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quinta-feira, 2 de abril de 2026

Chico Xavier - 75 anos de mandato mediunico - Polivalência de sua Obra Literaria!

Neste dia 2 de abril, restam decorridos cento e dezesseis anos do nascimento,  de Francisco de Paula Cândido, registrado com este nome em homenagem ao santo do dia (São Francisco de Paula). O nome foi oficialmente alterado para Francisco Cândido Xavier apenas em 1966.

Filho do operário João Cândido Xavier e da doméstica Maria João de DeusChico Xavier nasceu a 2 de abril de 1910, na cidade de Pedro Leopoldo/MG.

A desencarnação de dona Maria João de Deus, deu-se a 29 de setembro de 1915, quando o Chico tinha apenas 5 anos. Dos nove filhos (Maria Cândida, Luzia, Carmosina, José, Maria de Lourdes, Chico, Raimundo, Maria da Conceição e Geralda), seis foram entregues a padrinhos e amigos. 

Chico sofreu muito em companhia de sua madrinha, que era obsediada. Conta ele, que apanhava três vezes por dia, com vara de marmelo. O pai de Chico casou-se novamente; desta feita com Cidália Batista, de cujo casamento advieram mais seis filhos (André Luiz, Lucília, Neusa, Cidália, Doralice e João Cândido).

Por essa ocasião, deu-se o seu retorno à companhia do pai, dos irmãos e de sua segunda mãe dona Cidália, que tratava a todos com muito carinho. 

Sua escolaridade vai até o curso primário, como se dizia antigamente, sendo certo que trabalhou a partir dos oito anos de idade, de 15h às 2h, numa fábrica de tecidos. 

Católico até o ano de 1927, o Padre Sebastião Scarzelli era seu orientador religioso. Com a obsessão de uma de suas irmãs, a família teve que recorrer ao casal de espíritas, Sr. José Hermínio Perácio e dona Carmem Pena Perácio, que após algumas reuniões e o esforço da família do Chico, viu-se curada.

A partir daí, foi mantido o Culto do Evangelho no Lar, até que naquele ano de 1927, o Chico, respeitosamente, despediu-se do bondoso padre, que lhe desejou amparo e proteção no novo caminho. (...) No ano de 1927, funda em Pedro Leopoldo, junto com outras pessoas, o Centro Espírita Luiz Gonzaga. 

Em 08/08/44, Chico Xavier, através do advogado Dr. Miguel Timponi, em co-autoria com a FEB - Federação Espírita Brasileira, inicia contestação à ação declaratória movida pela Sra. Dª. Catharina Vergolino de Campos, viúva do famoso escritor desencarnado Humberto de Campos, sob a fundamentação de "ser necessário concluir se efetivamente a obra psicografada pelo Chico", como sendo do notável escritor patrício, Humberto, após sua desencarnação. 

Ao final desse longo pleito, através de críticos literários, os mais consagrados, concluiu-se ser autêntica a obra em questão (ver o assunto completo no livro "A Psicografia ante os Tribunais, de autoria do advogado Dr. Miguel Timponi - Ed. FEB). 

Dos quatro empregos que teve, por 32 anos trabalhou na Escola Modelo do Ministério da Agricultura, em Pedro Leopoldo e Uberaba, nesta última cidade, a partir de 1959, quando para lá se transferiu. 

Chico sempre se sustentou com seu modesto salário, não onerando a ninguém. Aposentou-se como datilógrafo subordinado ao Ministério da Agricultura. Jamais se locupletou como médium. Ganhava, dos mais simples aos mais valorizados presentes (canetas, fazendas, carros), mas, de tudo se desfazia educadamente.

Dos quatrocentos e doze livros psicografados, os quais pela lei dos homens lhe pertenciam os direitos autorais, de todos se desfez doando-os a federativas espíritas e a instituições assistenciais beneficentes, num verdadeiro exemplo vivo de cidadania e amor ao próximo. Sempre, "com vistas ao próximo"!

A Polivalência da Obra Literária de Chico Xavier e, notadamente, su
a produção literária é notavelmente diversificada, abrangendo diversos gêneros e estilos.

O marco inicial dessa trajetória foi a publicação de Parnaso de Além-Túmulo, obra composta por poemas de 56 autores brasileiros e portugueses desencarnados.

Recebido entre 1931 e 1932, o livro veio a lume quando o médium tinha apenas 21 anos, inserindo-o no cenário psicográfico de forma magistral.
Sua vasta produção em prosa e verso pode ser classificada em diferentes categorias:

  • Reveladora: Inaugurada pelo espírito André Luiz com o livro Nosso Lar, esta série destaca-se pelo caráter informativo sobre a vida extrafísica, registrando com detalhes o cotidiano e a organização do plano espiritual.
  • Identificadora: Refere-se à literatura poética, como o próprio Parnaso. Se "estilo é a maneira de exprimir os pensamentos" (Aurélio), a obra reúne quase seis dezenas de vozes consagradas da Língua Portuguesa, permitindo uma comparação inevitável entre a produção dos poetas em vida física e suas comunicações após o retorno ao plano espiritual.
  • Mensagem: Livros compostos por textos avulsos de temas variados e diversos espíritos. Exemplos notáveis incluem Mãos Unidas  e  Respostas da Vida.
  • Romanesca: Gênero que destaca os cinco romances históricos de EmmanuelHá Dois Mil Anos (31 a 79 d.C.), Cinquenta Anos Depois (ano 131 d.C.), Ave, Cristo! (217 a 258 d.C.), Paulo e Estêvão (da morte de Jesus até cerca de 70 d.C.) e Renúncia  (segunda metade do século XVII).
Vale notar que Há Dois Mil Anos foi escrito no curto período de outubro de 1938 a fevereiro de 1939, nos intervalos das atividades profissionais de Chico. A precisão da cronologia romana nessas obras é reconhecida por especialistas e motivou a criação do Vocabulário Histórico-Geográfico, de Roberto Macedo.

  • Histórico-Geográfica: Vistas por obras como A Caminho da Luz e Brasil, Coração do Mundo, Pátria do Evangelho (Humberto de Campos), além dos romances de Emmanuel já citados.
  • Conto: Merecem destaque os livros Jesus no Lar (Neio Lúcio), Almas em Desfile e A Vida Escreve (parceria com Waldo Vieira/Hilário Silva), além de Contos Apólogos, Reportagens de Além-Túmulo Contos Desta e Doutra Vida, todos de Humberto de Campos.
  • Reportagem: Trabalho vigoroso de Humberto de Campos que, do plano espiritual, enviou crônicas notáveis, como o encontro com o apóstolo Pedro em Crônicas de Além-Túmulo, a mensagem de Napoleão em Cartas e Crônicas ou a entrevista com a atriz Marilyn Monroe no livro Estante da Vida.
O fato que impressiona críticos e acadêmicos é o mimetismo literário: os poemas respeitam fielmente a métrica, o estilo e o vocabulário específico de cada autor falecido.
Tudo aliado à diversidade de gêneros, situação que sua obra não se limita à poesia. Ela se ramifica em:
  • Romances Históricos: Como a série de Emmanuel acima referido e que reitero, reconstruindo com rigor de detalhes a vida no Império Romano.
  • Relatos Científicos e Filosóficos: A série de André Luiz, a exemplo, (Nosso LarE a Vida Continua...) introduzindo conceitos de biologia, física e medicina sob uma ótica espiritualista, antecipando debates sobre a relação mente-corpo.
  • Contos e Crônicas: Textos curtos com linguagem simples, voltados para a ética cotidiana e o consolo.
  • Literatura Infantil: Obras dedicadas à educação moral de crianças.
  • Epistolografia: Milhares de cartas psicografadas que serviram como documentos de conforto familiar e estudo biográfico.
Há que se considerar, magistralmente, o relevante impacto Social e Filantrópico!
Sendo certo, um ponto crucial da sua trajetória é a abnegação: "Chico Xavier cedeu em cartório todos os direitos autorais para instituições de caridade", momento que, tal atitude permitiu que sua obra alimentasse:
  • não apenas o espírito dos leitores, mas também frentes de assistência social por todo o Brasil.
O reconhecimento acadêmico é inquestionável, pois que, atualmente, sua obra é objeto de teses em universidades renomadas (como a USP e a UNICAMP) sendo analisada sob as lentes da:
  • Teoria Literária,
  • da Linguística e,
  • da Sociologia,
confirmando que seu valor ultrapassa a barreira do dogma religioso e se firma como patrimônio cultural brasileiro!

Por: Roberto Costa Ferreira -02abril26.
Prof,Pesquisa,Pedagogista,Med-MEng
HILASA-SP-Instit.História Letras Artes
FEESP - Feder. Espírita Estado S.Paulo
Santo Amaro  - SÃO PAULO - SP.




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