns recebeu os créditos.
· Esther
Lederberg teve um
papel importante na determinação de como os genes são regulados, juntamente com
o processo de fabricação de RNA a partir do DNA. Ela frequentemente
colaborava com seu marido Joshua Lederberg em seu trabalho em
genética microbiana.
Embora
ela tenha sido a única a descobrir o fago lambda, um vírus que
infecta a bactéria E. coli, seu marido reivindicou o Prêmio Nobel de
Fisiologia ou Medicina de 1958 por suas descobertas.
· Lise
Meitner foi quem
descobriu o verdadeiro poder do urânio, que os núcleos atômicos se dividiram
durante algumas reações. Infelizmente, a descoberta foi creditada ao seu
parceiro de laboratório Otto Hahn, que ganhou o Prêmio Nobel de Química em
1944.
Em
1868, Margaret Knight inventou uma máquina que dobrava e
formava sacos de papel marrom planos e de fundo quadrado. Enquanto o modelo
estava sendo desenvolvido na loja, um homem chamado Charles Annan roubou a
ideia e patenteou. Embora ele tenha recebido crédito por isso, Margaret
entrou com uma ação judicial e ganhou os direitos em 1871.
Em
meados de 1800, Ada Lovelace escreveu as instruções para o primeiro
programa de computador. Mas o matemático e inventor Charles Babbage é
quem, muitas vezes, recebe o crédito pelo trabalho porque ele inventou a
máquina física.
· Alice
Ball era uma
jovem química do Hospital Kalihi, no Havaí, que se concentrou na hanseníase
(chamada de lepra naquela época). Ela pesquisou como curá-la injetando óleo
de chaulmoogra diretamente na corrente sanguínea. Infelizmente, Ball
adoeceu e morreu em 1916. Arthur Dean assumiu seu estudo e ela ficou
esquecida até que uma revista médica se referiu ao "Método Ball"
e lhe deu crédito.
Devemos
agradecer à estrela de Hollywood Hedy Lamarr pela comunicação sem fio.
Durante a Segunda Guerra Mundial, ela trabalhou em estreita colaboração com
George Antheil para desenvolver a ideia de "saltos de
frequência", o que evitaria a escuta dos rádios militares. Sem essa
tecnologia, não teríamos nem o celular, nem o Wi-Fi hoje em dia.
Infelizmente,
a Marinha dos EUA ignorou a patente dela. Anos depois, o que aconteceu foi redescoberto por
uma pesquisadora, o que levou Hedy Lamarr a receber o Prêmio Electronic
Frontier Foundation pouco antes de sua morte, em 2000.
Graças
ao filme de 2017 'Estrelas Além do Tempo', muita gente conheceu Katherine
Johnson, que foi apelidada de "Computador" por sua inteligência.
Johnson
descobriu o caminho para a nave Freedom 7 entrar com sucesso no espaço em 1961 e, mais tarde, para a missão
Apollo 11 pousar na Lua em 1969. Ela muitas vezes não era reconhecida
por seus colegas homens e enfrentava discriminação racial.
· Caresse
Crosby estava
cansada de usar espartilhos e, então, ela desenvolveu o sutiã moderno,
conhecido como o "sutiã sem costas". Mais tarde, ela vendeu sua
patente para a Warner Brothers Corset Company, o que a deixou nas
sombras.
A
primeira patente de Marion Donovan foi uma cobertura de fralda.
Mais tarde, ela adicionou botões, o que eliminou os alfinetes de segurança. Sua
fralda descartável original foi feita com cortinas de chuveiro. Sua última foi
feita com tecido de paraquedas de nylon. Este método ajudou a manter as
crianças e suas roupas mais limpas e secas e ajudou a diminuir as erupções
cutâneas. Claro, sua patente foi ignorada pelas empresas de fraldas.
· Nettie
Stevens descobriu
a conexão entre cromossomos e a determinação do gênero. Infelizmente, seu
colega e mentor E.B. Wilson publicou os trabalhos antes dela e é
frequentemente creditado pela descoberta.
· Chien-Shiung
Wu desenvolveu
o processo para separar o metal do urânio. E, em 1956, ela conduziu o “experimento
Wu” que se concentrou em interações eletromagnéticas, o que rendeu
resultados surpreendentes.
No
entanto, os físicos que originaram uma teoria semelhante no campo, Tsung-Dao
Lee e Chen-Ning Yang, receberam crédito pelo trabalho dela.
Eles acabaram ganhando o Prêmio Nobel pelo experimento em 1957.
O
ENIAC (Electronic Numerical Integrator and Computer, algo como "integrador
numérico eletrônico e computador", em português) foi o primeiro
computador já construído. Em 1946, seis mulheres programaram esse computador
como parte de um projeto secreto da Segunda Guerra Mundial.
Infelizmente, o inventor John Mauchly é muitas vezes o único que
recebe crédito por essa criação. Mas as programadoras são as que
desenvolveram totalmente a máquina.
· Vera
Rubin é a
astrofísica que confirmou a existência da matéria escura na atmosfera. Ela
trabalhou com o astrônomo Kent Ford nos anos 60 e 70, mas não
recebeu nenhum reconhecimento a mais do que ser um "tesouro nacional".
Invenções
criadas por mulheres que homens levaram todo o crédito, ao exemplo:
· Rosalind
Franklin: dupla
hélice do DNA©Getty Images. As fotografias de DNA de Rosalind Franklin
revelaram a verdadeira estrutura da molécula como uma dupla hélice. Na
época, sua teoria foi denunciada pelos cientistas James Watson e Francis
Crick.
Watson
e Crick descobriram
originalmente a hélice única e acabaram recebendo um Prêmio Nobel por
suas pesquisas.
· Jocelyn
Bell Burnell descobriu
pulsos irregulares de rádio enquanto trabalhava como assistente de pesquisa em
Cambridge. Depois de mostrar a descoberta ao seu conselheiro, a equipe
trabalhou em conjunto para descobrir o que eles realmente eram: pulsares.
No
entanto, Burnell recebeu crédito zero por sua descoberta. Em vez disso,
seu conselheiro Antony Hewish e Martin Ryle receberam o Prêmio
Nobel de Física em 1974.
· Grace
Murray Hopper:
linguagem de programação de computadores ...
Hopper
criou as
primeiras ferramentas de compilação de linguagem de computação para programar o
computador Harvard
Mark I, um computador que era frequentemente usado na Segunda Guerra
Mundial.
Desse
modo, para o ano de 2026, e tendo em vista a exposição acima, o tema central
definido pela UNESCO é:
"Da Visão ao Impacto: Redefinindo
o STEM ao Fechar a Lacuna de Gênero" (From Vision to Impact:
Redefining STEM by Closing the Gender Gap). Este tema marca uma mudança
do diálogo sobre recomendações para a implementação de soluções práticas e
ações concretas que gerem um impacto mensurável nos ecossistemas
científicos.
Outro
foco complementar para 2026 abordado pelas Nações Unidas é a
sinergia entre Inteligência Artificial (IA), Ciências Sociais e
Finanças para construir futuros inclusivos, um futuro em que a ciência e a
igualdade de gênero se estabilizem.
“A escuta de vozes historicamente
silenciadas também é uma contribuição no combate às desigualdades,
principalmente se seguida da reflexão e de ação reparatória. Por mais meninas e
mulheres ocupando a ciência em todas as áreas”.
Por: Roberto
Costa Ferreira - 10fev26.
Prof,Pesquisa,Pedagogista,Med-MEng
HILASA - Instit. História Letras Artes
Santo
Amaro - SÃO PAULO - SP.