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segunda-feira, 30 de março de 2026

Preguiça de pensar, emburrecimento e falta de interesse... Opcionalmente, a "atrofia da atenção" (atrofia cognitiva)!


Tal levantamento em pesquisa realizei ao final de 2020 e início de 2021, tendo distribuído para os meios convenientes, imediato à revisão, então realizada. Portanto, às condições de preguiça de pensar, emburrecimento e falta de interesse, inicio com a indagação:

     - Por que muitos preferem depender da opinião de terceiros a ter que raciocinar e tomar decisões por si mesmos?

Estudiosos, pesquisadores e antropólogos já apresentaram evidências de que estaríamos vivendo na chamada "era da burrice", onde a inteligência humana efetivamente começou a decair. Segundo o antropólogo inglês Edward Dutton, o emburrecimento não é um simples desvio momentâneo, mas, sim, um fenômeno real.

Responsável pela revisão das principais pesquisas sobre o assunto, Dutton afirma que, "se essa regressão seguir o ritmo atual, a população de diversos países terá um Quociente de Inteligência (QI) abaixo de 80 pontos já na próxima geração de adultos, o que representa um nível abaixo da média".

Esclareço que tal citação atribuída a Edward Dutton está correta em termos de autoria e contexto de suas teorias, tendo sido amplamente replicada em análises sobre o declínio do QI. No entanto, a validade científica da previsão de que o QI cairá abaixo de 80 pontos na próxima geração é altamente controversa e criticada pela comunidade acadêmica, ao que concordo.

A afirmação se insere no contexto do trabalho de Edward Dutton, antropólogo britânico e um dos principais expoentes da teoria do "Efeito Flynn Reverso". Sua tese central, detalhada no então recentemente lançado "At Our Wits' End" (2018), defendendo que: 

  • Declínio do QI: Após décadas de aumento constante (o Efeito Flynn), as pontuações de QI começaram a cair em países desenvolvidos, como Finlândia e França, desde o final do século XX
  • Causa Disgênica: Dutton argumenta que a seleção natural se inverteu, sugerindo que pessoas com menor QI estariam tendo mais filhos, o que reduziria a média genética da população. 
  • Projeção Extrema: A previsão de uma queda para níveis abaixo de 80 pontos baseia-se em uma extrapolação linear desses declínios recentes.

Críticas e Limitações

A maioria dos especialistas em psicometria e inteligência aponta falhas graves nessas afirmações, assim: 

      - Fatores Ambientais: Estudos mostram que o declínio recente é provavelmente causado por fatores ambientais — como mudanças no sistema educacional, nutrição e tecnologia — e não por genética. 

     - Extrapolação Indevida: É matematicamente arriscado projetar que uma tendência de queda de 2 a 3 pontos por década continuará até atingir 80 pontos em uma única geração. 

     - Vieses Metodológicos: Críticos argumentam que os estudos de Dutton possuem vieses de seleção e que a inteligência humana é complexa demais para ser reduzida apenas a uma pontuação de teste que pode estar ficando "obsoleta" para os novos tempos.

Apesar de não haver pesquisas brasileiras específicas sobre essa teoria em particular, posso afirmar que o processo de emburrecimento, no sentido educacional, já está instalado por aqui, senão vejamos os dados seguintes que, de acordo com dados da Secretaria da Educação do Estado de São Paulo, os alunos do ensino médio tiveram o pior desempenho da história em 2021. O nível de conhecimento em matemática:

  • de 97% dos alunos do 3º ano é equivalente ao da 7ª série do ensino fundamental;
fato que representa uma defasagem de seis anos de aprendizado. Em português, a situação também não é nada boa, pois quatro em cada dez alunos possuem conhecimento abaixo do básico.

Como se depreende, o ato de pensar se tornou tão trabalhoso que grande parte das pessoas parece estar constantemente em modo "standby" e só consegue "ligar" o cérebro mediante algum estímulo externo. É cada vez mais difícil encontrar pessoas ávidas por conhecimento, que se interessem verdadeiramente por uma conversa ou que simplesmente prestem atenção por mais do que dez minutos.

Embora a tecnologia e a automação acelerem muitos processos e estejam presentes em praticamente tudo o que fazemos, viver em um mundo onde a capacidade cognitiva parece regredir certamente nos faz retroceder em inúmeros aspectos. Cabe a nós, por exemplo:

  • a responsabilidade de fazer boas escolhas,
  • principalmente em um ano eleitoral, em que pessoas de caráter duvidoso não economizarão nas "fake news" e em todo tipo de estratégia enganadora.

O que esperar do futuro de um país que tem preguiça de pensar, cujos jovens já apresentam anos de defasagem no ensino acadêmico e que demonstram muito mais interesse em brigar por política do que de fato entendê-la?

É preciso refletir sobre a questão e, quanto antes, lutar para mudar o rumo que nossa sociedade vem trilhando. Mesmo porquê, na evolução desta abordagem e em razão do conteúdo desenvolvido no vídeo acima proposto, a "atrofia da atenção" (ou atrofia cognitiva) não é uma doença médica clássica, mas um termo usado para descrever:

  • enfraquecimento da capacidade de concentração e,
  • o foco prolongado devido ao estilo de vida digital moderno. 

Considerando a possível soberania cognitiva na era da Inteligência Artificial, dita IA, temos que, assim como um músculo que diminui de tamanho quando não é exercitado, as redes neurais ligadas à atenção podem se tornar menos eficientes quando dependemos excessivamente de tecnologias que fazem o "trabalho mental" por nós.

Principais Causas e Mecanismos

    • Terceirização Cognitiva (Cognitive Offloading): Ocorre quando delegamos funções como memória, raciocínio lógico ou orientação espacial para algoritmos e dispositivos (como o uso constante de GPS ou buscas imediatas no Google), reduzindo a ativação de circuitos neurais importantes.

    • Fragmentação do Foco: O consumo constante de conteúdos curtos (vídeos rápidos, redes sociais) e as interrupções por notificações treinam o cérebro para reagir a estímulos imediatos, prejudicando a "atenção sustentada" necessária para ler um livro ou realizar tarefas complexas.

    • Inteligência Artificial como "Muleta": O uso da IA para substituir o pensamento crítico, em vez de apenas estendê-lo, pode levar a um empobrecimento dos processos cognitivos e à perda da autonomia mental. 

Sinais da "Atrofia" no Cotidiano

   • Baixa Tolerância ao Tédio: Necessidade impulsiva de checar o celular em qualquer momento de silêncio ou espera.

    • Dificuldade de Foco Profundo: Incapacidade de manter a concentração em uma única atividade por mais de alguns minutos.

    • Memória de Curto Prazo Reduzida: Dificuldade em reter informações simples que antes seriam facilmente memorizadas. 

Como "Exercitar" a Atenção

Para combater esse processo, especialistas sugerem fortalecer a reserva cognitiva através de:

     • Prática de Atenção Sustentada: Ler textos longos em papel e realizar tarefas sem interrupções digitais.

     • Tédio Fértil: Permitir momentos de silêncio e ócio sem telas, o que estimula a criatividade e a reflexão interna.

     • Uso Crítico da Tecnologia: Utilizar ferramentas digitais como suporte, e não como substitutas do esforço mental inicial

Portanto, às considerações propostas, é possível depreender que o uso excessivo de IA pode gerar uma atrofia cognitiva. E aqui reforço os pontos principais que se extraem, resumidamente, momento que tendo em vista a Analogia Biológica, compara-se a mente a um músculo; a falta de "exercício" mental (devido a automação da dita IA) leva ao enfraquecimento das funções cerebrais.

Idem à Dependência Tecnológica, situação que tal conveniência da IA cria um risco de delegarmos tarefas intelectuais essenciais, o que prejudica nossa autonomia. Em razão da Eficiência da Atenção, o foco principal do dano reside nas redes neurais da atenção, sugerindo que a IA pode nos tornar mais dispersos ou menos capazes de concentração profunda.

Ibidem às condições de Soberania Cognitiva, oportunidade que o termo sugere que estamos perdendo o "governo" sobre nossa própria capacidade de pensar e decidir. 

Lamentável!

Por: Roberto Costa Ferreira - 30mar26.
Prof.,Pesquisa,Pedagogista,Med-MEng
HILASA - SP-Instit.História Letras Artes
UNIFESP - Univ.Federal de São Paulo
Santo Amaro - SÃO PAULO - SP.

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