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sábado, 11 de março de 2023

DIA INTERNACIONAL da MULHER ... O Cosmos ... A Distância ... Questão de TEMPO? - A síntese das perfeições!


A Distância entre Adis Abeba – Etiópia -  e Cairo – Egito. Desse modo somamos 2468 km = 1534 milles, sobre o Sudão, na África oriental. E considere-se que Adis Abeba, na Etiópia,  está 1 hora à frente de Cairo, no Egito.

Assumimos uma Terra esférica como uma aproximação estreita da verdadeira forma da Terra (um esferóide oblato). A distância é calculada como distância ortodrómica ou de círculo grande entre os centros das cidades na superfície de uma esfera. Então temos a distância sem o tempo ... O Tempo, ou melhor, os Tempos e sua relação com as vidas.

A relação das pessoas com o tempo muda de acordo com o contexto em que estão inseridas. Em sociedades tradicionais, o tempo era visto como algo repetitivo e não cumulativo. Ou seja, as pessoas fariam a mesma atividade durante anos sem se incomodar com isso e o tempo de experiência no desempenho daquela função não era tão importante quanto é hoje, quando medimos a competência dos indivíduos pelo tempo de experiência.

Alguns marcos históricos mudaram nossa relação com o trabalho e, consequentemente, com o tempo. Quando a revolução industrial eclodiu, as fábricas controlavam o tempo dos funcionários dizendo, com apitos, a hora de trabalhar, de almoçar e ir para casa. As diferenças entre tempo cronológico e tempo histórico são fundamentais para se compreender bem a disciplina de História. E ambos se completam.

O tempo é uma questão fundamental para a nossa existência. Inicialmente, os primeiros homens a habitar a terra determinaram a contagem desse item por meio da constante observação dos fenômenos naturais. Dessa forma, as primeiras referências de contagem do tempo estipulavam que o dia e a noite, as fases da lua, a posição de outros astros, a variação das marés ou o crescimento das colheitas pudessem metrificar “o quanto de tempo” se passou.

Na verdade, os critérios para essa operação são diversos. Não sendo apenas baseada em uma percepção da realidade material, a forma com a qual o homem conta o tempo também pode ser visivelmente influenciada pela maneira com que a vida é compreendida. Em algumas civilizações, a ideia de que houve um início em que o mundo e o tempo se conceberam juntamente vem seguida pela terrível expectativa de que, algum dia, esses dois itens alcancem seu fim. Já outros povos entendem que o início e o fim dos tempos se repetem por meio de uma compreensão cíclica da existência.

Em razão da Etiópia, acima referida, Rás é o chefe etíope, sendo certo que o mais conhecido é o Rás Tafari, herdeiro de uma dinastia cujas origens remontam ao século XIII, batizado inicialmente como Tafari Makonnen e posteriormente chamado por Rás Tafari, Sua Majestade Imperial Negusa Nagast, Defensor da Fé, o imperador Haile Selassiefoi regente da Etiópia de 1916 a 1930 e imperador de 1930 a 1974.

Pois bem, etíopes comemoram o Ano Novo em tempo diferente do nosso, porque seu calendário é diferente do ocidental. Tudo com várias festividades, apesar das dificuldades causadas pela inflação, a guerra e a fome no país. Além do ano ter um mês a mais, o calendário etíope está sete anos e oito meses atrás do calendário ocidental. Isso porque a Etiópia calcula o ano de nascimento de Jesus Cristo de maneira diferente. Quando a Igreja Católica retificou o seu cálculo no ano 500 d.C., a Igreja Ortodoxa Etíope não fez o mesmo.

Portanto, o Ano Novo para os etíopes cai no dia 11 de setembro ou 12 de setembro em anos bissextos (que tem um dia a mais no calendário). O tempo também é contado de maneira diferente, com o dia dividido em turnos de 12 horas, começando às 6h, o que faz com que meio-dia e meia-noite caiam às 18h ou 6h, no horário etíope.

A Etiópia é o único país africano que nunca foi colonizado. A Itália tentou invadir a Etiópia, ou Abissínia, como era conhecida, em 1895, quando nações europeias disputavam o continente africano entre si, mas sofreu uma derrota humilhante. A Itália conseguiu colonizar a vizinha Eritreia depois que uma empresa naval italiana comprou o porto de Assab, no Mar Vermelho. A confusão provocada com a morte em 1889 do imperador etíope Yohannes 4º permitiu que a Itália ocupasse as planícies do país ao longo da costa.

Mas alguns anos depois, quando a Itália tentou adentrar pelo território etíope, foi impedida na Batalha de Adwa. Quatro brigadas de tropas italianas foram derrotadas em questão de horas em 1º março de 1896 por forças etíopes comandadas pelo imperador Menelik 2º. A Itália foi forçada a assinar um tratado reconhecendo a independência da Etiópia, embora, décadas depois, o líder fascista Benito Mussolini tenha violado o acordo, ocupando o país por cinco anos. Um dos sucessores de Menelik, o imperador Haile Selassie, se aproveitou da vitória sobre a Itália e pressionou pela criação da Organização para a União Africana (OAU), agora chamada de União Africana, que tem sua sede na capital da Etiópia, Addis Ababa.

"Nossa liberdade não tem sentido até que todos os africanos sejam livres", disse Selassie no lançamento da OAU em 1963, num momento em que boa parte do continente ainda permanecia sob domínio de potências europeias.

Ele convidou aqueles que lideravam a luta contra o colonialismo para um treinamento, entre eles Nelson Mandela, que liderou a luta contra o Apartheid na África do Sul. Mandela recebeu um passaporte etíope, permitindo-lhe viajar pela África em 1962.

"Senti que visitaria minha própria gênese, desenterrando as raízes do que me tornou um africano", disse Mandela anos depois dessa viagem.

Por oportuno, “Rastafáris” adoram o imperador Haile Selassie. E tal crença tem origem numa fala de 1920 atribuída ao influente ativista jamaicano pelos direitos dos negros Marcus Garvey, que está por trás do movimento Back to África (De Volta à África):

"Olhe para a África, quando um rei negro será coroado, pois o dia da libertação está próximo."

Uma década depois, quando Ras Tafari (ou Chefe Tafari), de 38 anos, foi coroado na Etiópia como Haile Selassie 1º, muitos na Jamaica enxergaram isso como uma profecia se realizando. E assim nasceu o movimento Rastafári.

A lenda do cantor de reggae Bob Marley foi instrumental em espalhar a mensagem Rastafári. A música dele "Guerra" ("War", em inglês) menciona o discurso do imperador etíope na Assembleia-Geral das Nações Unidas em 1963, pedindo paz mundial:

"Até que a filosofia que acredita que uma raça é superior e outra é inferior seja permanentemente desacreditada e abandonada... Até que esse dia chegue, o continente africano não conhecerá a paz."

O disco "Exodus", de Bob Marley, descrito pela revista americana Time  como o álbum do século 20, reflete o desejo dos rastafáris de retornar à África, continente que milhões de pessoas foram forçadas a deixar durante o tráfico transatlântico de escravos. Até hoje, uma pequena comunidade rastafári vive na cidade etíope de Shashamene, 225 km ao sul de Addis Abeba, em terras concedidas por Selassie aos negros do Ocidente que o apoiaram contra Mussolini.

Selassie, um cristão ortodoxo, pode não ter sido um seguidor da filosofia Rastafári. Ele destacava que não era imortal, mas os rastafáris ainda o reverenciam como o "Leão de Judá". Esta é uma referência à suposta linhagem de Selassie, que rastafáris e muitos etíopes acreditam que pode ser rastreada até o rei Salomão bíblico. A Etiópia é o lar da Arca da Aliança ...

Para muitos etíopes, o baú sagrado contendo as duas tábuas com os Dez Mandamentos que a bíblia diz que foram dados a Moisés por Deus não está desaparecido — o Indiana Jones de Hollywood só precisava ter ido à cidade de Aksum para encontrá-lo. A Igreja Ortodoxa Etíope afirma que a arca está sob vigilância constante no terreno da Igreja Nossa Senhora Maria de Sião de Aksum. Ninguém tem permissão para ver a arca!

Diz a tradição que a igreja possui esta preciosa relíquia graças à Rainha de Sabá, cuja existência é contestada pelos historiadores, mas não por grande parte dos etíopes. Eles acreditam que ela viajou de Aksum a Jerusalém para visitar o rei Salomão e descobrir mais sobre sua suposta sabedoria por volta de 950 a.C. A história de sua jornada e sedução por Salomão são detalhadas no épico Kebra Nagast (Glória dos Reis), uma obra literária etíope escrita na língua Ge'ez no século 14. A obra conta como Makeda, a Rainha de Sabá, deu à luz um filho: Menelik (que significa Filho dos Sábios). E como anos depois, ele viajou a Jerusalém para encontrar seu pai.

Salomão queria que ele ficasse e governasse após sua morte, mas concordou com o desejo do jovem de voltar para casa, mandando-o de volta com um contingente de israelitas. Um deles roubou a arca, substituindo a original por uma falsificação. Quando Menelik descobriu, ele concordou em manter a arca, acreditando ser a vontade de Deus que ficasse na Etiópia. Até os dias de hoje, para os cristãos ortodoxos do país, a arca é sagrada e algo a que eles ainda estão dispostos a proteger com suas vidas. Isso ficou evidente, tempos depois, quando, durante o conflito que eclodiu na região norte da Etiópia, soldados da Eritreia, supostamente, tentaram saquear a Igreja Nossa Senhora de Sião após um massacre horrível.

Em determinado tempo um jovem funcionário público da cidade disse à BBC - British Broadcasting Corporation - que "jovens correram para o local para proteger a arca":

"Todos os homens e mulheres lutaram contra eles. Eles atiraram e mataram alguns, mas estamos felizes porque não deixamos de proteger nossos tesouros."

Pois bem, deste país a Etiópia, a embaixadora Sahle-Work Zewde, de 68 anos, entrou para a história na quinta-feira, de 25 de outubro de 2018, ao ser eleita, por unanimidade, a primeira presidente mulher da Etiópia – função que deverá assumir por dois mandatos de seis anos -, se tornando também a única chefe de Estado do sexo feminino em todo o continente africano naquele momento.

A eleição da diplomata foi confirmada em uma sessão conjunta das duas câmaras do Parlamento do país, após seu antecessor, Mulatu Teshome, ter renunciado ao cargo, que ocupava desde 2013. Considere-se que Sahle-Work esteve à frente das embaixadas da Etiópia na França, Djibuti, Senegal e no bloco regional, a Autoridade Intergovernamental para o Desenvolvimento (IGAD). Atuou também como representante especial do secretário-geral da Organização das Nações Unidas, António Guterres, para a União Africana (UA), e ocupou o cargo de diretora-geral da ONU em Nairóbi, capital do Quênia.

Disse, em determinado tempo, Sahle-Work ao Parlamento após sua nomeação:

“Precisamos nos tornar uma sociedade que rejeita a opressão das mulheres. Enquanto não houver paz no país, as mães vão se sentir frustradas. Por isso, precisamos trabalhar pela paz para nossas mães”. 

E complementou no devido tempo escrevendo o chefe de gabinete do premier etíope, Fitsum Arega:

“É um movimento histórico a eleição da embaixadora como nova presidente da Etiópia, trazendo consigo as habilidades e a experiência certa”. Ainda disse:

“Numa sociedade patriarcal como a nossa, a nomeação de uma mulher como chefe de Estado não apenas estabelece o padrão para o futuro, mas também normaliza as mulheres como tomadoras de decisão na vida pública.”

Por enquanto, no discurso. Isso porque o presidente da Etiópia é oficialmente o chefe de Estado, mas as suas responsabilidades são essencialmente simbólicas e honorárias. A maior parte do poder está nas mãos do primeiro-ministro, que representa o país nas grandes cúpulas internacionais.

Em outro cenário, percorrendo a distância antes referida e não no devido tempo temos o Egito o 'pior país para mulheres' no mundo árabe! País africano, transcontinental,  localizado na região da África Setentrional, no nordeste do continente. Subdesenvolvido, tem muitas carências estruturais, como as estradas e os serviços públicos prestados à população. O Egito Atual não se parece com toda a glória e o esplendor que havia no Egito Antigo. E quando pensamos em civilizações antigas, normalmente presumimos que as mulheres não eram tratadas tão bem como são hoje. No entanto, o Egito tratava suas mulheres melhor do que qualquer outra cultura do mundo antigo, momento que as mulheres estavam realmente à frente de seu tempo – elas podiam governar o país e tinham muitos dos mesmos direitos básicos que os homens. Isso é muito diferente de outras culturas antigas, como a sociedade da Grécia Antiga, onde as mulheres eram consideradas menores legais, sem os mesmos direitos que os homens.

Uma das mais longas histórias de qualquer outro país do globo, sua herança soma milhares de anos. É detentor de um contingente populacional alcançando 102 milhões de habitantes, em cuja natureza residem sete Oásis, em litoral de dois Mares – o Mediterrâneo e o Mar Vermelho -  e, além de ter um Rio, a sua fonte de sobrevivência  centrada no majestoso rio Nilo. É o terceiro país mais populoso da África. O Cairo é a cidade mais populosa, e em segundo lugar vem a cidade litorânea de Alexandria. Sem dúvidas, um dos países mais importantes do continente africano, tendo parte do seu território (Sinai) localizado na Ásia, fazendo com que também faça parte do Oriente Médio. A capital atual do Egito é o Cairo, mas uma nova capital administrativa está sendo construída, pretendendo ser a parte, uma região ultramoderna, cujo local já é conhecido como New Capital.

Tal terra dos faraós tem fronteiras com Sudão, Líbia, Palestina, Golfo de Aqaba. Considerado o berço da civilização, o Egito Antigo viu alguns dos primeiros desenvolvimentos em relação a escrita, urbanização, religião organizada, agricultura e governo centralizado. A rica herança cultural do país é parte da identidade nacional, que deu suporte e foi influenciada por várias outros povos, como gregos, persas, romanos, árabes, turcos e núbios. Modernamente, partindo do século 16 até o início do século 20, o Egito foi governado por impérios estrangeiros: Otomano e Britânico. Em 1922, o país ganhou a independência do Império Britânico, porém a ocupação militar inglesa continuou no país.

Com a revolução de 1952, o Egito deu fim a qualquer ocupação e presença britânica no território, nacionalizou o canal de Suez (que era de propriedade inglesa) e retirou do poder o rei Farouk e sua família. Nesse momento o país deixou de ser uma monarquia, tornando-se uma república. Adiante, em 1958, o Egito juntou-se com a Síria para formar a República Árabe Unida, mas isso durou apenas 3 anos. Na segunda metade do século 20, o Egito passou por diversos conflitos religiosos e sociais, além de uma instabilidade política.

No passado o Egito tinha como religião, o cristianismo, mas o islamismo passou a predominar após o século VII. Hoje, 86% da população egípcia é muçulmana e 13% cristã copta. Há também uma pequena parcela da população que é católica e judia, e pode haver ainda outras religiões, mais numa porcentagem bem menor. O país já passou por diversos conflitos armados no passado. E hoje continua enfrentando alguns desafios, a última revolução ocorrida no país em 2011 trouxe diversas consequências para o território nacional, como crises econômicas e terrorismo.

Diante de tal panorama, um estudo ainda recente aponta tal condição e converge para o cenário feminino. Já no outro extremo da lista, com melhores condições para as mulheres, estão as ilhas de Comores, oficialmente União das Comores, um país independente da África Austral, localizado no extremo norte do canal de Moçambique, na costa oriental da África, cuja capital e maior cidade é Moroni, na Grande Comore. Em contrapartida, as ilhas de Comores, onde mulheres ocupam 20% de postos ministeriais, aparece em primeiro lugar com melhores condições para as mulheres, com direitos e oportunidades mais justas em relação ao sexo oposto.

Tal pesquisa consultou 336 especialistas em assuntos de igualdade e direitos das mulheres nos 21 países da Liga Árabe e a Síria (um dos países fundadores da Liga, mas suspenso em 2011). Essa é a terceira edição do estudo que se concentra em avaliar os direitos das mulheres desde as revoltas no mundo árabe em 2011. As perguntas foram baseadas nas provisões da Convenção das Nações Unidas (ONU) para a Eliminação de Todas as Formas de Discriminação Contra as Mulheres (CEDAW), em que 19 países árabes assinaram ou ratificaram.

O Egito se tornou “o pior país no mundo árabe em relação aos direitos das mulheres”, segundo mencionada pesquisa que,  divulgada e conduzida pela Fundação Thompson-Reuters, o estudo mostrou que “o assédio sexual”, “mutilações dos genitais” e o “aumento da violência e de grupos islamitas conservadores” após a Primavera Árabe fizeram do Egito o pior país árabe para uma mulher. Além disso, “leis discriminatórias” e um “aumento no tráfico de mulheres” contribuiu para que o Egito ficasse em último na lista de 22 países árabes. Depois do Egito, o segundo lugar ficou com o Iraque, seguido da Arábia Saudita, Síria e Iêmen. No topo da lista, Omã fica em segundo, seguido de Kuwait, Jordânia e Catar.

A pesquisa pediu a especialistas que analisassem diversos fatores como: 

           ·    violência contra as mulheres”,

          ·  “direitos”,

          · tratamento dentro do âmbito familiar” e,

          ·  o papel das mulheres na política e economia”.

O Egito teve péssima pontuação em quase todas as categorias, especialmente na questão do assédio sexual, citado como o principal fator. Um relatório da ONU também disponível ratificou apontando que 99,3% de mulheres e meninas estão expostas a assédio sexual no Egito, o que alguns analistas dizem que reflete o aumento geral da violência na sociedade egípcia nos últimos anos.

Mulheres tiveram um papel central na revolução no país, mas ativistas dizem que a influência de islamitas, que culminou com a eleição de líder da Irmandade Muçulmana, Mohamed Mursi, como presidente, que morreu em Junho de 2019 aos 67 anos, foi um fator determinante para um retrocesso nos direitos femininos. A deposição de Mursi pelos militares em julho de 2013, portanto quase dez anos, só aumentou os perigos enfrentados pelas mulheres nas ruas, especialistas disseram na pesquisa. 

A organização internacional Human Rights Watch também apresentou relatos que constam números surpreendentes, segundo os quais  91 mulheres foram estupradas ou assediadas sexualmente em público na Praça Tahrir, no período, quando protestos anti-Mursi aumentaram a tensão entre manifestantes e apoiadores do presidente deposto.

“A aceitabilidade social do assédio sexual diário afeta cada mulher no Egito, independentemente de idade, profissão ou condição socioeconômica, estado civil, vestimenta ou comportamento”, disse Noora Flinkman, gerente de comunicação da HarassMap, um grupo de direitos humanos no Cairo que faz campanha contra o assédio.

Ela também disse ao estudo que:

... o assédio “limita a participação das mulheres na vida pública, afetando sua segurança, senso de valor, autoconfiança e saúde”.

Analistas também citaram as altas taxas de casamentos forçados e tráfico humano.

“Há vilarejos nos arredores do Cairo e outras regiões onde grande parte da economia é baseada no tráfico de mulheres e casamentos forçados”, disse Zahra Radwan, diretora de programa para o Oriente Médio e Norte da África para o Global Fund Women, grupo de direitos baseado nos Estados Unidos.

Outro problema é a mutilação genital feminina, que é endêmica no Egito, onde 91% de mulheres e meninas - ou 27,2 milhões no total - são expostas a cortes genitais, de acordo com a Unicef. Somente Djibouti tem uma taxa mais alta, com 93% de mutilações.

Considerando outros países, no Iraque, as liberdades das mulheres retrocederam desde a invasão dos EUA, em 2003, que depôs Saddam Hussein, segundo a pesquisa. O estudo mostrou que “uma década de instabilidade e conflito afetou mulheres de forma desproporcional”. Abusos domésticos e prostituição aumentaram, analfabetismo tem crescido e 10% das mulheres - ou 1,6 milhão - se tornaram viúvas e vulneráveis, de acordo com a organização Refugee International. Ainda, a Agência de Refugiados da ONU disse que centenas de milhares de mulheres, deslocadas internamente e ao longo das fronteiras no Iraque, estão vulneráveis ao tráfico, sequestro e estupro.

Já na Arábia Saudita, que aparece na lista em terceiro lugar, os especialistas apontaram alguns avanços. O país permanece o único que proíbe mulheres de dirigir veículos, mas reformas limitadas deram às mulheres mais oportunidades de trabalho e maior voz em público. Proíbe-se ainda mulheres de viajar ao exterior, trabalhar, abrir uma conta bancária e entrar para uma universidade sem a permissão de uma parente masculino.

“A sociedade saudita é um sistema patriarcal e as leis são pertinentes aos direitos dos homens”, disse ao estudo um consultor legal saudita que defende vítimas de abuso doméstico. “A mulher é considerada segunda classe”.

A guerra civil na Síria teve um efeito devastador nas mulheres em casa e nos campos de refugiados ao longo das fronteiras. Segundo os especialistas que participaram da pesquisa, muitas ficam expostas ao tráfico, casamentos forçados e de crianças e violência sexual. Grupos de direitos humanos dizem que as forças leais ao presidente Bashar al-Assad cometeram estupros e torturas contra mulheres, enquanto rebeldes islamitas radicais retiraram seus direitos em territórios governados por eles.

“A mulher síria “é uma arma de guerra”, sujeita a sequestros e estupro pelo regime e outros grupos”, disse uma ativista de direitos das mulheres sírias.

Em relação aos países que passaram por revoltas na chamada Primavera Árabe, o estudo apontou uma imagem heterogênea. No Iêmen, quinto pior na lista, mulheres participaram lado a lado de homens na onda de protestos durante a revolução em 2011 e há uma cota de 30% para mulheres na conferência de diálogo nacional para discutir as reformas constitucionais. Mulheres, no entanto, ainda sofrem com assédios e casamentos sem idade mínima estabelecida. Outros países, como Tunísia e Líbia, também mostraram avanços em alguns fatores e retrocessos em outros.

No arquipélago de Comores, no Oceano Índico, e liderando a lista como melhor país do mundo árabe para as mulheres, não há pressão para que elas deem à luz meninos ao invés de meninas. 

"No país, métodos anticoncepcionais são amplamente aceitos e apoiados por campanhas educativas do governo, enquanto a guarda dos filhos é normalmente dada às mulheres após a separação ou divórcio”, disseram os especialistas. 

Ainda, em fins de 2013 um clérigo saudita mais conservador afirmou à imprensa local e correu o mundo tal manifestação segundo a qual:

“mulheres que dirigem correm o risco de prejudicar seus ovários e gerar filhos com problemas clínicos”, contrariando ativistas que, à época tentaram pôr fim às regras estabelecidas no reino islâmico chefiado apenas por homens.

Ato subsequente gerou-se uma campanha pedindo para  as mulheres desafiarem a proibição mediante realização de uma carreata naquele ano. Espalhou-se rapidamente pela web e ganhou o apoio de proeminentes ativistas. O site da campanha foi bloqueado no  último domingo de Outubro de 2013, como se viu, já decorridos quase dez anos,  dentro do reino.

Lembro-me ainda que determinada entrevista publicada na sexta-feira – 27 de Setembro de 2013 -  no site sabq.org, o Sheikh Saleh bin Saad al-Lohaidan afirmou que mulheres com o objetivo de derrubar a proibição devem colocar a "razão acima de seus corações, emoções e paixões". Seus comentários refletem o tamanho da oposição, entre alguns conservadores dentro da Arábia Saudita, a que as mulheres possam dirigir.

"Se uma mulher dirige um carro, não por pura necessidade, isso pode ter impactos fisiológicos, enquanto estudos médicos funcionais e fisiológicos apontam que isso automaticamente afeta os ovários e empurra a pélvis para cima", disse ao Sabq, sem citar estudos específicos para apoiar seus argumentos.

Mais recentemente, já em Março de 2021, tendo decorridos pouco mais de sete anos, no Egito, uma nova lei punha em risco a dignidade e os direitos das mulheres. Mas ninguém se importou ... havia controvérsia sobre o projeto de lei sobre o estatuto pessoal, aprovado pelo governo em janeiro passado, anterior a 2021, em então discussão na Comissão Parlamentar Conjunta de Assuntos Constitucionais e LegislativosTemeu-se uma limitação drástica dos direitos fundamentais das mulheres egípcias em termos de casamento, divórcio e proteção infantil.

Referido projeto foi fortemente criticado tanto na forma quanto no conteúdo, tendo sido considerado arcaico, conservador, patriarcal e repressivo. Em uma mensagem de vídeo que circulou nas redes sociais de então, momento que Nehad Abu El Khomsan, que presidia o Centro Egípcio para os Direitos da Mulher (ECWR), expressou sua discordância aberta contra a recente medida adotada pelo executivo egípcio em matéria de status pessoal. No início de seu discurso, Nehad apelou ao presidente egípcio Al-Sisi para que o projeto fosse retirado e não convertido em lei.

De acordo com o referido projeto de lei, tornado público em 23 de fevereiro de 2021, as mulheres egípcias, privadas de personalidade e capacidade jurídica, não teriam mais o direito de assinar a certidão de casamento. Portanto, a escritura pertenceria ao tutor da mulher (walī), mesmo se mais jovem do que ela. Além disso, caso o projeto fosse aprovado, a mulher não teria mais o direito de escolher o cônjuge livremente, pois ela autorizaria qualquer membro da família do sexo masculino a cancelar a certidão de casamento após justificativa. E mais:

         ·   as mulheres não estariam mais autorizadas a registrar o nascimento de seus filhos,

         ·  a administrar questões econômico-financeiras,

         ·  a solicitar a liberação do passaporte ou do documento de identidade do menor.

Ainda, em caso de desacordo com o marido, ela estaria impedida de:

       ·  escolher o tipo e nível de educação que o filho deveria ser submetido e,

         ·  não poderia defendê-lo em caso de litígio.

Quanto à guarda dos filhos, apenas o pai teria direito exclusivo, privando a mãe e as avós de qualquer direito na matéria.  

Também, de acordo com os presumíveis princípios Sharaiticos derivados da doutrina islâmica Hanafi:

        · as mulheres, ao contrário dos homens, não podiam mais viajar (sozinhas ou com filhos) para o exterior, por motivos urgentes de trabalho ou lazer,

          ·  sem o consentimento de seus maridos ou membros masculinos de sua família.

Desse modo, a dignidade da mulher está em risco! Pois que, o projeto não se preocupou em abordar questões importantes:

        · relacionadas às disputas judiciais familiares mais comuns, como o direito à pensão alimentícia dos filhos em caso de divórcio;

         · o problema da poligamia, que levou à dissolução de numerosas famílias egípcias;

        · e a transferência de bens móveis entre os cônjuges em caso de litígio pós-divórcio.

A mulher, considerada essencialmente pela sua função biológico-reprodutiva, como uma espécie demáquina de produzir filhos”, perderia, portanto, toda a legitimidade a nível jurídico, econômico e social, condenando-a à marginalização em todas as frentes. Na verdade, as mulheres egípcias já sofrem discriminação no que diz respeito ao acesso ao divórcio, custódia dos filhos e lei de herança, porque as leis sobre o status pessoal são parcialmente inspiradas por normas religiosas que datam da década de 1920. Antes disso, as mulheres nem tinham o direito de pedir o divórcio; no entanto, a proposta de reforma do status pessoal de Muhammad Abdu, apresentada em 1920, durante o período do reformismo islâmico no Egito, é em qualquer caso mais progressista do que a atual.

A proposta do jurista Abdu era coerente com aquele período histórico e baseava-se em diferentes interpretações da Sharia:

          ·  Protegia a mulher, reconhecida como cidadã plena como o homem e,

          ·  regulamentava o divórcio e a poligamia,

          ·  a serem submetidos à autoridade judiciária em caso de litígio.

A nova proposta de lei, por outro lado, parece distante da realidade contemporânea, em que grande parte das mulheres egípcias trabalham e contribuem com as despesas da casa e sustentam financeiramente os filhos menores, podem se tornar ministras e assinar acordos econômicos.

Portanto, seria absurdo e anacrônico não as autorizar a assinar, por exemplo, a própria certidão de casamento. Se a lei fosse aprovada no Parlamento, as mulheres egípcias se veriam lutando contra as crescentes injustiças não apenas no contexto familiar, mas também em todas as áreas da vida pública. Ora, se não! 

Roberto Costa Ferreira, 08 Março de 2023

PROFESSOR – PSICANALISTA – PESQUISADOR

UNIFESP   –   Universidade Federal de São Paulo

sábado, 25 de fevereiro de 2023

IMITAÇÃO ou não, eis a QUESTÃO!

Uma nova tecnologia proporciona poder ser capaz de imitar a voz de qualquer pessoa a partir de uma pequena amostra de áudio. Trata-se de algo, um recurso recente que apesar da semelhança com o nome de um tal  robô, é algo bem distinto na prática.

A princípio, a ferramenta só precisa de três segundos de uma fala para funcionar. Na prática, o sistema é descrito pela empresa como um "modelo de linguagem de codec neural".

Ele, o sistema, é baseado em uma tecnologia da Meta chamada EnCodec, que faz uso de inteligência artificial para comprimir áudio sem que haja perda de qualidade. A novidade gera "tokens acústicos" para sintetizar a fala.

E tal fala promove uma voz caricata? Voz caricata é a voz utilizada para caricaturizar um personagem e realça a personalidade do mesmo, exagerando na emoção.

Neste caso retratado em vídeo de exemplar canção não.  Existem trechos na interpretação do cantor em que a fidelidade é bem próxima, ficando impossível distinguir. 

O uso para essa tecnologia pode ser aplicado em dublagens, mas há possibilidades de utilização para o mal … E, talvez, essa seja a razão da presente proposta onde “tudo é para o bem”! 

Até lembrar, fazer renascer Elvis - Elvis Aaron Presley, apelidado de "Rei do Rock and Roll", barítono, que conseguia atingir 3 oitavas e, por vezes, atingir o registo vocal de tenores e baixos, é muito possível devido a esses fatores, muitos conhecedores de sua obra, fãs propriamente, chamam-no de A Voz! 

O astro do rock morreu há exatos 45 anos, e suas habilidades como cantor impressionaram toda uma geração. Mesmo posteriormente. Sua voz foi considerada pela crítica especializada uma das maiores qualidades do cantor. 

O rei do rock era um barítono que possuía um registro vocal flexível e eclético, com extenso alcance que o permitia atingir notas muito difíceis. Seu timbre se destacava entre os artistas populares. 

Muitas avaliações apontam que foi na década de 1970 que Elvis aprimorou seu canto de maneira incomparável, conciliando os tons agudo, grave médio e tenor. 

Tal momento mostrando que sua arte, sua voz “não morreram”, é tão dignamente interpretada por este belo exemplar artístico, afinado com os preceitos e conceitos da atualidade, diante de tal magnífica banda que vivifica o personagem. Que momento!

Desse modo, agora temos Bouke Scholten (42 anos, 25 de setembro de 1981) um cantor holandês, proveniente do Municipio de Emmen, uma província holandesa de Drente,  cidade cuja capital é  Assen, situada no nordeste dos Países Baixos. Drente (em neerlandês Drenthe) 

Bouke Scholten de Drenthe, juntamente com a banda ElvisMatters, surpreendeu o júri profissional e quase um milhão de espectadores pelo episódio vivido durante  o evento 'The Tribute - Battle of the Bands 2023'. 

Com sua voz impecável, trouxe as canções de Elvis Presley e sua voz chegou mais perto, muito próximo, lembrando Elvis. Como nenhum outro, Bouke proporcionou clássicos como 'Ghetto', 'Suspicious Minds' e 'Can't Help Falling In Love', trazendo Elvis de volta à vida.

Em agosto de 2009, Scholten ganhou o programa de televisão “Waar is Elvis?”, o programa procurava o 'especialista em Elvis' da Holanda. Com sua interpretação de Elvis, ele ganhou o programa e foi autorizado a se autodenominar o melhor som da Holanda.

Em agosto de 2012, Scholten se apresentou no Elvis Memorial Tour em Graceland. Em agosto de 2017, ele também foi convidado a se apresentar, novamente em Graceland, desta vez por causa do 40º aniversário da morte de Elvis Presley.

Em 2018 foi indicado ao prêmio de cultura do município de Emmen, acima referido. Já em maio de 2019, ano seguinte, Scholten venceu novamente durante um show de talentos, desta vez “All Together Now”. 

Para seu álbum Bouke at Sun, Scholten gravou canções em 2017 no “Sun Studio” em Memphis, onde cantores como Jerry Lee Lewis e Johnny Cash também gravaram suas canções.

BOUKE e a ElvisMatters Band, vencedora da bem-sucedida competição musical SBS6 'The Tribute - Battle of the Bands 2023', prestarão uma grande homenagem a Elvis Presley com seu show 'It's Now Or Never' na próxima sexta-feira, 19 de abril de 2024, em Ziggo Cúpula. A venda de ingressos já começou!

          Roberto Costa Ferreira,   25 Fev2023.

         Professor - Psicanalista - Pesquisador

         UNIFESP - Universidade  Federal  S.P.

terça-feira, 21 de fevereiro de 2023

Pe. Jaime da Paróquia Santos Mártires – Jardim Ângela, Sul de São Paulo/Capital

 


Comunico a morte do Padre Jaime Crowe aos 77 anos, em 20/02/2023 às 10:42h., no dia de hoje! Toda minha solidariedade aos familiares e amigos do padre Jaime, desejando paz, conforto, coragem e muito amor neste momento de tristeza.

Lamento muito por tal significativa perda. Ele que representou grande liderança na luta pelos Direitos Humanos em SP, transitando pela Paróquia Santos Mártires/ Sociedade Santos Mártires no local Jardim Ângela, distrito da zona sul do município de São Paulo, às margens da Represa de Guarapiranga, em sua margem norte.

Juntamente com o Jardim São Luís, conforma a região da cidade conhecida como M'Boi Mirim. Tal era a oportunidade que o conheci, mesmo durante preparativos para a 3a. Edição do Abraço da Represa Guarapiranga e depois, nos encontramos no Parque Ecológico da Guarapiranga (Jardim Ângela), e outras inúmeras atividades com lideranças locais.

Organizador da Caminhada pela Vida e pela Paz local, o Fórum em Defesa da Vida e pela Superação da Violência num local, hoje referência e modelo de combate à violência, antes tendo sido considerado "o lugar mais violento do mundo, em 1996, pelas Nações Unidas"!

Tal fato, sua morte, resultou ocorrido nesta madrugada (20/02) na Irlanda, em decorrência de uma parada cardíaca. Ele que teve uma vida dedicada à luta pela equidade, pelos direitos humanos e pela paz para todas as pessoas. Provindo de Claren, na Irlanda, nascido em 1945, desembarcou no Brasil contando 24 anos de idade, em Novembro de 1969 ... Tempos difíceis!

Uma grande perda para o povo humilde!

Padre Jaime era uma referência de luta em defesa dos direitos básicos da população periférica de São Paulo, especialmente na região referida, zona sul desta capital.

Realizei e participei de diversas iniciativas conjuntas com o querido "padre Jaime" e algumas de suas lideranças, condição representativa da UMPS - União dos Movimentos Populares de Saúde de São Paulo e consequente CMS/SP - Conselho Municipal de Saúde de São Paulo, que perpetuarão em minhas memórias estimulando para a continuidade de nossas lutas em prol do pilar da Saúde!

Roberto Costa Ferreira, 20Fev2023.

Professor-Psicanalista-Pesquisador

UNIFESP-Universidade Federal S.P.

domingo, 19 de fevereiro de 2023

O SEMINÁRIO - "Perspectivas para 2023" - ACSP/Distrital Sul - Santo Amaro/SP.

 

Em 09/02/2023, precisamente às 09:00h, Rodrigo Fittipaldi - Presidente ICS, Vice Superintendente ACSP Distrital Sul, com a palavra de abertura proporcionou aberto o Seminário Perspectivas para 2023 promovido pela Associação Comercial de São Paulo/Distrital Sul, momento de significativas presenças, as quais, significativamente se pronunciaram ressaltando perspectivas promissoras face as oportunidades presentes, debatendo, em alto nível de discussão, temas atrelados às circunstâncias políticas, econômicas e sociais, possivelmente impactando a vida dos comerciantes e respectiva sociedade.


Sob mediação de Jayson França - Grupo GuiZZe e Conselheiro da Distrital Sul/FJE, conduzindo os temas do Seminário, tal evento de gênero oral que consiste na exposição e no debate de ideias sobre o tema "Perspectivas para 2023", endossando o fato de que São Paulo se caracteriza como Capital Mundial de Eventos!


Presentes: Marcel Solimeo - Economista ACSP; Antônio Souza - Presidente CAVIM/ Superintendente ACSP Distrital Sul; Guilherme Brito - Diretor Think Results/ Santa Marcelina; Guilherme Campos - Diretor ADM/ Financeiro Sebrae SP; José Carlos Oliveira - Ex-Ministro do Trabalho e Previdência; Rui Gonçalves - Presidente Sampapão; Rodrigo Goulart - Vereador de São Paulo, e ainda,


este representante do pilar da Saúde local - Roberto Costa Ferreira - Delegado composto para a Conferência Estadual de São Paulo - diretor do HILASA-SP Instituto de Letras e Artes de Santo Amaro, discorrendo acerca do aspecto da Saúde regional que se projeta como espelho para São Paulo e próximos eventos.


Tal magnífico evento envolveu extensa e ativa plateia, questionando oportuna e proveitosamente.


Roberto Costa Ferreira, 09Fevereiro 2023

Professor  -  Psicanalista  -  Pesquisador 

UNIFESP-Universidade Federal S. Paulo 

sábado, 7 de janeiro de 2023

SANTOS/SP prometeu para a virada do ano 2023: "Terás uma das maiores queimas de fogos do país"!

E Santos cumpriu o que prometeu …  Pois que, estava escrito até nas estrelas! E todos os Santos compareceram para vibrar … A Lua também fugiu das sombras da Terra promovendo vermos sua face e assistiu ao espetáculo! Nos quereres e pensamentos, nos desejos e orações, nos olhares postos ao infinito, mas presente até na chama das velas de todas as cores, dos presentes “despachos diversos”, até as ondas se fizeram presentes, sem a ressaca, em ondas mansas permitindo pular “as sete ondas”, todos esses eventos com endereço certo: Ano Novo Feliz!

E que sábado, da passagem para domingo! Digno no merecimento de tal ingresso em novo tempo … Dia claro, sol presente, e no mar das praia de Santos, muitos os dispostos ao longo do dia. As embarcações sobre as águas acariciaram as ondas ainda mansas e mornas, até para quem aproveitou o passeio no devido tempo. Escunas proporcionam um magno programa ao longo de parte do litoral … Turismo no salgado mar, com direito a mergulho e ducha de água doce.

Percurso que começa na Avenida Almirante Saldanha da Gama, no bairro Ponta da Praia, terminando no bairro do mesmo nome: Ponta da Praia. Ao início com saída na ponte Edgard Perdigão, passa por vários pontos turísticos entre Guarujá e Santos, assim: Fortaleza da Barra, Praia do Góes, Praia do Cheira Limão, Praia do Sangava e, nesta local com conveniente parada de 20 minutos para um delicioso banho e mergulho no mar. Prossegue para a Ilha das Palmas, Orla da Baía de Santos, Porto de Santos e visualização e identificação de diversas embarcações ali atracadas na oportunidade. Noventa minutos de um tempo inesquecível e tudo de “cara com o pirata” que promove animação em tempo integral!

Logradouro criado em 1968, a Ponte Edgar Perdigão, antiga Ponte dos Práticos, inaugurada em 11 de junho de 1968, no exato “local onde existia antes um trampolim para saltos no mar”. Tal ponte foi demolida em 1974, seis anos após sua disposição pública, devido à corrosão da estrutura, sendo reconstruída em seguida. Até 1987, a Ponte dos Práticos, como ficou sendo popularmente conhecida, era o único atracadouro público na Ponta da Praia. Em 2006 foi reformada, modernizada e ampliada, funcionando como terminal de passageiros para travessias regulares pelo estuário.

Ponta da Praia/Santos - Região do Clube Saldanha da Gama/Ponte Edgard Perdigão 

O embarque do passeio acima referido, em frente ao Clube Saldanha da Gama/Ponte Edgard Perdigão se presta a homenagear Edgard Perdigão que nasceu em 6 de julho de 1887 e faleceu em 22 de abril de 1968, contando 80 anos. Remador do Clube de Regatas Saldanha da Gama, desde que esta modalidade passou a ser praticada ali em 1903. Edgard participou das principais conquistas paulistas nesse esporte, como ao vencer o campeonato estadual de 1910, vivendo seus 23 anos de vida e conquistar em 1922/1923/1924, na altura de seus 35 anos a posse definitiva do troféu Marinha Mercante Brasileira. Em 21 de outubro de 1917, junto com outros remadores, fundou o Tiro Naval de Santos, sendo eleito primeiro presidente da entidade, à frente da qual formou reservistas para as fileiras da Marinha de Guerra em Santos, que se destacaram nas revoluções de 1924 e 1932.

Em 1946, Edgard Perdigão, 59 anos,  foi eleito presidente do clube Saldanha da Gama. Clube este que, no local, se compõe com tantos outros expressivos e que, nos seus mais de 119 anos de história e tradição, com mais de 2580 m² é, hoje, um verdadeiro complexo moderno. Sua sede, no local Ponta da Praia é considerada por muitos e hoje já se consagrada, em vista das adequações ambientais, como o melhor bairro de Santos. Sua estrutura que se destaca entre prédios e comércio local, um clube centenário devidamente reconhecido como importante polo de cultura, esporte e lazer da cidade.  No ano seguinte, 1947 – 60 anos, Edgard candidatou-se à vereança em Santos pelo PSP, obtendo a segunda maior votação entre todos os candidatos oriundos do meio esportivo santista. Ele também trabalhou por mais de trinta anos como funcionário graduado da Alfândega do Porto de Santos, função em que se aposentou, mudando para o Rio de Janeiro, onde faleceu. Seu nome está gravado no Mausoléu do Esportista Amador de Santos desde 1976.

Edgard Perdigão que nasceu em 6 de julho
de 1887 e faleceu em 22 de abril de 1968.

Que magnifica representação pessoal para o registro histórico, inclusive proporcionando nominar as vias e logradouros públicos de Santos/SP, a cidade que lidera a lista de cidades mais verticalizadas do Brasil. Por ser uma cidade litorânea e com várias belezas e paisagens naturais, a cidade compõe a lista das cidades brasileiras com maior número de moradias verticalizadas. A verticalização (construção de prédios) foi uma alternativa adotada por algumas cidades do mundo, destacando-se aqui, Santos/SP também. E isso ocorre porque em locais mais urbanizados cada espaço é muito disputado para ser habitado.

E tal se processa até com vistas aos sepultamentos, pois que, o Rei Pelé ainda em vida, comprou lóculos para a família no nono andar do prédio - o Memorial Necrópole Ecumênica - o maior cemitério vertical do mundo. Tal local que tem vista para a Vila Belmiro, local do estádio onde o ex-jogador iniciou sua carreira esportiva, e que já recebeu os corpos de vários parentes e familiares. Ele, no entanto, agora após sua morte, será sepultado no primeiro andar objetivando adequar e viabilizar o fácil acesso para visitação.

Santos/SP - Memorial Necrópole Ecumênica - o maior cemitério vertical do mundo

Segundo uma pesquisa realizada pela consultoria Delta & Finance/América Economia, “Santos está em primeiro lugar na lista das melhores grandes cidades do Brasil”. Ao todo, foram analisadas 77 características de cada uma das mais de 5,5 mil cidades brasileiras. Foram considerados tópicos relacionados à qualidade de vida, saúde, educação, segurança pública, saneamento básico, conceitos de sustentabilidade restaram considerados, além de economia e governança, entre outros fatores.

Uma cidade plana, litorânea e com excelente qualidade de vida e que se destaca pelo ar vanguardista da arquitetura de suas construções, seguindo estilos variados e representativos,  consequência das diversas influências culturais que nela se assentaram, mesmo com a chegada de variadas levas de imigrantes que atravessaram o porto da cidade. Tal panorama arquitetônico é contemplado com construções que percorrem caminhos do barroco e datam do século XVI alcançando o modernismo orgânico da metade do século XX.

Ordem Terceira de Nossa Senhora do Carmo – construção de 1599

Do Barroco trago alguns exemplos que se encontra preservado no estilo: Ordem Terceira de Nossa Senhora do Carmo – construção de 1599 -; Igreja de Nossa Senhora do Monte Serrat – 1605 -; Casa do Trem Bélico – 1640 ou 1734 -; Casa de Câmara e Cadeia – 1869. A cidade também recebeu muita influência de imigrantes como os portugueses da Ilha da Madeira, com suas moradias encontradas até os dias presentes nas encostas dos morros, oportunidade de suas chegadas por volta de 1885, e encontraram as terras baixas praticamente alagadiças, não tendo dúvidas em construírem suas moradias nas encostas, tal qual ocorrera em sua terra natal. Tais construções ocorrem principalmente espalhadas  pelos morros santistas e pelos bairros como Embaré, Macuco, Estuário e até Ponta da Praia. São chalés de madeiramento colocado sobre pedras fixas, com terraceamento, consistente na construção de uma estrutura transversal ao sentido do maior declive do terreno. Tal técnica é aplicada ao parcelar uma área inclinada em várias rampas.

O prédio dos Correios e Telégrafos – 1924 – com maior destaque, a Bolsa Oficial de Café, que abriga o Museu do Café, restando descrito no livro AB – Arquitetura do Brasil – Patrimônio 1 da seguinte forma:

A grandiosidade do pórtico de entrada de granito é ornada com oito colunas dóricas, encimadas por um frontão franqueado por duas estátuas recostadas que representam Mercúrio, deusa da agricultura, simbolizando a riqueza e a fecundidade da terra ...”

Bolsa Oficial de Café, que abriga o Museu do Café.

Desse resumido texto compreende-se esse monumento, que dá a dimensão exata da riqueza que o café proporcionou ao país, transitando por estas terras, tendo sido tombado em 21 de Setembro de 1981. Ainda, a edificação do Paço é repleta de simbolismo, não formalizado em documentos, mas percebido por muitos quando a observação leva em conta. Por exemplo, o passado filosófico e de importância histórica de personagens como José Bonifácio. E um decreto de nº 268, de 12 de Julho de 1907 – considerou os terrenos daquela área de utilidade pública para fins de desapropriação, originando em 1908 e terminando em 1927 – 19 anos decorridos – num trecho escolhido onde fica a Praça Mauá, para a construção do Paço Municipal e, consequente, Palácio José Bonifácio, bem ao estilo Luis XV.

Além das estátuas na entrada – Hermes e Minerva – que representam o comércio e a indústria, assim como a sabedoria, implantadas posteriormente, e de vitrais com identificações técnicas, apontando a localização dada inicialmente para os respectivos setores, nota-se certa relação, que parece ser bem a propósito, de alguns símbolos relacionados à questão maçônica, instituição de grande influência sobre Bonifácio e Dom Pedro I, por exemplo, nomes estes que tiveram participação ativa em movimentos como os da Independência, a Abolição da Escravatura e a Proclamação da República!

Edifício Verde Mar, de 1957 - Santos/SP.

Mais recentemente, num modernismo orgânico, o Edifício Verde Mar, de 1957, foi “criado para receber a burguesia paulistana que desejava um retiro no litoral. E tal projeto resultou do pensar de um construtor, não arquiteto e sem graduação, responsável por alguns dos prédios mais icônicos de São Paulo, como o Edifício Bretagne, repetindo no litoral tal modelo conhecido, também de sua autoria. Uma decoração orgânica e exclusiva, numa época que a cidade era considerada altamente sofisticada, contendo cassinos e as melhores festas do cenário brasileiro”!   

Deste cenário de um passado pleno e próspero, significante, personalidades e nomes compõem o perfil de uma grande e vislumbrante cidade – Santos/SP. Igualmente, a exemplo da Ponte Edgar Perdigão, antiga Ponte dos Práticos que originou e o personagem que proporcionou esta matéria - Edgard Perdigão -    só poderia ser celeiro de esportistas, que projetaram o nome de Santos para o mundo. Não só as características geográficas e climáticas, mas o fato de ser uma cidade portuária, também estimula a prática esportiva por aqui. Por ser porta de entrada de imigrantes de vários países, a cidade propicia a criação de grupos que constituem clubes sociais e esportivos.

Vila Belmiro - Estádio - Santos/SP e o Rei do Futebol

Quer no futebol, mesmo diversos outros esportes, inclusive no triatlo, que Santos/SP detém e comporta anualmente a etapa do Triathlon Internacional, um desafio que combina três modalidades olímpicas. Uma prova singular, que reúne, há quase 30 anos, competidores de todo o Brasil e do mundo, palco de magníficas conquistas e destino de grandes campeões. Tamanha história e tradição tornam o Internacional de Santos/SP uma das mais icônicas competições da América Latina. Além das várias outras como o Troféu Brasil de Triathlon e suas oito etapas que se realizam na região, e o tradicional 10 Km Tribuna FM – Unilus, que soma mais de 30 edições. Na natação, no surfe, no pedestrianismo, na patinação, no stand up paddle, na canoagem, no beach tennis ou no tamboréu ... Por todos os cantos, Santos inspira atletas a transpirarem e a consolidarem ainda mais o município como uma cidade que tem o esporte nas veias!

Santos/SP - a terra da vila mais famosa do mundo, Vila Belmiro - que projetou Pelé, Robinho, Neymar e tantos outros, que também são crias santistas, atletas como Rogério Sampaio e Daniele Zangrando (judô), Picuruta Salazar (surfe), Paulo Henrique Miyashiro (triatlo), Renata Agondi (em memória), Poliana Okimoto e Ana Marcela Cunha (maratona aquática), Valmir Nunes (ultramaratonista) e muitos, muitos outros...

Não bastando, o Downhill Urbano é outra modalidade que faz da cidade referência mundial bem como a Descida das Escadas de Santos é a maior e mais tradicional prova da categoria no país, sendo a primeira de cinco etapas do circuito mundial City Downhill World Tour. Já em 1955, por mérito do jornalista Adriano Neiva da Motta e Silva, o De Vaney (há um museu em Santos em sua homenagem), o município conquistou o título de Cidade Mais Esportiva do País. De Vaney inscreveu Santos em um concurso nacional realizado pelo jornal O Globo, do Rio de Janeiro, e levantou as informações, que trouxeram a conquista pra cá, justificada e merecidamente!

Portanto, no momento que se completou a passagem de mais um tempo, um ano, o vindouro que se revela promissor foi recepcionado, comemorado e festejado, conforme previsto e afirmado, sob as vistas do Grande Arquiteto do Universo. Exemplar e dignamente!

O município conquistou o título de Cidade Mais Esportiva do País - 1955

Roberto Costa Ferreira, 01 de Janeiro de 2023 – Ano Novo.

PROFESSOR – PSICANALISTA – PESQUISADOR

UNIFESP/SP–CEP UNIVERSIDADE FEDERAL DE SÃO PAULO  


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Ponta da Praia - Santos / SP.

Minha neta Maya, 10, durante passeio de Escuna
ladeada pelo tripulante pirata, Mestre dos Mares.