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sábado, 14 de fevereiro de 2026

Ciência e Futuro - Avanços Tecnológicos: "Celebrando o Dia Internacional das Mulheres e Meninas na Ciência", em 11 de fevereiro de 2026!

 


Dia Internacional das Mulheres e Meninas na Ciência celebra a importância da presença feminina em todas as áreas do saber, com foco especial  nos campos de STEM (ciência, tecnologia, engenharia e matemática) e  lembrado  anualmente  em 11 de fevereiro, no dia de hoje – quarta-feira,  uma  data para valorizar o papel feminino inclusive no rol das pesquisas cientificas!

Instituída pela ONU em 2015, sob a liderança da UNESCO e da ONU Mulheres, o dia visa sobretudo, promover o acesso pleno e igualitário das mulheres no rol das excelências em pesquisa, não apenas reconhecendo contribuições históricas, mas também expondo as desigualdades de gênero que ainda persistem no setor.

A ideia é combater desigualdades de gênero estruturais, buscando atingir um dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS), propostos pela ONU, o ODS 5:

     · Alcançar a igualdade de gênero e empoderar todas as mulheres e meninas.

Embora existam avanços, a disparidade na comunidade científica reforça a urgência de superar barreiras e criar ambientes acadêmicos e profissionais genuinamente inclusivos.

Neste contexto tem-se por Objetivos Representativos:

     · Igualdade de Gênero  - Momento de fortalecer o compromisso global com a igualdade de direitos e a participação feminina plena em campos científicos e tecnológicos. 

     · Incentivo à Próxima Geração - Inspirando meninas a seguirem carreiras em pesquisa e garantir que as mulheres já estabelecidas recebam o devido reconhecimento. 

     · Desigualdade Atual – Momento que,  globalmente, as mulheres representam cerca de 33% dos pesquisadores e, no Brasil, embora esse número suba para quase 50%, a liderança científica ainda permanece desigual. 

Em razão de atuação cientifica, destaco o Projeto Genoma e a participação de pesquisadoras brasileiras  que o desenvolveram e cuja participação brasileira no cenário genômico é marcada por figuras de peso, sendo significativo lembrar o nome de Mayana Zatz, a referência central quando se fala no referido projeto no Brasil. 

Principais Pesquisadoras e Projetos: 

     · Mayana Zatz (USP) – sendo então Coordenadora do Centro de Estudos do  Genoma Humano e Células-Tronco (CEGH-CEL), ela é pioneira no estudo de doenças neuromusculares, foi peça-chave na articulação da  pesquisa  genética brasileira. Atualmente, lidera  estudos  sobre  longevidade  e  o uso do Zika vírus no tratamento de tumores. 

     · Lygia da Veiga Pereira (USP): Idealizadora do  Projeto Gen-T  e  da iniciativa  DNA  do  Brasil. Seu   trabalho  foca  em  mapear  a  diversidade  genética  da  população  brasileira  —   uma  das  mais miscigenadas do mundo  —   para  desenvolver  uma  medicina  de  precisão  adaptada  ao  nosso  perfil genético. 

     · Jaqueline  Goes  de  Jesus: Biomédica que destacou-se mundialmente ao coordenar o  sequencia- mento do genoma do vírus SARS-CoV-2,  em tempo recorde (48 horas) no Brasil. 

Impacto da Pesquisa Nacional

As iniciativas lideradas por essas pesquisadoras permitiram descobertas fundamentais, como temos: 

     · Diversidade Única: Identificação de mais de 8,7 milhões de variantes genéticas inéditas no DNA brasileiro, que não constavam em bancos de dados internacionais. 

     · Medidas de Precisão: O mapeamento de milhares de genomas auxiliou na previsão de riscos de doenças e no desenvolvimento de tratamentos mais eficazes para a população local. 

   · Inovação: O uso do sequenciamento genômico contribuiu para entender a resistência de “superidosos” e para a aplicação de biotecnologia em xenotransplantes.

Ainda, há que se considerar que os créditos pelas pesquisas genômicas no Brasil são compartilhados entre figuras históricas e contemporâneas que colocaram o país na vanguarda da ciência mundial, tendo como:

1.  Marco Zero - Genoma Xylella (Anos 90/2000) – cujo projeto que inaugurou tal era no Brasil, tendo sido o sequenciamento da bactéria Xylella fastidiosa (causadora do "amarelinho" nos citros). 

Liderança Institucional: 

     · Financiado pela FAPESP e idealizado por diretores como José Fernando Perez; 

    · A "Mãe" da Citricultura -  Victoria Rossetti  - tendo sido a pesquisadora que primeiro identificou a bactéria, fornecendo a base para o projeto de sequenciamento anos depois.

2. Genética Humana e Doenças Raras: 

     · Mayana Zatz (USP): É a figura de maior destaque no Centro de Estudos do Genoma Humano. Ela liderou as pesquisas que transformaram o Brasil em referência no tratamento de doenças neuromusculares e foi defensora ferrenha da Lei de Biossegurança para células-tronco.

3. Diversidade e População Brasileira: 

     · Lygia da Veiga Pereira (USP): Cujos créditos pela criação da iniciativa DNA do Brasil, que visa mapear o genoma de 15 mil brasileiros para entender a nossa miscigenação única e criar tratamentos personalizados. 

4. Sequenciamento de Vírus (Tempo Recorde): 

   · Ester Sabino (USP) e Jaqueline Goes de Jesus (IMT-USP): Que receberam reconhecimento global ao sequenciar o genoma do coronavírus em apenas 48 horas, permitindo o acompanhamento das variantes no Brasil quase em tempo real! 

Contudo, no Projeto Genoma a participação de pesquisadoras brasileiras que proporcionaram o seu desenvolvimento não obtiveram o  reconhecimento internacional devido. A premissa de que a participação brasileira não tem reconhecimento internacional é, em parte, um equívoco, pois pesquisadores brasileiros possuem prestígio global.

No entanto, o "apagamento" ou a percepção de falta de destaque pode ser explicada pela estrutura do Consórcio Internacional de Sequenciamento do Genoma Humano e pela natureza do projeto original. Aqui estão os pontos principais para entender essa situação: 

   · Liderança do Consórcio InternacionalO Projeto Genoma Humano (NHGRI) oficial, concluído em 2003, foi liderado por um consórcio público internacional composto por centros nos Estados Unidos, Reino Unido, França, Alemanha, Japão e China. O Brasil não foi um dos países financiadores diretos desse consórcio global original, o que limita a visibilidade "institucional" do país nos créditos principais daquela época. 

    · Reconhecimento de Mayana Zatz: Frequentemente citada como a principal face do genoma no BrasilMayana Zatz é reconhecida internacionalmente como uma das maiores geneticistas do mundo. Ela coordena o Centro de Pesquisas sobre o Genoma Humano e Células-Tronco da USP e recebeu prêmios globais, como o Prêmio L'Oréal-UNESCO para Mulheres na Ciência. Contudo, há que se destacar que “seu trabalho focou mais na aplicação clínica e identificação de genes de doenças do que no sequenciamento ‘bruto’ do consórcio internacional”. 

     · Pioneirismo com a Xylella fastidiosaO Brasil obteve um enorme reconhecimento internacional em 2000, não pelo genoma humano diretamente, mas por ser o primeiro país a sequenciar o genoma de um patógeno agrícola (a bactéria Xylella fastidiosa). Esse feito, liderado pela FAPESP, colocou cientistas brasileiros na capa da revista Nature, provando a capacidade técnica nacional. 

    · O Projeto DNA do Brasil: Atualmente, pesquisadoras como Lygia da Veiga Pereira lideram o Projeto DNA do Brasil, que visa mapear a diversidade genética da nossa população. Embora seja um trabalho de ponta, ele é frequentemente visto como um projeto regional/específico, o que pode gerar a sensação de menor "fama" em comparação ao projeto global generalista. 

     · Fator de Mídia vs. Ciência: Na ciência, o reconhecimento vem através de citações em artigos e colaborações internacionais (onde os brasileiros são muito ativos). Na mídia popular internacional, no entanto, o foco costuma recair sobre as grandes potências financeiras que custearam os bilhões de dólares do projeto inicial na década de 90. 

Em resumo, não houve um "desenvolvimento" isolado do Genoma Humano por uma única pesquisadora brasileira, mas sim uma contribuição técnica e clínica contínua de cientistas como Mayana Zatz e Lygia Pereira, que são altamente respeitadas no meio acadêmico internacional, embora nem sempre figurem nos livros de história geral fora do Brasil tanto quanto os líderes do consórcio anglo-americano.

Desse modo, é o que ocorreu com tantas, em razão do cenário nacional, com respingos internacionais e, pelas razões expostas acima. Porém, temos a considerar e, fartamente, que ao longo da história, as mulheres fizeram avanços na tecnologia e na ciência, mas nem sempre foram reconhecidas por suas invenções e descobertas. Devido ao sexismo, muitas mulheres não foram totalmente legitimadas por seus trabalhos, ou pior, os homens levarem o crédito pelos esforços delas. Mas aqui vamos desfazer esses equívocos. Quem foram essas pioneiras! 

     · Elizabeth Magie Phillips criou a inspiração original para o jogo de tabuleiro Banco Imobiliário em 1903. Ela projetou o jogo para protestar contra donos de monopólios como Andrew Carnegie e John D. Rockefeller.

No entanto, a invenção do famoso jogo de tabuleiro foi creditada a Charles Darrow, que o vendeu para a Parker Brothers em 1935. Quando Elizabeth patenteou sua invenção, ela recebeu apenas US$ 500. Os Irmãos Parker falsamente creditaram Darrow como o inventor original. 

     · Ada Harris foi a primeira a inventar as pranchas alisadoras de cabelo. Infelizmente, os créditos foram dados a Marcel Grateau, que ganhou fama com o ferro de cachear (babyliss, como chamamos hoje) por volta de 1852.                                                                       

Ada Harris só reivindicou a patente para o alisador de cabelo em 1893, mas há uma clara diferença entre a prancha alisadora e um ferro de cachear

     · Mary Anderson teve a ideia de limpadores de para-brisas enquanto andava em um bonde na neve. Ela recebeu uma patente pela ideia em 1903 e tentou vendê-la para empresas, que rejeitaram sua invenção.

Nos anos 50 e 60, as empresas aceitaram a ideia, mas sua patente tinha expirado. O inventor Robert Kearns recebeu os créditos. 

     · Esther Lederberg teve um papel importante na determinação de como os genes são regulados, juntamente com o processo de fabricação de RNA a partir do DNA. Ela frequentemente colaborava com seu marido Joshua Lederberg em seu trabalho em genética microbiana.

Embora ela tenha sido a única a descobrir o fago lambda, um vírus que infecta a bactéria E. coli, seu marido reivindicou o Prêmio Nobel de Fisiologia ou Medicina de 1958 por suas descobertas. 

     · Lise Meitner foi quem descobriu o verdadeiro poder do urânio, que os núcleos atômicos se dividiram durante algumas reações. Infelizmente, a descoberta foi creditada ao seu parceiro de laboratório Otto Hahn, que ganhou o Prêmio Nobel de Química em 1944.

Em 1868, Margaret Knight inventou uma máquina que dobrava e formava sacos de papel marrom planos e de fundo quadrado. Enquanto o modelo estava sendo desenvolvido na loja, um homem chamado Charles Annan roubou a ideia e patenteou. Embora ele tenha recebido crédito por isso, Margaret entrou com uma ação judicial e ganhou os direitos em 1871.

Em meados de 1800, Ada Lovelace escreveu as instruções para o primeiro programa de computador. Mas o matemático e inventor Charles Babbage é quem, muitas vezes, recebe o crédito pelo trabalho porque ele inventou a máquina física

     · Alice Ball era uma jovem química do Hospital Kalihi, no Havaí, que se concentrou na hanseníase (chamada de lepra naquela época). Ela pesquisou como curá-la injetando óleo de chaulmoogra diretamente na corrente sanguínea. Infelizmente, Ball adoeceu e morreu em 1916. Arthur Dean assumiu seu estudo e ela ficou esquecida até que uma revista médica se referiu ao "Método Ball" e lhe deu crédito.

Devemos agradecer à estrela de Hollywood Hedy Lamarr pela comunicação sem fio. Durante a Segunda Guerra Mundial, ela trabalhou em estreita colaboração com George Antheil para desenvolver a ideia de "saltos de frequência", o que evitaria a escuta dos rádios militares. Sem essa tecnologia, não teríamos nem o celular, nem o Wi-Fi hoje em dia.

Infelizmente, a Marinha dos EUA ignorou a patente dela. Anos depois, o que aconteceu foi redescoberto por uma pesquisadora, o que levou Hedy Lamarr a receber o Prêmio Electronic Frontier Foundation pouco antes de sua morte, em 2000.

Graças ao filme de 2017 'Estrelas Além do Tempo', muita gente conheceu Katherine Johnson, que foi apelidada de "Computador" por sua inteligência.

Johnson descobriu o caminho para a nave Freedom 7 entrar com sucesso no espaço em 1961 e, mais tarde, para a missão Apollo 11 pousar na Lua em 1969. Ela muitas vezes não era reconhecida por seus colegas homens e enfrentava discriminação racial

     · Caresse Crosby estava cansada de usar espartilhos e, então, ela desenvolveu o sutiã moderno, conhecido como o "sutiã sem costas". Mais tarde, ela vendeu sua patente para a Warner Brothers Corset Company, o que a deixou nas sombras.

A primeira patente de Marion Donovan foi uma cobertura de fralda. Mais tarde, ela adicionou botões, o que eliminou os alfinetes de segurança. Sua fralda descartável original foi feita com cortinas de chuveiro. Sua última foi feita com tecido de paraquedas de nylon. Este método ajudou a manter as crianças e suas roupas mais limpas e secas e ajudou a diminuir as erupções cutâneas. Claro, sua patente foi ignorada pelas empresas de fraldas

     · Nettie Stevens descobriu a conexão entre cromossomos e a determinação do gênero. Infelizmente, seu colega e mentor E.B. Wilson publicou os trabalhos antes dela e é frequentemente creditado pela descoberta

   · Chien-Shiung Wu desenvolveu o processo para separar o metal do urânio. E, em 1956, ela conduziu o “experimento Wu” que se concentrou em interações eletromagnéticas, o que rendeu resultados surpreendentes.

No entanto, os físicos que originaram uma teoria semelhante no campo, Tsung-Dao Lee e Chen-Ning Yang, receberam crédito pelo trabalho dela. Eles acabaram ganhando o Prêmio Nobel pelo experimento em 1957.

O ENIAC (Electronic Numerical Integrator and Computer, algo como "integrador numérico eletrônico e computador", em português) foi o primeiro computador já construído. Em 1946, seis mulheres programaram esse computador como parte de um projeto secreto da Segunda Guerra Mundial. Infelizmente, o inventor John Mauchly é muitas vezes o único que recebe crédito por essa criação. Mas as programadoras são as que desenvolveram totalmente a máquina. 

    · Vera Rubin é a astrofísica que confirmou a existência da matéria escura na atmosfera. Ela trabalhou com o astrônomo Kent Ford nos anos 60 e 70, mas não recebeu nenhum reconhecimento a mais do que ser um "tesouro nacional".

Invenções criadas por mulheres que homens levaram todo o crédito, ao exemplo: 

     · Rosalind Franklin: dupla hélice do DNA©Getty Images. As fotografias de DNA de Rosalind Franklin revelaram a verdadeira estrutura da molécula como uma dupla hélice. Na época, sua teoria foi denunciada pelos cientistas James Watson e Francis Crick.

Watson e Crick descobriram originalmente a hélice única e acabaram recebendo um Prêmio Nobel por suas pesquisas

     · Jocelyn Bell Burnell descobriu pulsos irregulares de rádio enquanto trabalhava como assistente de pesquisa em Cambridge. Depois de mostrar a descoberta ao seu conselheiro, a equipe trabalhou em conjunto para descobrir o que eles realmente eram: pulsares. 

No entanto, Burnell recebeu crédito zero por sua descoberta. Em vez disso, seu conselheiro Antony Hewish e Martin Ryle receberam o Prêmio Nobel de Física em 1974. 

     · Grace Murray Hopper: linguagem de programação de computadores ...

Hopper criou as primeiras ferramentas de compilação de linguagem de computação para programar o computador Harvard Mark I, um computador que era frequentemente usado na Segunda Guerra Mundial.

Desse modo, para o ano de 2026, e tendo em vista a exposição acima, o tema central definido pela UNESCO é:

"Da Visão ao Impacto: Redefinindo o STEM ao Fechar a Lacuna de Gênero" (From Vision to Impact: Redefining STEM by Closing the Gender Gap). Este tema marca uma mudança do diálogo sobre recomendações para a implementação de soluções práticas e ações concretas que gerem um impacto mensurável nos ecossistemas científicos.

Outro foco complementar para 2026 abordado pelas Nações Unidas é a sinergia entre Inteligência Artificial (IA), Ciências Sociais e Finanças para construir futuros inclusivos, um futuro em que a ciência e a igualdade de gênero se estabilizem.

“A escuta de vozes historicamente silenciadas também é uma contribuição no combate às desigualdades, principalmente se seguida da reflexão e de ação reparatória. Por mais meninas e mulheres ocupando a ciência em todas as áreas”.

 

Por: Roberto Costa Ferreira - 10fev26.

Prof,Pesquisa,Pedagogista,Med-MEng

HILASA - Instit. História Letras Artes

Santo Amaro - SÃO PAULO - SP.



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