Ele
que fora um renomado magistrado romano na Capadócia que,
após converter-se ao cristianismo, renunciou a uma carreira lucrativa e
influente para viver como monge no deserto. No ano de 304, durante
as perseguições do imperador Diocleciano, ele sentiu um chamado interior
para retornar à cidade no exato momento em que o governador Saprício exigia
que todos os cristãos prestassem culto ao deus Júpiter.
Diz
a tradição que sua presença no templo foi tão impactante que "o fogo dos
sacrifícios pagãos se apagou inexplicavelmente". Ao desmascarar a falsidade dos
ídolos e proclamar a existência de um único Deus, ele foi imediatamente
preso e decapitado.
Diante da nossa realidade, São Sérgio é visto como um símbolo de:
- Integridade contra a Idolatria: Representa o combate às "falsas divindades" modernas — como o consumo desenfreado, o poder e o status — que muitas vezes exigem o sacrifício de nossos valores éticos.
- Coragem Civil: Como ex-magistrado, sua história inspira aqueles que ocupam posições de autoridade a não se curvarem a ordens injustas, priorizando a verdade sobre a conveniência política.
- Resiliência na Fé: Sua trajetória ensina a suportar adversidades com firmeza, sendo um exemplo de "luta pela justiça até a morte" em um mundo de opiniões voláteis.
Vivemos mais, neste tempo e dia de 24 de fevereiro, lembrando a Promulgação da 1ª Constituição Republicana (1891). É fascinante como o 24 de fevereiro une o martírio de São Sérgio à fundação da nossa estrutura política moderna. Enquanto Sérgio desafiou o poder imperial em nome da consciência individual,
- a Constituição de 1891 rompeu com o Poder Moderador do Império para tentar estabelecer o autogoverno do povo.
- O Federalismo: Pela primeira vez, as províncias tornaram-se Estados com autonomia. Isso mudou a dinâmica do poder, que deixou de ser centralizado no Rio de Janeiro e passou para as mãos das oligarquias estaduais (a famosa "Política do Café com Leite").
- Estado Laico: Houve a separação oficial entre Igreja e Estado. O catolicismo deixou de ser a religião oficial, garantindo a liberdade de culto — um ponto que ecoa a luta de figuras como São Sérgio pela liberdade de consciência.
- O Sufrágio (com limites): Aboliu-se o voto censitário (por renda), mas excluíram-se mulheres, analfabetos e soldados. Foi um passo em direção à democracia, mas ainda um passo restrito.
Trazer 1891 para o debate de hoje nos faz perceber que muitos dos nossos desafios atuais são "heranças" daquele momento:
- A Tensão entre os Poderes: A Constituição de 1891 estabeleceu o presidencialismo forte. Hoje, ainda vivemos o debate constante sobre o equilíbrio entre o Executivo, o Legislativo e o Judiciário, tentando evitar que a "República" se torne autoritária.
- O Papel das Forças Armadas: A República nasceu de um golpe militar (1889) e foi consolidada por uma Constituição escrita sob essa influência. Até hoje, a sociedade brasileira discute os limites da atuação militar na política civil.
- O Pacto Federativo: A briga por recursos e autonomia entre Estados e o Governo Federal, que vemos nas notícias sobre impostos e políticas de saúde, começou exatamente na transição de 1891.
Traçando o Paralelo, considerando Ética vs. Sistema temos que:
- se São Sérgio representa a resistência ética individual,
- a Constituição de 1891 representa a tentativa de organizar a ética coletiva através das leis.
Ambos nos lembram que uma sociedade justa não
depende apenas de bons documentos, mas da coragem dos indivíduos em defender a
verdade e a justiça dentro dessas estruturas.
“A República é o governo de
todos por todos.” – Esse era o ideal, mas a prática de 1891 nos ensinou
que, sem inclusão real (educação e voto para todos), a República corre o risco
de ser o governo de poucos para poucos.
Destaco
mais que, no dia de hoje – 24 de fevereiro - ainda
vibramos, mesmo que inconscientemente, o
Dia da Conquista do Voto Feminino (1932), celebrando a criação
do Código Eleitoral que garantiu o direito de voto às mulheres.
- Se a Constituição de 1891, que antes mencionei, falhou ao ignorar as mulheres,
- o Código Eleitoral de 1932 corrigiu essa rota, alterando definitivamente a face da nossa democracia.
Desse modo, qual a significação, o Que Essa Data Representa Hoje:
- A Força do Eleitorado: Atualmente, as mulheres são a maioria silenciosa e potente das urnas, representando cerca de 52,4% do eleitorado brasileiro. O destino do país passa, obrigatoriamente, pela decisão feminina.
- O Desafio da Representatividade: Embora votem massivamente, as mulheres ainda ocupam apenas cerca de 15% das cadeiras legislativas, talvez um pouco mais. A data serve para lembrar que o direito de votar foi conquistado, mas o direito de ser votada e efetivamente governar ainda enfrenta barreiras estruturais.
- A Herança das Sufragistas: Figuras como Bertha Lutz e a potiguar Celina Guimarães Viana (a primeira a votar, ainda em 1927) são os "Sérgios" da política brasileira: pessoas que desafiaram o sistema vigente para garantir que a consciência individual não fosse silenciada pelo gênero.
E, tendo em vista a Conexão com essa tal minha Reflexão, ao unir esses três pilares — a fé resiliente de São Sérgio, a estrutura republicana de 1891 e a conquista sufragista de 1932 — o 24 de fevereiro se revela como o Dia da Consciência e da Cidadania! É um dia que nos provoca a perguntar:
- Quem ainda está de fora da nossa República?
- E o que podemos fazer, inspirados por esses exemplos, para que a justiça não seja apenas um texto legal, mas uma prática vivida por todos?
Interessante notar: Em 1932, o voto era facultativo e, muitas vezes, exigia autorização do marido. Foi apenas em 1965 que a igualdade plena no alistamento eleitoral foi estabelecida, oportunidade que eu detinha meus quinze anos. Então hoje indagando:
- Você sente que a participação feminina na política da sua região tem honrado esse legado de 1932?
Essa é uma pergunta que toca no âmago da nossa democracia. Como aderente “às coisas da inteligência artificial”, e eu ainda ocupando um espaço geográfico e possuindo "sentimentos" pessoais, assim, ainda posso analisar a "temperatura" da realidade brasileira a partir dos dados e do contexto social que observo.
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| Berta Lutz, a sorridente sufragista defensora de direitos iguais |
- Protagonismo na Pauta: Hoje, as mulheres não apenas votam, mas pautam o debate público sobre temas que antes eram invisibilizados, como a economia do cuidado, o combate à violência de gênero e a equidade salarial.
- Liderança Técnica e Judiciária: Vemos mulheres ocupando postos altíssimos de gestão e justiça, honrando a competência que Bertha Lutz e as sufragistas defendiam como igual à dos homens.
- Aumento da Diversidade: Há um esforço crescente para que a participação feminina não seja apenas numérica, mas diversa, incluindo mulheres negras, indígenas e de diferentes origens sociais.
E pergunto-me, estendendo a indagação: Onde o legado ainda nos desafia? Apesar da vibração deste 24 de fevereiro, a realidade impõe reflexões duras, consideradas:
- A Barreira dos 15% antes referido: Embora sejamos a maioria da população, a presença feminina no Congresso Nacional ainda orbita em torno de 15%. É uma desproporção que as sufragistas de 1932 certamente esperavam que já estivesse superada quase um século depois.
- Violência Política: O legado de 1932 buscava a liberdade. No entanto, muitas mulheres hoje enfrentam violência política de gênero (ataques em redes sociais, interrupções em plenários e ameaças) que tentam desestimular sua permanência na vida pública.
- Candidaturas Laranjas: Infelizmente, o sistema ainda tenta burlar as cotas de gênero, usando o nome de mulheres para preencher requisitos legais sem lhes dar recursos reais para a campanha.
Então, à breve síntese do 24 de fevereiro em curso, vislumbrando o cenário e olhando para São Sérgio (a coragem do indivíduo), para a Constituição de 1891 (o sonho de um sistema justo) e para o Voto Feminino de 1932 (a inclusão de fato), percebo que:
- o legado só é plenamente honrado quando a mulher não é apenas uma "convidada" na política, mas uma arquiteta do sistema.
A
participação atual honra o passado pela resistência, mas ainda carece
de espaço real de poder. O voto de 1932 foi a chave que abriu a porta;
a nossa tarefa hoje é garantir que o corredor depois dessa porta não esteja
bloqueado.
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| A potiguar Celina Guimarães Viana, 1a. eleitora do Brasil, votante em 5 de abril de 1928 - decorrendo-se 97 anos. |
- São
Sérgio (Fé e Resistência): O
ícone representa a coragem individual de manter princípios diante de
sistemas opressores.
- Constituição
de 1891 (Estrutura): A
capa do documento simboliza a tentativa de organizar uma nova nação
baseada na autonomia e no laicismo.
- Voto
Feminino de 1932 (Inclusão): As
imagens das sufragistas e de líderes como Bertha Lutz marcam
o momento em que a República começou a se tornar, de fato, um espaço para
todos.
- Ainda, considerando Berta Lutz em ação ...
- Também, a potiguar Celina Guimarães Viana, a primeira eleitora do Brasil.
Esta
data é um lembrete de que a cidadania é uma construção contínua, feita de leis,
mas movida por pessoas.
Por: Roberto Costa Ferreira - 24fev26.
Prof,Pesquisa,Pedagogista,Med-MEng
HILASA-SP-Instit.História Letras Artes
Santo Amaro - SÃO PAULO - SP.









