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sábado, 14 de fevereiro de 2026

Ciência e Futuro - Avanços Tecnológicos: "Celebrando o Dia Internacional das Mulheres e Meninas na Ciência", em 11 de fevereiro de 2026!

 


Dia Internacional das Mulheres e Meninas na Ciência celebra a importância da presença feminina em todas as áreas do saber, com foco especial  nos campos de STEM (ciência, tecnologia, engenharia e matemática) e  lembrado  anualmente  em 11 de fevereiro, no dia de hoje – quarta-feira,  uma  data para valorizar o papel feminino inclusive no rol das pesquisas cientificas!

Instituída pela ONU em 2015, sob a liderança da UNESCO e da ONU Mulheres, o dia visa sobretudo, promover o acesso pleno e igualitário das mulheres no rol das excelências em pesquisa, não apenas reconhecendo contribuições históricas, mas também expondo as desigualdades de gênero que ainda persistem no setor.

A ideia é combater desigualdades de gênero estruturais, buscando atingir um dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS), propostos pela ONU, o ODS 5:

     · Alcançar a igualdade de gênero e empoderar todas as mulheres e meninas.

Embora existam avanços, a disparidade na comunidade científica reforça a urgência de superar barreiras e criar ambientes acadêmicos e profissionais genuinamente inclusivos.

Neste contexto tem-se por Objetivos Representativos:

     · Igualdade de Gênero  - Momento de fortalecer o compromisso global com a igualdade de direitos e a participação feminina plena em campos científicos e tecnológicos. 

     · Incentivo à Próxima Geração - Inspirando meninas a seguirem carreiras em pesquisa e garantir que as mulheres já estabelecidas recebam o devido reconhecimento. 

     · Desigualdade Atual – Momento que,  globalmente, as mulheres representam cerca de 33% dos pesquisadores e, no Brasil, embora esse número suba para quase 50%, a liderança científica ainda permanece desigual. 

Em razão de atuação cientifica, destaco o Projeto Genoma e a participação de pesquisadoras brasileiras  que o desenvolveram e cuja participação brasileira no cenário genômico é marcada por figuras de peso, sendo significativo lembrar o nome de Mayana Zatz, a referência central quando se fala no referido projeto no Brasil. 

Principais Pesquisadoras e Projetos: 

     · Mayana Zatz (USP) – sendo então Coordenadora do Centro de Estudos do  Genoma Humano e Células-Tronco (CEGH-CEL), ela é pioneira no estudo de doenças neuromusculares, foi peça-chave na articulação da  pesquisa  genética brasileira. Atualmente, lidera  estudos  sobre  longevidade  e  o uso do Zika vírus no tratamento de tumores. 

     · Lygia da Veiga Pereira (USP): Idealizadora do  Projeto Gen-T  e  da iniciativa  DNA  do  Brasil. Seu   trabalho  foca  em  mapear  a  diversidade  genética  da  população  brasileira  —   uma  das  mais miscigenadas do mundo  —   para  desenvolver  uma  medicina  de  precisão  adaptada  ao  nosso  perfil genético. 

     · Jaqueline  Goes  de  Jesus: Biomédica que destacou-se mundialmente ao coordenar o  sequencia- mento do genoma do vírus SARS-CoV-2,  em tempo recorde (48 horas) no Brasil. 

Impacto da Pesquisa Nacional

As iniciativas lideradas por essas pesquisadoras permitiram descobertas fundamentais, como temos: 

     · Diversidade Única: Identificação de mais de 8,7 milhões de variantes genéticas inéditas no DNA brasileiro, que não constavam em bancos de dados internacionais. 

     · Medidas de Precisão: O mapeamento de milhares de genomas auxiliou na previsão de riscos de doenças e no desenvolvimento de tratamentos mais eficazes para a população local. 

   · Inovação: O uso do sequenciamento genômico contribuiu para entender a resistência de “superidosos” e para a aplicação de biotecnologia em xenotransplantes.

Ainda, há que se considerar que os créditos pelas pesquisas genômicas no Brasil são compartilhados entre figuras históricas e contemporâneas que colocaram o país na vanguarda da ciência mundial, tendo como:

1.  Marco Zero - Genoma Xylella (Anos 90/2000) – cujo projeto que inaugurou tal era no Brasil, tendo sido o sequenciamento da bactéria Xylella fastidiosa (causadora do "amarelinho" nos citros). 

Liderança Institucional: 

     · Financiado pela FAPESP e idealizado por diretores como José Fernando Perez; 

    · A "Mãe" da Citricultura -  Victoria Rossetti  - tendo sido a pesquisadora que primeiro identificou a bactéria, fornecendo a base para o projeto de sequenciamento anos depois.

2. Genética Humana e Doenças Raras: 

     · Mayana Zatz (USP): É a figura de maior destaque no Centro de Estudos do Genoma Humano. Ela liderou as pesquisas que transformaram o Brasil em referência no tratamento de doenças neuromusculares e foi defensora ferrenha da Lei de Biossegurança para células-tronco.

3. Diversidade e População Brasileira: 

     · Lygia da Veiga Pereira (USP): Cujos créditos pela criação da iniciativa DNA do Brasil, que visa mapear o genoma de 15 mil brasileiros para entender a nossa miscigenação única e criar tratamentos personalizados. 

4. Sequenciamento de Vírus (Tempo Recorde): 

   · Ester Sabino (USP) e Jaqueline Goes de Jesus (IMT-USP): Que receberam reconhecimento global ao sequenciar o genoma do coronavírus em apenas 48 horas, permitindo o acompanhamento das variantes no Brasil quase em tempo real! 

Contudo, no Projeto Genoma a participação de pesquisadoras brasileiras que proporcionaram o seu desenvolvimento não obtiveram o  reconhecimento internacional devido. A premissa de que a participação brasileira não tem reconhecimento internacional é, em parte, um equívoco, pois pesquisadores brasileiros possuem prestígio global.

No entanto, o "apagamento" ou a percepção de falta de destaque pode ser explicada pela estrutura do Consórcio Internacional de Sequenciamento do Genoma Humano e pela natureza do projeto original. Aqui estão os pontos principais para entender essa situação: 

   · Liderança do Consórcio InternacionalO Projeto Genoma Humano (NHGRI) oficial, concluído em 2003, foi liderado por um consórcio público internacional composto por centros nos Estados Unidos, Reino Unido, França, Alemanha, Japão e China. O Brasil não foi um dos países financiadores diretos desse consórcio global original, o que limita a visibilidade "institucional" do país nos créditos principais daquela época. 

    · Reconhecimento de Mayana Zatz: Frequentemente citada como a principal face do genoma no BrasilMayana Zatz é reconhecida internacionalmente como uma das maiores geneticistas do mundo. Ela coordena o Centro de Pesquisas sobre o Genoma Humano e Células-Tronco da USP e recebeu prêmios globais, como o Prêmio L'Oréal-UNESCO para Mulheres na Ciência. Contudo, há que se destacar que “seu trabalho focou mais na aplicação clínica e identificação de genes de doenças do que no sequenciamento ‘bruto’ do consórcio internacional”. 

     · Pioneirismo com a Xylella fastidiosaO Brasil obteve um enorme reconhecimento internacional em 2000, não pelo genoma humano diretamente, mas por ser o primeiro país a sequenciar o genoma de um patógeno agrícola (a bactéria Xylella fastidiosa). Esse feito, liderado pela FAPESP, colocou cientistas brasileiros na capa da revista Nature, provando a capacidade técnica nacional. 

    · O Projeto DNA do Brasil: Atualmente, pesquisadoras como Lygia da Veiga Pereira lideram o Projeto DNA do Brasil, que visa mapear a diversidade genética da nossa população. Embora seja um trabalho de ponta, ele é frequentemente visto como um projeto regional/específico, o que pode gerar a sensação de menor "fama" em comparação ao projeto global generalista. 

     · Fator de Mídia vs. Ciência: Na ciência, o reconhecimento vem através de citações em artigos e colaborações internacionais (onde os brasileiros são muito ativos). Na mídia popular internacional, no entanto, o foco costuma recair sobre as grandes potências financeiras que custearam os bilhões de dólares do projeto inicial na década de 90. 

Em resumo, não houve um "desenvolvimento" isolado do Genoma Humano por uma única pesquisadora brasileira, mas sim uma contribuição técnica e clínica contínua de cientistas como Mayana Zatz e Lygia Pereira, que são altamente respeitadas no meio acadêmico internacional, embora nem sempre figurem nos livros de história geral fora do Brasil tanto quanto os líderes do consórcio anglo-americano.

Desse modo, é o que ocorreu com tantas, em razão do cenário nacional, com respingos internacionais e, pelas razões expostas acima. Porém, temos a considerar e, fartamente, que ao longo da história, as mulheres fizeram avanços na tecnologia e na ciência, mas nem sempre foram reconhecidas por suas invenções e descobertas. Devido ao sexismo, muitas mulheres não foram totalmente legitimadas por seus trabalhos, ou pior, os homens levarem o crédito pelos esforços delas. Mas aqui vamos desfazer esses equívocos. Quem foram essas pioneiras! 

     · Elizabeth Magie Phillips criou a inspiração original para o jogo de tabuleiro Banco Imobiliário em 1903. Ela projetou o jogo para protestar contra donos de monopólios como Andrew Carnegie e John D. Rockefeller.

No entanto, a invenção do famoso jogo de tabuleiro foi creditada a Charles Darrow, que o vendeu para a Parker Brothers em 1935. Quando Elizabeth patenteou sua invenção, ela recebeu apenas US$ 500. Os Irmãos Parker falsamente creditaram Darrow como o inventor original. 

     · Ada Harris foi a primeira a inventar as pranchas alisadoras de cabelo. Infelizmente, os créditos foram dados a Marcel Grateau, que ganhou fama com o ferro de cachear (babyliss, como chamamos hoje) por volta de 1852.                                                                       

Ada Harris só reivindicou a patente para o alisador de cabelo em 1893, mas há uma clara diferença entre a prancha alisadora e um ferro de cachear

     · Mary Anderson teve a ideia de limpadores de para-brisas enquanto andava em um bonde na neve. Ela recebeu uma patente pela ideia em 1903 e tentou vendê-la para empresas, que rejeitaram sua invenção.

Nos anos 50 e 60, as empresas aceitaram a ideia, mas sua patente tinha expirado. O inventor Robert Kearns recebeu os créditos. 

     · Esther Lederberg teve um papel importante na determinação de como os genes são regulados, juntamente com o processo de fabricação de RNA a partir do DNA. Ela frequentemente colaborava com seu marido Joshua Lederberg em seu trabalho em genética microbiana.

Embora ela tenha sido a única a descobrir o fago lambda, um vírus que infecta a bactéria E. coli, seu marido reivindicou o Prêmio Nobel de Fisiologia ou Medicina de 1958 por suas descobertas. 

     · Lise Meitner foi quem descobriu o verdadeiro poder do urânio, que os núcleos atômicos se dividiram durante algumas reações. Infelizmente, a descoberta foi creditada ao seu parceiro de laboratório Otto Hahn, que ganhou o Prêmio Nobel de Química em 1944.

Em 1868, Margaret Knight inventou uma máquina que dobrava e formava sacos de papel marrom planos e de fundo quadrado. Enquanto o modelo estava sendo desenvolvido na loja, um homem chamado Charles Annan roubou a ideia e patenteou. Embora ele tenha recebido crédito por isso, Margaret entrou com uma ação judicial e ganhou os direitos em 1871.

Em meados de 1800, Ada Lovelace escreveu as instruções para o primeiro programa de computador. Mas o matemático e inventor Charles Babbage é quem, muitas vezes, recebe o crédito pelo trabalho porque ele inventou a máquina física

     · Alice Ball era uma jovem química do Hospital Kalihi, no Havaí, que se concentrou na hanseníase (chamada de lepra naquela época). Ela pesquisou como curá-la injetando óleo de chaulmoogra diretamente na corrente sanguínea. Infelizmente, Ball adoeceu e morreu em 1916. Arthur Dean assumiu seu estudo e ela ficou esquecida até que uma revista médica se referiu ao "Método Ball" e lhe deu crédito.

Devemos agradecer à estrela de Hollywood Hedy Lamarr pela comunicação sem fio. Durante a Segunda Guerra Mundial, ela trabalhou em estreita colaboração com George Antheil para desenvolver a ideia de "saltos de frequência", o que evitaria a escuta dos rádios militares. Sem essa tecnologia, não teríamos nem o celular, nem o Wi-Fi hoje em dia.

Infelizmente, a Marinha dos EUA ignorou a patente dela. Anos depois, o que aconteceu foi redescoberto por uma pesquisadora, o que levou Hedy Lamarr a receber o Prêmio Electronic Frontier Foundation pouco antes de sua morte, em 2000.

Graças ao filme de 2017 'Estrelas Além do Tempo', muita gente conheceu Katherine Johnson, que foi apelidada de "Computador" por sua inteligência.

Johnson descobriu o caminho para a nave Freedom 7 entrar com sucesso no espaço em 1961 e, mais tarde, para a missão Apollo 11 pousar na Lua em 1969. Ela muitas vezes não era reconhecida por seus colegas homens e enfrentava discriminação racial

     · Caresse Crosby estava cansada de usar espartilhos e, então, ela desenvolveu o sutiã moderno, conhecido como o "sutiã sem costas". Mais tarde, ela vendeu sua patente para a Warner Brothers Corset Company, o que a deixou nas sombras.

A primeira patente de Marion Donovan foi uma cobertura de fralda. Mais tarde, ela adicionou botões, o que eliminou os alfinetes de segurança. Sua fralda descartável original foi feita com cortinas de chuveiro. Sua última foi feita com tecido de paraquedas de nylon. Este método ajudou a manter as crianças e suas roupas mais limpas e secas e ajudou a diminuir as erupções cutâneas. Claro, sua patente foi ignorada pelas empresas de fraldas

     · Nettie Stevens descobriu a conexão entre cromossomos e a determinação do gênero. Infelizmente, seu colega e mentor E.B. Wilson publicou os trabalhos antes dela e é frequentemente creditado pela descoberta

   · Chien-Shiung Wu desenvolveu o processo para separar o metal do urânio. E, em 1956, ela conduziu o “experimento Wu” que se concentrou em interações eletromagnéticas, o que rendeu resultados surpreendentes.

No entanto, os físicos que originaram uma teoria semelhante no campo, Tsung-Dao Lee e Chen-Ning Yang, receberam crédito pelo trabalho dela. Eles acabaram ganhando o Prêmio Nobel pelo experimento em 1957.

O ENIAC (Electronic Numerical Integrator and Computer, algo como "integrador numérico eletrônico e computador", em português) foi o primeiro computador já construído. Em 1946, seis mulheres programaram esse computador como parte de um projeto secreto da Segunda Guerra Mundial. Infelizmente, o inventor John Mauchly é muitas vezes o único que recebe crédito por essa criação. Mas as programadoras são as que desenvolveram totalmente a máquina. 

    · Vera Rubin é a astrofísica que confirmou a existência da matéria escura na atmosfera. Ela trabalhou com o astrônomo Kent Ford nos anos 60 e 70, mas não recebeu nenhum reconhecimento a mais do que ser um "tesouro nacional".

Invenções criadas por mulheres que homens levaram todo o crédito, ao exemplo: 

     · Rosalind Franklin: dupla hélice do DNA©Getty Images. As fotografias de DNA de Rosalind Franklin revelaram a verdadeira estrutura da molécula como uma dupla hélice. Na época, sua teoria foi denunciada pelos cientistas James Watson e Francis Crick.

Watson e Crick descobriram originalmente a hélice única e acabaram recebendo um Prêmio Nobel por suas pesquisas

     · Jocelyn Bell Burnell descobriu pulsos irregulares de rádio enquanto trabalhava como assistente de pesquisa em Cambridge. Depois de mostrar a descoberta ao seu conselheiro, a equipe trabalhou em conjunto para descobrir o que eles realmente eram: pulsares. 

No entanto, Burnell recebeu crédito zero por sua descoberta. Em vez disso, seu conselheiro Antony Hewish e Martin Ryle receberam o Prêmio Nobel de Física em 1974. 

     · Grace Murray Hopper: linguagem de programação de computadores ...

Hopper criou as primeiras ferramentas de compilação de linguagem de computação para programar o computador Harvard Mark I, um computador que era frequentemente usado na Segunda Guerra Mundial.

Desse modo, para o ano de 2026, e tendo em vista a exposição acima, o tema central definido pela UNESCO é:

"Da Visão ao Impacto: Redefinindo o STEM ao Fechar a Lacuna de Gênero" (From Vision to Impact: Redefining STEM by Closing the Gender Gap). Este tema marca uma mudança do diálogo sobre recomendações para a implementação de soluções práticas e ações concretas que gerem um impacto mensurável nos ecossistemas científicos.

Outro foco complementar para 2026 abordado pelas Nações Unidas é a sinergia entre Inteligência Artificial (IA), Ciências Sociais e Finanças para construir futuros inclusivos, um futuro em que a ciência e a igualdade de gênero se estabilizem.

“A escuta de vozes historicamente silenciadas também é uma contribuição no combate às desigualdades, principalmente se seguida da reflexão e de ação reparatória. Por mais meninas e mulheres ocupando a ciência em todas as áreas”.

 

Por: Roberto Costa Ferreira - 10fev26.

Prof,Pesquisa,Pedagogista,Med-MEng

HILASA - Instit. História Letras Artes

Santo Amaro - SÃO PAULO - SP.



quarta-feira, 7 de janeiro de 2026

GRANDES PERSONALIDADES - PENSAMENTO E CIÊNCIA - Professor Doutor José Jorge Peralta - Um acadêmico brasileiro, Filósofo, Educador, Conferencista e Escritor!

 

Professor Doutor José Jorge Peralta

“Todo homem tem deveres com a comunidade”

Declaração Universal dos Direitos do Homem

A apreciação de grandes personalidades da literatura e do pensamento é, muitas vezes, inevitável, pois suas obras funcionam como espelhos da condição humana. Para cultivar essa admiração e aprofundar seu conhecimento, podemos explorar as abordagens contidas, mergulhando nas obras fundamentais do autor, promovendo intensa exploração literária de significativo valor histórico. 

O Professor Doutor José Jorge Peralta é um acadêmico brasileiro, reconhecido principalmente por sua atuação na Universidade de São Paulo (USP)Em janeiro de 2026, suas principais credenciais e atividades incluem:

Vínculo Acadêmico

  • É Professor Assistente Doutor aposentado da Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas (FFLCH) da USP, onde atuou no Departamento de Linguística.

Formação: Graduou-se pela USP em 1970.

Outras Atuações: 

  • Possuiu vínculo como professor contratado na Universidade Ibirapuera e, atuante então com assessoria científica. 
  • É membro do Conselho da Comunidade Luso-Brasileira do Estado de São Paulo.

Recentemente, em agosto de 2025, foi homenageado em eventos da Associação Comercial de São Paulo (ACSP). 

Nascido em Vagos – Aveiro – Portugal, reside em São Paulo – Brasil, desde 1956, portanto, 70 anos

Estudos Secundários ocorreram em Aveiro e em São Paulo. Graduou-se pela USP em 1970 e nesta aposentou-se como Professor Assistente Doutor, na oportunidade pela Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas (FFLCH) da USP, onde atuou no Departamento de Linguística.

Ainda, deteve vínculo como professor contratado na Universidade Ibirapuera, atuante então com assessoria científica.

É o atual Presidente, Diretor e Pesquisador do Instituto HILASA - Instituto de História, Letras e Artes de Santo Amaro/SP - Edubraz

Atuante Filósofo, Educador, Conferencista, Consultor, Escritor e AdministradorEm todas as suas atividades sempre atuou como empreendedor, por uma sociedade melhor para todos; pôs a ciência e o saber a serviço do bem comum!



Por: Roberto  Costa  Ferreira - 26dez25.
Prof., Pesquisa,Pedagogista,Med-MEng
HILASA-SP-Instit. História Letras Artes
SANTO AMARO  - SÃO  PAULO - SP.


O Professor Doutor José Jorge Peralta em sede do
HILASA/EDUBRAZ em São Paulo - SP.




sexta-feira, 2 de janeiro de 2026

MARAVILHA! - Diante da perspectiva do Novo - O Ano Novo em trânsito, este maravilhoso tempo e o tempo que nos maravilha!

Absolutamente fascinante mergulhar no vasto e profundo mundo da leitura e do conhecimento, que a  língua portuguesa nos permite brincar com as palavras de uma forma tão intensa, transformando, partindo de um simples substantivo em uma reflexão existencial sobre a nossa percepção da realidade.

Ao dizer "este maravilhoso tempo e o tempo que nos maravilha", toco em uma dualidade que pode intrigar filósofos, cientistas e poetas, como ocorre há milênios:
  • a relação entre o tempo cronológico (o Chronos) e,
  • o tempo da experiência vivida, da percepção e,
  • do encantamento (o Kairos).

Para explorarmos tal reflexão com a devida complexidade que detém e que ela merece, mergulhemos nos detalhes que tornam essa percepção do "tempo" algo tão especial e multifacetado:

A Natureza Dual do Tempo: O Relógio vs. A Emoção

Quando digo que um tempo é "maravilhoso", raramente estou me referindo à precisão técnica de um relógio de césio ou ao movimento mecânico dos ponteiros. Na verdade, estou descrevendo a nossa interação subjetiva com o presente.

O "tempo que nos maravilha" é aquele que parece se expandir quando estamos felizes ou se comprimir quando estamos imersos em uma atividade que amamos (o que a psicologia moderna chama de estado de Flow ou Fluxo).
Desse modo, enquanto o tempo físico é constante e impessoal, o tempo que "maravilha" é intensamente pessoal, colorido pelas nossas memórias, expectativas e pelo estado de espírito do agora. 

O Ano Novo se vai ... A Maravilha da Efemeridade e do Ciclo

Existe algo intrinsecamente belo na impermanência. O tempo nos maravilha justamente porque ele é o recurso mais escasso e precioso que possuímos. Cada segundo que passa é único e irrepetível.
Na natureza, observamos isso através das estações:
  • o desabrochar de uma flor na primavera ou,
  • o tom alaranjado de um pôr do sol de outono.
São eventos que dependem estritamente da passagem do tempo para existirem. Essa transitoriedade não deve ser vista com tristeza, mas como o tempero que dá valor à vida; se as coisas fossem eternas e estáticas, a "maravilha" provavelmente se perderia na monotonia da permanência. 

Curiosidades sobre a nossa percepção temporal:

• O Efeito Telescópio: Você já teve a sensação de que eventos ocorridos há muito tempo parecem ter acontecido ontem? Isso ocorre porque o cérebro humano tende a organizar memórias significativas com uma nitidez que desafia a cronologia linear, mantendo o "maravilhamento" vivo por décadas.
• Dilatação Temporal Psicológica: Em momentos de "grande adrenalina" ou "beleza extrema", o cérebro processa informações com tamanha densidade que temos a impressão de que o tempo "parou":
     • É o ápice do tempo que nos maravilha, onde a fração de segundo ganha a importância de uma era!

Assim, a jornada  etimológica da dita palavra "maravilha" é um mergulho fascinante na história das línguas românicas e na forma como a percepção humana processa o extraordinário, o inesperado e o belo!

Para entender de onde vem esse termo que usamos para descrever:
  • desde um fenômeno natural estonteante,
  • até um pequeno momento de felicidade cotidiana,
precisamos retornar às raízes do latim clássico e observar como a língua se transformou ao longo dos séculos.

A origem direta de "maravilha" reside no substantivo latino neutro plural mirabilia. No latim, mirabilia era utilizado para designar:
  • "coisas admiráveis",
  • "acontecimentos espantosos" ou,
  • "objetos de admiração".
É interessante notar que, na transição do latim para as línguas românicas (como o português, o espanhol e o francês), muitos termos que eram plurais neutros acabaram sendo reinterpreatados como substantivos femininos singulares, o que explica por que temos "a maravilha" no singular hoje em dia. 

Aprofundando-nos ainda mais na árvore genealógica da palavra, descobrimos que "mirabilia" é derivada do adjetivo mirabilis (maravilhoso), que por sua vez provém do verbo mirariEste verbo latino significa "olhar com pasmo", "admirar-se", "espantar-se" ou simplesmente "olhar com atenção".
A raiz mais primitiva de todas remete ao radical indo-europeu smeiros-, que está ligado à ideia de "sorrir" ou "ficar iluminado pelo espanto". 

Curiosamente, essa mesma raiz deu origem à palavra inglesa smile (sorrir), revelando uma conexão ancestral entre o ato de ver algo maravilhoso e a reação física de alegria ou surpresa no rosto humano. 

Ainda, segundo o Dicionário Etimológico da Língua Portuguesa, de José Pedro Machado, maravilha, atestado desde o século XIII, evoluiu do latim 'mirabĭlĭa', «coisas admiráveis», plural neutro substantivado do adjectivo 'mirabilis', «admirável, maravilhoso, espantoso, singular».

Maravilhar (incluindo a forma na conjugação pronominal reflexa maravilhar-se) é um verbo derivado de maravilha, já no âmbito da própria língua portuguesa. 
Milagre provém de 'mirācŭlu-', «prodígio, maravilha, coisa extraordinária» (José Pedro Machado, op. cit.). A palavra terá sofrido influência culta, provavelmente eclesiástica. Na Idade Média existiu a forma intermédia "miragre".'

Para entender como essa palavra se ramificou e se consolidou, vale a pena observar os seguintes pontos sobre sua evolução e conexões:
• A Evolução Fonética e a Adaptação Linguística: Conforme o latim vulgar se transformava nas línguas que falamos hoje, o termo mirabilia passou por adaptações sonoras naturais, como:
  • Em português, consolidou-se como "maravilha";
  • em espanhol, tornou-se maravilla, cujo nome que evoca admiração, espanto e algo extraordinário.
A sua utilização como nome próprio pode ser vista como uma forma de expressar o desejo de que a pessoa que o carrega seja uma fonte de encanto e positividade. 

Derivados ou nomes associados podem incluir "Mara" ou variações femininas que compartilham a mesma essência de beleza e encanto, e:
  • no francês antigo, deu origem a "merveille" (que, posteriormente, seria a base para o inglês marvel).
Essa transição mostra como a ideia de "algo que merece ser olhado" permaneceu central na psique dos povos latinos, mantendo a carga semântica de algo que interrompe a normalidade para capturar a visão e o espírito.

• O Conceito de "Mirabilia" na Idade Média: Durante o período medieval, o conceito de mirabilia era quase uma categoria literária e científica. Viajantes e exploradores escreviam relatos sobre as "maravilhas do mundo" (como as famosas Sete Maravilhas da Antiguidade), descrevendo criaturas exóticas, arquiteturas impossíveis e fenômenos naturais que desafiavam a compreensão da época.
Se você tiver interesse em explorar esses textos históricos, pode consultar acervos digitais como os residentes da:
     • Biblioteca Nacional de Portugal, que guardam manuscritos onde o termo era frequentemente empregado para descrever o desconhecido.

• Conexões com o Olhar e o Espelho: É fascinante notar que a raiz mir- está presente em diversas outras palavras do nosso vocabulário que compartilham a ideia de visão e reflexo.
Por exemplo, a palavra "miragem" (um fenômeno óptico que engana a vista) e o termo "espelho" (que em latim é speculum, mas que em outras línguas deriva de raízes de olhar, como no espanhol mirar e no termo técnico mirar). Até mesmo a palavra "admirar" (ad-mirare) significa literalmente "olhar para algo com espanto ou aprovação".

• O Uso Moderno e a Expansão do Significado: Hoje, embora a palavra mantenha sua "aura de grandiosidade", ela também se tornou parte do nosso "vocabulário de intensidade". Usamos "maravilha" como uma interjeição de concordância ou entusiasmo ("Que maravilha!").
Essa diluição do sentido original mostra como o ser humano tende a buscar o extraordinário até nas pequenas interações, transformando o "objeto de espanto" em um "estado de satisfação".

Resumidamente, a palavra maravilha é um testemunho linguístico da nossa capacidade de nos surpreendermos com o mundo ao nosso redor.
Ela nasceu do ato de observar atentamente e evoluiu para representar tudo aquilo que, por sua beleza ou singularidade, nos obriga a parar e contemplar!

É uma palavra que carrega em seu DNA o brilho nos olhos de quem vê algo novo pela primeira vez, mantendo viva a conexão entre a visão física e a emoção interna de encantamento. Principalmente diante da presença do hoje, um tempo novo!

Que maravilha ... Feliz Ano Novo!


Por: Roberto Costa  Ferreira - 01jan26.
Prof,Pesquisa,Pedagogista,Med-MEng
HILASA-SP-Instit.História Letras Artes
SANTO AMARO  -  SÃO PAULO  -  SP.