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domingo, 19 de janeiro de 2020

Clube da Viola de Campo Limpo no Centro Cultural de Santo Amaro




Clube da Viola de Campo Limpo!

Premiando e prestigiando Santo Amaro que em tempos de aniversário, tem no seu significativo Palco do Teatro Leopoldo Fróes, aconchegado no Centro Cultural de Santo Amaro, músicas que tocam às raízes! Não bastando, o professor André Moraes comandou os violeiros presentes... Uma festa digna de Santo Amaro nos seus 468 anos!

É a Viola que toca, num conjunto harmônico de vozes e som impactantes de percussão. Instrumento que está presente em diversas manifestações culturais, como Catira, Fandango, Folia de Reis, entre tantas, e que chegou ao pais durante o período Colonial, tendo sido levado para o interior pelos bandeirantes e tropeiros, tornando-se símbolo da música caipira. Em nenhum lugar no mundo a viola, que tem origem europeia, se desenvolveu tanto como no Brasil, mesmo não havendo, até recentemente, uma metodologia sistematizada. Reside sim, uma variedade e liberdades nos modos de tocá-la.

Assim, se você tem aquela viola que está encostada há um tempão... Que tal desenferrujar as mãos e aprender um pouquinho? Saiba então que agora tem clube da viola no Sesc Campo Limpo, com professor e tudo o mais! O professor André é esta pessoa disponível para pessoas que não sabem tocar e também para quem já toca a viola caipira. Um espaço para troca de experiências, aprendizagem e ampliação do repertório. Santo Amaro foi presenteado!

Roberto Costa Ferreira, 19 de Janeiro de 2020.

sábado, 4 de janeiro de 2020

Gepeto, Pinochio e o "Vovô Gepeto" dos netos!







Gosto dos finais de ano. É tempo de sonhar e projetar o novo. É também tempo de retrospectiva, tempo de contemplar o que foi bom. Não apenas para rememorar, mas para seguir vigilante e com retidão na eterna construção de um futuro melhor. Tem coisas que jamais podemos esquecer... E eu trago, nesta oportunidade, esta grata lembrança das palavras de minha filha Andressa que, “pela voz de seu filho, meu neto Lucas e, reconhecidamente, também sua filha e minha neta Isabela, entendem-me ‘Vovô Gepeto’, em razão de emergenciais reparos nos brinquedos por vezes danificados de meu neto, trocando braços, pernas de bonequinhos “super-heróis”, seus brinquedos, na feitura de tantos outros, alguns de pano, outros de papelão e cola, bonecos para feiras culturais e tamanduá em pintura plástica para compor zoológico de exposição em mini zoológico, até um mini vulcão ativo!

Nunca tive vocação para Papai Noel, sequer fui convocado para tal mister, sendo certo que também nunca convivi bem com os modos de comemoração de tais datas natalinas. Nestas, ponho-me muito triste! Porém, em breve memória, lembrando-me das páginas de “Cenas da Vida Clerical” de George Eliot, por volta das páginas 145/150... Não me lembro, que disse:

"No homem cuja infância conheceu carinhos, há sempre um fundo de memória que pode ser despertado para a ternura".

Segundo pesquisadores, a chave para entender essa intricada lógica está na psicologia: memórias positivas permanecem por mais tempo guardadas no cérebro do que as negativas, ajudando-nos a lidar com frustrações e outros eventos ruins. A primeira teoria sobre a suposta "perenidade" das memórias positivas foi proposta, pela primeira vez, cerca de 80 anos atrás.

Por volta de 1930, em pesquisas, psicólogos coletaram lembranças sobre diferentes episódios da vida das pessoas – férias, por exemplo – classificando-os como "agradáveis" ou "desagradáveis". Semanas depois, veio um outro pedido dos pesquisadores para que os entrevistados tentassem se lembrar de suas memórias. Das experiências consideradas "desagradáveis", quase 60% foram esquecidas – comparado com 42% das lembranças "agradáveis". De acordo com os pesquisadores, um exemplo emblemático desse fenômeno acontece quando somos capazes de discorrer sobre os dias prazerosos de nossas férias, festas de fim de ano, mas esquecer possíveis atrasos dos voos, viagens frustradas ou outros eventos ruins.

Memória... Ah, a memória! Cuja melhor compreensão é a capacidade de reter, recuperar, armazenar e evocar informações disponíveis, seja internamente, no cérebro (memória humana), seja externamente, em dispositivos artificiais (memória artificial) ocorre.
Em "Introdução à Metafísica", Henri Bergson declinou:
"...não há estado de alma, por mais simples que seja, que não mude a cada instante, pois não há consciência sem memória, não há continuação de um estado sem adição, ao sentimento presente, da lembrança de momentos passados. Nisto consiste a duração. A duração interior é a vida contínua de uma memória que prolonga o passado no presente, seja porque o presente encerra distintamente a imagem incessantemente crescente do passado, seja, mais ainda porque testemunha a carga sempre mais pesada que arrastamos atrás de nós, à medida que envelhecemos. Sem esta sobrevivência do passado no presente, não haveria duração, mas somente instantaneidade".
Assim, em razão do carinhoso entendimento de meu neto, em determinado tempo de sua vida compreendendo-me ‘um Vovô Gepeto’ cabe-me justificar sua alusão reforçada pela fala de minha filha, que tal denominação, intrinsecamente, não foge à média compreensão e, falar acerca do dito personagem requer um aprofundamento na composição dos mesmos. Bem a propósito do uso da expressão “intrinsecamente”:

“Passamos a ser o que não éramos. Ao mesmo tempo, porém, somos mais nós próprios depois desse dia nos ter acontecido. Esses momentos de tempo trabalham-nos intrinsecamente a essência do encaminhamento orientado na direção de nós para nós”.

Portanto, é muito certo que existem muitas diferenças entre o livro do criador de Pinóquio, Carlo Collodi, pseudônimo de Carlo Lorenzo Fillipo Giovanni Lorenzini (1826/1890), jornalista e escritor italiano do século XIX, que nasceu e viveu em Florença toda a vida e se tornou famoso por haver criado o dito personagem - um boneco de madeira que sonhava em ser um menino de verdade – e um dos mais famosos personagens da literatura infantil e o filme da Disney. O enredo foi simplificado e Pinóquio se tornou um inocente personagem e não é o desajustado, teimoso e ingrato, do livro original. Todos os elementos são fundamentais, no entanto, ainda presentes na adaptação do filme, e a mensagem subjacente permanece intocada.

Às origens, no contexto conturbado da reunificação italiana, Collodi escreveu o Livro “As Aventuras de Pinóquio”, publicado em 1882/1883, na Itália. Uma análise superficial do significativo trabalho revela:
    ·  Uma apologia para a educação e,
    ·  Uma denúncia do vício e da ociosidade.

Cujos ideais, próprios da cultura ocidental mas são inevitáveis, mandato para encomendas para as ordens esotéricas. O Simbolismo que reside oculto em Pinóquio, me faz recordar as famosas óperas de Mozart, dentre as quais destaco "A Flauta Mágica", em dois atos, a sua grande obra por excelência mostrando a filosofia do Iluminismo. Mas, retorno a Pinóquio. A sua história, objetivamente simples é salpicada de:
    ·  Considerações de ordem moral e da evolução da pessoa que faz a história de um relato iniciático,
    ·  Momentos que Pinóquio se vai desprendendo de seus muitos defeitos e se tornar um 
        verdadeiro ser humano, uma criança neste caso.

Poucas pessoas sabem que Pinóquio, o boneco de madeira que saiu da mente e da criatividade do referido escritor, no livro, não é um conto de fadas. Na verdade, seu comprimento é um romance, mas sua trama infantil suspeita é nada mais do que o veículo através do qual o autor destina-se a entregar uma mensagem profundamente espiritual, iniciático, esotérica e desenvolvimento pessoal.

"Lorenzini ficou fascinado com a ideia de usar um amável personagem malandro como um meio de expressar suas próprias convicções através da alegoria. Em 1880 ele começou a escrever Storiadiunburattino ("A história de uma marionete"), também chamado Le avventurediPinocchio, que foi publicado semanalmente no Il Giornale dei Bambini (o primeiro jornal italiano para crianças). "

Le avventurediPinocchio”, um conto de fadas que descreve as aventuras de um boneco de madeira obstinado em sua busca para se tornar um menino de verdade, foi publicado em 1883:

É certo que o trabalho de Lorenzini não foi apenas político. Seus escritos, especialmente “Le avventurediPinocchio”, continham uma grande quantidade de aspectos metafísicos, que são, frequentemente, ignorados pelos leitores modernos.

Carlo Lorenzini escreveu Pinóquio após a longa tradução de textos místicos: uma história narrativa simples que pode ser apreciado pelas massas, com um sentido oculto reservado aos "sábios". 

Já, Walt Disney, que detém esta história imortalizada no filme de animação e cujos desenhos representam mais do que qualquer outro o boneco e os outros personagens, mostra Geppetto, que é um diminutivo do nome Giuseppe (italiano para Joseph), assim:
    ·  Um velho mestre que usa o avental, sempre sonhou em ter uma criança, de modo que, ao ver               brilhar no céu a Estrela Azul, fervorosamente, pediu que seu desejo fosse concedido(este é entrar         em contato com um maior nível de consciência).

Naquela noite, enquanto Gepetto dormia, apareceu a Fada Azul e deu vida ao boneco, advertindo-o a se comportar bem para se tornar um menino de verdade (compreendemos a partir da ideia de ser um homem de verdade). Para aconselhamento sobre seu comportamento chamou o Grilo Falante (com sua consciência, o trabalho consciente de desenvolvimento pessoal é também um ideal hermético).

O Filme, lançado em 1940 – Pinóquio - é um clássico da Disney que continua a ser apreciado por crianças e adultos em todo o mundo. No entanto, a história dessa marionete de madeira esconde uma alegoria espiritual baseada nos ensinamentos esotéricos.

Quantas pessoas estão cientes do verdadeiro significado subliminar de Pinóquio?

Por trás da história de uma marionete tentando se tornar um bom menino, ela é uma história profundamente espiritual que tem suas raízes nas escolas misteriosas do ocultismo. Através dos olhos de um iniciado, a história das crianças sobre o "serem bons", cheio de lições sobre "não mentir", torna-se uma busca do homem para a sabedoria e iluminação espiritual. Os comentários brutalmente honestos e sociais de Pinóquio mostram uma visão sombria do nosso mundo moderno e prescreve, talvez, uma maneira de escapar de suas armadilhas.

No filme, que começa com Gepetto, um escultor italiano, o Senhor Geppetto, também Mastro Geppetto, um personagem fictício do romance, é um entalhador idoso e empobrecido que transforma um pedaço de madeira em um boneco. Ele dá ao boneco a características de homem, mas continua a ser um boneco sem vida. Geppetto é, de certa forma, o Demiurgo de Platão e dos gnósticos. A palavra "Demiurgo" é traduzida literalmente do grego para o "fabricante, artesão ou artífice". Em termos filosóficos, o Demiurgo é o "deus menor" do mundo físico, a entidade que cria seres imperfeitos que são mandados para as armadilhas da vida material.

A casa Geppetto está cheia de relógios do seu ofício, que, como você deve saber, são usados para medir o tempo, uma das grandes limitações do plano físico. Geppetto cria uma ótima aparência para a marionete, mas ele percebe que precisa da ajuda do "Grande Deus" para dar a Pinóquio a centelha divina necessária para se tornar um menino "real" ou, em termos esotéricos, um homem iluminado. Então, o que ele faz? Ele "deseja a uma estrela". Ele pede ao Grande Arquiteto do Universo para infundir Pinóquio com algo da sua essência divina.

Poderia ser a estrela Sirius, a estrela flamejante? A "Fada Azul", representante do Grande Arquiteto do Universo, em seguida, desce à terra para dar à Pinóquio uma fagulha da Mente Universal, o 'nous' "dos gnósticos''.

"Foi afirmado pelos cristãos gnósticos, que a redenção da humanidade foi assegurada através da descida do Nous (Mente Universal), que foi um grande ser espiritual superior ao Demiurgo e que, entrando na constituição do homem, conferiu a imortalidade consciente sobre as fabricações de Demiurgo".

Então, a fada confere a Pinóquio o dom da vida e o livre-arbítrio. Embora ele esteja vivo, porém, ele não é ainda um “menino de verdade". Nas escolas de mistério é ensinado que a vida real só se inicia após a iluminação. Antes de tudo isto não é nada, mas lenta decadência. Então, quando Pinóquio pergunta: "Eu sou um menino de verdade?", A resposta da Fada é: "Não Pinóquio. Prove-se corajoso, verdadeiro e altruísta e um dia você será um menino de verdade".
Este tema de auto-confiança e do auto-aperfeiçoamento, é de forte inspiração gnóstica. Os ensinamentos dizem:
      ·  A salvação espiritual é algo que tem de ser merecida através da auto-disciplina,
          auto-conhecimento e força de vontade intensa.

A lição a ser aprendida é que, por meio da educação e da aquisição de conhecimentos, um homem melhora o estado de seu ser espiritual e moral. Como o homem, cada “pedra bruta” começa como uma pedra imperfeita. Com a educação, a cultura e o amor fraternal, o homem é moldado em um ser que tenha sido ‘julgado pelo quadrado da virtude’ e ‘circundadas pelo compasso de seus limites’, dado a nós por nosso Criador.

Assim, Pinóquio começa sua jornada como um pedaço de madeira bruta e procurará suavizar suas bordas para finalmente se tornar um menino de verdade. Nada, no entanto, foi entregue a ele! Um processo alquímico interior precisa acontecer para que ele fosse digno de iluminação. Ele tem que atravessar a vida, a sua luta contra as tentações, e usando a sua consciência (encarnado pelo Grilo Falante), ele tem de encontrar o caminho certo. O primeiro passo é:
    ·  Ir para a escola (simbolizando o conhecimento). Depois disso,
    ·  As tentações da vida rapidamente cruzam o caminho de Pinóquio.

Em seu caminho para a escola, Pinóquio é interrompido por Foulfellow, a raposa (não um nome muito confiável) e Gideão, o gato que irá atraí-lo para o caminho fácil "para o sucesso": O show business! Apesar das advertências de sua consciência, a marionete segue os personagens obscuros e é vendido a Stromboli, o promotor beligerante do show de marionetes. Durante sua performance, Pinóquio familiariza-se com os lados do caminho "fácil": fama, fortuna e até bonecos de mulheres ''quentes'', sensuais!

Pinóquio, porém, aprende rapidamente os significativos preços deste aparente sucesso:
    ·  Ele não pode voltar a ver seu pai (o Criador),
    ·  O dinheiro que ele gera só é usado para enriquecer o Stromboli, seu “treinador" e,
    ·   Ele vê o destino que o espera quando ele envelhece.


Esta é uma descrição triste do show business, não é? Ele é basicamente nada mais do que um fantoche! Depois de ver a verdadeira natureza do caminho "fácil", Pinóquio descobre o triste estado em que se encontra, ele é enjaulado como um animal e está à mercê de um ‘titereio cruel’. Ele foi enganado em vender sua alma!

Então Pinóquio ganha de volta sua consciência (Grilo Falante) e tenta escapar. Toda a consciência do bem no mundo não pode no entanto salvá-lo, o grilo não pode abrir a fechadura. Nada menos do que uma intervenção divina é necessária para salvá-lo, mas não antes que ele seja verdadeiro para a Fada (mensageiro divino) e o mais importante, para si mesmo. De volta no caminho certo, Pinóquio é interrompido novamente por Foulfellow, a Raposa, que vai atrai-lo para ir ao "Pleasure Island", um lugar sem escola (conhecimento) e as leis (moral). As crianças podem comer, beber, fumar, combater e destruir a vontade, tudo sob o olhar atento do cocheiro.

PleasureIsland é uma metáfora para a vida do "profano", aquele que não pertence ao âmbito do sagrado, que caracteriza-se por ignorância do conhecimento, a busca da gratificação imediata, e a satisfação de baixos impulsos. O cocheiro incentiva esse comportamento, sabendo que é um método perfeito para criar escravos. Os rapazes que se entregam o suficiente, se transformar em burros, então explorados pelo cocheiro para trabalhar em uma mina. Outra representação bastante negativa, desta vez das massas ignorantes.

Logo, Pinóquio começa a se transformar em um burro! Em termos esotéricos, ele está mais perto do seu “eu material”, personificado por este animal teimoso, que é “seu eu espiritual”. Esta parte da história é uma referência literária para Apuleio, a "Metamorfoses ou Asno de Ouro'', um trabalho clássico estudado em escolas místicas. Pinóquio, uma vez que recuperou a consciência, escapou da prisão da vida profana e fugiu de Pleasure Island.

Desse modo, Pinóquio volta para casa para se unir ao seu pai, mas a casa está vazia. Ele descobre que Geppetto foi engolido por uma baleia gigante. O boneco, em seguida, salta na água e é também, engolido pela baleia, a fim de encontrar o seu Criador. Esta é a sua iniciação final, onde ele tem que fugir da escuridão da ignorância da vida (simbolizada pelo ventre da baleia gigante) e o ganho de luz espiritual. Mais uma vez, Carlo Collodi foi fortemente inspirado por uma história clássica de iniciação espiritual: O Livro de Jonas, encontrado no Cristianismo, Islamismo e Judaísmo, Jonas e a Baleia também são lidos nas escolas místicas.

"Jonas é também o personagem central no livro de Jonas. Ordenado por Deus para ir para a cidade de Nínive profetizar contra ela "pois a sua maldade subiu até mim", Jonas procura em vez disso, fugir "da presença do Senhor", indo para Jaffa e numa vela, navegou para Társis. Uma enorme tempestade se levanta e os marinheiros, percebendo esta não ser uma tempestade comum, jogam sortes e aprendem que Jonas é o culpado. Jonas admite isso e afirma que, se ele é jogado ao mar, a tempestade vai cessar. Os marinheiros tentam levar o navio para a costa, mas acabam jogando-o ao mar. Jonas é milagrosamente salvo ao ser engolido por um peixe grande, especialmente preparado por Deus, onde passou três dias e três noites (Jonas 1:17).

Decerto que Pinóquio atravessou as dificuldades da iniciação e saiu da escuridão da ignorância. Ele emerge da tumba, “ressuscitado”, como Jesus Cristo! Ele agora é um menino "real", um homem iluminado, que rompeu os grilhões da vida material para abraçar o seu “eu superior”. O Grilo Falante recebe um crachá de ouro maciço da fada, o que representa o sucesso do processo alquímico de transformação da consciência de Pinóquio, de um metal bruto em ouro. O "Grande Trabalho" foi realizado. O que resta fazer? Um grupo de acordeões loucos, é claro!

Às Conclusões...

Visto através dos olhos de um iniciado, a história envolvendo Geppetto e Pinóquio, em vez de ser uma série de aventuras aleatórias infantis, na verdade, torna-se uma alegoria espiritual profundamente simbólica. Detalhes no filme, que são aparentemente insignificantes, de repente revelam uma "verdade esotérica”, ou pelo menos um comentário brutalmente honesto e social. Inspirado em clássicos da metafísica, como “As Metamorfoses” e “Jonas e a Baleia”. Portanto, se você acha que posso dizer o quanto à história de Pinóquio corresponde à evolução dos seres humanos para alcançar a plena realização da “humanidade”, como seres humanos completos e, particularmente, com a nossa própria evolução, procure ao menos o filme, senão o livro. É a recomendação do Vovô Gepeto!

Roberto Costa Ferreira, 01 de Janeiro de 2020, com vistas à novos tempos!





sábado, 28 de dezembro de 2019

LEMBRANÇAS...

 Ricardo Paschoal com seu tio Roberto Costa Ferreira


Num Natal de 2016... Tempos voam. Mas, carregamos as asas!

Já não gosto destes tempos e modos natalinos de comemoração... Também sinto saudades dos tempos de reflexão. A mão que me sustentava era outra, hoje, o pão que sustenta é d’outro... Tudo é muito estranho!

Lá em Romanos XII:II, li que:
“... Não se amoldem ao padrão deste mundo, mas transformem-se pela renovação da sua mente, para que sejam capazes de experimentar e comprovar a boa, agradável e perfeita vontade de Deus”.

Então, ando de alma em alma errando, errando,
Como de santuário em santuário.
Sou como o secreto e místico templário
Cujas almas, em silencio, contemplando.

Não sei que som de harpas em mim vibrando,
Que sons de um estradivário peregrino,
Me lembra, reverencias de sacrário
E de vozes celestes murmurando.

Mas sei que de alma em alma ando perdido,
Atrás de um belo mundo indefinido
De Silencio, de Amor, de Maravilha.
Eis a razão de saudades tantas, por tal,
Um tempo novo, um Ano Novo!

Roberto Costa Ferreira, 25Dez2019.

segunda-feira, 23 de dezembro de 2019

INTERLOCUÇÃO...




Cida Campos,

Àquela conversa trocada entre duas ou mais pessoas, o necessário diálogo que, juridicamente, se ajusta a um “despacho interlocutório”, o interlúdio, o entreato, a intermediação, a moderação, condições sinonímicas que pressupõem a existência de “sujeitos que se comunicam a partir de situações da realidade social concreta em que se encontram”.

Saiba que originalmente significa 'diálogo', mas o significado foi estendido a toda forma de interação e comunicação entre os sujeitos. O processo de construção desse diálogo do saber ocorre em determinadas situações, a dita “interlocução”, com diferentes pares situados no mesmo espaço geográfico ou não, e exige relativa dedicação, experiência, consideração para com o próximo, um dedicado olhar para a situação e a causa, ou seja, muito amor ao ato, a dedicada linguagem do amor!

E tal uso dessa linguagem é a capacidade que os seres humanos têm para produzir, e a poucos é dado tal exercício de desenvolver e compreender a língua e outras manifestações da comunicação — como pintura, música e dança. E a essas manifestações, cujo conjunto organizado de elementos (sons e gestos) que possibilitam a comunicação assertiva, adequada, do “olho no olho”, diz respeito à linguagens básicas pelas quais o amor é expressado e compreendido. E  cada indivíduo nasce com uma maneira específica de identificar, receber e dar amor, a chamada de 'linguagem', e as várias maneiras de expressá-la que são chamadas de “dialetos”, "papos retos", "um chega mais"!

A tentativa de “demonstrar o amor por meio de determinada linguagem para alguém” que também carrega uma linguagem particular requer um dedicado esforço e atento olhar... Muita paciência e dedicação! Difícil!!!

Assim, o primeiro passo para expressar seu amor por outra pessoa é saber identificar sua linguagem do amor e também a linguagem que a pessoa amada utiliza para isso. Deve-se considerar que todo ser humano é único. O que muitas vezes deixamos passar e acabamos não dando importância é justamente para as particularidades de cada um, colocando a nossa forma de enxergar o mundo ao nosso redor como prioridade sobre as outras pessoas.

Sendo assim, é fundamental estar sempre atento à energia que propagamos ao nosso redor por meio das palavras, pois elas podem prejudicar não só as pessoas que nos rodeiam, mas também a nos mesmos. O ideal é que estejamos atentos, e, sempre que possível, ofereçamos o apoio, por meio de palavras de afirmação a quem estiver precisando de algo neste sentido. É uma das linguagens mais essenciais na atualidade. Acontece que, com a correria e a quantidade de demandas que necessitam da nossa atenção diariamente, acabamos deixando de passar um tempo ou de encontrar pessoas que são importantes para a nossa existência em si.

Com isso, vamos perdendo o contato, e, conforme a vida se desenrolando, 'mesmo a condição de aposentadoria e outros que tais', podemos até não encontrar mais maneiras de retomar a convivência com estas pessoas. Assim, é fundamental que encontremos um tempo, que dediquemos um período para nos aproximarmos, mais do que presentes. O que essas pessoas de fato querem e merecem é que estejamos com elas de corpo e alma, com ou sem preocupações aparentes, mas atentos à necessária 'condição de interlocutora'.

E esse mister é a característica nata em você, Cida Campos, querida amiga!

Parabéns para nós, por tal precioso tempo e à nossa particular e extensiva dedicação, o próximo!


Roberto Costa Ferreira, in “A Interlocução”, em 27 de Outubro de 2019.

https://www.facebook.com/roberto.ferreira2/videos/2527851830818213/?t=0

PROMESSA...



Gente, decorridos sete anos - 10 de Dezembro de 2012 - neste dia, compreendi significativamente das razões de minha existência, e da importância de nos somarmos ao próximo, até de se doar a alguém, pois que, o amor liberta o eu para qualquer disposição de ato: doar-se em amor é a vida que troca de centro! 

Trata-se do ato pelo qual me abro ao outro em vez de fechar-me. No plano da intersubjetividade compreende -se o sacrifício total. Mesmo quando alguém corre o risco de vida... Metaforicamente existe uma diferença entre "sacrificar sua vida em prol do próximo" e, "doar-se mediante troca, em promessa".
"Quem doa sua vida, dá tudo por algo a que atribui um valor superior!" 

Coloca sua vida à disposição, mesmo que em promessa, leva a disponibilidade até o limite; sacrifica-se a um ser amado, querido, pondo este ser acima de sua vida; faz isso só porque reside fé e esperança; pois que, "sem esperança não há sacrifício".

Eu prometi! Pois sei que a esperança sempre está ligada ao ser; o sacrifício, é a afirmação... Então afirmo que, se reside exuberância nesta vida plena, à fé que em mim habita, correspondeu às expectativas que se materializam.

Quanta beleza nesta minha neta Isabela, exuberante de vida!


Roberto Costa Ferreira, 19Dez3019, sete anos depois...

segunda-feira, 28 de outubro de 2019

PARABÉNS! Leandro Ferreira...



PARABÉNS!

Em dia de parabéns pra você, amanheci cantando uma canção, nesse especialíssimo dia... Dia de aniversário do "meu menino" Leandro!

Canção que esteve presente numa trilha sonora, que se me lembro, chama-se “Os Gigantes”, que Gal Costa interpretava, lá pelos idos de 1979/80, mas que, houvera sido composta por Caetano Veloso no ano de 1978 – Força Estranha – oportunidade que o “meu gigante” tinha já 4 anos de idade.

Consta no livro “Roberto Carlos em Detalhes” que no início de 1978, Caetano Veloso encontrou Roberto por acaso em um dos corredores da TV Globo. E que no momento em que o abraçava, Roberto comentou que Caetano estava um garotão bonito, como se o tempo não passasse para ele. Tal qual “o meu menino hoje”!

Caetano Veloso ficou com essa frase na cabeça e a partir dela compôs a canção “Força Estranha”. Tão logo a concluiu, gravou-a ao violão numa fita cassete e mandou para Roberto Carlos. O cantor ouviu com atenção e gostou, mas pediu uma mudança.
Ele ficou incomodado com a palavra "estranha", que para ele remetia a alguma coisa negativa, e que, no caso de “Força Estranha”, a mudança da palavra não era tão simples, pois iria desfigurar a canção a partir do próprio título. O cantor então acrescentou o "no ar" para aquela "força estranha" ficar mais leve, ficar para fora, não ficar com ele.

Assim, veio a canção que ora transcrevo e com a devida inserção do motivo que me cabe... Uma superior força estranha!


Eu vi um menino correndo
eu vi o tempo brincando ao redor
do caminho daquele menino,
eu pus os meus pés no riacho.
E acho que nunca os tirei.
O sol ainda brilha na estrada que eu nunca passei.
Eu vi a mulher preparando outra pessoa
O tempo parou pra eu olhar para aquela barriga.
A vida é amiga da arte
É a parte que o sol me ensinou.
O sol que atravessa essa estrada que nunca passou.
Por isso uma força me leva a cantar,
por isso essa força estranha no ar.
Por isso é que eu canto, não posso parar.
Por isso essa voz tamanha.
Eu vi muitos cabelos brancos na fronte do artista
o tempo não para no entanto ele nunca envelhece.
Aquele que conhece o jogo, o jogo das coisas que são.
É o sol, é o tempo, é a estrada, é o pé e é o chão.
Eu vi muitos homens brigando. Ouvi seus gritos
Estive no fundo de cada vontade encoberta,
é a coisa mais certa de todas as coisas.
Não vale um caminho sob o sol.
É o sol sobre a estrada, é o sol sobre a estrada, é o sol.
Por isso uma força me leva a cantar,
por isso essa força estranha no ar.
Por isso é que eu canto, não posso parar.
Por isso essa voz tamanha.

Talvez não, é certo que este é um momento de saudades... Da composição da canção para cá transcorreram-se 41 anos e que, somados aos 4 anos que “O meu Gigante” somava à época, temos hoje ainda 45 anos vividos juntos, de um tempo em que aquele menino, já muito amigo da arte de brincar, ensinava-me que o sol aquece e ilumina tantas estradas, e por muitas que ainda espero passar, carrego comigo esperanças...

E o meu doce menino, além da força da canção que paira no ar, como a um Gigante, me põe sempre a compreender e a cantar que não podemos parar!

Meu querido Leandro Ferreira, muito agradeço pelo privilégio deste compartilhar de vida tão plena e bela, valiosa nas suas possibilidades, propostas e materializações. E tal compreender me faz lembrar de um pensar acerca de um filme – A praia:

“Eu ainda acredito no paraíso. Mas agora pelo menos eu sei que não é um lugar que você pode procurar, porque não é onde você vai. É como você se sente por um momento em sua vida quando você faz parte de algo e se você encontra esse momento, ele dura para sempre”!

Muito agradeço por me permitir compartilhar dessa vida tão plena, parabéns!

  
Roberto Costa Ferreira, 25 de Agosto de 2019.


terça-feira, 17 de setembro de 2019

Roberto Leal e Jair Rodrigues... O que se pensar!




Meus queridos irmãos da escrita, da fala, do canto, das artes...

Depois de “Triste Madrugada” que foi aquela, que eu perdi até o som do violão, da voz! Não fiz serenata, nada escrevi... Apenas chorei!

E nesta súbita e desrazoável tristeza, me pondo em oração, ouvi daquela canção, proposta de oração, muito bem, também, interpretada por quem já partiu, por certa alma iluminada!

Isto é Portugal no coração do Brasil que, por vezes, envolvidos em situações embaraçosas, mas é no mundo da palavra escrita, da voz cantada, na música, tendo como veículo a literatura e como bem se demonstra, que os dissensos se explicitam a partir do desejo de partilhar a constituição estética do mundo sensível que, à oportunidade, era expresso singularmente por estes astros, em vídeo!

O que ora expresso, como diz Rancierg, “o ato de escrever é uma maneira de ocupar o sensível e de dar sentido a essa ocupação”. Meu gesto pertence à constituição estética da expressão da admiração e saudades!

O que “estes astros” realizaram possibilita perceber a dimensão de possibilidades entre a “mãe-pátria” e o “povo-moço”. Uma contribuição que vai além, e por meio da língua e do canto, bem assim, a contribuição para a dilatação das fronteiras, o desejo uníssono de se estar nas coisas do espírito que, na sua altura infinita canta assim:

Abra a janela amor! Abra a janela, dê um sorriso e jogue uma flor para mim, cantando assim:

 “Tristeza, por favor vá embora, minha alma que chora está vendo o meu fim...” 

Por favor, vá embora tristeza!

Roberto Costa Ferreira, 16 de Setembro de 2019.

quarta-feira, 10 de julho de 2019

RECEPÇÃO - Alegria na recepção de um neto!


Esta mesa foi posta para o Coffee Break do meu neto Lucas, durante recepção em minha casa.

Avô... Recepção e alegria!

Breve preparação matinal, um coffee break para um neto querido que, após viver momentos interessantes em uma festa, e já em altas horas eu ainda o aguardava, aportou e dormiu longamente num sono só, em minha casa, no sofá da sala. Um singelo café o esperava em manhã ensolarada e friorenta... Tudo de bom!

Roberto Costa Ferreira,06Jul2019, sábado.


 Lucas, meu neto, aportou e dormiu longamente num sono só, em minha casa, no sofá da sala.