Absolutamente fascinante mergulhar no vasto e profundo mundo da leitura e do conhecimento, que a língua portuguesa nos permite brincar com as palavras de uma forma tão intensa, transformando, partindo de um simples substantivo em uma reflexão existencial sobre a nossa percepção da realidade.
Ao dizer "este maravilhoso tempo e o tempo que nos maravilha", toco em uma dualidade que pode intrigar filósofos, cientistas e poetas, como ocorre há milênios:
a relação entre o tempo cronológico (o Chronos) e,
o tempo da experiência vivida, da percepção e,
do encantamento (o Kairos).
Para explorarmos tal reflexão com a devida complexidade que detém e que ela merece, mergulhemos nos detalhes que tornam essa percepção do "tempo" algo tão especial e multifacetado:
A Natureza Dual do Tempo: O Relógio vs. A Emoção
Quando digo que um tempo é "maravilhoso", raramente estou me referindo à precisão técnica de um relógio de césio ou ao movimento mecânico dos ponteiros. Na verdade, estou descrevendo a nossa interação subjetiva com o presente.
O "tempo que nos maravilha" é aquele que parece se expandir quando estamos felizes ou se comprimir quando estamos imersos em uma atividade que amamos (o que a psicologia moderna chama de estado de Flow ou Fluxo).
Desse modo, enquanto o tempo físico é constante e impessoal, o tempo que "maravilha" é intensamente pessoal, colorido pelas nossas memórias, expectativas e pelo estado de espírito do agora.
O Ano Novo se vai ... A Maravilha da Efemeridade e do Ciclo
Existe algo intrinsecamente belo na impermanência. O tempo nos maravilha justamente porque ele é o recurso mais escasso e precioso que possuímos. Cada segundo que passa é único e irrepetível.
Na natureza, observamos isso através das estações:
o desabrochar de uma flor na primavera ou,
o tom alaranjado de um pôr do sol de outono.
São eventos que dependem estritamente da passagem do tempo para existirem. Essa transitoriedade não deve ser vista com tristeza, mas como o tempero que dá valor à vida; se as coisas fossem eternas e estáticas, a "maravilha" provavelmentese perderia na monotonia da permanência.
Curiosidades sobre a nossa percepção temporal:
• O Efeito Telescópio: Você já teve a sensação de que eventos ocorridos há muito tempo parecem ter acontecido ontem? Isso ocorre porque o cérebro humano tende a organizar memórias significativas com uma nitidez que desafia a cronologia linear, mantendo o "maravilhamento" vivo por décadas.
• Dilatação Temporal Psicológica: Em momentos de "grande adrenalina" ou "beleza extrema", o cérebro processa informações com tamanha densidade que temos a impressão de que o tempo "parou":
• É o ápice do tempo que nos maravilha, onde a fração de segundo ganha a importância de uma era!
Assim, a jornada etimológica da dita palavra "maravilha" é um mergulho fascinante na história das línguas românicas e na forma como a percepção humana processa o extraordinário, o inesperado e o belo!
Para entender de onde vem esse termo que usamos para descrever:
desde um fenômeno natural estonteante,
até um pequeno momento de felicidade cotidiana,
precisamos retornar às raízes do latim clássico e observar como a língua se transformou ao longo dos séculos.
A origem direta de "maravilha" reside no substantivo latino neutro plural mirabilia. No latim, mirabilia era utilizado para designar:
"coisas admiráveis",
"acontecimentos espantosos" ou,
"objetos de admiração".
É interessante notar que, na transição do latim para as línguas românicas (como o português, o espanhol e o francês), muitos termos que eram plurais neutros acabaram sendo reinterpreatados como substantivos femininos singulares, o que explica por que temos "a maravilha" no singular hoje em dia.
Aprofundando-nos ainda mais na árvore genealógica da palavra, descobrimos que "mirabilia" é derivada do adjetivo mirabilis (maravilhoso), que por sua vez provém do verbo mirari. Este verbo latino significa "olhar com pasmo", "admirar-se", "espantar-se" ou simplesmente "olhar com atenção".
A raiz mais primitiva de todas remete ao radical indo-europeu smeiros-, que está ligado à ideia de "sorrir" ou "ficar iluminado pelo espanto".
Curiosamente, essa mesma raiz deu origem à palavra inglesa smile (sorrir), revelando uma conexão ancestral entre o ato de ver algo maravilhoso e a reação física de alegria ou surpresa no rosto humano.
Ainda, segundo o Dicionário Etimológico da Língua Portuguesa, de José Pedro Machado, maravilha, atestado desde o século XIII, evoluiu do latim 'mirabĭlĭa', «coisas admiráveis», plural neutro substantivado do adjectivo 'mirabilis', «admirável, maravilhoso, espantoso, singular».
Maravilhar (incluindo a forma na conjugação pronominal reflexa maravilhar-se) é um verbo derivado de maravilha, já no âmbito da própria língua portuguesa.
Milagre provém de 'mirācŭlu-', «prodígio, maravilha, coisa extraordinária» (José Pedro Machado, op. cit.). A palavra terá sofrido influência culta, provavelmente eclesiástica. Na Idade Média existiu a forma intermédia "miragre".'
Para entender como essa palavra se ramificou e se consolidou, vale a pena observar os seguintes pontos sobre sua evolução e conexões:
• A Evolução Fonética e a Adaptação Linguística: Conforme o latim vulgar se transformava nas línguas que falamos hoje, o termo mirabilia passou por adaptações sonoras naturais, como:
Em português, consolidou-se como "maravilha";
em espanhol, tornou-se maravilla, cujo nome que evoca admiração, espanto e algo extraordinário.
A sua utilização como nome próprio pode ser vista como uma forma de expressar o desejo de que a pessoa que o carrega seja uma fonte de encanto e positividade.
Derivados ou nomes associados podem incluir "Mara" ou variações femininas que compartilham a mesma essência de beleza e encanto, e:
no francês antigo, deu origem a "merveille" (que, posteriormente, seria a base para o inglês marvel).
Essa transição mostra como a ideia de "algo que merece ser olhado" permaneceu central na psique dos povos latinos, mantendo a carga semântica de algo que interrompe a normalidade para capturar a visão e o espírito.
• O Conceito de "Mirabilia" na Idade Média: Durante o período medieval, o conceito de mirabilia era quase uma categoria literária e científica. Viajantes e exploradores escreviam relatos sobre as "maravilhas do mundo" (como as famosas Sete Maravilhas da Antiguidade), descrevendo criaturas exóticas, arquiteturas impossíveis e fenômenos naturais que desafiavam a compreensão da época.
Se você tiver interesse em explorar esses textos históricos, pode consultar acervos digitais como os residentes da:
• Biblioteca Nacional de Portugal, que guardam manuscritos onde o termo era frequentemente empregado para descrever o desconhecido.
• Conexões com o Olhar e o Espelho: É fascinante notar que a raiz mir- está presente em diversas outras palavras do nosso vocabulário que compartilham a ideia de visão e reflexo.
Por exemplo, a palavra "miragem" (um fenômeno óptico que engana a vista) e o termo "espelho" (que em latim é speculum, mas que em outras línguas deriva de raízes de olhar, como no espanhol mirar e no termo técnico mirar). Até mesmo a palavra "admirar" (ad-mirare) significa literalmente "olhar para algo com espanto ou aprovação".
• O Uso Moderno e a Expansão do Significado:Hoje, embora a palavra mantenha sua "aura de grandiosidade", ela também se tornou parte do nosso "vocabulário de intensidade". Usamos "maravilha" como uma interjeição de concordância ou entusiasmo ("Que maravilha!").
Essa diluição do sentido original mostra como o ser humano tende a buscar o extraordinário até nas pequenas interações, transformando o "objeto de espanto" em um "estado de satisfação".
Resumidamente, a palavra maravilha é um testemunho linguístico da nossa capacidade de nos surpreendermos com o mundo ao nosso redor.
Ela nasceu do ato de observar atentamente e evoluiu para representar tudo aquilo que, por sua beleza ou singularidade, nos obriga a parar e contemplar!
É uma palavra que carrega em seu DNA o brilho nos olhos de quem vê algo novo pela primeira vez, mantendo viva a conexão entre a visão física e a emoção interna de encantamento. Principalmente diante da presença do hoje, um tempo novo!
Papai Noel, eu não gosto de você! E explico o porquê ...
Recentemente, nos meios de comunicação de massa televisivo notei uma predisposição para promover um Papai Noel Negro.
Às reflexões, porquê tal atitude? A história é outra ... Senão vejamos que, a representação do Papai Noel como um homem negro é um fenômeno cultural de profunda importância que tem ganhado uma visibilidade sem precedentes nos últimos anos, especialmente à medida que avançamos pela terceira década do século XXI.
Esta evolução não se trata apenas de uma mudança estética ou de uma "nova versão" do personagem, mas sim:
de um movimento vigoroso em direção à inclusão,
à representatividade e,
ao reconhecimento da diversidade global das famílias que celebram o espírito natalino.
Ainda, residem outras circunstâncias perfeitamente compreensíveis, pois que, nem todos veem a figura do Papai Noel com os mesmos olhos de encantamento ou alegria que as tradições costumam pregar.
A figura do "bom velhinho" é cercada por séculos de folclore, expectativas sociais e pressões comerciais que podem, muitas vezes, gerar desconforto ou frustração em vez de felicidade.
À medida que o tempo passa, as pessoas desenvolvem suas próprias percepções baseadas em:
experiências de vida,
valores pessoais e,
até mesmo na forma como o mundo moderno moldou as festividades de fim de ano.
Existem diversas razões pelas quais alguém pode não gostar do Papai Noel, inclusive as minhas, porém, todas elas são válidas dentro da experiência de cada indivíduo:
A Pressão do Comportamento e o Julgamento: Muitas crianças crescem ouvindo que o Papai Noel está "vigiando" e que ele decide quem é "bonzinho" ou "malvado" para determinar quem merece presentes. Para muitos, isso pode parecer uma forma de controle ou um julgamento injusto, criando uma sensação de ansiedade em vez de generosidade.
Desigualdade e Realidade Social: O Papai Noel é frequentemente usado como o símbolo de quem traz presentes caros, o que pode gerar uma grande mágoa quando se observa que crianças em diferentes situações financeiras recebem coisas tão distintas. Essa discrepância pode fazer com que a figura pareça "injusta ou elitista", distanciando-se do ideal de bondade universal que ele supostamente deveria representar.
O Lado Comercial da Data: Vivemos em um mundo onde a imagem do Papai Noel foi fortemente apropriada pelo marketing e pelo consumo desenfreado. Para quem valoriza o significado espiritual, a conexão humana genuína ou simplesmente prefere uma vida menos materialista, ver essa figura em cada comercial de TV e vitrine de shopping pode ser extremamente cansativo e parecer vazio de significado real.
Quebra de Confiança e Fantasia: Para algumas pessoas, a descoberta da verdade sobre a lenda do Papai Noel na infância pode ser um momento de desilusão ou uma sensação de que os adultos mentiram por muito tempo. Se essa transição não foi suave, ela pode deixar um gosto amargo em relação à figura em si, transformando o que deveria ser "magia" em uma sensação de decepção.
Saber que hoje é dia 26 de dezembro de 2025, estando só, logo após o Natal, e comigo mesmo, pude permitir, tornando esses sentimentos ainda mais latentes, já que as celebrações acabaram de passar e o cansaço emocional das festas costuma ser grande, promovendo com que a obrigação social de "ter que ser feliz" durante essa época é o que mais gera resistência e cansa!
Logo, ao desconstruir a imagem eurocêntrica tradicional de São Nicolau — que foi solidificada no imaginário popular em grande parte pelas ilustrações de Thomas Nast que explico adiante, o Papai Noel Negro, "trabalhado e divulgado insistentemente num processo intensivo de comunicação, ou doutrinação, onde "uma politica é repetida exaustivamente até que se torne parte do senso comum" ou do conhecimento geral de um publico-alvo.
Reconheço que esse fenômeno é comum em diversas esferas da sociedade moderna, permitindo que milhões de crianças ao redor do mundo se vejam refletidas em uma das figuras mais amadas e generosas da humanidade.
Desse modo, tive interesse em explorar como outros países celebram essa data ou as variações de nomes, como o Father Christmasbritânico ou o Père Noëlfrancês, sentindo-me à vontade para perguntar. Sabendo que há todo um universo de folclore natalino que varia drasticamente de cultura para cultura e, em determinadas, até o interesse político. Nesta última, lastimável pratica!
Assim, a figura não foi criada em um escritório, mas sim lapidada pelo tempo:
e foi finalmente "embalado" para o consumo global pela cultura de massa dos Estados Unidos.
Por oportuno, quando pensamos no Natal, é quase automático lembrar do "velhinho de barba branca vestido de vermelho". Mas você sabia que essa imagem moderna do Papai Noel resultou de uma campanha publicitária da Coca-Cola que acabou se popularizando pelo mundo?
Também que, a título de curiosidades adicionais, considerando o folclore nórdico, é interessante notar que elementos do "Papai Noel" também derivam da mitologia nórdica, especificamente do deus Odin.
Durante o festival de inverno Yule, acreditava-se que Odin liderava uma "Caçada Selvagem" pelo céu em seu cavalo de oito patas, Sleipnir. As crianças deixavam botas cheias de feno para o cavalo, e Odin as recompensava com doces ou presentes — uma estrutura de recompensa que ecoa diretamente no que fazemos hoje no Natal.
Portanto, atento à proposta inicial de identificar "onde foi criado a figura do Papai Noel?" a figura, tal como a conhecemos hoje — um bom velhinho de barba branca, traje vermelho e renas voadoras —, não surgiu em um único local geográfico ou momento histórico específico.
Na verdade, ela é "o resultado fascinante de uma longa evolução cultural" que atravessa continentes e milênios, fundindo tradições religiosas, folclore europeu e estratégias de marketing modernas. Para compreender onde ele foi "criado", precisamos desmembrar essa figura em suas três camadas principais, quais sejam:
a histórica,
a folclórica e,
a comercial.
Assim, igualmente, a relação entre São Francisco de Assis e a figura do Papai Noel é um tópico fascinante que toca em diferentes vertentes das tradições natalinas. Embora não haja uma ligação direta de que um tenha "criado" o outro, quer seja ele "vermelho", "amarelo", "preto", "colorido nas mais diversas matizes, todos os personagens desempenham papéis cruciais e distintos na formação da celebração do Natal como a conhecemos hoje, cada um a partir de sua própria mística e ou ação histórica.
Enquanto a figura do Papai Noel moderno derivada primariamente de São Nicolau de Mira, e demais vertentes, São Francisco de Assis, até então desconhecido para este formato, é fundamental para a visualização e lembrança do verdadeiro sentido natalino e o sentimento do nascimento de Jesus, o cerne da festa cristã!
Bem como e em razão da raiz histórica, tendo em vista a Turquia e São Nicolau, tudo começa no século IV, na cidade de Mira, que hoje faz parte do território da Turquia (na época, uma região de influência grega sob o Império Romano).
Foi ali que viveu São Nicolau de Mira, um bispo cristão famoso por sua generosidade extrema e seu carinho pelas crianças. Uma das lendas mais famosas conta que ele jogou sacos de moedas de ouro pela chaminé de um homem pobre para que suas filhas pudessem ter dotes de casamento e não fossem vendidas à escravidão.
Essa história deu origem à tradição de deixar presentes em meias ou sapatos. Com o tempo, a devoção a São Nicolau espalhou-se por toda a Europa, tornando-o o santo padroeiro de marinheiros, mercadores e, claro, das crianças!
Com a Evolução Europeia, considerando neste cenário:
Holanda e Alemanha, e
Após a Reforma Protestante,
o culto aos santos foi desencorajado em muitos países, mas a tradição de dar presentes no inverno persistiu.
Na Holanda, a figura de São Nicolau transformou-se em "Sinterklaas" (uma contração de Sint-Nicolaas). Ele era retratado como um bispo alto e magro que cavalgava um cavalo branco sobre os telhados. Quando os colonos holandeses migraram para a América do Norte e fundaram a Nova Amsterdã (atual Nova York) no século XVII, eles levaram consigo essa tradição.
Foi no caldeirão cultural dos Estados Unidos que o nome "Sinterklaas" foi lentamente americanizado e transformado foneticamente em "Santa Claus". Também, a formalização visual, tendo em vista os Estados Unidos.
Muito embora a alma do Papai Noel seja europeia, sua "estética" e comportamento moderno foram consolidados nos Estados Unidos durante o século XIX e início do XX, em razão:
Da Poesia: Em 1823, o poema "A Visit from St. Nicholas" (atribuído a Clement Clarke Moore) estabeleceu os elementos mágicos: o trenó, as oito renas com nomes específicos (como Rudolph, que viria depois) e a entrada pela chaminé.
Do Desenho: Entre 1863 e 1881, o cartunista político Thomas Nast, nascido na Alemanha e radicado nos EUA, desenhou para a revista Harper’s Weekly uma série de ilustrações que deram ao Papai Noel sua barriga protuberante, a oficina de brinquedos no Polo Norte e a lista de "bons e maus".
A Publicidade que, neste cenário: Frequentemente diz-se que a Coca-Colainventou o Papai Noel, mas isso é um mito. O que a marca fez, a partir de 1931 com as ilustrações deHaddon Sundblom, foi padronizar a imagem dele em escala global.
Sundblom humanizou o personagem, dando-lhe uma expressão calorosa e utilizando o vermelho vibrante (que já era a cor do traje de São Nicolau séculos antes, mas que coincidia com a identidade visual da marca).
Melhor esclarecendo o mito, para compreender quem foi Haddon Sundblom, no parágrafo anterior por mim referido, é necessário mergulhar na era de ouro da ilustração americana:
um período em que a publicidade não era apenas venda,
mas a construção de mitos culturais que perduram até hoje.
Haddon "Sunny" Hubbard Sundblom (1899–1976) foi um ilustrador e artista comercial de ascendência sueco-americana, cujo trabalho definiu a estética visual dos Estados Unidos em meados do século XX. Embora seu nome possa não ser imediatamente reconhecido pelo público leigo, sua obra mais famosa é onipresente em todo o planeta, especialmente durante os meses de dezembro.
Sundblom é, acima de tudo, como claro está:
o homem que deu ao Papai Noel a aparência moderna que conhecemos.
Antes de suas ilustrações, a figura de São Nicolau era representada de formas variadas:
desde um elfo magro e austero até,
um gnomo com roupas verdes ou marrons.
Foi a partir de uma encomenda da The Coca-Cola Company, iniciada em 1931, que Sundblom consolidou a imagem do bom velhinho ... Portanto, tais são os fatos que me fazem refletir!
Estes meus levantamento acima expostos, minhas observações conclusivas tocam:
em uma ferida aberta da nossa sociedade e,
refletem uma realidade incontestável, da fui participe: o Natal!
Embora tal momento seja vendido como uma data de união universal e abundância, funciona frequentemente como um espelho das profundas disparidades socioeconômicas do Brasil.
Enquanto para uma parcela da população a data realiza-se:
Sinônimo de ceias fartas,
troca de presentes caros e,
o brilho das luzes decorativas,
para milhões de outras famílias, o dia 25 de dezembro é apenas mais um tempo de vida:
um dia de luta pela sobrevivência,
marcado pela escassez e pelo peso emocional,
de não poder corresponder à expectativa de consumo,
que a sociedade impõe.
Neste cenário, a figura do Papai Noel e o mito do "bom velhinho" que premia quem se comportou bem acabam gerando uma carga psicológica perversa sobre as crianças em situação de vulnerabilidade!
Quando uma criança não recebe o presente que desejou, a lógica infantil, muitas vezes alimentada pela narrativa comercial, pode levá-la a questionar:
o próprio valor ou,
o seu comportamento,
quando, na verdade, o impedimento é puramente financeiro.
É um período onde a desigualdade não é apenas estatística, mas sentida no prato vazio e no silêncio da ausência de mimos que outras crianças exibem com naturalidade, tal como um dia, e tantos, eu sentira na pele. Você também me esqueceu!
Bem lembrado, nesta oportunidade, o poema de Aldemir Paiva, vivido pelo intérprete Silvio Matos que,no video, relata a intensidade da problemática e que em continuidade acrescento como texto:
Não gosto de você, Papai Noel!
Também não gosto desse seu papel de vender ilusões à burguesia. Se os garotos humildes da cidade soubessem do seu ódio à humildade, jogavam pedras nessa fantasia! Você talvez nem se recorde mais. Cresci depressa e me tornei rapaz, sem esquecer no entanto o que passou. Fiz-lhe bilhete pedindo um presente, a noite inteira eu esperei contente, chegou o sol e você não chegou. Dias depois, meu pobre pai cansado trouxe um trenzinho velho, empoeirado, que me entregou com certa hesitação. Fechou os olhos e balbuciou: “É pra você… Papai Noel mandou…” E se esquivou contendo a emoção. Alegre e inocente nesse caso, pensei que meu bilhete com atraso chegara às suas mãos no fim do mês. Limpei o trem, dei corda, ele partiu, deu muitas voltas, meu pai sorriu e me abraçou pela última vez. O resto só eu pude compreender quando cresci e comecei a ver todas as coisas com realidade. Meu pai chegou um dia e disse, a medo: “Onde é que está aquele seu brinquedo? Eu vou trocar por outro na cidade”. Dei-lhe o trenzinho quase a soluçar, e como quem não quer abandonar um mimo que lhe deu quem lhe quer bem, disse medroso: “Eu só queria ele… Não quero outro brinquedo, quero aquele E por favor, não vá levar meu trem”. Meu pai calou-se e pelo rosto veio descendo um pranto que eu ainda creio, tão puro e santo, só Jesus chorou. Bateu a porta com muito ruído, mamãe gritou, ele não deu ouvidos, saiu correndo e nunca mais voltou. Você, Papai Noel, me transformou num homem que a infância arruinou, Sem pai e sem brinquedos. Afinal, dos seus presentes, não há um que sobre para a riqueza do menino pobre que sonha o ano inteiro com o Natal! Meu pobre pai doente, mal vestido, pra não me ver assim desiludido, comprou por qualquer preço uma ilusão: num gesto nobre, humano, decisivo, foi longe pra trazer-me um lenitivo, roubando o trem do filho do patrão. Pensei que viajara. No entanto depois de grande, minha mãe, em pranto, contou que fora preso. E como réu, ninguém a absolvê-lo se atrevia.
Foi definhando, até que Deus um dia entrou na cela e o libertou pro Céu!
Nesta edição do blog, duas considerações são pertinentes e merecedoras de destaque: Dia Mundial da Saúde Universal e a importância da Confraternização sob a ótica de sua significação e seu poder.
O Dia Mundial da Saúde Universal, também chamado de Dia Internacional da Cobertura Universal de Saúde é celebrado anualmente em 12 de dezembro, este ano, numa 6a. feira.
A data foi criada por meio da Resolução 72/138 adotada na Assembleia Geral das Nações Unidas em 2017. Tal aprovação da referida resolução foi o ponto de partida para que o Grupo do Banco Mundial e a Organização Mundial da Saúde (OMS) identificassem a Cobertura Universal de Saúde como: • prioridade a todas as nações e,
• imprescindível para o alcance do desenvolvimento sustentável, • reafirmando, assim, a saúde como direito humano.
Desde então, deu-se início à luta pelo direito à cobertura de saúde a todas as pessoas até 2030, data para a conquista dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS).
Pois bem, o objetivo da campanha em curso é conscientizar sobre a necessidade de sistemas de saúde fortes e de cobertura universal, com parceiros de várias áreas, de forma a promover:
• o acesso universal a cuidados de saúde de qualidade, • tendo em conta o seu impacto para o desenvolvimento internacional sustentável.
Para o alcance de todos esses quesitos, segundo especialistas, são necessárias ações globais, além da participação e envolvimento de diferentes atores.
E diferentes atores presentes e dispostos se cotizaram para confraternizar ... Pois que, o ato de CONFRATERNIZAR refere-se a um convívio social e amigável, que tem o poder profundo de: • fortalecer laços, • melhorar o bem-estar mental, espiritual e, • reforçar o sentimento de pertencimento a um grupo social ou afins, convivendo fraternalmente com outros indivíduos.
É um convívio ou socialização, muitas vezes entre pessoas que têm e reunem sentimentos ou opiniões semelhantes, promovendo ideais afins! Também, tais comemorações colaboram para a empatia e o sentimento de pertencimento: • Trazem a melhoria das relações e, • o rompimento de barreiras, • reduzindo também as distâncias entre os conviventes.
O desenvolvimento pessoal e espiritual ainda é beneficiado por meio da troca de experiências, como se verifica, por exemplo, entre os conviventes da longeva Família do A-3 da FEESP - fato que nos leva a explorar um conceito muito profundo dentro da doutrina espírita, que vai além dos laços consanguíneos e se aprofunda nas afinidades espirituais e nas revelações divinas. A sigla "A-3" na verdade se refere a uma importante classificação doutrinária na Federação Espírita do Estado de São Paulo (FEESP)
O interesse pelo "confraternizar e o poder da confraternização" toca em um aspecto fundamental da experiência humana: • a necessidade de conexão social e de pertencimento. Em um mundo frequentemente marcado pelo isolamento, pela correria do dia a dia e pelas interações digitais, a confraternização surge como um oásis de humanidade, um momento intencional para nutrir relações e celebrar a união.
A etimologia da palavra, que remete a "tornar-se irmão" (do latim con + frater), já nos dá uma pista da profundidade desse conceito, que vai muito além de uma simples festa ou evento social.
Confraternizar é pois, fundamentalmente, o ato de conviver de forma fraternal, ou seja, com a união e o carinho que se espera entre irmãos ou amigos muito próximos. É um momento de socialização que ocorre, muitas vezes, entre indivíduos que partilham sentimentos, opiniões ou objetivos semelhantes. Esse convívio pode assumir diversas formas, desde um jantar casual entre amigos e irmãos, como o havido, até grandes eventos corporativos de fim de ano ou celebrações religiosas.
Mais do que apenas estar no mesmo espaço físico, a confraternização envolve uma interação genuína, a partilha de experiências e a criação de memórias duradouras. É a capacidade de baixar a guarda, de se descontrair e de se conectar em um nível mais pessoal e menos formal, o que é crucial para a saúde das relações, sobretudo, humanas com vistas ao aprimoramento espiritual, tal nível elevado superiormente belo!
Desse modo, verdadeiro poder da confraternização reside nos seus múltiplos benefícios psicológicos, sociais e até mesmo organizacionais. Quando as pessoas se reúnem com um propósito de união e celebração, ocorrem transformações notáveis: • Fortalecimento de Vínculos e Espírito de Grupo: Ao proporcionar um ambiente descontraído, a confraternização permite que as pessoas se vejam além de seus papéis habituais (como confrades de mesma irmandade, colegas de trabalho, por exemplo). Isso quebra barreiras hierárquicas e fomenta a camaradagem e a intimidade, fortalecendo o espírito de equipe e a lealdade.
• Melhora do Bem-Estar Mental e Emocional: Participar de eventos sociais e sentir-se parte de uma comunidade aumenta a felicidade e melhora a saúde mental geral. A troca de experiências e o riso compartilhado funcionam como válvulas de escape para o estresse, reduzindo a ansiedade e o isolamento social, que são problemas crescentes na sociedade moderna em curso. • Estímulo ao Desenvolvimento Pessoal e Empatia: Através da interação, aprendemos novas habilidades sociais e expandimos nossos horizontes. A troca de vivências com pessoas de diferentes idades ou origens fomenta a empatia e a compreensão mútua, essenciais para uma sociedade mais harmoniosa. • Reconhecimento e Motivação (no Contexto Profissional): Em empresas, as confraternizações de fim de ano são momentos poderosos para reconhecer o esforço individual e coletivo, valorizando os colaboradores. Isso não apenas aumenta o engajamento e a motivação para o novo ciclo, mas também ajuda a reter talentos, mostrando que a organização se importa com o bem-estar de sua equipe.
Em suma, a confraternização é um lembrete vital de que, como seres sociais, prosperamos na companhia uns dos outros. É uma prática que enriquece a vida, seja no âmbito pessoal, familiar ou profissional, criando uma teia de suporte e carinho que nos ajuda a navegar pelos desafios da vida com mais leveza e resiliência.
Portanto, o ato de confraternizar não é apenas um evento em si, mas sim um investimento contínuo na qualidade das nossas relações e na construção de um ambiente mais positivo e acolhedor para todos. É uma celebração da vida compartilhada e da alegria de estarmos juntos, celebrando conquistas e reforçando o compromisso com o sucesso coletivo.
Enfim, tudo muito justo e perfeito, pois que, os temas ao início propostos - Saude Universal e Confraternização - se justapoem num arranjo estratégico que, longe de gerar conflito ou dissonância, pode e resultam de fato, numa "magnífica consonância", tal forma sofisticada de harmonia que surge do equilíbrio de forças diferentes, porém, congruentes e necessarias, promovendo tal magnifica consonância!
Próspero Ano Vindouro são votos prolíferos e certeiros!
Nesta oportunidade, o local eleito resultou na Pizzaria Moraes: Av. Brigadeiro Luiz Antônio 1438/ SP.
Por: Roberto Costa Ferreira - 25nov25.
Prof,Pesquisa,Pedagogista,Med-MEng
HILASA-SP -Instit.História Letras Artes
SANTO AMARO - SÃO PAULO - SP.
Nesta imagem, duas personalidades magnânimas, Sr. Euripedes, sorrindo e sentado e, Rudi, por mim abracado, queridos amigos, e outros mais!
Um
convite surpresa me fora proposto. E uma proposta de convite é sempre
emocionante!
Parece
que algo inesperado e misterioso estava a caminho ... Luiza Catterine,
agora jovem de pouco mais de vinte anos, era a anfitriã. O ambiente era
convidativo ... E lá eu estava uma vez solicitada a presença. No mundo da
etiqueta, “quem convida dá banquete”. É mais do que um ditado, é um princípio
de cortesia. Tal qualidade de ser gentil, educada e amável no tratamento, refletindo respeito, atenção, delicadeza e respeito provinha da minha amada graduanda!
Eu
estava ansioso, atento aos detalhes, pois que, o local do convite me trazia
lembranças de um tempo de criança, remetendo-me às condições de vivência física
angustiantes, intimamente ligados a estados emocionais, como angústia,
ansiedade ... Tal manifestação comum da interação mente-corpo, momento que o
bem-estar psicológico afeta diretamente a saúde física, alcançando-me até perto
dos 15 anos. Em diante, não mais prosperou. Aprendi a superar.
O bairro
da Mooca, nesta cidade, era o local do estabelecimento da então Fundação
São Paulo Alpargatas Company S.A. Ali, em 1907 criou-se a
primeira “Alpargatas Roda”, um calçado extremamente popular,
cuja cobertura de lona impermeável e resistente, tendo sida produzida neste
contexto industrial, muito usado por trabalhadores nas plantações de café da
região, sendo então o meio auxiliar de minha locomoção. Muito usei até os
limites do possível, momento que “despontavam-se os bigodes” ... Desfiava-se o
solado de corda de cizal trançada. Então, aparava-os!
No
local havia, agora, um lindo teatro vinculado a um excepcional contexto de
UNIVERSIDADE. Antes, quando da minha infância e parte da juventude, resultara
num excepcional complexo industrial já referido. E lá eu estava ... Atento aos
detalhes do convite, acerca da proposta de apresentação, resultado do labor
desenvolvido para a graduação da turma de 13 membros, cujo TCC em Dança de
2025, incluía minha “ilustre anfitriã, sobrinha-neta, Luiza Catterine”. Graduavam-se depois de percorrer longos tempos, muitos caminhos, significando a conquista de um objetivo significativo, requerendo paciência, perseverança e a dedicação de um período considerável de esforço neste tempo de vida!
Algo
ainda me impacientava e não residia na natureza do evento. Existia algo, um
código implícito consistindo num lembrado provérbio, cuja mensagem “incentiva a
entrega e a dedicação de todos os projetos e pensamentos a Deus, para que Ele
possa guiar e abençoar o sucesso deles”. Estava eu em comunhão, vez que, minhas
vontades, todas as ações, os planos e pensamentos tendem a ser bem-sucedidos
porque são dirigidos à Ele!
E
bem por tal confiava no sucesso da empreitada, na realização plena do
compromissado diante de minha querida sobrinha-neta, de tal sorte que, tendo visto a
chamada do Convite: Cartografias de um Corpo-comum ocorreu
lembrar-me de que, decorridos mais de dez anos, a título de pesquisa na
oportunidade, houvera eu escrito um
trabalho textual que, publicado, versava sobre a proposta da formatura, quase no
seu inteiro teor - Cartografias de um Corpo.
Por si só, o interior do Convite proporciona "os anfitriões"!
Do ponto de vista científico, a Cartografia é a ciência que se dedica ao estudo, análise e confecção de mapas, cartas e outras representações da superfície terrestre ou de áreas geográficas. Abrange, portanto, todo o processo, desde a coleta de dados até a difusão e utilização dessas representações. Dentre os elementos-chave da definição científica, a Comunicação Visual configura-se como um meio de comunicação, além da precisão geométrica inerente à Cartografia. Desse modo, tal comunicação envolve:
o conhecimento de quais símbolos, cores e elementos visuais utilizar e,
quais outros omitir para comunicar informações de forma eficaz e clara na intenção proposta.
Assim,
no silencio do momento, em sala de espera, silenciosamente chorei ... Muito
chorei! E estava feliz tal a identificação da disposição de consagrar
ao Senhor tudo que realizei e realizo, e cuja realização ocorreria, sendo certo que os planos serão
bem-sucedidos, conforme Provérbios 16:3 que diz:
“Consagre ao Senhor tudo o que você
faz, e os seus planos serão bem-sucedidos” ou, em outras traduções, “Confia
ao Senhor as tuas obras, e teus pensamentos serão estabelecidos”.
A
recepcionista convidou-me para ingressar, compondo a formação da plateia que
lotava o local! O espetáculo colocou-me, junto ao público, profundamente
envolvido com a propositura - "Cartografia de um corpo-comum". A expressão "Cartografia de
um corpo-comum" se refere, neste resumo que trago adaptado, para
melhor embasar:
a
uma abordagem ou,
método
de pesquisa e,
prática
consequente,
que valoriza a experiência vivida,
os afetos e os encontros na
produção de conhecimento, em contraste com:
acartografia
tradicionalque mapeia a superfície terrestre de forma objetiva. conforme acima referido.
Nesse contexto, diante do TCC
oriundo da turma de formandos, o "Corpo" não se
limita apenas à forma física, mas sim ao corpo experiencial, que sente
e interage com o mundo, produzindo conhecimento a partir dessas interações,
onde:
"O
Comum" indica
a partilha dessas experiências e a construção de um plano ou sentido que é
compartilhado, coletivo, e que emerge dos encontros e vivências, em oposição a
uma visão individualista ou universalizante. Então:
"A
Cartografia" é
usada como uma metáfora para "um processo de traçar caminhos, não
pré-determinados, mas que se formam à medida que a experiência acontece".
O "caminhar na pesquisa antecede a definição de metas".
Essa
abordagem é frequentemente utilizada em áreas como:
psicologia,
terapia ocupacional, educação e artes,
até
corporais, onde se busca mapear vivências e processos de transformação,
e
não apenas representar um espaço físico.
Desse
modo, o "corpo do cartógrafo" (pesquisador) está
ativamente envolvido e afetado pelo processo de pesquisa e, neste, tem-se
a sequência sistemática de etapas para obter informações, responder
perguntas ou resolver problemas de forma organizada, objetivando-se, por fim, a
divulgação e obtenção de resultados.
A cartografia tem se insinuado nos meios
acadêmicos como método de pesquisa, entre a miríade de métodos em pesquisa
qualitativa. Porém, os pesquisadores que trabalham nessa perspectiva insistem
que:
a
cartografia só pode ser pensada como método se entendermos método,
como
aquilo que nos faz compreender a nossa potência de conhecer.
A
cartografia implicaria, então, disposição para afirmar uma potência da
própria vida. Assim, quem se lança a essa aventura é
convidado a conectar-se com o pulsar da vida em seu corpo e com caminhos para
os quais esse pulsar aponta.
Para Suely Belinha Rolnik, psicanalista,
crítica de arte e cultura, curadora, professora titular da
PUC-SP, em seu texto "Pensamento, corpo e devir" cujo
artigo explora como o pensamento e o corpo se relacionam a partir de uma
perspectiva ética, estética e política, ele, o texto, discute a ideia de um
corpo que se abre para o "devir", isto é:
a
capacidade de se transformar continuamente,
escapando
de formas fixas para se tornar potência e abertura para o novo.
A matéria-prima da cartografia são
as marcas feitas num corpo.
A violência vivida no encontro entre um corpo e outros desestabiliza-o,
colocando a exigência de invenção de algo que venha a dar sentido e
corporificar essa marca:
um
novo corpo,
outro
modo de sentir, pensar,
um
objeto estético ou conceitual.
A
pesquisa faz-se assim como cartografia do meio em que o pesquisador está
mergulhado na produção de mapas referentes aos encontros vividos nesses
trajetos e aos afetos e sensações ali produzidas.
Deleuze e Guattari, ou
seja: Gilles Deleuze e Félix Guattari que foram uma dupla de
pensadores franceses e muito colaboraram em obras de filosofia, psicanálise e
política, notadamente em "O Anti-Édipo" e "Mil
Platôs", onde o primeiro,foi um filósofo que atuou
como professor e escritor, com uma solida formação clássica, enquanto Guattari foi
um psicanalista, militante político e ativista.
A parceria deles é
marcada pela fusão de uma base filosófica sólida com uma perspectiva engajada e
crítica em relação às contradições do capitalismo e das estruturas sociais. Pois
bem, eles opõem dois procedimentos científicos:
um
consiste em ‘reproduzir’; outro, em ‘seguir’.
Um seria de reprodução,
iteração e reiteração; o outro, de itineração, o
que seria o conjunto das ciências itinerantes, ambulantes.
Mas,
[...] seguir não é
o mesmo que reproduzir, e nunca se segue a fim de reproduzir.
[...] Reproduzir implica
a permanência de um ponto de vista fixo, exterior ao reproduzido: ver, fluir,
estando na margem.
Mas, seguir é coisa
diferente [...]. Somos de fato forçados a seguir quando estamos a
procura das ‘singularidades’ de uma matéria ou material e não tentando
descobrir uma forma;
[...] quando nos engajamos na
variação contínua das variáveis, em vez de extrair delas constantes.
Da mesma forma que para os
geógrafos, nesta acepção a cartografia difere do mapa.
Enquanto este representa um plano
estático, a cartografia “é um desenho que acompanha e se faz
ao mesmo tempo que os movimentos de transformação da paisagem [...] o
desmanchamento de certos mundos – e sua perda de sentido – e a formação de
outros”!
Na
apresentação do espetáculo, Luizame mostrou “um mundo novo, expectante e belo”.
Também “se mostrou um novo ser que não conhecia, nesta profundidade do ser", e agora me privilegia, revelando-se "superiormente
bela, significativa e atuante", cuja força reside na combinação de realizações que, mesmo que isoladas, são detentoras de grande peso e significado”!
Que banquete de espetáculo, rico e farto, como a um "banquete de arte", explorando o tema para expor, propor e realizar cultura, história, identidade e relações humanas como nos trabalhos em tela - TCC oriundo da turma de formandos, o "Corpo - um projeto que transforma a mesa em palco para experiências artísticas vivificantes e comunitárias, unindo expressões, sons, comunicação não verbal profunda entre imagens e pessoas, cheias de significado sem palavras, como a um filme clássico momento que as falas são substituídas por intertítulos e gestos, promovendo um diálogo interno de pensamentos, tudo revestido de intensa arte"!
Ainda, por conta dos atos de Proclamação da República, em
1889 o alferes Joaquim Ignacio Baptista Cardoso (1860-1924) avô
do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, ajudante de campo de Floriano
Peixoto, ficou conhecido por sua sugestão para que se fuzilasse o Imperador
Dom Pedro II e a Família Imperial Brasileira caso houvesse qualquer
resistência contra a Proclamação da República. Assustado com a
proposição do Jovem Militar de 29 anos, Benjamim Constant reclamou,
“o Senhor é um sanguinário!”.
Joaquim,
o alferes, era filho de Felicíssimo Espírito Santo Cardoso (1835-1905), político
Conservador do Império. Nascido em 24 de junho de 1860. Ingressou no
Exército como soldado voluntário em 15 de julho de 1875, aos 15 anos, no 20º BC
de Goiás e cadete de 2ª classe, 13 dias depois. Sentou praça em Goiás, no 20º
BC, em 15 julho de 1875 e ali foi aprovado em Infantaria e Cavalaria.
Destacou-se como burocrata:
furriel, tal expressão que tem origem no francês “fourrier”, ligado à palavra “forragem” e que, diante da significação militar designava um posto em razão das forças armadas, próximo à primeira graduação da categoria de sargento, acima de cabo, e sua função estava ligada à logística e distribuição de suprimentos para as tropas, depois,
quartel mestre (intendente), tendo ali servido na Infantaria e Cavalaria de
1876-81.
Como
1º sargento, em 1881, matriculou-se na Escola Militar da Corte onde
se destacou "pela sua aplicação e distinção", revelando dificuldades
em Matemática e Desenho.
Foi
promovido a Alferes de Cavalaria em 20 out 1884, sendo felicitado
em Boletim "por sua promoção bem-merecida".
Teve
destacada participação na propaganda de conspiração e Proclamação da
República, conforme escreveria 50 anos mais tarde seu filho major
Leônidas Cardoso.
Às
onze horas da noite de 6 de novembro de 1889, um grupo de militares havia se
reunido na casa do tenente-coronel Benjamin Constant Botelho de
Magalhães, professor de matemática da Escola Militar da Praia
Vermelha e diretor do Instituto dos Meninos Cegos. O
objetivo era tratar dos preparativos para a "revolução". Entre
eles estavam o capitão Antônio Adolfo da Fontoura Mena Barreto, os
tenentes Saturnino Cardoso e Sebastião Bandeira, o
aluno da Escola de Guerra Aníbal Elói Cardoso e o alferes
Joaquim Inácio Batista Cardoso. Na conversa, todos se manifestaram
de acordo com o uso das armas para depor a Monarquia.
Combinou-se
um plano pelo qual os participantes ficariam encarregados de:
agitar
os ânimos nos quartéis,
estocar
armamento e munição e,
traçar
em detalhes o golpe a ser desfechado nos dias seguintes.
A
certa altura, porém, Benjamin Constant mostrou-se preocupado
com o destino do imperador Pedro II:
— O que devemos fazer do nosso imperador?
— perguntou.
Fez-se
um minuto de silêncio, quebrado pelo alferes Joaquim Inácio:
— Exila-se — propôs.
— Mas se resistir? — insistiu
Benjamin.
— Fuzila-se! — sentenciou Joaquim Inácio.
Benjamin
assustou-se com tamanho sangue-frio:
— Oh, o senhor é sanguinário! Ao
contrário, devemos rodeá-lo de todas as garantias e considerações, porque é um
nosso patrício muito digno.
Por
uma ironia da história, o “sanguinário” Joaquim Inácio Cardoso,
então com 29 anos, viria a ser avô de um futuro presidente da República, o
manso Fernando Henrique Cardoso. Para fortuna de Pedro II, no dia 15 de
novembro haveria de prevalecer a posição de Benjamin. Em
vez de fuzilado, como queria Joaquim Inácio, o imperador seria
despachado para o exílio.
Foi
mencionado por, Urias Silveira em 1890 como entre os
"moços empolgados por um ardente ideal, no afã patriótico do interesse que
manifestavam pela causa pública, sentiram-se arrastados a precipitar a marcha
evolutiva da transformação política, com o afastamento de seu cenário do vulto
respeitável do Imperador D. Pedro II."
Com
seu regimento (o atual Andrade Neves) reduzido e a pé, e armado de
espadas, clavinas e revólver, protegeram a Artilharia até o Campo de
Santana, onde:
em 15
novembro de 1889, teve lugar a deposição do Gabinete Ouro Preto e,
a
proclamação, de fato, da República.
Junto ali estava seu irmão Augusto Ignácio como aluno da Escola
Militar da Corte.
Joaquim
Ignácio como conspirador pela República, havia sido um dos 42 integrantes do Exército
e Armada que ingressaram no Clube Militarem 5 novembro 1889,
além de ser um dos 160 signatários do Pacto de Sangue firmado
nos dias 11 e 12 novembro, "de acompanharem Benjamin Constant até
a resistência armada".
Estava de
prontidão a cerca de uma hora da madrugada de 15 de novembro, junto do capitão
Hermes Rodrigues da Fonseca (futuro Presidente) que lhe transmitiu
mensagem do marechal Deodoro, destinada ao Major Solon,
no sentido de que:
"o rompimento devia ser
feito pela manhã, pois só a esta hora poderiam desembarcar as forças navais
,"que apoiariam o movimento."
Em 16
novembro de 1889, acompanhou o porto-alegrense major Solon Ribeiro,
pai de Ana de Assis, futura esposa deEuclides da
Cunha, até a presença do Imperador D. Pedro II, para:
entregar-lhe
a carta depondo-o e, indicando-lhe o exílio, em função da Proclamação
da República no dia anterior.
Em 24
janeiro 1890, tenente, foi como homem de confiança do Governo do
Presidente Marechal Deodoro, comissionado Major Fiscal (subcomandante)
do 2º Batalhão da Brigada Policial do Distrito Federal, que
comandou de 12 abril a 27 maio 1890. Então, passou a Fiscal
(subcomandante) do Corpo de Cavalaria da Brigada Policial do Distrito Policial onde
foi elogiado por sua atuação "no controle à greve de carroceiros e
cocheiros do Rio de Janeiro" e por "haver evitado incidentes entre as
sociedades carnavalescas rivais". E, mais, "por haver restabelecido a
ordem em conflitos ocorridos em 30 janeiro 1892".
Ao
deixar a Polícia, em 21 agosto 1892, depois de mais de 2 anos a ela
servir como subcomandante e comandante de Unidades de Cavalaria e
Infantaria, foi elogiado assim:
"por relevantes serviços
prestados desde a Proclamação da República".
Ainda
tenente foi comissionado tenente coronel comandante do Corpo de
Cavalaria da Polícia de São Paulo por 7 meses, de 11 outubro
1892 a 25 abril 1893, antes de eclodir a Guerra Civil 1893-95 que
enlutou o Rio Grande do Sul, Santa Catarina e Paraná.
Retornou
como tenente ao Rio onde tomou parte no combate a Revolta da Armada na
Guanabara e por tal participação contou em dobro, os seguintes
serviços prestados no combate a mesma e a Guerra Civil no Sul:
6
setembro 1893 – 2 fevereiro 1894: A disposição do comando da Escola
Militar da Praia Vermelha, guarnecendo as defesas de Botafogo e
Copacabana contra 1/5 da Armada revoltada.
3
fevereiro – 13 mar 1894: Como capitão Ajudante de Campo do Ajudante
General do Exércitogeneral Bibiano Sérgio Fontoura
Costallat, o encarregado do combate na Baia da Guanabara da
Revolta da Armada.
Nesta
função trabalhou duro na coordenação das medidas militares para combater a
Revolta até a chegada da Esquadra Legal adquirida pelo mal Floriano nos
EUA, Inglaterra e Prússica e operada por:
oficiais
e marinheiros fiéis,
oficiais
do Exército,
alunos
de nossas escolas militares e,
marinheiros
estrangeiros contratados nos EUA.
Foi
aí que por várias vezes fez a ligação entre o Presidente Floriano
Peixoto no Itamarati e o seu chefe e Ajudante General do Exército executivo do
combate à Revolta no Rio.
24
fevereiro – 21 mar 1895:
Em serviço no 6º RC de Santa Vitória do Palmar, (atual Regimento João
Manuel de São Borja), destacado em Osório - RS (atual) no combate a
Guerra Civil 1893-95, próximo de seu final no Rio Grande do
Sul.
Em
1896 foiAjudante
de Ordens do Presidente de Goiás, de onde retornou para o 1º RC
(atual Dragões de Brasília)e se casou em 23 dez 1886, aos 26 anos,
comD. Leonídia Fernandes Cardoso que conheceu ali
em São Cristóvão, próximo do Quartel do Regimento. Moça que
chamava muita atenção:
dos
militares do Regimento, "junto com mais duas irmãs por serem 3 morenas
muito bonitas".
Deste
consórcio tiveram 16 filhos, que descontados 5 que não se criaram, acompanharam
o casal pelo Brasil afora.
Em
1888, ainda sem filhos vivos,
fez sua derradeira tentativa de cursar a Escola Militar. Esteve
destacado em 1889 no 2º RC (Regimento Osório atual) em Jaguarão e
de lá foi mandado para o 8º RC em Curitiba. Foi nesta missão ,em
Curitiba, que em 24 fevereiro 1889, nasceu-lhe seu filho Leônidas, o
pai do presidente, seguramente concebido e gerado no Rio Grande do Sul.
Em 1911 foi louvado por sua atuação no combate a Revolta dos Marinheiros ou
da Chibata em 1910, liderada pelo marinheiro Manuel Cândido, de
Encruzilhada do Sul -RS.
Encerraria
a sua carreira militar em 5 maio 1923, acusado
de participação em conspiração naRevolução de 1922, em Mato
Grosso, como comandante da 1ª Circunscrição, sendo
preso por mais de 100 dias, de 19 ao a 2 dezembro 1922, a bordo
do Scout Ceará, na Baia da Guanabara.
Abalado
moralmente,
acreditamos, pela ingratidão e desconsideração por seus relevantes serviços,
inclusive na propaganda, proclamação e consolidação da República, faleceu
em junho 1924.
Por: Roberto Costa
Ferreira - 05nov25.
Prof,Pesquisa,Pedagogista,Med-MEng
HILASA-SP-Instit.História Letras Artes
SANTO AMARO - SÃO PAULO - SP.
Fonte:
https://www.ahimtb.org.br/fhc.htm/
Os presidentes: a história dos que mandaram e desmandaram no Brasil,