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terça-feira, 20 de maio de 2025

O PEDAGOGO e seu dia - O PEDAGOGISTA, deste conceito - QUE TAIS?

 

Estatueta produzida na Grécia Antiga,
em terracota. Representa o pedagogo.


Residem duvidas ... Portanto, resumindo, o pedagogo é o "prático" da educação, enquanto o pedagogista é o "teórico". Ambos são importantes para o desenvolvimento da educação e para a formação de profissionais qualificados.

Tendo em vista o perfil profissional do pedagogo, considerando-se uma das graduações mais procuradas, a pedagogia forma todos os anos centenas de profissionais habilitados no ensino e aprendizagem, principalmente na educação infantil.

Portanto, quais as características de um pedagogo e qual o perfil para se ajustar adequadamente nesta área? De fato, um conjunto muito específico de:
 • habilidades, conhecimentos e, atitudes, são indispensáveis para qualquer pedagogo.

Logo, bons exemplos são:
    • a empatia e a sensibilidade, além é claro,
    • da capacidade lúdica e de comunicação, aptidões-chave para um bom desempenho em sala.

Então, se você sente que a pedagogia pode ser a sua adequada graduação, considere também o que realiza um pedagogo e suas melhores caracteristicas.

De modo geral, o pedagogo é responsável por:
     • planejar, executar e avaliar processos educativos,
      • em diversos contextos, pois que,
   • tal profissional atua tanto em instituições de ensino,
     • quanto em empresas, hospitais, ONGs e,
   • outros espaços, desempenhando funções que vão além da sala de aula.

Levando-se em consideração as diversas possibilidades de atuação deste profissional, entre suas diversas atribuições estão:
     • o desenvolvimento de projetos,
     • criação de materiais didáticos,
    • coordenação e orientação de atividades educacionais,
  • além da avaliação do desempenho de alunos e professores.

Ou seja, no ambiente escolar, o pedagogo trabalha na gestão pedagógica, colaborando com a direção e outros educadores para implementar políticas educacionais e melhorar a qualidade do ensino.

Já fora do ambiente escolar, o pedagogo pode atuar em áreas como a educação corporativa,  que, em resumo, voltanos ao topo:

"O pedagogo é o "prático" da educação, enquanto o pedagogista é o "teórico".

Ambos são importantes para o desenvolvimento da educação e para a formação de profissionais qualificados. ajudando na formação e desenvolvimento de funcionários.
Ou também pode ser essencial em projetos sociais, implementando programas educativos voltados para a comunidade, considerando que em todas essas funções, o objetivo principal do pedagogo é a promoção do desenvolvimento integral dos indivíduos, tendo em vista suas necessidades cognitivas, emocionais e sociais.

Pensando em como deve ser o perfil do pedagogo, identifico um conjunto de características que tornam este profissional capaz de lidar com os desafios da educação e promover um ambiente de aprendizado eficaz e acolhedor. Entre as principais características de um bom pedagogo estão:
   • Empatia: A capacidade de compreender e se colocar no lugar dos alunos, respeitando suas individualidades e necessidades emocionais. Tal é fundamental para criar um ambiente de aprendizagem positivo.
     Comunicação eficaz: O pedagogo deve saber se expressar de maneira clara e assertiva, tanto na transmissão de conhecimentos e mediação de conflitos, quanto na interação com colegas e alunos.
 Conhecimento pedagógico: Por oportuno, o bem formado pedagogo deve ter um sólido entendimento das teorias e práticas pedagógicas, estando sempre atualizado sobre novas metodologias e tecnologias educacionais, de modo a enriquecer o processo de ensino-aprendizagem.
     Organização e planejamento: Sendo certo que é preciso ter a habilidade de organizar atividades, planejar aulas e projetos pedagógicos de forma estruturada e eficiente, essa característica garante o desenvolvimento de um ensino de qualidade.
     Paciência: Tal, é de fato uma virtude e no caso dos pedagogos, habilidade indispensável para lidar com as diferentes velocidades de aprendizado dos alunos e com os desafios cotidianos que surgem no ambiente educacional.
  Criatividade e flexibilidade: Ser criativo permite ao pedagogo desenvolver estratégias inovadoras e interessantes que captam a atenção dos alunos e facilitam a aprendizagem.
Já a flexibilidade ajuda na adaptação a diferentes situações, em busca de soluções para os imprevistos de um ensino dinâmico e eficiente. Também:

    Compromisso com o desenvolvimento integral: Um integrado pedagogo se preocupa não apenas com o desempenho acadêmico, mas também com o crescimento emocional e social dos alunos, contribuindo para a formação de indivíduos completos e preparados para a vida.

    Trabalho em equipe: Objetivando uma rede de apoio que beneficie o processo educacional como um todo, a habilidade de colaborar com outros educadores, pais e membros da comunidade escolar é fundamental.

    Paixão pela educação: Dentre tantas habilidades, o que realmente não pode faltar em um profissional de pedagogia é a paixão pela educação. Demonstrar entusiasmo e dedicação pelo trabalho educativo inspira os alunos e cria um clima positivo e motivador para o aprendizado.

Desse modo, sabendo o que um pedagogo faz e quais as habilidades necessárias para atuar nesta profissão, é imprescindível considerar, ainda, como se destacar durante o período de estágio, pois que, é nesta fase da formação e da carreira que se adquire muitas das principais habilidades de um pedagogo.

Portanto, é preciso saber se destacar diante da vasta concorrência. Portando,  seguem-se algumas valiosas orientações para aproveitar bem o período de estágio, como:

   • Engajamento Proativo: participe ativamente das atividades e demonstre interesse genuíno pelo aprendizado e crescimento;

     • Observação Atenta: observe e aprenda com as práticas pedagógicas e métodos de ensino dos professores experientes;

   •Relacionamento Interpessoal: construa boas relações com professores, colegas e alunos, estabelecendo uma rede de apoio;

    • Capacidade de Adaptação: mostre flexibilidade ao lidar com diferentes situações e se adapte rapidamente às mudanças no ambiente escolar;

  • Dedicação ao Desenvolvimento Pessoal: aproveite oportunidades para participar de workshops, cursos e leituras adicionais que enriqueçam seu conhecimento e habilidades.

Outros cenários da atuação pedagógica são fundamentais para se considerar, como ao exemplo no relato:

- Pedagogia Hospitalar e sua atuação no mercado.

A educação pode assumir diversas formas e atuar em ambientes variados, se adaptando às necessidades de cada criança e adolescente.

Neste contexto, quando o papel do paciente toma o lugar do estudante, é a pedagogia hospitalar que garante o desenvolvimento deste jovem.

Este profissional de pedagogia atua de forma solidária, nutrindo o aprendizado deste paciente, trazendo a vivência escolar que lhe falta.

Mas essa atuação vai muito além do conhecimento escolar, servindo como apoio emocional e por vezes psicológico.

- o que faz um pedagogo hospitalar?

A função central de um pedagogo hospitalar é a educação especial dentro dos hospitais, oferecendo suporte educacional e pedagógico a crianças e adolescentes internados por períodos prolongados.

Desta forma, o profissional e a instituição de saúde podem assegurar ao paciente a continuidade do processo de aprendizagem durante o tratamento médico.

Entre as principais funções de um pedagogo hospitalar estão:

     • acompanhamento escolar em conjunto com a escola de origem do estudante;

   • realização de atividades pedagógicas que seguem o currículo escolar e se adaptam ao estado de saúde e bem-estar do paciente;

     • integração com a equipe médica, como médicos, enfermeiros, psicólogos e outros profissionais da saúde.

Desta forma, cria-se um ambiente favorável à recuperação do paciente, respeitando suas limitações físicas e emocionais;

     • orientação às famílias, oferecendo todo o suporte necessário para a continuidade dos estudos e o apoio ao aprendizado em casa;

   • adaptação de materiais didáticos e pedagógicos para atender às necessidades específicas de cada paciente.

Além disso, outro ponto pilar muito importante no desenvolvimento da pedagogia hospitalar considera-se:

     • o suporte psicoemocional.

Neste sentido, o papel do profissional é prestar apoio emocional e psicológico por meio de atividades lúdicas e educativas.

Com isso, a criança aprende a lidar com a hospitalização de forma mais leve, o que colabora para a redução da ansiedade e do estresse.


Por:Roberto Costa Ferreira,20maide2025.
PEDAGOGISTA - PSICANALISTA -   PESQUISADOR
CEP UNIFESPUniversidade Federal São Paulo
HILASA-SP- Instituto de História, Letras e Artes
SANTO AMARO  - SÃO PAULO - SP.

domingo, 11 de maio de 2025

Dia das Mães - A mãe que faz de seu filho gente!

Um caso entre o menino Novelo e a garotinha Villa, envolvendo o amor proliferante, solidário, agregador e contagiante. Jovens ainda!

Completaram no dia de hoje -sábado anterior ao Dia das Mães  - 13 anos de vida conjunta, em 10 de maio de 2025 - tendo sido anunciado nas redes sociais - FACEBOOK -  em 08 de julho de 2014, figurando até com sobrenome assim: "Villa do Crochê & Novelo Solidário - promotores de uma Organização sem fins lucrativos".

Nos seus ideais, que já materializados em diversas etapas - o seu projeto de vida compreende ações totalmente voluntárias e sem fins lucrativos - confeccionam e doam enxovais de recém-nascidos para mamães carentes em UBS,  Hospitais e Maternidades Públicos.

Ainda cedo, só no ano de 2019 doaram 502 enxovais. Com o advento da pandemia, a crise financeira  e o desemprego, os pedidos de enxovais aumentaram muito. Restaram ainda mais sensibilizados ... Imaginem!

Para que possam atender a essa demanda precisam comprar, primordialmente,  lãs para confeccionarem as peças dos enxovais, alem de outros materiais como agulhas, linhas, etc. E considerem que cada enxoval é composto do seguinte item produzido:

  • 1 manta, 1 casaquinho, 1 par de sapatinhos e,

  • 1 touquinha, 1 toalhinha de boca, também,

  • 10 fraldas descartáveis, 1 sabonete infantil e,

      • 15 cotonetes ... Ufa!

Portanto, tanta juventude, tanto vigor reunido, quantas mãos se entrelaçam,  bordam, juntam, tecendem, entretecem ... Quanta trama!

Desse modo, com a sua colaboração, conseguem entregar os enxovais  necessários,  por vezes não esperados, necessarios, durante este ano e ainda aumentar  o número de peças de cada ano vindouro!

E no destaque dessa historia, que minha vivencia me permitiu estar, ver, e comemorar, convivendo com tantos atores presentes,  observei que em determinado momento, diante das peças compostas para tal magnânima tarefa, muito além das mãos dos personagens envolvidos nesta trama, senhoras que se harmonizam nesta produção, ocorreu-me localizar alguns instrumentos que ora cotizantes, rebelaram-se: uma agulha atrevida dirigindi-se ousadamente a um novelo de linha:

    ⁃ Por que está você com esse ar, toda cheia de si, toda enrolada, para fingir que vale alguma coisa neste mundo?

Deixe-me, senhora. Disse a linha do novelo.

    ⁃ Que a deixe? Que a deixe, por quê? Porque lhe digo que está com um ar insuportável?

Repito que sim, e falarei sempre que me der na cabeça.

     ⁃ Que cabeça, senhora? A senhora não é alfinete, é agulha. Agulha não tem cabeça. Que lhe importa o meu ar? Cada qual tem o ar que Deus lhe deu. Importe-se com a sua vida e deixe a dos outros.

     ⁃ Mas você é orgulhosa. Referiu o novelo.

     ⁃ Decerto que sou. Respondeu a agulha.

Mas por quê? Precisa ser? Indagou o novelo.

Essa é boa! Porque coso. Então os vestidos e enfeites de nossa ama, quem é que os cose? senão eu?

Você? Esta agora é melhor. Você é que os coses? Você ignora que quem os cose sou eu, e muito eu?
      ⁃ Você fura o pano, nada mais; eu é que coso, prendo um pedaço ao outro, dou feição' aos babados...
Sim, mas que vale isso? Eu é que furo o pano, vou adiante, puxando por você, que vem atrás, obedecendo ao que eu faco e mando...
     ⁃ Tal qual os batedores que vão adiante do imperador. Disse a agulha.
     ⁃ Você é imperador? Indagou a linha do novelo.
Não digo isso. Mas a verdade é que você faz um papel subalterno, indo adiante; vai só costurando, enquanto eu vou mostrando o caminho, e você vai fazendo o trabalho obscuro e ínfimo. Eu é que prendo, ligo, ajunto...

Estavam nisto, neste dialogo inútil, pois que, não reside compreensão,  momento que a costureira chegou à casa da baronesa. Nao sei se disse que isto se passava em casa de uma baronesa, que tinha a modista bem posta às suas serventias, 'ao pé de si', para não andar atrás dela.
Chegou a costureira, pegou do pano, pegou da agulha, pegou da linha, enfiou a linha na agulha, e entrou, desabando a coser!

Uma e outra iam andando orgulhosas, pelo pano adiante, que era a melhor das sedas, entre os dedos da costureira, ágeis 'como os galgos" de Diana ⁃ para dar a isto uma cor poética.

E dizia a agulha:
"Então, senhora linha, ainda teima no que dizia há pouco? Não repara que esta distinta costureira só se importa comigo; eu é que vou aqui entre os dedos dela, unidinha a eles, furando, abaixo e acima!

A linha não respondia nada; ia andando. Buraco aberto pela agulha era logo enchido por ela, silenciosa, ativa como quem sabe o que faz, não estando para ouvir palavras loucas. A agulha vendo que ela não lhe dava resposta, calou-se também, e foi andando... E era tudo silêncio na saleta de costura; não se ouvia mais que o plic-plic
plic-plic da agulha no pano.

Caindo o sol, a costureira dobrou a costura, para o dia seguinte; continuou ainda nesse e no outro, até que no quarto acabou a obra, e ficou esperando o baile. 
Veio a noite do baile, e a baronesa vestiu-se. A costureira, que a ajudou a vestir-se, levava a agulha espetada no corpinho, para dar algum ponto necessário. 
E quando compunha o vestido da bela ama, e puxava a um lado ou outro, arregaçava daqui ou dali, alisando, abotoando, "acolchetando", a linha, para "mofar" da agulha ("mofar da agulha" é uma expressão idiomática usada no idioma português que significa rir ou zombar de alguém, especialmente quando essa pessoa está passando por uma situação difícil ou desfavorável.

A agulha, neste contexto, representa a pessoa que é o alvo da zombaria ou do riso, e "mofar" significa zombar ou fazer gozação) perguntou-lhe:
     ⁃ Ora agora, diga-me quem é que vai ao baile, no corpo da baronesa, fazendo parte do vestido e da elegância? Quem é que vai dançar com ministros e diplomatas, enquanto você volta para a caixinha da costureira, antes de ir para o balaio' das mucamas? Vamos, diga lá?

Parece que a agulha não disse nada; mas um alfinete, de cabeça grande e não menor experiência, murmurou à pobre agulha:
     ⁃ Anda, aprende, tola. Cansas-te em abrir caminho para ela e ela é que vai gozar da vida, enquanto tu ficas na caixinha de costura. Faze como eu, que não abro caminho para ninguém. Onde me espetam, fico!

Contei esta história a meu pai, um dia - alfaiate,  'professor de melancolia' - que vivia a 'tirar diferenças de mim - seu filho mais velho - que me disse, abanando a cabeça:
     -Também eu tenho servido de agulha a muita linha ordinária!

Segui adiante, firme no meu proposito, sem muito importar-me, pois que, quem me importava era "a minha senhora - minha mãe - que de modo significativo fez de seu filho gente"!

Por oportuno e em razão deste Dia das Mães, tal expressão "a mãe que faz de seu filho gente" é uma forma idiomática portuguesa que significa o que segue:

"Que uma mãe é fundamental para o desenvolvimento e sucesso de seu filho".

É uma forma de reconhecer o papel crucial que a mãe tem na formação da personalidade e na construção de um futuro promissor para o filho.

À ela, Sra. Olga, minha mãe, minhas homenagens. mãe que fez de seu filho gente! 

Por: Roberto Costa Ferreira, 10maiode2025
Hilasa - Instituto de História,  Letras, Artes.
SANTO AMARO - SÃO PAULO - SP




sexta-feira, 9 de maio de 2025

PAPAS ... OS TREZE LEÕES e AGORA O DÉCIMO QUARTO!

Os 13 papas chamados Leão: uma linha de poder, fé e legado!

Ao longo de quase 1500 anos, 13 papas  tiveram o nome Leon. Alguns foram grandes reformadores, outros governaram apenas alguns dias, mas todos deixaram uma marca na história da Igreja.

Aqui estão todos:

1. Leão I (440–461) – São Leão Magno. Enfrentou Átila, o Huno e consolidou a autoridade do Papa.
2. Leon II (682–683) – Confirmou o Concílio de Constantinopla e foi uma ponte entre o Oriente e o Ocidente.
3. Leon III (795–816) – Coroou Carlos Magno e reforçou o poder papal sobre a Europa.
4. Leon IV (847–855) – Fortificou Roma após os ataques sarracenos e criou a “Cidade Leonina”.
5. Leon V (903) – Seu pontificado foi breve; foi deposto em meio a lutas pelo poder.
6. Leon VI (928) – Governou pouco tempo, numa época instável do papado.
7. Leon VII (936-939) – Apoiou as reformas monásticas e procurou restaurar a disciplina eclesiástica.
8. Leão VIII (963–965) – Considerado por alguns um antipapa, imposto pelo imperador Oton I.
9. Leon IX (1049–1054) – Impulsionou reformas e foi uma figura fundamental antes do Cisma do Oriente.
10. Leão X (1513–1521) – Excomungou Martinho Lutero e viveu o início da Reforma Protestante.
11. Leon XI (1605) – Seu papado durou apenas 27 dias.
12. Leon XII (1823–1829) – De espírito conservador, reforçou o controlo papal e a censura.
13. Leon XIII (1878–1903) – O “papa dos trabalhadores”, criador da Doutrina Social da Igreja.

De guerras e concílios, de reformas e controvérsias...
13 leões que rugiram no trono de Pedro. E, por enquanto, o último!

Por oportuno, um deles, o 13° - Leon XIII (1878–1903) – O “papa dos trabalhadores”, criador da Doutrina Social da Igreja, fazendo-me lembrar de "um ato histórico", no qual, em 19/07/1889 referido Papa de então - Leão XIII - dirigiu-se ao Imperador brasileiro assim se manifestando:

Uma Carta do Papa Leão XIII ao Imperador Dom Pedro II

Em 19 de Julho de 1889 o Papa enviou uma Carta Apostólica ao último Imperador do Brasil condenando o processo de laicização em que vivia o País nos últimos meses da Monarquia.

Em sua mensagem a D. Pedro II, Leão XIII condena a possibilidade de um direito concedido em princípio a religiões não católicas, como o Espiritismo, Positivismo, e o Protestantismo pelo Gabinete Ouro Preto:

"Majestade soube-se que entre os vários projetos anunciados no programa do novo ministério brasileiro, há alguns que, tocando os interesses mais vitais da religião e rompendo o fio das gloriosas tradições deste Império, teriam com efeito, se fossem alcançados, perturbar a paz de consciência, enfraquecer o sentimento religioso dessas populações católicas ou preparar um futuro cheio de perigos para a Igreja Católica, não menos do que para a sociedade civil. Estamos a falar da liberdade de culto e educação e das disposições a ela associadas, que, embora não sejam declaradas abertamente na declaração pública do governo, não deixam dúvidas quanto à sua qualidade e natureza.
Não será necessário aqui apontar a Vossa Majestade que, especialmente nos tempos atuais, em que a necessidade da salutar influência da religião se faz sentir mais do que nunca, em face do constante progresso das desordens morais e sociais. Ordem que eleva a sociedade, pode tornar-se extremamente perigoso e fatal para os negócios públicos, inaugurar num país católico um sistema que não pode ter outro resultado senão enfraquecer ou destruir, nas populações, o único freio moral capaz de mantê-las o cumprimento do seu dever. - As nações que embarcam no caminho dessas inovações tiveram ou deverão deplorar o aumento gradativo de crimes, discórdias, revoltas, a instabilidade do poder e todas as ruínas morais e materiais que se acumulam sobre elas. (...)
Vossa Majestade, ao afastar este infortúnio do vosso Império, contribuirá efetivamente para a sua prosperidade e invocará a vós, a vossa augusta família e à nação brasileira as bênçãos do céu. (....)
Fortalecidos por esta íntima convicção, transmitimos de todo o coração a Vossa Majestade e a toda a Família Imperial a Bênção Apostólica."

Leão XIII alertava ao fato de que afastando a Influência da Igreja Católica na Sociedade Brasileira, estaria condenado a Própria Monarquia e a Estabilidade Nacional.

O fato porém, é que o final do Reinado de Dom Pedro II, abriu aos poucos o caminho para a laicidade no Brasil. Em 19 de abril de 1879 é dispensado para o ensino livre o juramento de fidelidade a qualquer confissão religiosa.

A Lei Saraiva de 9 de janeiro de 1881 declarou elegíveis pessoas de qualquer credo religioso, e em 1888, após aprovação pela Câmara, o Juramento a Igreja Católica e a Monarquia pelos políticos se tornou facultativo.

A questão da laicidade do Estado Brasileiro seria encerrada com a Separação definitiva da Igreja e do Estado durante o Governo de Deodoro da Fonseca em 1890.

Fonte: Les enseignements Pontificaux, Solesmes 1952, La Paix Intérieure des Nations, pp. 162-166./Carta na Íntegra:

https://laportelatine.org/magistere/leon-xiii/lettre-apostolique-e-giunto-a-lempereur-du-bresil

Crédito: Datos Históricos  ... 

Por:Roberto Costa Ferreira,09maiode2025.

HILASA - Instituto História Letras e Artes 

SANTO AMARO  - SÃO PAULO  - SP.


Atual PAPA - Leão XIV - Robert Francis Prevost

quarta-feira, 16 de abril de 2025

Nobel de Literatura - por que o Brasil nunca teve um? Apenas apreciados ...

 

Conhecido como um dos maiores exploradores dos trópicos, esse brasileiro viajou mais de 40 mil km (do jeito que desse), defendeu indígenas amazônicos e foi pioneiro em registros de campo. E Einstein sabia muito bem o que isso significava.

Em uma época em que o miolo do Brasil ainda eram terras sem comunicação com o restante do país, Cândido Mariano da Silva Rondon esteve em dezenas de expedições, "a pé, em canoas e no dorso de mulas", na árdua tarefa de instalar telégrafos em áreas remotas.

Por isso, esse explorador mato-grossense de Santo Antônio de Leverger, que emprestaria seu nome para batizar a nova Unidade federativa, Rondônia, em 1982, é também o patrono das comunicações no Brasil.

Fundador do SPI (Serviço de Proteção aos Índios), mais tarde substituído pela FUNAI, Rondon seria lembrado também como um dos mais importantes defensores dos direitos indígenas.

Esse pacificador era conhecido pelos contatos não-violentos e respeitosos com indígenas brasileiros que nunca haviam visto um homem branco, trazendo-os para a civilização sem tirá-los de suas próprias terras (nem que para isso tivesse que se ausentar no dia do nascimento de todos os seus sete filhos).

"Morrer, se preciso for. Matar, nunca", era seu lema, mesmo após ser atingido por uma flecha nhambiquara envenenada, naquele mesmo 1913.


Este foi o brasileiro que Einstein indicou para o Nobel da Paz, conhecido que fora em 1925.

O Brasil já teve pelo menos 13 vezes nomes cotados para o Prêmio Nobel de Literatura, mas nunca nenhum deles venceu.
De 1967 a 1971, todos os anos o best-seller baiano Jorge Amado (1912-2001) figurava entre os cotados. Jamais ganhou o prêmio... Respectivamente, perdeu para:
     • o guatemalteco Miguel Ángel Asturias (1899-1974),
     • o japonês Yasunari Kawabata (1899-1972),
     • o irlandês Samuel Beckett (1906-1989),
     • o russo Alexandre Soljenítsin (1918-2008) e,
     • o chileno Pablo Neruda (1904-1973).

Em 2025, o escritor e diplomata Cássio Haddames, autor de apenas três livros, avesso a eventos literários e notório recluso, se torna o primeiro brasileiro a ganhar o Nobel de Literatura.

Esta história foi publicada em 2018, mas como obra de ficção. No mundo real, nem Haddames existe e nada indica que o Brasil terá, enfim, um ganhador desse importantíssimo prêmio neste ano. Este enredo foi criado pelo escritor e diplomata Mauricio Lyrio. O livro se chama O Imortal.

Esse período foi notável (1967 a 1971). Também em 1967 o poeta Carlos Drummond de Andrade (1902-1987) foi indicado e o escritor Guimarães Rosa (1908-1967) estava cotado — morreu um pouco antes do anúncio do prêmio. No ano seguinte, Érico Veríssimo (1905-1975) esteve entre os indicados. Clarice Lispector (1920-1977) foi cotada em 1971.

Em 1941, quando o prêmio não foi atribuído, houve a candidatura de um obscuro Manoel Cyrillo Wanderley, para muitos pseudônimo do poeta Manuel Bandeira (1886-1968).

Jorge de Lima (1893-1953) era cotado, mas dadas as pendências da Academia Sueca, só poderia ser indicado em 1958. Como acabou morrendo cinco anos antes e a instituição não concede prêmios póstumos, perdeu a chance.

Alceu de Amoroso Lima (1893-1983), o poeta e professor, foi indicado em 1965 — quem ganhou foi o russo Mikhail Sholokhov (1905-1984).

O processo para chegar aos ganhadores do Nobel tem início por meio da distribuição de formulários pelo comitê para acadêmicos proeminentes de diferentes áreas. Essas personalidades têm quatro meses para enviar de volta o formulário com suas indicações.

Assim, o comitê do Nobel seleciona cerca de trezentos potenciais candidatos desses formulários e alguns nomes adicionais, que não são revelados publicamente, em todas as categorias: Física, Química, Fisiologia ou Medicina, Literatura e Paz.

De acordo com suas regras, a organização do prêmio só revela os cotados 50 anos depois da edição. Assim, não se sabe oficialmente quantos ou quais brasileiros foram cogitados de 1975 em diante.

Mas especula-se que a última vez que um autor brasileiro chegou a ser indicado ao Nobel de Literatura foi em 2016, quando Lygia Fagundes Telles (1918-2022) despontou entre as candidatas. Naquele ano, foi premiado o músico e poeta americano Bob Dylan.

"O Brasil esteve perto, muito perto de ter escritores que recebessem o Nobel. O mais próximo foi o Jorge Amado, que era um escritor de caráter regional na sua temática e que estava dentro de uma ideia até um pouco estereotipada de América Latina",

afirmativa realizada à determinado meio de comunicação no Brasil o escritor e professor universitário Miguel Sanches Neto, reitor na Universidade Estadual de Ponta Grossa (UEPG).
"Ele foi um dos escritores mais lidos do mundo sendo brasileiro."

Professor na Universidade Estadual Paulista (Unesp), o pesquisador André Gomes disse, na mesma oportunidade, que embora premiações sejam "sempre muito importantes" pela tentativa de "flagrar o Zeitgeist, ou seja, o momento da produção literáira e seus possíveis desdobramentos", nem mesmo "o Nobel vai garantir nem a qualidade do que será publicado por esse escritor nem a sobrevivência dessa obra no que chamamos canonização".

"Então, um prêmio, e incluo aí o Nobel, é uma baliza importante do estado da arte literária, mas somente o prêmio não dá dimensão do que vai ocorrer com esse escritor em sua trajetória pós-prêmio", acredita ele.

Para especialistas, são muitas as razões e conjunções de fatores, que fazem com que o Brasil nunca tenha tido um autor laureado com o principal prêmio mundial de literatura.

Em primeiro lugar, o fator periférico tanto da língua portuguesa — até hoje apenas um escritor lusófono foi premiado com o Nobel, o português José Saramago (1922-2010), em 1998 — quanto do próprio país, no âmbito das produções culturais amplamente traduzidas e distribuídas pelo mundo.

Outro motivo seria a falta de esforços institucionais para tornar a obra de escritores contemporâneos mais conhecida em outros países, com incentivos mais intensos a traduções e participações em eventos internacionais.

Nessa mesma toada, há uma sensação de que entidades literárias brasileiras nunca se empenharam em defende um nome forte em uma espécie de campanha para chamar a atenção de prêmios internacionais.

Por fim, ainda há um outro aspecto considerado: dentro do seu hábitat, ou seja, a literatura latino-americana, a produção brasileira padece de um isolamento justamente por ser única no idioma, cercada por uma produção de língua espanhola.

Assim, o país não conseguiu surfar, por exemplo, na onda de reconhecimento mundial à literatura latino-americana em que os quatro grandes nomes foram:
     • o argentino Julio Cortázar (1914-1984),
     • o mexicano Carlos Fuentes (1928-2012),
   • o colombiano Gabriel García Márquez (1927-2014) e,
    • o peruano Mario Vargas Llosa (1936-2025).

"Penso que o fato de ainda não termos levado um Nobel de Literatura não tem relação com a falta de escritores talentosos, absolutamente", observou por ocasiao da determinada entrevista o professor Emerson Rossetti, doutor em estudos literários pela Unesp e criador do canal no YouTube Elite da Língua. Disse mais, que:

"Ainda não constituímos, aos olhos do resto do mundo, uma tradição suficientemente sólida. Tampouco sabemos fazer campanha."
"No Brasil, não faltam autores de alcance mundial. O que faltam são campanhas adequadas para conseguir tal feito", tambem apontou o poeta e professor de literatura Frederico Barbosa, ganhador de dois prêmios Jabuti, no devido tempo.

"No país, os escritores e a intelligentsia mais briga do que se une no intuito de fazer uma campanha por autores que realmente mereceriam."  

"O escritor brasileiro está isolado no idioma. Nosso idioma é um idioma de isolamento, que nos separa do resto do mundo e, embora tenhamos muitos falantes, é um idioma que separa", diz Sanches Neto. 

"Há uma tendência de o escritor brasileiro de estar mais inferiorizado dentro do próprio idioma. E isso atrapalha a projeção dentro do próprio idioma."

"A língua mais evidente na América do Sul, por conta do número de países, é o espanhol. A gente continua no lamento", argumentou a um tempo a professora de literatura brasileira, tradutora e pesquisadora Sandra Mara Stroparo, professor na Universidade Federal do Paraná (UFPR).

Pós-doutora em teoria literária e professora na Universidade de São Paula (USP) e na Fundação Armando Álvares Penteado (FAAP), Sandra Regina Chaves Nunes constata, em conversas àimprensa, que "a língua portuguesa não tem o alcance que a língua espanhola tem, seja pela América Latina, seja por outro países".

"Há, evidentemente, fatores de ordem geopolítica, econômica e cultural que influenciam esse cenário. Embora Brasil e Portugal sejam os maiores países lusófonos em termos de população e produção literária, seus mercados editoriais e seu poder cultural global são significativamente mais restritos do que os de países como Estados Unidos, Reino Unido ou França, potências com forte presença institucional e editorial no circuito literário internacional", comentou o linguista Vicente de Paula da Silva Martins, professor na Universidade Estadual Vale do Acaraú (UVA).

"Outro aspecto decisivo é a difusão da língua portuguesa no plano internacional", completa ele. 

"Enquanto o espanhol e o francês consolidaram uma presença robusta no cânone da literatura universal, o português permanece, em grande medida, periférico, tanto no circuito editorial quanto nos espaços de premiação e consagração literária. Soma-se a isso uma dificuldade de ordem linguística e tradutológica: a traduzibilidade da literatura em língua portuguesa, notadamente a brasileira, encontra obstáculos expressivos."

Para Gomes, são três os motivos principais que "dificultam a entrada" da literatura brasileira "nessa grande roda que é participar de premiações internacionais":
    • "O fato de ocuparmos a periferia econômica e, por conseguinte, estarmos na periferia da cultura ocidental. O que significa que, embora tenhamos manifestações culturais muito ricas, elas não circulam globalmente como a cultura de qualquer país europeu, mesmo de países do Leste Europeu que passam por processos de subalternização", elenca.
      • "A língua portuguesa, embora seja falada por milhões de pessoas, é uma língua periférica e muito recentemente temos uma política de tradução, embora sempre fomos traduzidos nos exterior. E o pouco investimento na divulgação da nossa produção literária, dadas as próprias condições de uma cultura letrada no país."

Muitos comparam os esforços institucionais para ganhar um Nobel ao empreendido pela indústria cinematográfica para vencer um Oscar. Nesse sentido, segundo Gomes,
     • "os escritores brasileiros que já foram cotados ao prêmio não perderam pela falta de qualidades, mas pela falta de uma boa campanha".

"[…] A meu ver, não se tratou da questão da qualidade, mas da ausência de campanha. Veja um exemplo fora da literatura: o filme Ainda estou aqui foi premiado pelas suas qualidades? Sim. Entretanto, não dá para ignorar que houve, da parte das distribuidoras estadunidenses, um investimento pesado na máquina de propaganda, portanto, de convencimento dos votantes da academia para o filme conseguir o Oscar", diz ele:
"É uma questão de estética, mas é muito mais um jogo de força política que precisa do encampamento de atores políticos do exterior para ser bem-sucedida."

"Não há uma resposta única [sobre por que o Brasil não tem um Nobel]. Há questões como:
     • a visibilidade,
     • a presença internacional […],
     • tem também questões geopolíticas",
disse à imprensa em determinado momento, a professora Ana Lúcia Trevisan, da pós-graduação em Letras da Universidade Presbiteriana Mackenzie.

"A ausência de um Nobel de Literatura para o Brasil resulta de um conjunto de fatores estruturais que transcendem o mérito individual dos escritores. O país não possui uma política articulada e contínua de internacionalização literária. A tradução de obras, embora necessária, é insuficiente quando não acompanhada de inserção em redes estratégicas, como editoras de prestígio, universidades com tradição em estudos comparados, prêmios intermediários e resenhas em publicações de referência", analisou em algum tempo o poeta Carlos Willian Leite, editor da Revista Bula.

"O Nobel é resultado de um processo de consagração que envolve tanto a construção de prestígio simbólico quanto a atuação nos bastidores da cultura internacional", completa ele.

Ainda, Leite acredita que:
     • a "visibilidade internacional dos escritores brasileiros" é "fragmentada,
     • com traduções pontuais e,
     • pouca continuidade crítica".
E ele também argumenta que "parte significativa da literatura brasileira recente", por se preocupar com "experimentalismo estético ou introspecção subjetiva", acaba não dialogando "diretamente com os critérios que têm pautado as escolhas" da Academia Sueca, que confere o Nobel. Segundo sua visão, o prêmio prioriza "obras de alto teor ético, político e universalizável".

Nomes fortes, segundo os especialistas ouvidos recentemente, até pela BBC News Brasil, trouxeram alguns nomes de escritores brasileiros contemporâneos que, no entendimento deles, têm uma produção de qualidade para um prêmio Nobel. Quase todos lembraram de Milton Hatoum. Também foram citados Bernardo Carvalho, Itamar Vieira Júnior, Cristovão Tezza e Adélia Prado.

"Um escritor brasileiro certamente merecedor do Nobel, que poderia receber o Nobel por causa da valorização de sua obra no mundo, é [o poeta] Augusto de Campos, o último remanescente de um grupo de autores que modificaram a literatura mundial através da criação da poesia concreta", defende Barbosa.

"Ele é reconhecido em inúmeras universidade do mundo, e várias publicações internacionais apresentam a poesia concreta."

"Como leitor de Raduan Nassar, considero-o um dos maiores e mais profundos nomes da literatura brasileira contemporânea", sugere Martins.

"Sua obra, de uma singularidade incomparável, revela uma densidade poética rara, aliada a uma profundidade psicológica que confere à sua escrita uma complexidade única. […] Ele merece ser reconhecido com o Prêmio Nobel de Literatura, não apenas pela beleza estética de sua obra, mas pela profundidade que ela alcança nas complexidades da alma humana."

Por: Roberto Costa Ferreira, em revisão, tradução e autorização, de:
     • Edison Veiga (texto inicial) através:
  • Role,De Bled (Eslovênia), conforme autorizacao para a BBC News Brasil.
Em 14 abril 2025.

De: HILASA-SP-Instituto História, Letras, Artes
SANTO AMARO  - SÃO PAULO  - SP.







segunda-feira, 14 de abril de 2025

Mario Vargas Llosa - ESCRITOR PERUANO - Falecido 13/04/2025, no Domingo de Ramos

 

Mario Vargas Llosa nasceu em  28 de março de 1936, /Peru,
falecendo no dia de ontem, 13 de abril de 2025 - aos 89 anos.

O escritor peruano, vencedor do Nobel da Literatura, faleceu neste segundo domingo de abril de 2025 (13/4), Domingo de Ramos,  em Lima, no Peru. Seu filho Álvaro Vargas, em nota publicada nas redes sociais - rede X - homenageou o pai, assim expressando-se:

“É com profundo pesar que anunciamos que nosso pai, Mario Vargas Llosa, faleceu hoje em Lima, cercado pacificamente por sua família”.

Ainda, Álvaro Vargas destacou que a vida do autor foi longa, múltipla, frutífera e que sobreviverá por meio de sua obra. Também comunicou:

“Procederemos nas próximas horas e dias de acordo com as instruções dele. Não teremos nenhuma cerimônia pública”.

O escritor também compartilhou o desejo de ser cremado, ele que nasceu em  28 de março de 1936, Arequipa/Peru, falecendo no dia de ontem, 13 de abril de 2025 - aos 89 anos.

Vargas Llosa que reúniu cidadanias:
• Peru (1936):
• Espanha (1993) e,
• República Dominicana (2023–presente).

Publicou seu primeiro livro de relatos, "Os chefes" em1959, com o qual obteve o Prêmio Leopoldo Alas. Depois, ganhou notoriedade com a publicação de "A cidade e os cachorros", em 1963, seguida três anos depois por "A casa verde". Teve a carreira consolidada com "Conversa no catedral" (1969).

Ele escreveu prolificamente em uma grande variedade de gêneros literários, incluindo crítica literária e jornalismo. Seus romances incluem comédias, mistérios de assassinato, romances históricos e thrillers políticos. Vários de seus livros, como "La tía Julia y el escribidor", foram adaptados como longas-metragens.

Desse modo, temos que, um texto literário é marcado pela função poética da linguagem, ou seja, pela seleção e combinação das palavras com ideia de privilegiar ritmo, sonoridade, beleza, criatividade, entre outros. A literatura não tem compromisso com a realidade, e sim com a recriação dela.

Os gêneros literários clássicos são o lírico, o épico e o dramático
     • Gênero literário Lírico expressa sentimentos e emoções;
     • Épico conta grandes feitos, como epopeias;
     • Dramático encena histórias, como tragédias e comédias.
Os gêneros literários modernos incluem, a saber: 
     • Romance, Novela, Conto, Crônica, Poema, Canção, Drama histórico, Teatro de vanguarda.

Os gêneros literários são agrupados em subgêneros, que agrupam os textos em semelhanças ainda maiores. Por exemplo, os contos, os romances, as crônicas e as fábulas são todos subgêneros do gênero narrativo. 

A categorização dos gêneros literários foi feita pela primeira vez por Aristóteles na Grécia Antiga. Ele dividiu a literatura em três grandes gêneros, com base na maneira como as histórias eram contadas. 
Outros gêneros literários incluem, a saber: 
     • Écloga, Elegia, Sátira, Didático, Pastoral, Epitalâmio, Biografias e autobiografias.

Mario Vargas Llosa foi um romancista, jornalista, ensaísta e ex-político de origem peruana. Foi um dos romancistas e ensaístas de língua espanhola e da América Latina mais significativos e um dos principais escritores de sua geração.
Alguns críticos consideram que ele teve um impacto internacional e uma audiência mundial maiores do que qualquer outro escritor do boom latino-americano.
Em 2010, ele ganhou o Prêmio Nobel de Literatura , "por sua cartografia de estruturas de poder e suas imagens incisivas da resistência, revolta e derrota do indivíduo".

Em quase setenta anos de escrita e literatura, significativo personagem "Mario Vargas Llosa", que  nascido em uma família de classe média, lembro,  aos 28 dias de março de 1936, na cidade provincial de Arequipa , no sul do Peru, era filho único de Ernesto Vargas Maldonado e Dora Llosa Ureta (a primeira operadora de rádio em uma empresa de aviação) a última filha de uma antiga família criolla, que se separaram alguns meses antes de seu nascimento.
Pouco depois do nascimento de Mario, seu pai revelou que estava em um relacionamento com uma mulher alemã, da qual nasceriam os dois meio-irmãos mais novos de Mario: Enrique e Ernesto Vargas.

Vargas Llosa viveu com sua família materna em Arequipa até um ano após o divórcio de seus pais, quando seu avô materno foi nomeado cônsul honorário do Peru na Bolívia. Com sua mãe e sua família, Vargas Llosa mudou-se para Cochabamba, Bolívia, onde passou os primeiros anos de sua infância.
Sua família materna, "os Llosas", era sustentada por seu avô, que administrava uma fazenda de algodão.
Quando criança, foi levado a acreditar que seu pai havia morrido - sua mãe e sua família não queriam explicar que seus pais haviam se separado.

Como muitos escritores latino-americanos, Vargas Llosa foi politicamente ativo ao longo de sua carreira. Embora inicialmente tenha apoiado o governo revolucionário cubano de Fidel Castro, Vargas Llosa, posteriormente, se desencantou com suas políticas, particularmente após a prisão do poeta cubano Heberto Padilla em 1971, e mais tarde se identificou como um liberal e defendia ideias antiesquerdistas.

Ele concorreu à presidência peruana em 1990 com a coalizão de centro-direita "Frente Democrático" defendendo reformas liberais , mas perdeu a eleição para Alberto Fujimori por uma vitória esmagadora.
Desde que deixou de participar diretamente da política no Peru, Vargas Llosa defendeu ativistas e candidatos de direita até internacionalmente.

Ele que fora, reitero, jornalista, dramaturgo, ensaísta e crítico literário, reconhecido como um dos mais importantes escritores da atualidade, também graduado em Direito e Letras pela Universidade Nacional Maior de São Marcos, em Lima, lecionou em diversas universidades norte-americanas e europeias. Politicamente engajado, tambem filósofo, é considerado um dos mais controversos pensadores da atualidade. Vultoso personagem!


Por: Roberto Costa Ferreira, 13abril, 2025.
HILASA-SP-Instituto História, Letras Artes
SANTO AMARO - SÃO PAULO /SP.









quarta-feira, 9 de abril de 2025

FAVELA - O RETORNO, DE NOVO, APÓS 50 ANOS!


Tendo em vista o Planejamento Territorial e Habitação publicado em 23/01/2024, portanto decorridos 14 meses, o IBGE anuncia o retorno da utilização  do termo "favela" no censo demográfico. O site permite compartilhar e "compartilhamento" é o que apresento neste relato.

Desse modo, o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) anunciou nesta terça-feira p.p., 23 de janeiro de 2025, que voltará a usar, após 50 anos, o termo “favelas e comunidades urbanas brasileiras” como referência a esses locais na realização do Censo Demográfico. Com a decisão, deixa de ser utilizada a palavra “aglomerados subnormais”, atualmente adotada nas pesquisas. 

De acordo com o IBGE, a decisão pelo retorno da nomenclatura ocorreu após a realização de estudos técnicos e consultas a diversos segmentos sociais. O Brasil tem mais de 10 mil favelas e comunidades urbanas, em que vivem 16,6 milhões de pessoas (8% da população brasileira). Esses dados são da prévia do Censo de 2022.

Também, tal qual a ONU-Habitat 2022, cerca de um bilhão de pessoas vivem atualmente em favelas e assentamentos informais em todo o mundo. Esse número pode estar subestimado, frente às dificuldades de captação dos dados em diversos países e à dinamicidade de formação e dispersão desses territórios.

Nomenclaturas

No campo das estatísticas internacionais a respeito das "favelas e comunidades urbanas", desde o início do século XXI, um conjunto de esforços, coordenados principalmente pela ONU-Habitat, tem se voltado para a construção de nomenclaturas e parâmetros operacionais globais para a identificação e o mapeamento desses territórios.

Os indicadores produzidos para acompanhamento das metas globais associadas aos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS), por exemplo, demandam o aperfeiçoamento constante da produção de informações sobre esses territórios.

Favelas do Brasil

Ainda, conforme a prévia do Censo de 2022, a maior favela do Brasil é a Sol Nascente, que fica no Distrito Federal, segundo dados da prévia do Censo 2022. A região ultrapassou a Rocinha, no Rio de Janeiro, em número de domicílios (32 mil ante 31 mil).

Portanto,  confira a lista das maiores favelas e comunidades urbanas do Brasil, população:

     • Sol Nascente, Brasília (DF): 32.081;
     • Rocinha, Rio de Janeiro (RJ): 30.955;
     • Rio das Pedras, Rio de Janeiro (RJ): 27.573;
     • Beiru, Tancredo Neves: Salvador (BA): 20.210;
     • Heliópolis, São Paulo (SP): 20.016;
     • Paraisópolis, São Paulo (SP): 18.912;
     • Pernambués, Salvador (BA): 18.662;
     • Coroadinhoa, São Luís (MA): 18.331;
     • Cidade de Deus/Alfredo Nascimento, Manaus (AM): 17.721;
     • Comunidade São Lucas, Manaus (AM): 17.666;
     • Baixada da Estrada Nova Jurunas, Belém (PA): 15.601;
     • Alto Sta. Teresina-Morro de Hemeterio-Skylab-Alto Zé Bon, Recife(PE): 13.040;
     • Assentamento Sideral, Belém (PA): 12.177;
     • Jacarezinho, Rio de Janeiro (RJ): 12.136;
     • Valéria, Salvador (BA): 12.072;
     • Baixadas da Condor, Belém (PA): 11.462;
     • Bacia do Una-Pereira, Belém (PA): 11.453;
     • Zumbi dos Palmares/Nova Luz, Manaus(AM): 11.326;
     • Santa Etelvina, Manaus (AM): 10.460;
     • Cidade Olímpica, São Luís (MA): 10.378;
     • Colônia Terra Nova, Manaus (AM): 10.036;

Por: Roberto Costa Ferreira, 08abril2025.
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