Grau°

quarta-feira, 16 de abril de 2025

Nobel de Literatura - por que o Brasil nunca teve um? Apenas apreciados ...

 

Conhecido como um dos maiores exploradores dos trópicos, esse brasileiro viajou mais de 40 mil km (do jeito que desse), defendeu indígenas amazônicos e foi pioneiro em registros de campo. E Einstein sabia muito bem o que isso significava.

Em uma época em que o miolo do Brasil ainda eram terras sem comunicação com o restante do país, Cândido Mariano da Silva Rondon esteve em dezenas de expedições, "a pé, em canoas e no dorso de mulas", na árdua tarefa de instalar telégrafos em áreas remotas.

Por isso, esse explorador mato-grossense de Santo Antônio de Leverger, que emprestaria seu nome para batizar a nova Unidade federativa, Rondônia, em 1982, é também o patrono das comunicações no Brasil.

Fundador do SPI (Serviço de Proteção aos Índios), mais tarde substituído pela FUNAI, Rondon seria lembrado também como um dos mais importantes defensores dos direitos indígenas.

Esse pacificador era conhecido pelos contatos não-violentos e respeitosos com indígenas brasileiros que nunca haviam visto um homem branco, trazendo-os para a civilização sem tirá-los de suas próprias terras (nem que para isso tivesse que se ausentar no dia do nascimento de todos os seus sete filhos).

"Morrer, se preciso for. Matar, nunca", era seu lema, mesmo após ser atingido por uma flecha nhambiquara envenenada, naquele mesmo 1913.


Este foi o brasileiro que Einstein indicou para o Nobel da Paz, conhecido que fora em 1925.

O Brasil já teve pelo menos 13 vezes nomes cotados para o Prêmio Nobel de Literatura, mas nunca nenhum deles venceu.
De 1967 a 1971, todos os anos o best-seller baiano Jorge Amado (1912-2001) figurava entre os cotados. Jamais ganhou o prêmio... Respectivamente, perdeu para:
     • o guatemalteco Miguel Ángel Asturias (1899-1974),
     • o japonês Yasunari Kawabata (1899-1972),
     • o irlandês Samuel Beckett (1906-1989),
     • o russo Alexandre Soljenítsin (1918-2008) e,
     • o chileno Pablo Neruda (1904-1973).

Em 2025, o escritor e diplomata Cássio Haddames, autor de apenas três livros, avesso a eventos literários e notório recluso, se torna o primeiro brasileiro a ganhar o Nobel de Literatura.

Esta história foi publicada em 2018, mas como obra de ficção. No mundo real, nem Haddames existe e nada indica que o Brasil terá, enfim, um ganhador desse importantíssimo prêmio neste ano. Este enredo foi criado pelo escritor e diplomata Mauricio Lyrio. O livro se chama O Imortal.

Esse período foi notável (1967 a 1971). Também em 1967 o poeta Carlos Drummond de Andrade (1902-1987) foi indicado e o escritor Guimarães Rosa (1908-1967) estava cotado — morreu um pouco antes do anúncio do prêmio. No ano seguinte, Érico Veríssimo (1905-1975) esteve entre os indicados. Clarice Lispector (1920-1977) foi cotada em 1971.

Em 1941, quando o prêmio não foi atribuído, houve a candidatura de um obscuro Manoel Cyrillo Wanderley, para muitos pseudônimo do poeta Manuel Bandeira (1886-1968).

Jorge de Lima (1893-1953) era cotado, mas dadas as pendências da Academia Sueca, só poderia ser indicado em 1958. Como acabou morrendo cinco anos antes e a instituição não concede prêmios póstumos, perdeu a chance.

Alceu de Amoroso Lima (1893-1983), o poeta e professor, foi indicado em 1965 — quem ganhou foi o russo Mikhail Sholokhov (1905-1984).

O processo para chegar aos ganhadores do Nobel tem início por meio da distribuição de formulários pelo comitê para acadêmicos proeminentes de diferentes áreas. Essas personalidades têm quatro meses para enviar de volta o formulário com suas indicações.

Assim, o comitê do Nobel seleciona cerca de trezentos potenciais candidatos desses formulários e alguns nomes adicionais, que não são revelados publicamente, em todas as categorias: Física, Química, Fisiologia ou Medicina, Literatura e Paz.

De acordo com suas regras, a organização do prêmio só revela os cotados 50 anos depois da edição. Assim, não se sabe oficialmente quantos ou quais brasileiros foram cogitados de 1975 em diante.

Mas especula-se que a última vez que um autor brasileiro chegou a ser indicado ao Nobel de Literatura foi em 2016, quando Lygia Fagundes Telles (1918-2022) despontou entre as candidatas. Naquele ano, foi premiado o músico e poeta americano Bob Dylan.

"O Brasil esteve perto, muito perto de ter escritores que recebessem o Nobel. O mais próximo foi o Jorge Amado, que era um escritor de caráter regional na sua temática e que estava dentro de uma ideia até um pouco estereotipada de América Latina",

afirmativa realizada à determinado meio de comunicação no Brasil o escritor e professor universitário Miguel Sanches Neto, reitor na Universidade Estadual de Ponta Grossa (UEPG).
"Ele foi um dos escritores mais lidos do mundo sendo brasileiro."

Professor na Universidade Estadual Paulista (Unesp), o pesquisador André Gomes disse, na mesma oportunidade, que embora premiações sejam "sempre muito importantes" pela tentativa de "flagrar o Zeitgeist, ou seja, o momento da produção literáira e seus possíveis desdobramentos", nem mesmo "o Nobel vai garantir nem a qualidade do que será publicado por esse escritor nem a sobrevivência dessa obra no que chamamos canonização".

"Então, um prêmio, e incluo aí o Nobel, é uma baliza importante do estado da arte literária, mas somente o prêmio não dá dimensão do que vai ocorrer com esse escritor em sua trajetória pós-prêmio", acredita ele.

Para especialistas, são muitas as razões e conjunções de fatores, que fazem com que o Brasil nunca tenha tido um autor laureado com o principal prêmio mundial de literatura.

Em primeiro lugar, o fator periférico tanto da língua portuguesa — até hoje apenas um escritor lusófono foi premiado com o Nobel, o português José Saramago (1922-2010), em 1998 — quanto do próprio país, no âmbito das produções culturais amplamente traduzidas e distribuídas pelo mundo.

Outro motivo seria a falta de esforços institucionais para tornar a obra de escritores contemporâneos mais conhecida em outros países, com incentivos mais intensos a traduções e participações em eventos internacionais.

Nessa mesma toada, há uma sensação de que entidades literárias brasileiras nunca se empenharam em defende um nome forte em uma espécie de campanha para chamar a atenção de prêmios internacionais.

Por fim, ainda há um outro aspecto considerado: dentro do seu hábitat, ou seja, a literatura latino-americana, a produção brasileira padece de um isolamento justamente por ser única no idioma, cercada por uma produção de língua espanhola.

Assim, o país não conseguiu surfar, por exemplo, na onda de reconhecimento mundial à literatura latino-americana em que os quatro grandes nomes foram:
     • o argentino Julio Cortázar (1914-1984),
     • o mexicano Carlos Fuentes (1928-2012),
   • o colombiano Gabriel García Márquez (1927-2014) e,
    • o peruano Mario Vargas Llosa (1936-2025).

"Penso que o fato de ainda não termos levado um Nobel de Literatura não tem relação com a falta de escritores talentosos, absolutamente", observou por ocasiao da determinada entrevista o professor Emerson Rossetti, doutor em estudos literários pela Unesp e criador do canal no YouTube Elite da Língua. Disse mais, que:

"Ainda não constituímos, aos olhos do resto do mundo, uma tradição suficientemente sólida. Tampouco sabemos fazer campanha."
"No Brasil, não faltam autores de alcance mundial. O que faltam são campanhas adequadas para conseguir tal feito", tambem apontou o poeta e professor de literatura Frederico Barbosa, ganhador de dois prêmios Jabuti, no devido tempo.

"No país, os escritores e a intelligentsia mais briga do que se une no intuito de fazer uma campanha por autores que realmente mereceriam."  

"O escritor brasileiro está isolado no idioma. Nosso idioma é um idioma de isolamento, que nos separa do resto do mundo e, embora tenhamos muitos falantes, é um idioma que separa", diz Sanches Neto. 

"Há uma tendência de o escritor brasileiro de estar mais inferiorizado dentro do próprio idioma. E isso atrapalha a projeção dentro do próprio idioma."

"A língua mais evidente na América do Sul, por conta do número de países, é o espanhol. A gente continua no lamento", argumentou a um tempo a professora de literatura brasileira, tradutora e pesquisadora Sandra Mara Stroparo, professor na Universidade Federal do Paraná (UFPR).

Pós-doutora em teoria literária e professora na Universidade de São Paula (USP) e na Fundação Armando Álvares Penteado (FAAP), Sandra Regina Chaves Nunes constata, em conversas àimprensa, que "a língua portuguesa não tem o alcance que a língua espanhola tem, seja pela América Latina, seja por outro países".

"Há, evidentemente, fatores de ordem geopolítica, econômica e cultural que influenciam esse cenário. Embora Brasil e Portugal sejam os maiores países lusófonos em termos de população e produção literária, seus mercados editoriais e seu poder cultural global são significativamente mais restritos do que os de países como Estados Unidos, Reino Unido ou França, potências com forte presença institucional e editorial no circuito literário internacional", comentou o linguista Vicente de Paula da Silva Martins, professor na Universidade Estadual Vale do Acaraú (UVA).

"Outro aspecto decisivo é a difusão da língua portuguesa no plano internacional", completa ele. 

"Enquanto o espanhol e o francês consolidaram uma presença robusta no cânone da literatura universal, o português permanece, em grande medida, periférico, tanto no circuito editorial quanto nos espaços de premiação e consagração literária. Soma-se a isso uma dificuldade de ordem linguística e tradutológica: a traduzibilidade da literatura em língua portuguesa, notadamente a brasileira, encontra obstáculos expressivos."

Para Gomes, são três os motivos principais que "dificultam a entrada" da literatura brasileira "nessa grande roda que é participar de premiações internacionais":
    • "O fato de ocuparmos a periferia econômica e, por conseguinte, estarmos na periferia da cultura ocidental. O que significa que, embora tenhamos manifestações culturais muito ricas, elas não circulam globalmente como a cultura de qualquer país europeu, mesmo de países do Leste Europeu que passam por processos de subalternização", elenca.
      • "A língua portuguesa, embora seja falada por milhões de pessoas, é uma língua periférica e muito recentemente temos uma política de tradução, embora sempre fomos traduzidos nos exterior. E o pouco investimento na divulgação da nossa produção literária, dadas as próprias condições de uma cultura letrada no país."

Muitos comparam os esforços institucionais para ganhar um Nobel ao empreendido pela indústria cinematográfica para vencer um Oscar. Nesse sentido, segundo Gomes,
     • "os escritores brasileiros que já foram cotados ao prêmio não perderam pela falta de qualidades, mas pela falta de uma boa campanha".

"[…] A meu ver, não se tratou da questão da qualidade, mas da ausência de campanha. Veja um exemplo fora da literatura: o filme Ainda estou aqui foi premiado pelas suas qualidades? Sim. Entretanto, não dá para ignorar que houve, da parte das distribuidoras estadunidenses, um investimento pesado na máquina de propaganda, portanto, de convencimento dos votantes da academia para o filme conseguir o Oscar", diz ele:
"É uma questão de estética, mas é muito mais um jogo de força política que precisa do encampamento de atores políticos do exterior para ser bem-sucedida."

"Não há uma resposta única [sobre por que o Brasil não tem um Nobel]. Há questões como:
     • a visibilidade,
     • a presença internacional […],
     • tem também questões geopolíticas",
disse à imprensa em determinado momento, a professora Ana Lúcia Trevisan, da pós-graduação em Letras da Universidade Presbiteriana Mackenzie.

"A ausência de um Nobel de Literatura para o Brasil resulta de um conjunto de fatores estruturais que transcendem o mérito individual dos escritores. O país não possui uma política articulada e contínua de internacionalização literária. A tradução de obras, embora necessária, é insuficiente quando não acompanhada de inserção em redes estratégicas, como editoras de prestígio, universidades com tradição em estudos comparados, prêmios intermediários e resenhas em publicações de referência", analisou em algum tempo o poeta Carlos Willian Leite, editor da Revista Bula.

"O Nobel é resultado de um processo de consagração que envolve tanto a construção de prestígio simbólico quanto a atuação nos bastidores da cultura internacional", completa ele.

Ainda, Leite acredita que:
     • a "visibilidade internacional dos escritores brasileiros" é "fragmentada,
     • com traduções pontuais e,
     • pouca continuidade crítica".
E ele também argumenta que "parte significativa da literatura brasileira recente", por se preocupar com "experimentalismo estético ou introspecção subjetiva", acaba não dialogando "diretamente com os critérios que têm pautado as escolhas" da Academia Sueca, que confere o Nobel. Segundo sua visão, o prêmio prioriza "obras de alto teor ético, político e universalizável".

Nomes fortes, segundo os especialistas ouvidos recentemente, até pela BBC News Brasil, trouxeram alguns nomes de escritores brasileiros contemporâneos que, no entendimento deles, têm uma produção de qualidade para um prêmio Nobel. Quase todos lembraram de Milton Hatoum. Também foram citados Bernardo Carvalho, Itamar Vieira Júnior, Cristovão Tezza e Adélia Prado.

"Um escritor brasileiro certamente merecedor do Nobel, que poderia receber o Nobel por causa da valorização de sua obra no mundo, é [o poeta] Augusto de Campos, o último remanescente de um grupo de autores que modificaram a literatura mundial através da criação da poesia concreta", defende Barbosa.

"Ele é reconhecido em inúmeras universidade do mundo, e várias publicações internacionais apresentam a poesia concreta."

"Como leitor de Raduan Nassar, considero-o um dos maiores e mais profundos nomes da literatura brasileira contemporânea", sugere Martins.

"Sua obra, de uma singularidade incomparável, revela uma densidade poética rara, aliada a uma profundidade psicológica que confere à sua escrita uma complexidade única. […] Ele merece ser reconhecido com o Prêmio Nobel de Literatura, não apenas pela beleza estética de sua obra, mas pela profundidade que ela alcança nas complexidades da alma humana."

Por: Roberto Costa Ferreira, em revisão, tradução e autorização, de:
     • Edison Veiga (texto inicial) através:
  • Role,De Bled (Eslovênia), conforme autorizacao para a BBC News Brasil.
Em 14 abril 2025.

De: HILASA-SP-Instituto História, Letras, Artes
SANTO AMARO  - SÃO PAULO  - SP.







segunda-feira, 14 de abril de 2025

Mario Vargas Llosa - ESCRITOR PERUANO - Falecido 13/04/2025, no Domingo de Ramos

 

Mario Vargas Llosa nasceu em  28 de março de 1936, /Peru,
falecendo no dia de ontem, 13 de abril de 2025 - aos 89 anos.

O escritor peruano, vencedor do Nobel da Literatura, faleceu neste segundo domingo de abril de 2025 (13/4), Domingo de Ramos,  em Lima, no Peru. Seu filho Álvaro Vargas, em nota publicada nas redes sociais - rede X - homenageou o pai, assim expressando-se:

“É com profundo pesar que anunciamos que nosso pai, Mario Vargas Llosa, faleceu hoje em Lima, cercado pacificamente por sua família”.

Ainda, Álvaro Vargas destacou que a vida do autor foi longa, múltipla, frutífera e que sobreviverá por meio de sua obra. Também comunicou:

“Procederemos nas próximas horas e dias de acordo com as instruções dele. Não teremos nenhuma cerimônia pública”.

O escritor também compartilhou o desejo de ser cremado, ele que nasceu em  28 de março de 1936, Arequipa/Peru, falecendo no dia de ontem, 13 de abril de 2025 - aos 89 anos.

Vargas Llosa que reúniu cidadanias:
• Peru (1936):
• Espanha (1993) e,
• República Dominicana (2023–presente).

Publicou seu primeiro livro de relatos, "Os chefes" em1959, com o qual obteve o Prêmio Leopoldo Alas. Depois, ganhou notoriedade com a publicação de "A cidade e os cachorros", em 1963, seguida três anos depois por "A casa verde". Teve a carreira consolidada com "Conversa no catedral" (1969).

Ele escreveu prolificamente em uma grande variedade de gêneros literários, incluindo crítica literária e jornalismo. Seus romances incluem comédias, mistérios de assassinato, romances históricos e thrillers políticos. Vários de seus livros, como "La tía Julia y el escribidor", foram adaptados como longas-metragens.

Desse modo, temos que, um texto literário é marcado pela função poética da linguagem, ou seja, pela seleção e combinação das palavras com ideia de privilegiar ritmo, sonoridade, beleza, criatividade, entre outros. A literatura não tem compromisso com a realidade, e sim com a recriação dela.

Os gêneros literários clássicos são o lírico, o épico e o dramático
     • Gênero literário Lírico expressa sentimentos e emoções;
     • Épico conta grandes feitos, como epopeias;
     • Dramático encena histórias, como tragédias e comédias.
Os gêneros literários modernos incluem, a saber: 
     • Romance, Novela, Conto, Crônica, Poema, Canção, Drama histórico, Teatro de vanguarda.

Os gêneros literários são agrupados em subgêneros, que agrupam os textos em semelhanças ainda maiores. Por exemplo, os contos, os romances, as crônicas e as fábulas são todos subgêneros do gênero narrativo. 

A categorização dos gêneros literários foi feita pela primeira vez por Aristóteles na Grécia Antiga. Ele dividiu a literatura em três grandes gêneros, com base na maneira como as histórias eram contadas. 
Outros gêneros literários incluem, a saber: 
     • Écloga, Elegia, Sátira, Didático, Pastoral, Epitalâmio, Biografias e autobiografias.

Mario Vargas Llosa foi um romancista, jornalista, ensaísta e ex-político de origem peruana. Foi um dos romancistas e ensaístas de língua espanhola e da América Latina mais significativos e um dos principais escritores de sua geração.
Alguns críticos consideram que ele teve um impacto internacional e uma audiência mundial maiores do que qualquer outro escritor do boom latino-americano.
Em 2010, ele ganhou o Prêmio Nobel de Literatura , "por sua cartografia de estruturas de poder e suas imagens incisivas da resistência, revolta e derrota do indivíduo".

Em quase setenta anos de escrita e literatura, significativo personagem "Mario Vargas Llosa", que  nascido em uma família de classe média, lembro,  aos 28 dias de março de 1936, na cidade provincial de Arequipa , no sul do Peru, era filho único de Ernesto Vargas Maldonado e Dora Llosa Ureta (a primeira operadora de rádio em uma empresa de aviação) a última filha de uma antiga família criolla, que se separaram alguns meses antes de seu nascimento.
Pouco depois do nascimento de Mario, seu pai revelou que estava em um relacionamento com uma mulher alemã, da qual nasceriam os dois meio-irmãos mais novos de Mario: Enrique e Ernesto Vargas.

Vargas Llosa viveu com sua família materna em Arequipa até um ano após o divórcio de seus pais, quando seu avô materno foi nomeado cônsul honorário do Peru na Bolívia. Com sua mãe e sua família, Vargas Llosa mudou-se para Cochabamba, Bolívia, onde passou os primeiros anos de sua infância.
Sua família materna, "os Llosas", era sustentada por seu avô, que administrava uma fazenda de algodão.
Quando criança, foi levado a acreditar que seu pai havia morrido - sua mãe e sua família não queriam explicar que seus pais haviam se separado.

Como muitos escritores latino-americanos, Vargas Llosa foi politicamente ativo ao longo de sua carreira. Embora inicialmente tenha apoiado o governo revolucionário cubano de Fidel Castro, Vargas Llosa, posteriormente, se desencantou com suas políticas, particularmente após a prisão do poeta cubano Heberto Padilla em 1971, e mais tarde se identificou como um liberal e defendia ideias antiesquerdistas.

Ele concorreu à presidência peruana em 1990 com a coalizão de centro-direita "Frente Democrático" defendendo reformas liberais , mas perdeu a eleição para Alberto Fujimori por uma vitória esmagadora.
Desde que deixou de participar diretamente da política no Peru, Vargas Llosa defendeu ativistas e candidatos de direita até internacionalmente.

Ele que fora, reitero, jornalista, dramaturgo, ensaísta e crítico literário, reconhecido como um dos mais importantes escritores da atualidade, também graduado em Direito e Letras pela Universidade Nacional Maior de São Marcos, em Lima, lecionou em diversas universidades norte-americanas e europeias. Politicamente engajado, tambem filósofo, é considerado um dos mais controversos pensadores da atualidade. Vultoso personagem!


Por: Roberto Costa Ferreira, 13abril, 2025.
HILASA-SP-Instituto História, Letras Artes
SANTO AMARO - SÃO PAULO /SP.









quarta-feira, 9 de abril de 2025

FAVELA - O RETORNO, DE NOVO, APÓS 50 ANOS!


Tendo em vista o Planejamento Territorial e Habitação publicado em 23/01/2024, portanto decorridos 14 meses, o IBGE anuncia o retorno da utilização  do termo "favela" no censo demográfico. O site permite compartilhar e "compartilhamento" é o que apresento neste relato.

Desse modo, o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) anunciou nesta terça-feira p.p., 23 de janeiro de 2025, que voltará a usar, após 50 anos, o termo “favelas e comunidades urbanas brasileiras” como referência a esses locais na realização do Censo Demográfico. Com a decisão, deixa de ser utilizada a palavra “aglomerados subnormais”, atualmente adotada nas pesquisas. 

De acordo com o IBGE, a decisão pelo retorno da nomenclatura ocorreu após a realização de estudos técnicos e consultas a diversos segmentos sociais. O Brasil tem mais de 10 mil favelas e comunidades urbanas, em que vivem 16,6 milhões de pessoas (8% da população brasileira). Esses dados são da prévia do Censo de 2022.

Também, tal qual a ONU-Habitat 2022, cerca de um bilhão de pessoas vivem atualmente em favelas e assentamentos informais em todo o mundo. Esse número pode estar subestimado, frente às dificuldades de captação dos dados em diversos países e à dinamicidade de formação e dispersão desses territórios.

Nomenclaturas

No campo das estatísticas internacionais a respeito das "favelas e comunidades urbanas", desde o início do século XXI, um conjunto de esforços, coordenados principalmente pela ONU-Habitat, tem se voltado para a construção de nomenclaturas e parâmetros operacionais globais para a identificação e o mapeamento desses territórios.

Os indicadores produzidos para acompanhamento das metas globais associadas aos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS), por exemplo, demandam o aperfeiçoamento constante da produção de informações sobre esses territórios.

Favelas do Brasil

Ainda, conforme a prévia do Censo de 2022, a maior favela do Brasil é a Sol Nascente, que fica no Distrito Federal, segundo dados da prévia do Censo 2022. A região ultrapassou a Rocinha, no Rio de Janeiro, em número de domicílios (32 mil ante 31 mil).

Portanto,  confira a lista das maiores favelas e comunidades urbanas do Brasil, população:

     • Sol Nascente, Brasília (DF): 32.081;
     • Rocinha, Rio de Janeiro (RJ): 30.955;
     • Rio das Pedras, Rio de Janeiro (RJ): 27.573;
     • Beiru, Tancredo Neves: Salvador (BA): 20.210;
     • Heliópolis, São Paulo (SP): 20.016;
     • Paraisópolis, São Paulo (SP): 18.912;
     • Pernambués, Salvador (BA): 18.662;
     • Coroadinhoa, São Luís (MA): 18.331;
     • Cidade de Deus/Alfredo Nascimento, Manaus (AM): 17.721;
     • Comunidade São Lucas, Manaus (AM): 17.666;
     • Baixada da Estrada Nova Jurunas, Belém (PA): 15.601;
     • Alto Sta. Teresina-Morro de Hemeterio-Skylab-Alto Zé Bon, Recife(PE): 13.040;
     • Assentamento Sideral, Belém (PA): 12.177;
     • Jacarezinho, Rio de Janeiro (RJ): 12.136;
     • Valéria, Salvador (BA): 12.072;
     • Baixadas da Condor, Belém (PA): 11.462;
     • Bacia do Una-Pereira, Belém (PA): 11.453;
     • Zumbi dos Palmares/Nova Luz, Manaus(AM): 11.326;
     • Santa Etelvina, Manaus (AM): 10.460;
     • Cidade Olímpica, São Luís (MA): 10.378;
     • Colônia Terra Nova, Manaus (AM): 10.036;

Por: Roberto Costa Ferreira, 08abril2025.
HILASA  - Instituto História, Letras  Artes
SANTO AMARO -SÃO PAULO-SP.- BRASIL
Pesquisa Portal CNM - Conf. Nacional de
Municípios  -  (devidamente autorizado).

quinta-feira, 2 de janeiro de 2025

CANTATA ... Instrumentos e Vozes!


Antes do espetáculo e durante estada no camarim, 
Cláudio Fontana nos brindou com canto 
e votos solenes!
 

Quatro dias anteriores ao Natal de 2024 - 21 de dezembro, sábado - vivemos momentos preciosos da proposta de Rodrigo Aldy, promovendo-nos a Cantata de Natal, no seu canto que nos disse, entre outros ... 

" ... uma oração com o coração, te enche de paz ..." Também manifestou-se assim ...

" ... eu preciso estar junto de ti, eu preciso ter você aqui ..."

E aqui estavamos, todos os seus amigos, inclusive o Professor José Peralta  e sua querida Inez Garbuio Paralta. Eu, tive o privilégio de registrar este momento, também!

Em uma narrativa métrica definida para recitativo ou recitativo alternado e ar, geralmente para uma única voz acompanhada por um ou mais instrumentos (como foi o caso da banda), eis uma cantata!

Uma obra para voz ou vozes e instrumentos da era barroca. Desde seus primórdios na Itália do século XVII, cantatas seculares e religiosas foram escritas. As primeiras cantatas eram geralmente para voz solo com acompanhamento instrumental mínimo. As cantatas logo desenvolveram um caráter dramático e seções alternadas de recitativo (canto solo que imita os ritmos e tons da fala) e ária, paralelamente ao desenvolvimento simultâneo da ópera.

Na Alemanha, a cantata luterana quase sempre envolvia um coro. As aproximadamente 200 cantatas escritas por Johann Sebastian Bach são as mais celebradas. Após ca. 1750, a cantata declinou gradualmente. Ainda, uma cantata é uma composição de música clássica para vocalistas solo e corais.


Portanto, uma cantata é uma composição musical para vocalistas que inclui acompanhamento instrumental. Essa composição vocal é geralmente estruturada como um recitativo (ou discurso cantado) com uma ária , uma parte de voz solo, repetida no meio.

A palavra “cantata” se originou no século XVII e é um particípio da palavra italiana “cantare”, que significa “cantar”, aparecendo pela primeira vez no songbook do compositor Alessandro Grandi, Cantade et arie a voce sola ( Cantatas e Árias para Voz Solo ).

Cantatas e sonatas são formas musicais que podem incluir múltiplos movimentos, mas uma cantata se refere a obras vocais, enquanto uma sonata se refere a composições instrumentais. A estrutura de ária de uma cantata é indistinguível de uma cena de ópera , mas as apresentações de cantata são mais curtas em duração do que óperas encenadas com apresentações dramáticas, cenários e figurinos.

Outro cantor nesta noite espetacular -Abraham Gilbert Stein- conhecido simplesmente como "Gilbert". Cantor, compositor, instrumentista musical, ator e radialista egípcio radicado em 
Santo Amaro/SP - Brasil.

Começando no século XVII, a cantata era a forma predominante de música de câmara vocal. A cantata foi popularizada durante o século XVIII, e sua forma evoluiu ao longo da história.

Origem como uma forma de madrigal : A cantata começou como uma forma do madrigal renascentista , uma peça vocal secular tipicamente executada a capella. As cantatas do período barroco se desenvolveram de composições para solistas para composições para duetos e coro.

A forma se tornou mais complexa, evoluindo para um recitativo conectado por árias da capo — um grupo de árias. A maioria das cantatas era secular (cantata da camera ou "cantata de câmara").


Compositores barrocos como Johann Sebastian Bach, George Frideric Handel, Alessandro Scarlatti, Dieterich Buxtehude, Giacomo Carissimi e Philipp Telemann foram alguns compositores bem conhecidos por suas cantatas.

  • Cantatas sagradas (cantata da chiesa ou “cantata da igreja”) também foram desenvolvidas para serem tocadas durante serviços litúrgicos. A igreja luterana em particular começou a adotar estilos de música sacra mais seculares durante os serviços.
  • Obras corais vocais : Durante os períodos Clássico e Romântico , a cantata passou a se referir a qualquer peça coral vocal. As cantatas do século XIX também eram geralmente mais parecidas com canções, em comparação ao oratório mais longo, que era então geralmente definido como música coral sacra. Alguns dos compositores que criaram cantatas durante esse período incluem Ludwig van Beethoven, Carl Maria von Weber e Felix Mendelssohn.
  • Cantatas modernas : compositores contemporâneos criam cantatas para grupos vocais de câmara, ciclos de canções e movimentos de ópera. No século XX, a cantata mais conhecida é Carmina Burana , de Carl Orff. Outra cantata contemporânea notável é a Cantata misericórdias, op. 69 , de 1963 , do compositor Benjamin Britten.


JS Bach foi o compositor de cantatas mais prolífico, com mais de duzentas cantatas sacras e dezesseis cantatas seculares em sua obra, conhecida como Bach-Werke-Verzeichnis (BWV). Começando em 1723, Bach atuou como diretor coral em Leipzig, Alemanha, onde escreveu cantatas para serem executadas semanalmente nos serviços da igreja luterana da cidade. Bach desenvolveu ainda mais a forma de cantata para incluir corais, que eram hinos ou salmos definidos para uma harmonia de quatro partes com sopranos carregando a melodia.

Notavelmente, Bach não chamava suas composições de cantatas — ele chamava suas obras de concertos ou odes. Ele chamava suas cantatas mais longas, tradicionalmente executadas em vários serviços para os feriados de Natal e Páscoa, de oratórios. É por isso que as cantatas são às vezes chamadas de oratórios curtos.

No final do século, temas históricos foram substituídos pelos versos arcádicos descrevendo sentimentos amorosos em um cenário pastoril, sendo um dos exemplos mais famosos a cantata BWV 208, de Bach. A cantata spirituale musicava um texto sacro em linguagem vernácula.


Nas cantatas de Scarlatti após c. 1700, a estrutura é padronizada na forma de duas ou três árias da capo, separadas por recitativos. A maioria é para soprano e contínuo. Esse tipo foi cultuado por outros italianos, incluindo Bassani, Bononcini, Vivaldi e Marcello, e por Haendel durante sua permanência na Itália (1705/6-10).

Muitas das cantatas de Haendel, no entanto, distinguem-se das italianas em estrutura tonal e força dramática.

O desenvolvimento posterior da cantata italiana ficou em grande parte nas mãos de compositores napolitanos tais como Leo, Vinci e Pergolesi, em cujas obras o acompanhamento utilizando ao máximo as cordas tornou-se a norma.

No cenário nosso, tivemos a proposta de Rodrigo Aldy, promovendo-nos a Cantata de Natal ... Um espetáculo envolvente e fascinante!


Roberto Costa Ferreira, 23dezembro2024

HILASA –Instituto História, Letras Artes. 

SANTO AMARO - SÃO PAULO - SP.


segunda-feira, 30 de dezembro de 2024

ESTETOSCÓPIO - MÉDICOS - DEUSES!

Laënnec (1781–1826) foi um médico francês que, em 1816, inventou o estetoscópio.


Ao "auscultar" o coração, procura-se por sons anormais inclusive murmúrios cardíacos, galopes e outros sons extras que coincidem com as batidas. Ao "escutar" os pulmões, respiração ofegante e crepitações podem ser identificadas.

Desse modo, fazer ausculta, "auscultar é um método que seu médico pode usar para ouvir os sons do seu coração, pulmões, artérias e abdômen, servindo-se de um estetoscópio diretamente no seu peito, costas e/ou abdômen.

No início do século XIX, os médicos ouviam os batimentos cardíacos e os sons respiratórios de um paciente colocando um ouvido diretamente no peito ou nas costas do paciente. Por razões óbvias relacionadas a pacientes mulheres e médicos homens, esse método de exame poderia causar um certo desconforto.

Laënnec é considerado o pai da "ausculta clínica" e escreveu as primeiras descrições de bronquiectasia e cirrose e também classificou condições pulmonares como pneumonia, bronquiectasia, pleurisia, enfisema, pneumotórax, tísica e outras doenças pulmonares a partir dos sons que ouviu com sua invenção. Laënnec aperfeiçoou a arte do exame físico do tórax e introduziu muitos termos clínicos usados ​​até hoje.

René Theophile Hyacinthe Laënnec, melhor esclarecendo, (1781–1826) foi um médico francês que, em 1816, inventou o estetoscópio. A palavra ESTETOSCÓPIO vem das palavras gregas stethos, que significa peito, e skopein, que significa explorar. Usando esse novo instrumento, ele investigou os sons feitos pelo coração e pelos pulmões e determinou que seus diagnósticos eram apoiados pelas observações feitas durante as autópsias.

É oportuno considerar que o primeiro dispositivo era um cilindro oco de madeira medindo cerca de 25 cm de comprimento por 3 cm de diâmetro, que Laennec posteriormente alterou para consistir em três partes destacáveis. Com a intenção de melhorar sua invenção (inicialmente apelidada de "trombeta auricular"), Laennec logo construiu uma versão portátil que ele poderia usar para todos os seus pacientes.

Ao longo dos anos, muitas modificações foram feitas para melhorar a eficiência do design original do estetoscópio, como fazer uma extremidade do formato de um sino para transmitir sons graves, tornando a peça do tórax mais plana e cobrindo a extremidade com um diafragma de pergaminho ou marfim.  Os materiais incluíam madeira de vários tipos, vidro, marfim, prata, estanho e latão.

Em 1840, o médico britânico Golding Bird criou uma versão do estetoscópio com um tubo totalmente flexível que ele chamou de "trombeta de orelha de cobra". Uma década depois, o médico irlandês Arthur Leared inventou uma versão que se encaixava em ambos os ouvidos. Feito de uma substância plástica resistente chamada guta-percha, este primeiro estetoscópio binaural foi exibido na Grande Exposição de Londres em 1851.

Depois que Laennec apresentou suas descobertas na Académie de Médecine em 1819, o uso do estetoscópio foi rapidamente adotado por médicos em toda a Europa e Estados Unidos. Antes de sua morte em 1826, aos 45 anos, ele chamou sua invenção de o maior legado de sua vida.

No início da década de 1960, o professor de Harvard David Littmann criou uma versão que é usada em grande parte do mundo hoje, que era mais leve do que os modelos anteriores e tinha acústica aprimorada.

Atualmente, tenho notado que alguns ditos profissionais médicos "sequer auscultam os pacientes"! Sequer então, consideram pedir para falar 33 ... Tal que, a pronúncia dos "erres" do 33 provoca uma vibração dentro do seu tórax, proporcionando evidências ...

Ao ouvi-la, o médico detecta se há acúmulo de líquido, muco ou secreções dentro dos pulmões, em conseqüência de inflamações ou infecções.
Outros sequer olham dentro dos olhos ... Os médicos avaliam os olhos dos pacientes para detectar doenças oculares e outras condições de saúde: 

   • Também conhecido como oftalmoscopia ou fundoscopia, este exame permite ao médico observar a retina, o nervo óptico, os vasos sanguíneos e a mácula. Ele pode identificar doenças oculares como glaucoma, retinopatia diabética e descolamento de retina. Também pode revelar sinais de condições sistêmicas, como diabetes e hipertensão. 
       • Tonometria ocular - Este exame mede a pressão intraocular (PIO) e é fundamental para diagnosticar o glaucoma. 
       • Avaliação da pálpebra inferior - O médico puxa a pálpebra inferior para examinar os vasos sanguíneos da região. A cor vermelha esmaecida pode indicar anemia, enquanto a parte branca amarelada pode indicar icterícia. 
  • Avaliação da pupila - A pupila reage automaticamente e pode indicar se há algo de errado com a atividade cerebral. Por exemplo, a dilatação da pupila pode indicar falta de oxigenação no cérebro ou confusão cerebral. 

Para a médica Lisa Sanders, colaboradora do seriado "House" (Record e Universal Channel) e professora em Yale, as consultas deveriam ser uma cooperação entre especialistas: o médico, que entende de doenças, e o paciente, especialista em si mesmo.
Sanders, que tem uma coluna sobre diagnóstico na "New York Times Magazine" e é autora do livro "Todo Paciente tem uma História para Contar" (Editora Zahar, 328 págs.).

Pois bem, quando indagada, recentemente acerca de tal procedimento - Por que alguns médicos não escutam os pacientes? - bem observou:
"Os médicos são pressionados a atender os pacientes cada vez mais rápido, e escutar leva tempo, apesar de não levar tanto quanto os médicos temem.
E escutar é difícil para todo mundo, médico ou não. Quando você ouve uma história, sua mente está tentando descobrir o significado dos fatos que você está recebendo. Isso cria suspense. A sensação pode ser prazerosa, por isso lemos histórias de mistério. Mas quando é algo que pode ser importante, não gostamos tanto. O médico tem de aprender a lidar com o desconforto dessa incerteza!

Alternativamente, será que os médicos acham que os pacientes falam demais e acabam contando coisas que não têm nada a ver? É  bem possível. Como é bem verdade, destacou: "... verdade que os pacientes podem não saber o que é importante entre tudo o que eles dizem para o médico".

Contudo, os médicos, às vezes, acham que é melhor fazer perguntas diretas para encontrar a informação de que precisam, ainda que isso não seja verdade. Mas quando você faz perguntas, tudo o que você consegue são respostas. E, às vezes, você precisa de mais do que respostas. Suas perguntas podem conduzir a conversa na direção errada e você nunca vai saber.

Os médicos ficam achando que os pacientes vão falar sem parar. Mas eles não fazem isso. Os pacientes respeitam muito o tempo do médico e, quando chegam ao consultório, eles já ensaiaram a queixa. A pessoa já contou o que está sentindo para a mulher, os colegas de trabalho, os filhos... Estudos já realizados mostram que tempo médio que um paciente usa para falar é de um um minuto e meio.

Então,  como o paciente deve agir se for interrompido no curso de sua fala? Assim emendou:
"É difícil para o paciente dizer: 'Posso terminar o que eu estava dizendo?'. Mas ele precisa fazer isso. Se o médico não está escutando, procure outro. Os pacientes devem se sentir livres para reclamar. Se reclamar não resolver, é melhor achar outro. Existem médicos e "médicos"!

Mas o médico tem um ar de autoridade que intimida, não? Parece um santo!

Sim, concluiu: "... mas a medicina deveria ser uma colaboração entre dois tipos de especialista:
      • Um é o médico, especialista em doenças, em como o corpo funciona;
     • O outro é o paciente, especialista em seu próprio corpo, em como está se sentindo.
Um médico não pode saber como o paciente se sente sem perguntar. Os exames físicos, hoje, também são uma arte em declínio. É preciso estudá-los e valorizá-los mais".

Às conclusões, lamentável tal dimensão da prática. Logo, "Se o médico não te escuta, é melhor procurar outro"!

Roberto Costa Ferreira, 28dez 2024.
PROF/PSICANALISTA/PESQUISADOR
HILASA-Instituto História Letras Artes
CEP/UNIFESP-UniversidadeFederalSP

sábado, 21 de dezembro de 2024

Messias – Elo de corrente coletiva de vida – Um depoimento – O Natal - O sebo para designar loja de livros usados.

 

Antônio Messias Coelho - Messias - Sebo na Praça Dr. João Mendes, atrás
da Igreja da Sé/São Paulo-SP

Antes do advento da iluminação elétrica a leitura era auxiliada, para quem sabia ler, pelo uso de velas de onde escorria o sebo, tornando-os ensebados. Então, SEBO como sinônimo de “alfarrábio”, ou seja, “loja de livros usados. Um brasileirismo que surgiu informalmente , a princípio como gíria, e sobre sua origem  tudo o que há são especulações.

Partindo do enunciado linguístico, ao início do Verão - Solstício de Verão - a Liturgia de 19 de dezembro é a quinta-feira da quarta semana do Advento. O Evangelho do dia conta a história de Zacarias e Izabel, um casal idoso e sem filhos, a quem o anjo do Senhor anunciou que Izabel iria ter um filho, João Batista.

No sexto mês, o anjo Gabriel foi enviado por Deus para uma cidade da Galileia, chamada Nazaré, a uma virgem prometida em casamento a um homem chamado José, da casa de Davi; O nome da virgem era Maria. Entrando onde ela estava, disse-lhe:

"Alegra-te, cheia de graça, O Senhor está contigo!"

Ela ficou desconcertada com essa palavra e perguntava-se que tipo de saudação era aquela. O anjo Ihe disse:

"Não temas, Maria, pois encontraste graça diante de Deus! Conceberás em teu seio; darás à luz um filho e chamarás Jesus. Ele será grande e será chamado filho do Altíssimo. O Senhor Deus lhe dará o trono de seu pai Davi; reinará para sempre sobre a casa de Jacó, e seu reinado não terá fim".

Maria perguntou ao anjo: "Como acontecerá isso, pois não conheço homem?" O anjo respondeu-lhe:

"O Espírito Santo descerá sobre ti, O poder do Altíssimo te cobrirá; por isso, aquele que nascer será santo; será chamado Filho de Deus. Também tua parenta Isabel concebeu um filho na velhice, e está no sexto mês aquela que chamavam de estéril. Porque nada será impossível com Deus".

Maria respondeu: "Eis aqui a serva do Senhor! Faça-se em mim segundo tua palavra". E o anjo afastou-se dela. E a vida manifestou-se grandemente!

Contemplando o grande mistério, o pensamento do Natal, o nascimento de Jesus, a alma humana encontra fortalecimento luminoso para seu pensamento, um conteúdo vigoroso para o querer humano e a força para erguer-se em sua totalidade humana, qualquer que seja a situação em que ela a necessite.

Assim como ele se apresentam a nós, este forte pilar, lembra como pensamentos do Natal, não é limitado ao tempo, é eterno! Durante os séculos foi-se transformando a influência desta grandiosa imagem, acompanhando a evolução da humanidade. E neste "compasso e esquadro" onde o esquadro pode fazer referência à própria terra e, já o compasso faz referência à imensidão dos céus, em tempos de Natal,  Messias voltou aos céus!

De tal sorte que, e não sem razão, Antonio Messias Coelho, somados 83 anos, e quando o conheci - eu tendo 16 anos e ele 25 - ele veio ao mundo e nos encontramos. Vendemos livros por um tempo "porta a porta", até que ele comprou a coleção particular de um cliente. Assim sua jornada seguiu adiante, árdua e prospera!

Pelos idos dos anos 70 fui visitá-lo algumas vezes ... Numa delas, recebendo-me com meigo sorriso, notou num dedo da minha mão esquerda, um leve machucado. Alertou-me necessário cuidado com ferida aberta em ambiente daquele ... Nem dava conta da advertência ... Estava encantado com "o meio". Imediato, indo a um canto, chamou-me desinfetando o local com "água oxigenada", aplicando sobre o local, logo seguindo com "um pó branco contido numa latinha". O tal bicarbonato!

Referido recurso, resultado de sua sabedoria, permitia servir-se do bicarbonato de sódio, um desinfetante. Como é um composto alcalino, ele tem propriedades antissépticas e ajuda a retardar ou impedir a proliferação de microrganismos em superfícies. Quanto carinho com o próximo!

E hoje, estando presente na "encomenda de seu corpo" notei num canto do caixão simples, com a tampa ainda aberta, cuja mortalha feita de tecido morim branco, simbolizando a igualdade de todas as pessoas perante a morte, independentemente da posição social do falecido, "a latinha", uma outra claro, do dito “bicarbonato de sódio”, que jazia disposta num canto embarcando no mesmo arranjo. Minhas lágrimas rolaram pelas doces lembranças!

Finalizando os atos, os dois padres ratificaram a importância daquele recurso que se servia - bicarbonato de sódio - e justificaram, apontando, o porquê da encomenda. Até falei com uma de suas filhas ... E choramos! Ato contínuo, as duas autoridades da Igreja São Gonçalo, um templo católico localizado na Praça Dr. João Mendes bem ao lado do Sebo, atrás da Igreja da Sé, tombada pelo patrimônio histórico em 1971, dois anos após a situação do sebo, falando na cerimônia de homenagem póstuma, honrando e celebrando a vida do querido amigo falecido Messias.

Compartilhamos, agora lá fora em frente da Capela, local da solenidade, algumas lembranças como aquela na qual, por volta dos anos 80, momento que antes da ordenação, os dois agora padres, ainda resultavam candidatos à carreira clerical, no diaconato, e durante os estudos afeitos à filosofia, eu era “um incursor curioso” e tratando de uma “investigação em razão das amizades envolvidas” da dinâmica presente naquela relação histórica, que é a temporalidade narrada pelos homens presentes imanência do mundo, com a eternidade, isto é, com a “temporalidade” da graça divina transcendente. Então, dialogávamos com a pretensão de precisar o conceito de Eternidade, para depois refletir sobre como essa noção se relaciona com a História. A comunhão era plena!

Assim, nesse mergulho filosofal surgia o Messias, proporcionando-nos mesa farta de livros atinentes ao tema - Filosofia ... E corríamos, os três, para o Sebo do Messias, analisando e, diante daquele ato espontâneo e desprendido, colaborando na difusão do conhecimento através do empréstimo. Correspondíamos plenamente ao voto de confiança. Era uma festa!  

De tal sorte o elo sagrado, tal intersecção que promove a harmonia entre os seres vivos, presentes e os espirituais diante das forças da vida, nos uniu nesta relação temporal e nos reencontramos decorridos cerca de quatro décadas em memórias e saudades. Quanta vida! Agora resta o que o site diz:

“Messias não era apenas o criador deste espaço; ele era um amigo, um sonhador, um lutador. Um homem que, com seu amor pelos livros e sua determinação, construiu não só um sebo, mas um lugar onde histórias e pessoas se encontravam”.

E continuam, pois que Messias, este Messias, veio ao mundo também para fazer a vida proliferar, superiormente plena e bela!

Por: Roberto  Costa  Ferreira,  20dez2024.

PROF./  PSICANALISTA /  pesquisador

HILASA-Instituto História Letras Artes

SANTO AMARO – SÃO PAULO / SP.

A CAPELA - Cemitério de Congonhas - Jardim Marajoara/SP