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domingo, 3 de junho de 2018

BANDA de PÍFAROS de CARUARU - COCO de REPENTE





Em Santo Amaro... Quase ao fim da 14ª Edição da Virada Cultural – 20 de Maio último, o Nordeste arretou-se nessa... E eu compareci pra te ver Andrea amiga... Mas também a você Sebastião Biano! Ela, a grande promotora desta rara oportunidade! Ele, 99 anos de idade, tocador da flauta simples, sem chaves e com sete orifícios, último remanescente da formação original, ora presente, da Banda de Pífaros de Caruaru.

Estive num território de conversa rude e afável, cuja impressão reside na velocidade com que costumam se expressar, contrastando com o divertido, cuja atividade lúdica reforça uma ação criadora e, acima de tudo educativa de revitalização cultural, partindo de pessoas que transmitem a cultura do pífaro, ou pífano, pela tradição oral, cujo repertório dispensa partitura, até sendo tocado de ouvido, com a propriedade que lhes é peculiar e de tradição.

Eles, da banda, se apresentaram compostos por dois pífaros no carro-chefe, acompanhados por uma significativa zabumba, triangulo, um afinado tarol, timbalão de chão, tudo nas mãos e vozes de sete seus componentes. E tocaram no palco do Teatro Leopoldo Fróes - Santo Amaro/SP, apresentando-se categoricamente como o grupo de músicos instrumentistas mais tradicional do Brasil, expertos diante de significativo público.

Público que, nesta jornada, transitou pelas dependências do Centro Cultural de Santo Amaro em número superior a mil e trezentas pessoas... Magnífico! E magnífico foi o “coco de repente”, próprio da família dos batuques, a arte genuinamente nordestina, nos improvisos com pandeiros e vozes de Peneira e Pena Branca, cuja dupla de "cantadores" que, ao som enérgico e "batucante" dos pandeiros, montaram versos bastante métricos, rápidos e improvisados. 

E ambos, num tempo sincopado de um compasso binário, num pulso rítmico fundado e muito forte, contagiantes, um tentou a imagem do outro com versos afiados, "atentadores", de respostas rápidas e ao mesmo tempo bem bolados, momento que ambos saíram triunfantes! Nem eu, na plateia, escapei do cantador Peneira que “disse dos meus cabelos brancos e do meu dinheiro no banco”!

Roberto Costa Ferreira, 20 de Maio de 2018,
Biblioteca Prestes Maia - Teatro Paulo Eiró - Santo Amaro.







quarta-feira, 16 de maio de 2018

DIA das MÃES – DOMINGO de MAIO


Neste domingo, 13 de Maio - Dia das Mães - volto para lembrar a importância da data e homenagear as mães que transitam, as que transitaram e as que percorrerão este precioso e iluminado caminho, por esta minha existência, magnificativamente sendo vivida, em cada instante, cada momento, como um presente!

Um presente, pois que, este não é só mais um dia na minha vida... É o único dia que me foi dado: o HOJE foi dado para mim e para as mães presentes... Um presente! É o único presente que vivi, e tenho certeza, todas as mães de minha vida tiveram neste exato momento, o hoje, e a única reação apropriada é a GRATIDÃO!

Gratidão significando que toda a energia recebida, vivida, deve e foi devolvida intensamente. É o ato de reconhecimento de uma pessoa por alguém que colaborou... E colaboramos neste benefício! Esta Gratidão é uma emoção envolvente, e hoje, frequentemente acompanhada por desejos de agradecimentos e reciprocas! É a alegria que surge no recebimento de tantas e brilhantes presenças, todas juntas e reunidas, mesmo distantes, mas muito presentes!

Assim, neste dia, nesta data, vivemos um tempo IMPAR... Abrimos nossos corações para os incríveis presentes que a vida nos proporcionou. Sentimos os perfumes, os olhares, o calor, e fomos abençoados por todas as mães. Algumas, só pelos pensamentos, outras pelas vibrações, pelos toques, até pelas lágrimas de saudades... Só pela simples lembrança da presença não presente!

Mamães! O Dr. Robert Emmons - um professor de psicologia da Universidade da Califórnia - avaliou que "A Gratidão é o "fator esquecido" na pesquisa da felicidade". Aliás, opinião endossada por outro - Dr. Todd Kashdan - adjunto de psicologia da George Mason University e um dos pioneiros da "Ciência da Felicidade". E declarou ainda que, se tivesse de nomear três momentos essenciais para criar felicidade e dar sentido à vida, estes seriam:
  • Relacionamentos significativos,
  • Gratidão e,
  • Viver no momento presente com ‘atitude de abertura e curiosidade’.

Praticamos neste dia e durante, o “curtimento do presente", nos estreitando em braços e abraços, a gratidão transbordou em toda sua plenitude e nos abrimos para a vida, projetando através dos olhares a curiosidade menina. E então, vivemos realmente um magnífico dia!

Na imagem adiante, minha lembrança daquela que soube cultivar o jardim, cuidar das flores e preservar os perfumes. Tinha nos olhos físicos o esplendor da caridade, muita fé e transbordava-se em esperanças!

Roberto Costa Ferreira, Domingo, 13Mai2018


quarta-feira, 9 de maio de 2018

A PÁ e a LAVRA – PALAVRA


A Palavra - A pá lavra
A Pá

Do latim “pala”, pá de cavar. Utensílio que consiste numa lâmina larga e chata, de ferro ou madeira, como se fosse uma grande colher, adaptado a um cabo comprido,  usado em atividades agrícolas, etc., cavando o solo, removendo a terra, areia, carvão, lixo... Ainda, o braço de hélice ou de outro instrumento rotativo similar.

A Pá de cal... “Jogar uma Pá de cal”.
Tal expressão popular que remete ao costume de se encerrar um sepultamento com a cal. Tal procedimento maximiza a decomposição e evita a contaminação do solo. Ainda, “encerrar”, “dar por acabado”... É dizer que fará uma última referência a um assunto não prazeroso.

A LAVRA
Cuja ação ou efeito que compreende preparar a terra para o cultivo, a lavoura, utilizando ferramenta ou aparelho agrícola; revirar. Bordar ou realizar ornamentos em: Lavrar uma peça em ouro.

Lavra ainda é sinônimo de CULTIVAÇÃO... De FABRICAÇÃO: vinho da sua lavra, LABORAÇÃO: versos da minha lavra, tendo por ANAGRAMA, entre outras “lavar”, “alvar” e “varal”!
Assim, passemos ao exercício de reflexão sobre as possibilidades de realização de “juntura de palavras”, cujo fenômeno significa “juntura intervocabular”.

A PALAVRA


“A palavra tem o dom de ferir...!” Podem, as palavras, até curar, mas também, “ferir profundamente quem as ouve”!
Um ferimento positivo, claro, nem sempre fere negativamente. Nem sempre a gente tem a oportunidade de “ser ferido” de maneira positiva pela palavra!

É tão mais comum a gente “ser ferido” pelo lado negativo dela... Mas a palavra é uma “pá que lavra”, que abre a terra “... Da mesma forma que nós precisamos “abrir os sulcos” para que as sementes sejam depositadas!
Então, você olha para aquele chão duro e, quando possível, é preciso “passar um maquinário... Se o tivermos!” Se não, “vamos à nossa enxadinha mesmo”!

Eu me lembro de que, tantas das vezes ajudei a minha mãe “a fazer canteiros”... (Conversávamos sonhando com o futuro possível) Então a gente plantava os nossos sonhos! As alfaces, “as nossas alfaces”, “nossas couves”... Almeirões e tomatinhos!
Um pouco já fui agricultor também, no sonhar de minha mãe! A gente adubava aquela terra... Sendo que o Primeiro Passo era “quebrar a dureza”! Com uma “enxadinha de pensar” ela me ensinava e a gente “ia revirando aquela terra”... E a medida que a gente revirava a terra, a gente ia ferindo aquele chão, a gente ia jogando adubo que, na verdade, “eram os estercos que a gente catava”... Também já “passei por esta humilhação”: de recolher BOSTA!

Feliz humilhação! No fim do dia “você precisava ser jogado fora”, pelo cheiro que ficava! Sim, a gente nos sonhos, também passeava pelos pastos e coletava BOSTA! Então, juntos, a gente “cortava aquela terra”, “lavrava”... Logo, o lavrador é aquele que lavra!
Desse modo eu tenho comigo uma “Pá que Lavra”! Que abre os sulcos pra que eu tenha condições de jogar ali as minhas sementes... Nós somos assim também!

A estrutura mental precisa ser ferida, necessita sofrer a “poda neural” para aprender. Foi tão interessante descobrir que “o aprendizado é outra coisa senão o ferimento delicado cerebral”!
Quando eu tenho o “registro de uma informação que até então eu não tinha, e o cérebro, quanto mais ele conhece mais ele vai ficando cicatrizado”...

As inúmeras formulações que nós vamos fazendo, as sinapses que vão me permitindo conhecer, aprender as coisas do mundo, tudo porque um dia eu “exercitei ler, ouvir”, e aquilo foi guardado “dentro de mim”, tornou-se uma informação, começou a fazer parte de mim e depois você já não consegue nem mais “separar-se daquilo que você sabe”... É você!
É tão interessante que o crescimento muscular é a mesma coisa. Não cresce o músculo todo, deitadinho, esperando as coisas acontecerem... Se faz um esforço, provoca nele uma “micro lesão” que depois o alimento, o sono, importantíssimo, vão sedimentar uma “cicatrização”, tornando-te mais forte!

"Os especialistas dizem que quanto mais a gente fortalece a nossa musculatura na juventude, menos dores a gente sentirá na velhice”!
O músculo precisa ser forte... Eu me lembro de que quando a minha mãe foi fazer uma cirurgia na perna, sob o risco de trombose, já com avançada idade, o médico comentou: “Que musculatura forte tem a sua mãe”!

E não foi nas academias que ela adquiriu tal consistência naquela musculatura... Foi fazendo “agachamento, curvando-se para pegar a roupa lavada e torcida na bacia, após cobrar-se no tanque para esfregá-las e então, levantar-se para, na ponta dos pés, alcançar o alto varal em bambu, pendurando a roupa limpa, quer no frio, ou sob intenso sol de verão”!
Assim, a musculatura forte também “ela foi lavrada” todo dia, “pelo esforço, pelo sacrifício, ela cresceu, tornou-se forte, envelheceu”... A mesma coisa a nossa mente!

O profeta, quando ele “lavrava as consciências das pessoas, era justamente para transformá-las”... Qual era a grande missão do profeta?

“Dizer o que a gente não estava acostumada a ouvir!”
Havia um modo de viver que já estava assimilado, perfeitamente assimilado, uma maneira religiosa, social, costumes... Sim! Nós estamos todos moldados dentro de uma mentalidade...


E “o profeta é justamente aquele que percebe que dentro dessa forma de viver, dentro dessa cultura, há aspectos que nos ‘desumanizam’, como um dia foi natural “olhar para o negro” e entende-lo como um ser de 2ª grandeza”!
Sim, pensar que um dia isso foi aceitável... Isso foi jurídico!

Nos EUA, até o século passado admitia-se a possibilidade de “separar os lugares... Aqui os brancos, ali os negros”... E as pessoas achavam isso normalíssimo. De repente uma voz se ergue! Aliás, fez 50 anos recentemente que ele morreu...
Martin Luther King Jr., um pastor protestante que ousou dizer:

“Não, nós não somos inferiores a vocês só porque somos negros... Somos filhos do mesmo Pai... Apenas somos diferentes”!
E este homem sofreu, sofreu, sofreu, “mas ele semeou nas novas consciências”. Ele semeou, ele lavrou, com a sua palavra, com a sua “forma inconformada” de compreender o mundo!

A possibilidade de estarmos hoje, todos juntos e sentados no mesmo lugar, espaço, e nos soaria ”extremamente desagradável” se alguém entre nós se sentisse melhor que o outro “devido à sua cor”!
Infelizmente ainda soa estranho, natural entre nós a gente ‘se achar estranho’ porque temos uma posição política diferente, ou porque temos uma classe social que se acha superior, que temos um pouco mais de conhecimento... Mas as vozes, as palavras dos profetas vão “abrindo as nossas mentes para que ‘o novo sangue corra”!

Para que a gente ache, sim, estranho um ser humano tratar outro (ser humano) de maneira desrespeitosa, “porque ele sabe mais... ou porque ele tem mais dinheiro”! É assim que a gente evolui... As “casas grandes” que nós construímos, eles acham tudo isso um absurdo! Porque eles querem viver, eles querem ser livres, eles querem trabalhar a possibilidade de se casar, de sair deste lugar aqui e morar num outro...
Carro pra que mãe! Se estivesse viva eu diria... Ando de UBER, vou de ônibus... Não quero ter essa despesa, não quero ter esse trabalho, mãe! Nós vamos comprar um apto! Não mãe, pelo amor de Deus! Vou morar de aluguel porque se não gostar, vou morar noutro lugar... Posso mudar!

Nós não...! São outras mentes... Estão “lavradas” pela modernidade que eu não! Se é bom ou ruim, ‘ainda é cedo para se dizer, poder avaliar’!
O que eu sei é que nós somos necessitados de “PÁ que lavre a nossa mente”, pra gente não morrer na mesmice! E se tem uma “” que:

“eu gosto de fazer cavar no chão da minha vida, é a certeza do amor de Deus por mim”!  
E se tem uma “PÁ” que eu gosto de quebrar no solo das pessoas:

“É esta certeza de que nós somos filhos da misericórdia, que não há nada que não tenhamos feito nessa vida, que possa nos tirar da ‘certeza de que Ele nos ama’, que ele cuida de nós”! 
Lavre a sua mente! E permita que a certeza desse amor do Senhor por você seja o seu escudo, seja a sua proteção!


Roberto Costa Ferreira, 30Mar2018 – Paixão Cristo/Iniciação

 restando também à conhecer do amigo padre em 09Abr2018.

terça-feira, 24 de abril de 2018

RÁ-TIM-BUM


Rá-tim-bum não é nem nunca foi uma maldição... Isso é uma superstição sem base bíblica nem histórica. Devemos ter a maturidade para analisar o que ouvimos e rejeitar mentiras bobas. “Examinai tudo. Retende o bem” (1 Tessalonicenses 5:21 acf.). Quando nos deixamos levar por esse tipo de coisas, isso desvia a atenção do verdadeiro evangelho. A tolice de tomar posições extremas sobre assuntos secundários traz vergonha e dificulta a pregação da verdade.

Não é bom dar atenção a mitos, cuja narrativa de caráter simbólico-imagético, relaciona-se a uma dada cultura, que procura explicar e demonstrar, por meio da ação e do modo de ser das personagens, a origens de certas coisas, por vezes crenças comuns consideradas sem fundamento objetivo ou científico, e vistas apenas como histórias de um universo puramente fantasioso, a exemplo do ÁUDIO que, adiante e abaixo inseri propositalmente. Quase convincente!

Rá-tim-bum é uma onomatopeia, uma figura de linguagem que permite o uso de vocábulos para  imitar o som de alguma coisa. Nesse caso, rá-tim-bum imita o som de coisas festivas, como tambores e pratos. A palavra surgiu no Brasil por volta dos anos 1920/30 e não existe em nenhuma outra língua (nem é usada em outros países de língua portuguesa).

Ao contrário do que dizem alguns rumores sem fundamento, rá-tim-bum não tem nenhuma ligação com feitiçaria, com a Pérsia, nem o mundo medieval... Surgiu no Brasil, como parte da celebração de aniversário e é uma palavra moderna, tipicamente brasileira. Qualquer associação à maldição ou bruxaria não tem base na verdade.

Sua origem é inusitada: o ‘rá-tim-bum’ teria surgido nos corredores da Faculdade de Direito do Largo São Francisco, da Universidade de São Paulo (USP), na década de 1920. Naquela época, um RAJÁ indiano proveniente da região de Kapurtala (governante, um tipo de título proveniente da palavra ‘rajan’ que em sânscrito significa “rei”, termo que designa os príncipes dos Estados que deram origem à Índia), chamado “Timbum” visitou a faculdade. Evidente. Não demorou muito para os festivos e contagiantes estudantes começarem a brincar com a sonoridade do nome do nobre sujeito.

Os aspirantes a advogados fizeram uma bordão, dos muitos produzidos à época, juntando "rajá com timbum", dando chance aos mesmos de incorporar, ao final dos seus cantos novo grito de guerra: "Ra-já-Tim-bum!" Com o tempo, o “” foi deixando de ser pronunciado e virou "rá-tim-bum". Aliás, toda a segunda parte da canção “Parabéns a Você” nasceu também nos corredores da Faculdade de Direito da USP - Largo São Francisco/SP,  também: 
É o Pic-pic, é o Pic-pic, é o Pic-pic!
Era uma saudação ao estudante Ubirajara Martins  de Souza, bacharelado por tal faculdade em 1927.
O cara era vaidoso e conhecido entre os colegas  pelo apelido de "Pic-Pic" porque, portador de barba imponente usava uma tesourinha cujo peculiar som de corte para aparar a barba e o bigode pontiagudo, sempre ecoava: "pic, pic, pic, pic”.
Meia hora, meia hora, é hora, é hora, é hora!”
Era outro bordão dos estudantes usado nos bares próximos à faculdade - famosas Leiterias. Eles precisavam esperar meia hora por uma nova rodada de cerveja, tempo de a bebida gelar nas "barras de gelo" usadas então. Quando chegava o tão aguardado momento, gritavam: “É meia hora, é hora, é hora, é hora, é hora!”.

Todas essas frases eram cantadas no principal bar de encontro: o Ponto Chic, situado no Largo do Paissandu, no centro de São Paulo, mas de um jeito  diferente de como conhecemos hoje. A versão original era algo como: “Pic-pic, pic-pic, meia hora, é hora, é hora, é hora, rá, já, tim, bum!

A explicação para que "o grito de guerra" de uma faculdade paulistana virasse hit nacional é a seguinte: os estudantes eram figuras bastante conhecidas na sociedade paulistana e, portanto, eram convidados para prestigiar aniversários e lá, animavam a festa com as músicas que inventavam. Foi assim que o "rá-tim-bum" virou presença obrigatória em aniversários de norte a sul do Brasil, partindo das Arcadas.

Enfim, parafraseando a Bertolt Brecht, personagem vivido pelo comediante Mário Tupinambá, que interpretava dita figura da “Escolinha do Professor Raimundo”, acostumado a repetir sempre a frase:

“A inguinorança é que astravanca o pogressio!” É realmente a ignorância estimulada por incompetentes.

Roberto Costa Ferreira, 20Abr2018.

sexta-feira, 23 de março de 2018

TAREFA ESCOLAR - PRÊMIO NOBEL


A execução de tarefa escolar envolvendo "lição de casa" demanda, no envolvimento do avo, intensa entrega, o exercício do prazer, do amor incondicional, a renovação interior e, sobretudo, a situação de ser agraciado com a premiação máxima momento que Isabela, minha neta, entregou-me toda a sua atenção e confiança.

A estreita atenção ao desenvolvimento da arte por parte de ambos, eu avô e neta Isabela, denota tal oportunidade "tão relevante quanto ao merecimento de um Premio Nobel". Isabela não precisou justificar tal "premio meu" como motivo para não entregar o trabalho no devido tempo, muito diferente do ocorrido com a menina Maddie, sueca que deu como desculpa para não ter terminado o dever de casa da escola que seu avô havia ganhado o Nobel.

Assim, um bilhete com a desculpa ganhou destaque após uma foto ser compartilhada no Reddit, alcançando mais de 1,5 milhão de visualizações. O detalhe é que, de fato, o avô da menina chamada Maddie foi agraciado com o importante prêmio. Seu avô Tomas Lindahl foi um dos três vencedores do Nobel de Química, em anúncio realizado no dia 7 de outubro último.

O bilhete foi escrito pelos pais de Maddie. Nele, eles pedem que a professora dê mais um dia para sua filha completar a lição de casa, pois, por conta de uma boa notícia na família, não pôde finalizar.

Às conclusões: Não ganhei nenhum Premio Nobel, bem como Isabela e seus pais não lograram escrever qualquer bilhete. Porém, a significação do ato de realização de tal arte, em determinado lapso temporal, não configurando este "um ato falho", arremetendo-nos à compilação de precioso tempo existencial - a vida de Isabela nas nossas vidas!

Proporciona tal dedicação, como em Kant, onde temos que "duas estéticas a do Belo, na qual pode-se basear os estudos da estética do cotidiano, e a do Sublime, no qual aparece uma superação da estética em direção a uma experiência metafísica", ou seja, cujo significado está “além dos sentidos e das experiências sensoriais", uma realização plena, edificante, acolhedora e... Sublime!


Vô Roberto, o "colador de fotos" na tarefa escolar de Isabela.

Um bilhete com a desculpa escrito pelos pais de Maddie

Roberto Costa Ferreira, 11Mar2018,
em tempos de Semana Internacional da Mulher.

quinta-feira, 22 de março de 2018

O ESPECTRO – O barbeiro Anedes e o “alter ego” de Julio Guerra

Roberto Costa Ferreira — com Jose Jorge Peralta em
  
Biblioteca Pública Municipal Prefeito Prestes Maia
Espectro é o nome dado para a visão de uma imagem considerada fantasmagórica, da figura incorpórea de alguém que não está vivo, ou seja, um fantasma. A partir do seu sentido figurado, espectro ainda pode se referir ao que representa uma ameaça ou que provoca dor e sofrimento. Aliás, a palavra espectro pode assumir diferentes tipos de acepções, de acordo com o contexto em que é utilizada.


Ainda, segundo a sua interpretação figurativa, espectro pode representar a imagem de uma pessoa extremamente magra, pálida ou esguia, etc., sendo certo que não há dois elementos com o mesmo espectro, tal como não há duas pessoas com as mesmas impressões digitais!

Neste caso, um "espectro de pessoa" seria o mesmo que um indivíduo com figura cadavérica e mórbida? A ideia de "fantasma" que remete a palavra espectro também pode ser interpretada a partir do sentido figurado, como as lembranças "agradavelmente insistentes" que nunca desaparecem!

Desse modo, nessa cidade e bairro de Santo Amaro que um dos expoentes da pintura e escultura brasileira, Júlio Guerra, nos diz acerca do personagem "aparentemente lúgubre” do barbeiro Anedes. Afigura-se "fantasmagórico", "super-herói", ambicioso ou agarrado ao dinheiro? Enganam-se:

"Anedes não era um ambicioso ou agarrado ao dinheiro, mas era um apologista do ouro, não negando o seu valor"!

Nas histórias de Super Heróis "alter ego" é o lado oculto de uma pessoa. Já em psicologia é uma segunda personalidade de alguém... E Júlio Guerra, na sua investidura, homenageou ao barbeiro Don Anedes Nemendes de Aragoia, 1850-1930.

Em obra exposta em frente à Biblioteca Prestes Maia (antiga Kennedy), tal personagem, ex-barbeiro da Real Casa de Bascelar, era um tipo popular na oportunidade. Filósofo que fazia música em sua terra, a Espanha, vindo ao Brasil, morou em Santo Amaro por volta de 1920 e, com sua sagacidade e ironia deixava o cliente pagar o corte do cabelo como quisesse.

Nos demais destaques da arte, ao centro, o personagem "Cabeção" de Manoel de Borba Gato, obra inaugurada em janeiro de 1963, à entrada de Santo Amaro - em alusão à estátua de quarenta toneladas e dez metros de altura.

Outros dois personagens compõem o cenário histórico, ladeando o Cabeção: Humanista, cientista da linguagem, filósofo, historiador e memorialistas, o Dr. José Jorge Peralta contracena com seu par, Roberto Costa Ferreira e, todos em comum professam por missão: "professorar"... Todos viventes e entusiastas, "agradavelmente insistentes", como nunca!

Roberto Costa Ferreira, 18Mar2018
 — com Jose Jorge Peralta em


sábado, 17 de fevereiro de 2018

CARNAVAL... NO SITIO... NA ROTA DO VINHO!


* Video publicado no YouTube: https://youtu.be/9x6A2HFI_TU


O meu carnaval foi mesmo assim...
Sem enfeite, confete ou serpentina,
Alguns poucos meninos e meninas,
  E todos os demais bem junto a mim!

 Não bastava a saudade desse canto.
Precisava de mais tempo, um tanto.
Quanto encantamento, gente junta,
Vontade, um punhado, sem pranto!

  Desceu gelada a bebida, eu garanto.
Quente, a vida ardente tal o carvão
Que no calor braseia tanto, a manta
   De carne tenra a assar, bife do vazio,
    Costela... No fundo, azul firmamento!

    A água morna brota sob o Sol ardente.
     No dente, mordo a pimenta com limão,
   No tempero do tira-gosto, o braseado.
      E encosto-me ao azul piscina, que sina!

    Por fim, das cinzas já na quarta se ver,
  Tantas outras marchas engatar, saber.
    Das religiões tantas, o segredo revelar
  Que o homem seu premio conquistou
    Sem saber: “a vida eterna sempre foi”!

Roberto Costa Ferreira, 13Fev2018. 

domingo, 28 de janeiro de 2018

POSE - Netas... Essas incríveis meninas!

Tenho duas netas... Uma de ISABELA e outra de Maya
Ainda  uma terceira,  muito recente,  vinda de Melissa
E também tenho dois netos, um maior, vindo de Lucas
E outro menor,  semelhante ao pai,  vindo de Arthur...
Que todos juntos somam cinco.  Cinco, todos os netos.
Mas, essas meninas...  Ah!  Essas incríveis meninas!



POSE – a própria expressão que reporta ao feminino.
E a maneira pela qual o corpo se encontra disposto,
Presente na atitude, ou,  no efeito para ser retratado.
Fotografado, imobilizado... Denotando compostura,
Comedimento, um leve e lindo traço de atrevimento,
Quer artificialidade, clara ausência de naturalidade...

E a aura de mistério acompanha a presença do artista
Como uma bruma que envolve, absorve e não permite,
Que se revele por completo, a força, a delicadeza vista.
Residindo afetação, onde a fotografia fria, ou calórica,
Vez que trás tempo de exposição à luz fixando postura,
Atitude de alguém de ficar imóvel, maneira estudada.

Que tempo é este que em momento d’um olhar fixado,
No tempo da necessária ação luminosa para a posada,
Cuja impressão completa do objeto, na placa sensível,
Dá-nos o visível, o calor das emoções presentes? Entre
Flores do tempo, sombras, degraus de acesso e gente,
É tempo de vida plena, sonhar criança... Um presente!


Roberto Costa Ferreira, 15Jan2018.