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sábado, 30 de março de 2019

CRUZEIRO... ANIVERSÁRIO de Andressa Ferreira


Andressa Ferreira

Andressa é muito certo que por onde andares o Sol brilhará... Assim como a Areia refina-se, movimentando-se jovialmente, acomodando docemente para receber os pés que nela se depositaram... Os seus pés!

O Mar... Ah! O Mar que ora frequentas com seu Olhar ávido de esperanças e curiosidades, que balança freneticamente até espumar, que loucamente avança até à Praia e retorna pleno de alegrias alcançando a Embarcação que te recebeu e a acomoda, e também balança de alegria, vindo beijá-la sob os teus pés em altas ondas de euforia pela beldade que o faz chorar, quando estás ausente...

Que muito já chorou de alegria, discretamente, pois que suas Lágrimas se misturaram nas suas Águas, só para aquecê-las... E a todos que se envolvem, que te envolvem nesta e em tantas outras oportunidades... Pudera! Com tanta beleza presente, azar dos ausentes! Eu me contento por ora, graças ao poder do pensar e de muito te amar, pois que, embora ausente, sei que vives suas merecidas alegrias!

Que o Ar que respiras, a Areia que pisarás, o Mar que te compensa, o Sol reluzente que te beija, compreenderão que, assim como eu, nós e o Terreno que habitamos, todos, todos te aguardam em breve retorno para de abraçar.

         Feliz Aniversário minha doce menina, amada filha. Parabéns!



Roberto Costa Ferreira, 16 Marco de 2019, sábado.



quarta-feira, 6 de março de 2019

TRANSCENDER! O SURF de Isabela


Quando uma herança transcende aos limites do Eu, do Filho e da Neta ... E nesta filmagem nos situamos no mesmo espaço, concluímos que:
“O impossível só existe para quem acredita na impossibilidade.”

Transcender é ir além do que você acredita ser, identificando seus limites, tendo a consciência de que a vida é muito mais do que um dia após o outro. E este é um momento mágico!

Reside sempre uma missão a cumprir, um grande passo a mais a dar na sua evolução pessoal. É o momento de ir mais e ter a coragem de se desafiar, de ousar. Minha neta justificou tal proposta.

E nesta oportunidade de treinamento, mesmo inconscientemente, conscientizou-se, registrando em sua memoria proativa de como nos limitamos, nos boicotamos e não nos permitimos viver de uma forma mais intensa e feliz.
Então viveu intensamente seu tempo, brincou com as oportunidades da vida, feliz e satisfeita. E, para que isso fosse possivel, foi necessário submeter-se às orientações, transcendendo os seus limites, magnificamente!

Ainda, neste breve treinamento, sob espectativas alvissareira, fortaleceu o seu “eu”. Acreditou muito em si mesma, alinhando-se com suas tarefas ora propostas e com seus objetivos.

Certamente que realizou-se e conscientizou-se do motivo de estar neste momento e pertencer a esta vida, mesmo que não ainda consciente. Fortaleceu-se! Transcendeu a sua própria circunstâncias em que foi cuidada, recebida, tratada, apreciada, entendida, corretamente estimulada, apoiada, ouvida, AMADA! Transcendeu o fato de que ainda não fez da sua vida aquilo que já sabe e que deve fazer, face ao momento.

Transcendeu o fato de que há tempos, inconscientemente, não sente o coração PULANDO, AS PUPILAS DILATADAS, UM FRIO NA BARRIGA OU ESPINHA, porque nunca havia entrado em contato com algo tão grandioso, tão significativo naquela oportunidade, quanto a descoberta da sua Missão...

Foi a surfista e agora, nesta memória, mostra ao mundo...
- Que é mais brilhante e capaz do que sua vida hoje demonstra ou seus resultados explicam;
- Que tem mais amor pra dar do que seus relacionamentos hoje permitem;
- Que tem mais valor do que os outros percebem ou reconhecem;
- Que tem uma missão grandiosa e nasceu para muito mais do que apenas sobreviver... Esse foi e é o seu chamado!

Isabela, nesta vivência, demonstrou possuir uma espécie de força interior que procura orientá-la para a sua missão... Aquilo que deve realizar durante a sua existência!
E não ocultou essa força, pois que:

"A miséria que, possivelmente vier a oprimi-la, não decorrerá de sua profissão que vier abraçar, ou da especialidade que exercitar, mas dela mesma". Ainda,

"Quem quer que nasça com um talento, ou para um talento, certamente o considerará o mais agradável das ocupações! Tudo na terra tem seu lado difícil. Só algum impulso interior - o prazer, o amor - pode nos ajudar a superar obstáculos, a desbravar o caminho e a nos erguer acima do círculo estreito em que outros arrastam suas existências angustiadas e miseráveis!" - Johann Walfgang Von Goeth.

Essa minha neta, como (as) (os) outros e filhos presentes, mesmo ausentes, são adoráveis, são amados!

Roberto Costa Ferreira, 3a. de Carnaval no Guarujá/SP, Isabela, Diego Agustin Ferreira e eu.



segunda-feira, 11 de fevereiro de 2019

A DEUS... Adeus Dr. Alexandre Moreira Neto!


Neste vídeo por mim produzido, palavras do Dr. Alexandre Moreira Neto 

A DEUS... Adeus!

Neste Domingo, 10 de Fevereiro, estive presente com tantos e dei adeus em última viagem neste plano existencial a este amigo que, certamente, sempre esteve na graça de Deus. Viveu com recato, com a característica de quem é decente, honesto e modesto. Escolhendo seu meio e expressando-se diante de seus critérios e antinomias, sempre solucionando através de critérios hierárquicos, cronológicos e da especialidade.

Ilustre Doutor, figura das mais insignes e proeminentes de Santo Amaro, onde nasceu, cresceu e estudou, aniversariando em 21 de Outubro, Botina Amarela, exercendo a presidência do CETRASA (Centro das Tradições de Santo Amaro), sendo ele o verdadeiro representante de Santo Amaro. E bem por tal detentor da Medalha Anchieta e do Diploma de Gratidão da Cidade de São Paulo.

“É, meu amigo Dr. Alexandre Moreira Neto, florescer não é fácil... Mas é recompensador”!

Roberto Costa Ferreira, 10 de Fevereiro de 2019.




domingo, 9 de dezembro de 2018

Clarice aniversaria, portanto, inesquecível...!


No dia de hoje ela faleceu – Clarice, 9 de Dezembro – então nascida em 10 de Dezembro. Em determinado tempo, ela transitou por minha vida... Nunca mais a esqueci! Era o ano de 1969, recém-saído do cumprimento do serviço militar, o Exército, eu, um querido discípulo de Paulo Emílio, professor na ECA, Escola de Comunicações e Artes da USP - Universidade de São Paulo, já quase 1970, trabalhando com livros, tinha amigos no curso de Letras na USP, onde um deles frequentava: o Wisnik.

Resolvemos fazer, um grupo de amigos, uma Revista Literária e produzirmos uma grande e significativa entrevista... Conseguimos, marcamos a entrevista e fomos ao Rio de Janeiro de ônibus, para o Bairro do Leme. Intrépidos estudantes tomados por um ardor juvenil, fomos ao apartamento da personagem e, nesse grupo tinham já poetas, escritores e, lá chegando, não sabiam como começar a entrevista, porque ela não se postava como "Grande Escritora". Linda no seu jeito acendia o cigarro e, por entre a fumaça lançava "aquele seu olhar arrasador”, cruzando as pernas propositalmente! Acho que eu era o alvo...

Nada indicava um caminho para a "Grande Entrevista" e a abordagem era incerta. Aquilo tudo me emocionava, descontrolava, nos desarmava... E, depois de algum tempo de conversas estranhas, aleatórias, olhares profundos e abordagens sem destino, descemos para jantar. Uma colega, como se não tivesse lido "Laços de Família", pediu um frango.
Ela, menina meiga e paulistana, nervosa diante daquele "olhar de lince" da Clarice, não conseguia destrinchar o frango, que escapava no prato! Então, a Clarice vendo a cena, disse:

"Desista! A luta é desigual, não insista!"

E este é o resumo... Uma parábola, uma versão irônica, fulminante, algo lacônico!
Escritores, alguns, são assim... Defrontam o mínimo com o máximo! E vou a dois exemplos:
  • A versão Roseana- Guimarães Rosa, no Sertão, quando Riobaldo diz: "Se um dia Deus vier à Terra que venha armado”!

·         Versão Clariciana: "Se um dia Deus vier à Terra haverá silêncio grande... O silêncio é tal que nem o pensamento pensa”!

Residem nestas uma diferença: DEUS! Que no Grande Sertão se confronta com uma grande violência... Onde o mínimo, a bala - um pedacinho de metal - se confronta com um DEUS UNIVERSAL! Obra de escritores interpelantes...

Do outro lado da história, outra personagem vivia um sucesso internacional, com “Antes do Baile Verde” (1970), conhecida na intimidade de Lyginha, que num dado dia recebeu o alerta pessimista da mãe:
Você já entrou para uma escola de homens, vai publicar um livro, agora você não casa mais”!

Previsão ignorada por Lygia e desmentida pela vida. A escritora casou-se duas vezes, teve um filho e é mãe também de 17 livros de contos e romances traduzidos para o espanhol, francês, inglês, russo e outras tantas línguas. 

Incorporando notas antigas, começa a trabalhar em um novo romance inicialmente intitulado “Atrás do pensamento”: monólogo com a vida. O livro, que em fase posterior seria chamado “Objeto gritante”, por fim se definiria como “Água Viva” e sairia sob o amplo gênero “ficção”, diante do entendimento da própria autora de que ultrapassara as classificações convencionais da narrativa literária.

As duas pouco se conheciam... E eu, muito menos. Mero curioso e fuçador. Assim, naquela viagem para a Colômbia, indo à Cali, oportunidade que me meti num congresso: Congresso de La Nueva Narrativa, lá conheci outras pessoas como Loyola, Ana Miranda, e lá estava eu frente a frente, novamente, com Clarice, estando também o Vargas (Mário Vargas Llosa, que na oportunidade não reunia a glória que detém hoje, escritor peruano, agora consagrado internacionalmente, também jornalista, dramaturgo, ensaísta e crítico literário). Foi professor em diversas universidades americanas e europeias, ao longo dos anos, tendo hoje uma vasta produção literária, principalmente romance, entre eles: “Conversa na catedral” e “Tia Julia”.

Então, no estreitamento da conversa em meio ao corredor, a Clarice, lembrando-se de minha passagem ousada pelo Rio de Janeiro, disse à Lygia, tendo ela aquela fala ótima, ucraniana, era uma fala assim: “Lygia, está muito chato aqui dentro, vamos sair.” Assim, nós fomos para o bar e ficamos conversando horas, enquanto lá dentro no Congresso, evidenciava-se “o porquê da palavra, porque não sei o quê e tal”... Então ela, a Clarice disse: “Essa gente é muito cacete. Eles interpretam a gente de uma maneira que eu não entendo”. Então, ficamos conversando e  falávamos muito sobre os problemas, as dificuldades, a discriminação, falando sobre pessoas e elas sobre o homem, sobre os homens, as coisas...

Ela dizia, lembro: “Lygia...”, esta frase eu gostava tanto que às vezes lembro-me e reflito sobre sua real intenção: “Desanuvia a testa e põe um vestido branco!
Mas, enfim, e quando nós saímos desse bar, estavam saindo, coincidentemente, todos da sala, suados, nervosos e meio desencontrados. Já nós, e elas felicíssimas, então Clarice disse:
“Olha a cara deles e olha a cara nossa. Nós estamos bem, fomos tomar os nossos Martini.”

Lygia, na oportunidade disse e, tem hoje uma referência que me impacta, acerca dos amigos e amizades... Assim:
Amigos são importantes... E perdê-los é como parte da memória que se vai”.

São memórias... O Consciente, o Inconsciente e o Pensamento Elástico, através do qual não seguimos as regras, mas as criamos, preservamos e renovamos amigos, produzimos um texto... Criamos “novas ideias"!

Recentemente, reiterou Lygia, a querida Lyginha, que: “O escritor no Brasil fica bom, fica maravilhoso, depois da morte. É necrofilia, é necrofilia!” A Clarice, assim como eu, quando estávamos lá, no Congresso, “ninguém ligava para a Clarice, ninguém ligava para nada, estávamos em Cali (Colômbia), e voltamos. Ela se queixava nas cartas, do silêncio, de tudo isso”! Então ela morreu:
Ah! A necrofilia é a vontade de exaltar o morto, porque o morto não está mais competindo, acho que só pode ser isso”.

Acho que é de Thomás Antonio Gonzaga (1744-1810), poeta e ativista político que participou da Inconfidência Mineira com Tiradentes:
As glórias que vêm tarde já vêm frias”.

As louvações, meu queridos, disse ainda Lygia,
“... têm que vir enquanto a gente tem ouvidos para ouvir e olhos para ver”. Lembrou ainda que, “o polvo no mar se sente perseguido, certo tipo de polvo, ele destila, ele solta uma tinta negra. Eu acho bonito isso, ele solta tinta negra para não ser visto, para fugir, e no meio daquela água escura ele pode desaparecer dos seus caçadores. Nós não temos essa tinta para destilar, nós estamos transparentes. Nós temos que ser transparentes para podermos nos ver. Eu tenho que ver você, porque eu sou escritora. Eu tenho que saber de você. Eu não tenho tinta nenhuma para fugir de você ou para justamente fazer com que você também suma”.

Desse modo, de ti não esqueci, muito querida e inesquecível Clarice Lispector!

Roberto Costa Ferreira, 09 de Dezembro de 2018.

sábado, 17 de novembro de 2018

EDUCAÇÃO - O ARBITRARIO CULTURAL DOMINANTE... E o discurso de Igualdade da Escola – A Violência Simbólica


Em tempos de discussão de projetos e o crescimento da abordagem do tema “Escola sem Partido”, movimento iniciado por cerca de quatorze anos – 2004 – no Rio de Janeiro, inicialmente intitulado Programa Escola sem Partido, cuja principal referência bibliográfica remonta ao livro “Professor não é Educador” - Autor, filósofo Armindo Moreira - cuja tese central do livro é a dissociação entre o ato de EDUCAR e o de INSTRUIR, envolvendo ainda aspectos de doutrinação que, nestas minhas considerações, partindo da compreensão do que é educar, aqui lembrando a Gandhi – Mohandas Karamchand Gandhi, conhecido Mahatma Gandhi - que dizia:

“A verdadeira educação consiste em por a descoberto o melhor de uma pessoa”.

Ainda, em Michelangelo – di Lodovico Buonarroti – pintor, escultor, poeta, etc. quando indagado como tinha conseguido a proeza de execução de magnífico trabalho, tendo inicialmente visto um bloco de pedra e dito: “Ai dentro há um anjo, vou colocá-lo para fora”!  Então, complementando a resposta: “O anjo já estava aí, apenas tirei os excessos que estavam sobrando”. Desbastar a Pedra Bruta é a tônica! E “educar” é isto, paciente e peritamente rarear os maus hábitos, promovendo o relevo das virtudes, até que o “anjo” ecloda. Uma constante tarefa!

Quanto a “instruir”, aquele ato de transmitir conhecimentos, a iniciação, a categoria que mais dúvida sucinta para o desprevenido. No “ensino”, os conteúdos são “saberes teoréticos” e “temáticos”, ao passo que na “instrução” são reunidos “saberes-fazer” (o “savoir-faire” dos franceses ou o “know-how” dos ingleses) e destrezas corporais.

Pensemos então numa imagem para a ação de instruir: “Você tem dificuldades? Eu ajudo”! Pense num pintor a ensinar como se pintam telas a óleo. Quais os conteúdos desta iniciação - instrução? Muito claro que será um saber fazer, uma destreza que o instrutor tenta passar ao aprendiz. Desse modo a significativa diferença entre ambos, reside no “tipo de conteúdo transmitido” tendo o “saber teorético versus o saber fazer”. Compreende-se assim, a oposição entre a TEORIA e a PRÁTICA.

A CULTURA compreende os valores e significados que orientam e dão personalidade ao grupo social. Já CAPITAL CULTURAL é uma metáfora criada por Bourdieu para explicar como a cultura em uma sociedade dividida em classes se transforma numa espécie de moeda que as classes dominantes utilizam para acentuar as diferenças. A Cultura se transforma em instrumento de dominação. Em vista de tal a classe dominante impõe às classes dominadas sua própria cultura dando-lhe um valor incontestável, fazendo com que seja a “cultura boa”.

Bourdieu percebendo esta dinâmica e a batizou de “arbitrário cultural dominante”. Tal ARBITRÁRIO CULTURAL DOMINANTE nada mais é do que “uma cultura que se impõe sobre outra”. Uma das mais importantes contribuições desse pensador para a Educação foi transpor toda essa ideia para dentro da Escola.

A Escola, dissimuladamente, contribui para que essa “cultura dominante” continue sendo transmitida como tal, e dessa forma acaba favorecendo alguns alunos em detrimento de outros. Os desfavorecidos são justamente aqueles alunos que não tiveram contato, através da família, com o Capital Cultural, seja na forma de livro, coisas concretas, seja por não terem tido acesso a lugares e informações facilmente acessíveis para aqueles estudantes mais privilegiados.

Eles, os menos favorecidos, não conseguem dominar os mesmos códigos culturais que a escola valoriza. O aprendizado para eles é muito mais difícil. Bourdieu entende que, assim, a escola marginaliza os alunos das classes populares enquanto privilegia aqueles alunos mais dotados de Capital Cultural. Por isso, o discurso de igualdade que a escola prega não funciona na realidade!

Compreende-se, portanto, que os filhos de pais diplomados, porque tinham esta familiaridade com o universo de um saber que a escola cobrava, logo, tem mais chances. De outro modo,  não é nem pela incapacidade que os menos favorecidos aparentemente reúne, não é que não tem cultura, mas eles não tem a “cultura que a escola demanda”.

A Escola não cobra dos alunos apenas o que foi ensinado. Ela cobra outras habilidades, que são fáceis para um e estranhas para outros. Desse modo, ela acaba enfatizando as diferenças. Os alunos que cresceram em culturas distintas, ou que não possuem um bom Capital da Cultura Dominante se enganam e “pensam que a dificuldade é falta de inteligência”!

Um exemplo dessa “dominação cultural nas escolas” é a escolha das matérias mais importantes e, não sendo difícil perceber que nos currículos, disciplinas tais como Física, Matemática ou História são mais valorizadas do que Desenho ou Educação Física, etc.. Assim a dominação de uma classe sobre outras se mantem.
Pierre Félix Bourdieu, lá atrás, já acreditava haver uma saída para toda essa “violência simbólica” exercida “inconscientemente” pela Escola. Bastava “tornar explicito todo esse comportamento/condicionamento velado da instituição”.  E não sem razão, vez que, esse sociólogo francês (1930 – 2002) dedicou parte significativa de seus mais de quarenta anos de vida acadêmica para os estudos no campo da educação, tendo exercido influência em gerações de intelectuais de diversas áreas, mas principalmente aos que se dedicaram a estudos sobre educação.
Inicialmente, tais estudos estiveram principalmente, concentrados em:
       ·  Demonstrar os mecanismos escolares de reprodução cultural e social e,
       ·  As “estratégias do sistema escolar” para diferentes agentes e grupos sociais.
É de se considerar, merecendo destaque que, o sociólogo “sempre manteve uma concepção pessimista em relação à escola e ao sistema educacional”. Entendia como uma “grande ilusão” afirmar que o sistema escolar é “um facilitador da mobilidade social”, quando na verdade, na escola se demonstra como o ambiente onde todas as diferenças de classes não são atenuadas e assim, coopera com a conservação social.
Nas décadas de 60 e 70 do século passado, Bourdieu se envolveu em uma série de pesquisas de caráter qualitativo e quantitativo sobre a vida cultural, sobre as práticas de lazer e de consumo de cultura entre os europeus, sobretudo, entre os franceses. Dessas experiências de investigação, publica em 1976, uma grande pesquisa intitulada Anatomia do gosto. Mais tarde, essa mesma pesquisa passa a ser objeto do livro intitulado: A distinção – crítica social do julgamento. Em tais trabalhos, ele e uma equipe de pesquisadores tentam explicar e discutir a variação do gosto entre os segmentos sociais, noções que, posteriormente, fundamentam “afirmações sobre a legitimidade das desigualdades sociais e meritocracia”.
Às minhas conclusões, a discussão elencada no parágrafo inicial desta abordagem reduz-se, à média compreensão, conveniente à ordem ideológica, ausentando-se desta a necessária atenção para a gravidade do quadro decadente da Educação no cenário municipal e estadual. Muitas são as interrogações e incertezas quanto ao futuro... Contudo, espero que, partindo desta modesta contribuição, haja não só mais curiosidades em aprofundar a temática, bem como, maior atenção para a mesma.
Roberto Costa Ferreira, 17NOV2018.



domingo, 4 de novembro de 2018

POETA & POESIA – REDESCOBRIR-SE NUM MUNDO SEM...


O autor: Roberto Costa Ferreira

Alguém, um amigo, em meio a Primavera de Outubro rosa, irascível e amargurado, me disse não ter mais graça viver estes tempos, este mundo... O mundo sem poesia! Ou, fazer arte num mundo sem ideal. O mundo em que o ideal já não vigora mais como governando a expressão.
Ouvi e tentei iniciar a justificativa diante de uma situação que se revelou improdutiva. Então restou-me pacientar. Conclui que exporia meu pensar sobre o assunto, que muito me incomodou, através deste recurso... Quem sabe em algum momento ele conhecesse do conteúdo? É importante ressaltar que são duas as perguntas objeto do desenvolvimento:
  • Viver num mundo sem poesia e,
  • O que deve ser a poesia num mundo sem ideal?
É preciso ressaltar que nestas duas perguntas reside uma diferença entre elas, porque, e isso é importante, quando nós pensamos nas respostas possíveis a essas perguntas, que é apenas, digamos assim, uma tentativa imediata de pensar numa resposta possível... Não é ainda a resposta, mas, como toda pergunta implica que há a possibilidade de uma resposta, a primeira possibilidade de responder a essas perguntas terá que ser feita, no meu entender, distinguindo estas duas indagações. Por exemplo:
  • Como se pode viver num mundo sem poesia?
Alguém poderia responder, dizendo simplesmente: Não se pode viver num mundo sem poesia! Logo, essa seria uma resposta que iria naquela direção que aponto, não só depois de Hegel, como, apesar de Hegel... Quer dizer, não há ideal.

"... só a reflexão em si mesmo no seu ser-Outro, é que é o verdadeiro; e não uma unidade originária enquanto tal, ou uma unidade imediata enquanto tal. O verdadeiro é o vir-a-ser de si mesmo, o círculo que pressupõe seu fim como sua meta, que o tem como princípio, e que só é efetivo mediante sua atualização e seu fim."

De certa forma, como não se pode viver num mundo sem poesia, ou "não existe um mundo sem poesia", então, é preciso que a própria noção de ideal seja reformulada para que possa ganhar sentido essa "outra presença da arte", essa outra "presença da poesia", num mundo onde já não comporta o ideal.

Quer dizer, se o Hegel passou por esta "vinculação de arte e ideal" e isto foi superado, logo, melhor compreendendo-o, "a principal recorrência dessa citação está diretamente relacionada com a ideia de obra de arte ou ainda com a ideia da arte como processo resultante de um “fazer espiritual”, ou melhor, de um trabalho do próprio espírito. Em outras palavras, a arte pode ser reconhecida como um dos temas centrais na Fenomenologia do Espírito, desde que não busquemos nela simples referências a obras históricas, ou mesmo uma espécie de fenomenologia da arte, mas sim que reconheçamos a arte como o último e mais elevado estágio do processo de formação e auto reconhecimento implícitos no conceito hegeliano de trabalho".

Então, o mundo sem ideal, se, nele ainda permanece a poesia, é preciso restabelecer, de algum modo, à relação entre “as Belezas: a arte, o ideal, a poesia”. Então, aqui, à segunda pergunta:
  • O que deve ser a poesia num mundo sem ideal?
Para responder a ela, num primeiro momento, é preciso supor, então, que "vivemos num mundo sem ideal" e que, a "poesia, de alguma maneira, existe neste mundo"! Portanto, são duas perguntas diferentes, mas, elas estão vinculadas. Agora, do ponto de vista abstrato, qualquer um de nós pode propor esta questão, qualquer um de nós pode responder a estas duas perguntas e refletir sobre o significado dessas respostas que, rápida e sinteticamente, esbocei aqui. Ainda, é preciso também entender que, a pergunta, a resposta e a reflexão sobre ambas, só pode ser, verdadeiramente, colocada se partirmos do poeta. Ou seja, o poeta que pode constatar, em primeiro lugar, que nós vivemos num mundo sem ideal. Como ele faz isso? Ele faz "subjetivamente". E aí teremos que entender depois, como que:

Esta tal apreensão subjetiva do mundo faz com que o poeta "apreendendo subjetivamente sobre o mundo" sem ideal, aprenda de alguma forma, algo semelhante ao vazio dele mesmo”!

Assim, isto tem tudo a ver com a identidade da poesia, que é, nesse sentido, buscável através de uma intuição subjetiva que é "a intuição do poeta"! Por tal, torna-se importante ressaltar que, embora do ponto de vista abstrato alguém possa fazer esta pergunta, ou assim se expressar, e ela seria uma "colocação apenas teórica", quando o poeta faz, ele e somente ele faz com propriedade, de uma outra forma, porque a partir de si mesmo e através desta apreensão subjetiva de "um vazio num mundo sem ideal" e , de um vazio que diz respeito à própria subjetividade poética, quando ela já não pode mais se expandir num mundo com ideal. Ela tem que se defrontar com um mundo sem ideal!

Então, claro, porque é o poeta que vive nesse mundo sem ideal... É o poeta que vive num mundo em que a poesia poderia não ser possível... E ao colocar a questão desse modo ele se percebe existindo como poeta, mas no plano da ausência da poesia, no plano da ausência de ideal!

Logo, a posição do poeta, e é isto que deve ser profundamente repensado, e Baudelaire é privilegiado nesse sentido, o que vai ser totalmente repensado é isso, ou seja, “o poeta percebe-se existindo como poeta, existindo num mundo em que a ausência do ideal deveria implicar a ausência da poesia”! Assim, essa continuidade que sempre existiu entre o poeta e a poesia, ela tende a ser quebrada. E é bem por tal que "nesse Novo Mundo" o poeta "necessita reinventar a poesia", tanto do ponto de vista do conteúdo dos temas quanto da forma, porque se trata, então de "cantar poeticamente", mas dentro de condições completamente diferentes e, portanto, é algo que diz respeito ao poeta e, portanto, essa pergunta e essa constatação é feita, em primeiro lugar, por ele, o poeta.

Isso é muito importante para que se possa colocar também a questão da identidade do poeta, momento que, ele percebe-se como poeta, mas, como a linha entre o poeta e a poesia está partida, essa linha de continuidade, ele não se identifica mais como "poeta do passado". Então, essa "reinvenção da poesia" e também, "a reinvenção da identidade do poeta e de sua posição nesse mundo distinto" que ele tem, também, que redescobrir!

Aliás, se este meu amigo conhecer deste raciocínio, em algum momento, deverá compreender que, tal qual “a necessária redescoberta do poeta do passado", da nova condição poeta de ser, “urge uma reação rápida: se reinventar”!

Roberto Costa Ferreira, 01NOV2018.

O Poeta Todos os Dias: Para Isabela - Autor: Roberto Costa Ferreira
O Touro - Pintura de Isabela Zanzini em produção escolar - 2018.



quarta-feira, 31 de outubro de 2018

FAKE NEWS e "O Beijo no Asfalto"!




FAKE NEWS na atualidade, já era fato corriqueiro nos tempos de Nelson Rodrigues... Assim, volto no tempo para o tributo: "O Beijo no Asfalto"!

Antes, lembro que Fake News, eleita a palavra do ano pelo dicionário inglês da Editora Collins, mesmo não sendo uma palavra e, sim, "uma expressão", resultou usual no governo Donald Trump, que não inventou a mentira, sequer Fake News, mas fez delas sua linguagem e prática política para justificar e caracterizar veículos de mídia que "atacavam-no", como candidato na época. Sua Secretária de Imprensa, confrontada com fatos irrefutáveis, manteve a sua versão oficial como “verdade alternativa”.

Caracteriza-se, ainda, notícia falsa publicada por veículos de comunicação como se fosse informação real. Esse tipo de texto, em sua maior parte, é feito e divulgado com o objetivo de legitimar um ponto de vista ou prejudicar uma pessoa ou grupo (usualmente figuras públicas).

Há, é claro, outras opções de tradução e considerações, tais como “notícia mentirosa”, “mentira (publicada na imprensa e/ou nas redes sociais)”, “invenção”, “calúnia”, "falácia", esta muito utilizada recentemente por determinados políticos tupiniquins, e, ainda sob o ponto de vista filosófico, no aristotelismo, qualquer enunciado ou raciocínio falso que, entretanto, simula a veracidade; sofisma.

“O adulto não existe. O homem é um menino perene.”

Com base neste enunciado conclui-se que "da marotagem" de Nelson Rodrigues, outros também se locupletaram, como nas minhas memórias:
·         Em 1835 o jornal The New York Sun publicou notícias falsas usando o nome de um astrônomo real e um colega inventado sobre a descoberta de vida na lua. O propósito das notícias foi aumentar as vendas do jornal. No mês seguinte o jornal admitiu que os artigos eram apenas boatos.
·         Ainda, uma contribuição valiosa para a vitória de Eurico Gaspar Dutra na eleição presidencial de 1945 veio de Hugo Borghi, que distribuiu milhares de panfletos acusando o candidato Eduardo Gomes de ter dito:
   
      “Não preciso dos votos dos marmiteiros”.

O que Eduardo pronunciou na verdade, no Teatro Municipal do Rio de Janeiro, em 19 de novembro (menos de um mês antes do pleito, ocorrido em 2 de dezembro), foi:

"Não necessito dos votos dessa malta de desocupados que apoia o ditador para eleger-me presidente da República".

Entre esses e muitos outros exemplos é possível perceber que esse é um recurso que foi amplamente usado na história, muitas vezes com o propósito de beneficiar alguém ou algum movimento social.

Ora, não seria diferente com Nelson Rodrigues que, tendo produzido sua peça em apenas 21 dias, O Beijo no Asfalto que foi inspirada na história de um repórter do jornal "O Globo", de nome Pereira Rego que, tendo sido atropelado por um “arrasta-sandália”, espécie de ônibus antigo e, ainda no chão de asfalto, o velho jornalista pressentindo a proximidade da morte e, nubladamente, visualizando uma linda jovem que tentava socorrê-lo... Então lhe pediu um beijo. Neste relato temos a interpretação ou representação do real, (verdade subjetiva ou crença), porém, tal realidade está sujeita ao campo das escolhas, isto é, determinamos parte do que consideramos ser um fato, ato ou uma possibilidade, algo adquirido a partir dos sentidos e do conhecimento adquirido.  

Dessa forma, a construção das coisas e as nossas relações dependem de um intrincado contexto. Logo, em "O Beijo no Asfalto", peça escrita pelo teatrólogo, jornalista, romancista, folhetinista e cronista de costumes e de futebol brasileiro, Nelson Rodrigues e encenada pela primeira vez nos palcos em 1961, mereceu a sua verdade (subjetiva), podendo esta estar muito próxima da realidade, porém, dependendo das situações, contextos e premissas de seu pensar a história, cria dúvidas reflexivas... Então, Nelson Rodrigues mudou "um pouquinho" da história.

Na trama do dramaturgo, o atropelado da Praça da Bandeira, agonizante, pede um beijo a Arandir, figura jovem e de coração puro e atormentado. Amado Ribeiro, repórter do “Jornal Última Hora" (retratado por Nelson no folhetim Asfalto Selvagem), presencia o beijo na boca entre os dois homens e, junto com o delegado corrupto Cunha, transforma a história do último desejo em manchete principal e sensacionalista, então dita Fake News, tudo para vender mais jornal!

O sensacionalismo estampado no noticiário muda completamente a história, retratando Arandir como um criminoso que empurrou o amante e depois o beijou. A vida do jovem se transforma num inferno e nem mesmo sua mulher acredita que ele é inocente.

Por trás de uma história aparentemente simples, O Beijo no Asfalto discute questões fundamentais à condição humana, apresentando-se como uma obra aberta a vários significados, falando essencialmente, sobre a dúvida, oportunidade que, partindo de um beijo espontâneo dado por um homem de coração puro, no atropelado, promove um libelo contra a falsidade, ressalta o juízo baseado na aparência e as convicções erradas de parte da sociedade.

Autêntico cenário onde todos se infeccionam, inclusive o próprio Arandir, que passa a duvidar de si mesmo! Nelson Rodrigues não é só atual hoje, vai ser sempre atual porque fala muito de alma, da alma humana, não fala de um tempo, ele fala de um ser, de um ser humano que vai ter sempre suas frustrações, seus desejos, as traições, conspirações, por mais que a gente mude a nossa maneira de ser e que a sociedade mude as suas inquietações.

Roberto Costa Ferreira, 27 de Outubro de 2018.





domingo, 1 de julho de 2018

FATALISMO - TRAGÉDIA


Vídeo: Não é uma Tragédia, de Marcos Piangers e texto de minha autoria.


Eu não sou fatalista. Também não vivo sofrendo, com medo de tudo! Igualmente, "não vivo tragédias nesta vida...Sempre agradeço pela oportunidade  de estar  vivendo este  momento, intensamente, até considerando,  otimistamente,  que neste grupo  que  contém considerável  número  de, e  que  alguns "podem sentir saudades ou lembrar que existo". Quem sabe!


Eu sei "das minhas saudades"... Daqueles que estão ausentes, distantes, dos  que  estão  por  perto, e mesmo nessa condição, "se esquecem de dizer um oi". Eu digo, como agora, no mínimo vários "ois"! Pois que, "vivo um momento eudaimonico"... E viver um "momento eudaimonico" compreende saber que eu estou bem disposto, mesmo por que estou imbuído de poderes divinos! (Mesmo reconhecendo que não os tenho).

A palavra principal para a vivência da felicidade no grego antigo é eudaimonia. Eudaimon é o adjetivo para “feliz”. À felicidade humana, portanto, é conferida uma força espiritual além do controle dos homens... Uma dádiva que depende unicamente dos humores dos deuses. No pensamento grego, um homem feliz (Eudaimon) era aquele favorecido por um bom daimon, o mesmo que ter sorte. Logo, a eudemonia requeria a boa sorte!

Eu "não preciso de dons e sequer procuro os bons humores dos deuses"... Tenho uma força espiritual que me abraça e uma vontade de viver que até cabe dentro de mim. Por tal, tão significativa energia, tal egrégora, sai de mim, dos meus limites e alcança planos superiores "e bate forte na porta dos diversos corações esquecidos".

Esta é a minha mágica, a minha força! Teimosamente, não esqueço de ninguém, mesmo que esquecido, e  vivo esta destinação "agradecendo sempre", até pela existência do silêncio daqueles que "distraidamente esquecem"... Esquecem-me... Esquecem-se!

        Roberto Costa Ferreira, 30Jun2018, 21h50, para WhatsApp