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quinta-feira, 22 de outubro de 2026

Dia Nacional do Poeta - Gonçalves Dias ... Extraoficialmente no mundo e oficialmente em 20 de outubro. Que importa ... É Gonçalves Dias!

 


Nacional e extraoficialmente, o Dia Nacional do Poeta é comemorado, no dia 20 de outubro, ou seja, não há uma lei que oficialize tal dia - 20 de Outubro - como Dia do Poeta. Mas, tal data foi escolhida por uma razão bastante especial para os poetas brasileiros. Nesta oportunidade - dia 20 de outubro de 1976 - em São Paulo, surgia o Movimento Poético Nacional, na casa do jornalista, romancista, advogado e pintor brasileiro Paulo Menotti Del Picchia. A data homenageia e lembra deste momento ímpar para os poetas do Brasil.

Portanto, esta data celebra o profissional, que pode (e deve) ser reconhecido como um artista escritor, que usa de sua criatividade, imaginação e sensibilidade para escrever, em versos, poesias que faz. Há séculos as pessoas se emocionam, riem e choram com essas belas produção artísticas, considerada como uma das 7 (sete) Artes Tradicionais, sendo certo que, antigamente, a poesia era cantada e acompanhada pela lira, um instrumento musical típico da Grécia. Por tal, a poesia é classificada como pertencente ao gênero lírico da literatura.

Por oportuno, o dia 14 de março também é bastante celebrado pelos poetas, pois se comemora o Dia Nacional da Poesia. A data é uma homenagem ao poeta brasileiro do romantismo, Castro Alves, que nasceu em 14 de março de 1847. E como tal, ressalto que o poeta é um sonhador, que vê o mundo com outros olhos. Ele é um artista que usa a linguagem para criar beleza. O poeta é um contador de histórias, que nos transporta para outros mundos. Ele é um filósofo, que nos faz refletir sobre a vida. Destacadamente, o poeta é um ser humano, que compartilha sua alma com o mundo. Ele é um presente que nos enriquece com sua arte!

Internacionalmente, o Dia Mundial da Poesia celebra-se a 21 de março e o dia 20 de outubro soleniza o dia do Poeta, criado na XXX Conferência Geral da UNESCO em 16 de novembro de 1999. A data é apenas uma entre tantas que marcam as homenagens ao gênero e aos seus criadores. Não se tem, ao certo, o registro do primeiro poeta, mas sabe-se que eles existem desde a antiguidade e dos mais variados lugares do mundo. Neste contexto, de palavras, frases, rimas, emoções e sentimentos, é nesse conjunto de tantos elementos que um poeta se encontra. Transformar ideias e sensações em texto é o principal feito do seu trabalho. Como forma de celebrar esta data tão importante para a cultura mundial, evidencio, excepcionalmente, o poeta brasileiro Goncalves Dias com trechos que você precisa conhecer!

Ele que, nascido e batizado Antônio Gonçalves Dias, em 10 de agosto de 1923 - Caxias/Maranhão - tornou-se um poeta. Antes, graduou-se em Direito atuando como advogado, jornalista, etnógrafo e teatrólogo brasileiro. Um grande expoente do romantismo brasileiro e da tradição literária conhecida como "indianismo". Escreveu poemas de caráter indianista, nos quais o indígena é o elemento central, e também nacionalista, por enaltecer o Brasil. Dessa forma, todo poema indianista do autor é também nacionalista, já que o indígena é visto como o herói nacional.

É tido como o primeiro poeta autêntico do movimento romântico no Brasil, tendo influenciado outros grandes nomes da literatura nacional, desde Álvares de Azevedo a Manuel Bandeira, passando por Machado de Assis e Olavo Bilac. Destaque-se que o autor de “Canção do exílio” é o patrono da cadeira nº. 15 na Academia Brasileira de Letras (ABL).

Exilou-se em Portugal por se envolver nas guerras contra a independência do Brasil. Em Coimbra ingressou, inicialmente, no Colégio das Artes, onde concluiu o curso secundário.

A Canção do Exílio, poema escrito em julho de 1843, quando ainda estudava em Portugal, e em decorrência de "saudades", é a obra mais popular do autor. É uma poesia romântica ... A composição foi criada quando o autor se encontrava em Coimbra, cursando a Faculdade de Direito, e ressalta o patriotismo e o saudosismo em relação à sua terra natal. Foi produzida no primeiro momento do Romantismo no Brasil, época na qual se vivia uma forte onda de nacionalismo, que se devia ao recente rompimento do Brasil colônia com Portugal. O poeta trata, neste sentido, de demonstrar aversão aos valores portugueses e ressaltar os valores naturais do Brasil.

Introduzida na obra lírica Primeiros cantos, de 1846, Gonçalves Dias escreveu este poema vivendo, desta forma, um exílio físico e geográfico. Tradicionalmente, esta é a situação do exílio. Tal obra, “Canção do Exílio” inspirou vários poetas de diversas épocas. Com sua morte extemporânea contando 41 anos - 3 de novembro de 1864 - Gonçalves Dias deixou inacabado seu poema épico Os Timbiras. Lamentavelmente, o que era para ser uma obra definitiva, com dezesseis cantos, tornou-se uma tentativa sem êxito de sê-lo, uma vez que naufragou junto com seu autor, em sua última viagem de retorno ao Brasil, em 1864.

Aliás, outra condição naufraga verificou-se anteriormente quando, em 1851, partindo para o Norte, no Brasil e em missão oficial e no intuito de desposar Ana Amélia Ferreira do Vale, de 14 anos, o grande amor de sua vida, cuja mãe não concordou, ao que tudo indica por motivos de sua origem bastarda e mestiça. A obra de Gonçalves Dias pode ser considerada a realização de um verdadeiro projeto de construção da cultura brasileira, mesmo tendo abordado todos os temas mais caros ao Romantismo europeu, como:

     • o amor impossível,

     • a religião,

     • a tristeza e,

     • a melancolia.

Desse modo, partindo do apoio de D. Pedro II aos intelectuais e artistas, o Romantismo brasileiro se transformou em projeto oficial, expressando sua ligação com a política. Para valorizar as origens da nacionalidade escolheu-se o índio, visto como parte integrante e como fundador da nação brasileira. Em 1856, quando Gonçalves de Magalhães publicou o poema épico A Confederação dos Tamoios, obra financiada pelo Imperador, o índio passou a ser considerado o símbolo nacional. Idealizado, corajoso, puro e honrado, transformou-se na própria encarnação da jovem e independente nação brasileira, conduzida agora por D. Pedro II.

Enquanto, na Europa, os escritores românticos valorizavam os temas heroicos da Idade Média, no Brasil o nacionalismo exaltava o indígena, o "bom selvagem", transformado em herói nas páginas dos romances e nas poesias de nossos escritores. As paisagens da nossa terra, os índios, a vida no campo e na cidade passaram a ser os temas da nossa literatura, teatro, pintura e música. Portanto, Gonçalves Dias, considerado o principal poeta romântico brasileiro, exaltava a natureza e o sentimento de honra e valentia do índio. E graças a seus poemas:

     • I-Juca- Pirama,

     • Os Timbiras,

  • Canção do Tamoio, entre muitos outros, o indígena transformou-se em símbolo do nacionalismo romântico brasileiro.

Já na prosa, José de Alencar aparece como um dos mais importantes escritores desse período. Em sua obra, nota-se a preocupação em expressar uma realidade tipicamente brasileira através de um modo de escrever que procura refletir o espírito do nosso povo, seu vocabulário e sua maneira de falar.

Destacadamente, temos que:

- Há uma presença de dêixis espacial (divisões espaciais referindo-se à fragmentação, delimitação ou mesmo organização do espaço em diferentes áreas, regiões ou setores),e quanto aos dêiticos com referência aos elementos lugares citados no texto:

   • ''aqui'' (Portugal) e ''minha terra'' ou ''lá'' (Brasil, mais especificamente sua terra natal: o Maranhão, cuja ave-símbolo é o Sabiá-da-praia — Mimus gilvus — e onde se encontra a Mata dos Cocais — vegetação transicional entre o Cerrado, a Floresta Amazônica e a Caatinga, rica em espécies de palmeiras).

Apesar de ser um texto de profunda glorificação à pátria, o poema possui total ausência de adjetivos qualificativos. São os advérbios “lá, cá, aqui” que nos localizam geograficamente no poema. Formalmente, o poema apresenta redondilhas maiores (sete sílabas em cada verso) e rimas oxítonas (lá, cá sabiá), com a exceção da segunda estrofe.

O poema foi reciclado no Hino Nacional Brasileiro (no trecho "Nossos bosques têm mais vida; Nossa vida (em teu seio) mais amores", do segundo parágrafo da segunda parte) e na Canção do Expedicionário (no trecho "Por mais terras que eu percorra, não permita Deus que eu morra; Sem que volte para lá", da segunda estrofe)!

☆ Dêixis em linguística: refere-se a palavras e frases, como "eu" ou "aqui", que não podem ser totalmente compreendidas sem informações contextuais — nesse caso, a identidade do falante ("eu") e a localização do mesmo ("aqui"). As palavras são dêiticas se o seu significado semântico for fixo, mas o seu significado indicado variar dependendo do tempo e/ou local.

Resumo Bibliográfico:

Antônio Gonçalves Dias nasceu em 10 de agosto de 1823 na cidade de Caxias, Maranhão. Ingressou na Universidade de Coimbra em 1840, formando-se em Direito. Em 1845, retorna ao Brasil e publica a obra "Primeiros Contos". É nomeado Professor de Latim e História do Brasil no Colégio Pedro II, no Rio de Janeiro.

Ali, na época capital do Brasil, ele trabalhou como jornalista e crítico literário nos jornais: Jornal do Comércio, Gazeta Oficial, Correio da Tarde e Sentinela da Monarquia. Também foi um dos fundadores da Revista Guanabara, importante veículo de divulgação dos ideais românticos. Em 1851 publica o livro "Últimos Cantos".

Nessa época conhece Ana Amélia, mas por ser mestiço, a família dela não permitiu o casamento. Assim, casa-se com Olímpia da Costa, com quem não era feliz. Em 1854 parte para a Europa e encontra sua Ana Amélia, já então casada. Desse encontro nasce o poema “Ainda uma vez-adeus!”.

Em 1864, depois de uma temporada na Europa para tratamento de saúde, embarca de volta a sua terra natal, ainda debilitado. No dia 3 de novembro de 1864 o navio em que estava naufraga. O poeta falece próximo ao município de Guimarães, Maranhão, aos 41 anos de idade.

Nos primeiros versos da canção do exílio em decoração de azulejo, como vemos nas fotos anexadas temos A “Canção do Exílio” que é representante da primeira geração do modernismo (1836-1852). Ela encontra-se incluída no livro Primeiros Cantos, lançado em 1846. Ainda, a capa da primeira edição do livro Primeiros Cantos, de Gonçalves Dias, lançado em 1846. A obra Primeiros Cantos está em domínio público e encontra-se disponível para download em formato pdf.

O romantismo brasileiro foi inaugurado pelo lançamento de Suspiros Poéticos e Saudades, obra de Gonçalves de Magalhães, mas foi Gonçalves Dias o principal personagem dessa fase do movimento. A primeira geração do romantismo (também chamada geração indianista) foi marcada pelo ufanismo e pelo desejo de se construir uma identidade nacional.

O clássico poema de Gonçalves Dias ganhou tamanha importância que chegou a ser parodiado e comentado por outros importantes autores posteriores.

Roberto Costa Ferreira, 20 outubro de 2023.

HILASA– Instituto de História, Letras e Artes

Santo Amaro – São Paulo / SP.


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