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segunda-feira, 24 de junho de 2019

A POTENCIA do SER – ATRAVÉS das TELAS de ISABELA – SEGUNDO ESPINOSA

Tela 1 - Isabela
Tela 2 - Isabela





















Quando vi o resultado da produção, em duas telas postas em tela de minha neta Isabela, pensei na significação do Ser e sua consequente "Potencia de Ser". Espinoza, Baruch de Espinoza, nascido Benedito Espinoza, foi um dos grandes racionalistas e filósofos do século XVII, dentro da chamada Filosofia Moderna, ao lado de Descartes e Leibniz que sobre isso discorreu. Mas, nesta oportunidade não pretendi ir tão longe...

Pense em algo, pense em qualquer coisa, ela é possível de existir? Digo, ela tem contradições internas que impedem sua existência? Não? Então ela existe? A resposta é: não necessariamente, isso apenas faz com que esta coisa tenha a possibilidade de existir… conhecer a essência de uma coisa, saber que ela é possível, não a torna necessária, mas, estas duas produções para mim são imprescindíveis, possíveis e reais!

Mas o que faz algo efetivamente existir? Ou ela é produzida por si própria ou por outra coisa. A potência de uma coisa existir está em si mesma ou vem de fora. No nosso caso, somos versões reduzidas desta potência de existir, somos causados por forças exteriores que nos engendraram e, ao mesmo tempo, temos em nós parte destas forças que nos permitem existir. O finito reflete o infinito, ou seja, somos parte de um ser absolutamente infinito que existe em si mesmo e se produz necessariamente, chamá-lo-emos Deus!

Deus é o mundo, Deus é a Natureza. São dois nomes para uma única e mesma coisa. É preciso conhecer a natureza, o máximo que pudermos, se quisermos conhecer Deus. Ele não é exterior, ele é a causa interior de tudo que existe. A causa da essência e da existência de tudo, a causa imanente, não transitiva, ou seja, agindo em nós. Deus não gera o mundo por livre vontade, ele é o mundo por pura necessidade de sua essência.

“Deus não produz porque quer, mas porque é”. É o conjunto de leis e a própria matéria que nos sustenta!”

A realidade, como um todo, é um devir de produção e criação. Esta existência é absoluta em todos os aspectos: infinita e eterna. O Deus de Espinoza é a potência infinita de expressão e atualização, não há nada fora dele, nada o limita, nada está para além de sua existência. Deus é causa sui, ou seja, ele é definido por sua potência de ser, existir e produzir. Isso significa que a unidade de Deus se manifesta através da multiplicidade: a expressão de Deus se dá na diferença!

Deus é a causa de todas as coisas que existem. Ele é a causa imanente, não transitória; ele não cria o mundo e vai embora, muito pelo contrário, o mundo é ele mesmo, ele se manifesta através do mundo. Cada essência, eu, você, todas as coisas, cada modo afirma-se em Deus, em maior ou menor grau. E ele se exprime absolutamente e infinitamente através dos atributos, dos quais só conhecemos dois: pensamento e extensão. Nós, seres limitados por natureza, exprimimos parte da potência infinita de Deus; esta potência em ato é chamada de Modo, segundo o referido Espinoza.

Assim, esse modo, como essa potência se manifesta? Através do poder de existir, de afetar e ser afetado. Como parte da potência infinita de Deus, eu tenho em mim forças que se esforçam para manterem-se na existência. É o conatus, uma força ativa que se esforça (tal como Deus), para produzir. Conatus é um conceito importantíssimo, além de muito elegante, porque com ele Espinoza pode estruturar, juntamente com sua noção de Deus, toda sua Ética. Este termo vem do latim e significa “esforço”, influenciando Schopenhauer e posteriormente o conceito de Vontade de Potência em Nietzsche, além de ter grande importância para Bergson e Deleuze, significativos filósofos.

Se a essência de Deus é a de ser a causa de si, então ele necessariamente existe e ao mesmo tempo é causa de tudo que existe. Nós não temos essa sorte, não somos causas de nós mesmos, somos parte de uma cadeia infinita de acontecimentos que nos trouxeram até aqui. E mais, esta potência que existe em ato, ativamente, tem características singulares de afetar e ser afetado. Existir é a tal capacidade, de afetar e ser afetado, é agir no mundo. Então, essência é um grau de potência, “conatus”, que se esforça para permanecer existindo; toda existência é, pela garantia das causas naturais, necessária, já que é expressão de um grau certo de potência divina. Essência é potência!

Somos corpos, limitados em extensão e duração, modos, como diria Espinoza, mas os modos estão em Deus. Isso significa que afirmar a minha potência é afirmar o que há de divino em mim. Tomar parte da potência é expressar o que há de Deus em você, ser causa ativa na criação do mundo. Toda expressão da potência é boa, sem exceção, por quê? Porque “a potência é a manifestação do Infinito no seio do finito”, ela é a força de composição do universo que gera bons encontros. A questão ética é então efetuar sua potência, da mesma maneira que Deus, ou, a natureza, o faz.

Fazemos isso através do corpo e todos os seus atributos. O corpo é um conjunto de relações que estão em uma determinada harmonia. Estas forças se conjugam de forma que mantém a sua proporção de velocidades e repousos entre as partes. O conatus - esforço - é a capacidade deste corpo manter a sua forma. O que pode um corpo? Ele pode o quanto ele tem potência. Um moralista define o corpo pelo que ele deve; mas, os imoralistas convictos definem o corpo pelo que ele pode. Não sou um escravo aqui com um lugar garantido no céu, isso é pura ilusão para aguentar o sofrimento. Eu sou o que eu posso, eu sou minha potência, que é a minha essência em ato. Eu sou tão perfeito quanto eu posso ser.

Mas então eu posso anular esta obra? Posso, eu provavelmente tenho potência para isso. Então eu posso esquecer e deixar de evidenciá-la? Posso também, se eu tiver potência para tanto. Mas isso será um bom encontro? (Esta é a diferença entre poder e potência). A questão ética do “efetuar a sua potência” gera muitas confusões! Efetuar sua potência é necessariamente agir para gerar bons encontros, ou seja, compor com o mundo. Expô-las aos quatro ventos!

Pense em um quarteto de cordas: eu tenho a capacidade de tocar violino, mas se estiver nervoso, eu posso tocar fora do tom e arruinar a música. Eu posso também tocar isolado de outros instrumentos, e neste caso nada aconteceria. Ou este ato de vibrar as cordas do meu violino pode se compor com a harmonia da música que está sendo tocada pelos meus companheiros. Neste caso, as cordas ressoam entre si, isto é o aumento de potência. Há "ressonância". Eu atuo no mundo. E esta ressonância é a capacidade de identificar um movimento, bastando o encontro de duas vibrações semelhantes, ainda que ricas em diferenças, para haver ressonância!

Eu ponho a música que eu amo, aqui, todo meu corpo, e minha alma – isto vai por si – compõe suas relações com as relações sonoras. É isto que significa a música que eu amo, a obra que eu admiro: “minha potência é aumentada”. E quando a música ressoa em mim, eu começo a bater o pé no ritmo, isso me alegra, a música por sua vez também se alegra, contagia (ela efetuou um bom encontro). Quando eu coloco um fone de ouvido e danço no ritmo, a música se alegra tanto quanto eu. Tudo isso se dá para além da consciência. Eu chego em casa e digo para um familiar, “tal música é muito boa“, ainda estou efetuando bons encontros. Quando faço uma poesia para a mulher amada, quero que a as relações de velocidade e lentidão presentes na poesia afetem de modo a aumentar a potência da mulher que amo. E assim por diante…

Então o agir é agir pela potência, agir é sempre ir em direção da liberdade. Potência e Ética estão muito próximas, assim como Moral e Poder. A afirmação do ser é uma abertura para o infinito, ele multiplica as relações, aumenta nossa capacidade de afetar e ser afetado. Nós somos uma composição de partes em relação. Estas partes mantêm uma proporção e uma singularidade próprias. É como se tivéssemos uma vibração própria, "um timbre", podemos pensar no corpo como uma caixa de ressonância; certas forças me atravessam e ressoam em mim, quando isso acontece, geram um bom encontro, minha potência de agir aumenta; no entanto, outras forças me atravessam e diminuem minha potência, então minha potência diminui.

Já o Timbre, onde alguns filósofos preferem identificar como essência, esse nome mais sonoro é singular, é distintivo, particular, não deixando de ser composição, ressonância e multiplicidade. E tal e tão variados são os timbres quanto são os corpos, as telas produzidas por Isabela, em relação. O corpo é nosso instrumento ético. A potência do meu ser se expressa através destas relações de proporção entre velocidade e repouso, preparo e pintura. Tal como a música, tal como a dança, a potência do ser é sua capacidade de gerar bons encontros e suportar maus encontros sem perder suas proporções. Somos corpos que vibram ao som das cerdas dos pinceis, da música divina... Que grande festa é uma orquestra. Quão maravilhosas tais obras!

Disse Zaratustra certa vez:

“para vos revelar inteiramente meu coração, meus amigos: caso houvesse deuses, como suportaria eu não ser deus? Portanto, não há deuses”. (Nietzsche, Assim Falou Zaratustra).

Temos assim, uma resposta lindíssima que podemos reinterpretar aos olhos de Espinoza: “Vós sois deuses“!

Roberto Costa Ferreira, 20 de Junho de 2019.

"Quero fazer da vida o ofício de esculpir a mim mesmo, traçando um mapa de afetos possíveis"!

Isabela, a minha neta.


sábado, 15 de junho de 2019

Clóvis Rossi - Enviado especial: 25 anos ao redor do mundo – O Livro - Um amigo




Enviado especial: 25 anos ao redor do mundo – O Livro
Por Clóvis Rossi
Este livro apresenta uma coletânea de artigos escritos por Clóvis Rossi nos anos em que foi correspondente internacional. São exemplos de um jornalismo feito com sensibilidade, ética e verdade. Recomendável para jornalistas e estudantes de Jornalismo. Mas é também indicado para quem queira conhecer acontecimentos de ontem que ainda são fatos do mundo conturbado de hoje.

Apresenta um conjunto das reportagens deste meu amigo, muito reservado e "das antigas", realizado em missões ao Chile, Argentina, Portugal, Espanha, Cuba, América Central, África, Uruguai e Israel, além de matérias sobre economia, emprego, personalidades e esporte.

Ele, somando no dia de hoje 76 anos, seis além do meu tempo, se foi depois de uma quinta-feira 13, tendo nascido nesta minha cidade de São Paulo e no dia de seu aniversário -  25 de Janeiro - e que, coincidentemente,  reunimos um mesmo tipo de padrão para o uso da barba/bigode. Porém, um micro infarto na sexta (7) deste mês o acometeu, tendo suportado uma angioplastia, recebeu um stent e, na terça (11) de outra angioplastia, com mais quatro stents. Um raçudo!

Um "puro-sangue", cavaleiro da arte real, que tinha a garra de um foca e sabedoria de um veterano, um gigante que apreciaria o trocadilho pueril com seu 1,98 m de altura. Muito digno também cavaleiro da Ordem do Rio Branco, conferida pelo governo brasileiro por decreto. E também cavaleiro da Ordem do Mérito, atribuída pelo governo francês, durante a presidência de François Hollande. 

Descendente de italianos, Rossi nasceu e habitamos determinado tempo de nossas vidas, coincidentemente, no bairro do Bixiga e seu pai Olavo era vendedor de máquinas, se é que me lembro, enquanto por parte de mãe, as nossas tinham o mesmo nome: OLGA! Já o conhecia por lá e, em outra curva do destino nos encontramos no Jornal Folha de São Paulo. Ocasionalmente nos falávamos, algumas na madrugada. De sua esposa Catarina Clotilde, hoje viúva, em breve encontro na oportunidade que coordenava Políticas Públicas para Mulheres na Secretaria de Direitos Humanos na Prefeitura de São Paulo, isto em 2017, quando indagada, disse-me que, "apesar de sempre disposto e muito alegre, estava um pouco mais triste com as coisas de nossa terra"!

É muito estranho ouvir dizer, de um homem alegre e tão grande, que “alguma coisa pequena entupiu o seu grande coração, como a um pequeno infarto”! E que, ao longo de décadas como repórter e, até o fim da vida, sempre que tinha oportunidade lembrava às novas gerações de jornalistas que "de nada adiantam os esforços de tornar uma informação mais atraente, ou vendável"... E aqui as ("") aspas se prestam adequadamente: "... se alguém não tiver ido atrás de uma fonte, feito uma entrevista, escrito um texto". Repito: "escrito um texto"!

Um amigo reservado, distante, porém presente, discreto e "igualmente noturno", que não tinha vaidades, não tinha luxos, sequer frescura, avesso a esnobismo era generoso, um humilde, como muitos entendem, por disposição fundamental da condição espiritual... Um confidente acerca do hoje, apoiado nas experiências e práticas do ontem, de olhos vivos para o amanhã. Um "formador, pedagogista, resiliente", e que, de modo contrário de colegas cuja arrogância engorda com os aplausos recebidos, Clóvis nunca se impressionou com a reverência alheia. Era solícito e interessado por todos, dos velhos amigos, dos novos e recém chegados, dos repórteres iniciantes, a quem dedicava elogios, aos diretores de Redação, aos quais nunca se furtou até de contestar. 

Ter entre seus muitos prêmios um "Maria Moors Cabot", um dos mais prestigiosos do nosso meio, atribuído pela Universidade Columbia (EUA), era para ele motivo de orgulho, nunca de vaidade, jamais uma citação para aumentar a cotação de suas opiniões — as quais colocava sempre no mesmo patamar daquelas de seu interlocutor. Meu reservado e muito sereno ídolo da atualidade, momento que tenho certeza que sua inteligência e sua doçura nos farão muita falta. Sua coluna de Inter na Folha fará falta. Fico com um tempo de memória onde eu, ainda jovem, ao tempo que apreciava "o jogo da cestinha", muito admirei e o entendia um ótimo jogador de basquete. Pena que era Palmeiras! Mas, um jornalista que assim pensava:

“O dever fundamental do jornalista não é para com seu empregador, mas para com a sociedade. É para ela, e não para o patrão, que o jornalista escreve.”

E ainda, sobre os “poderosos”:

Primeiro: em geral, são prepotentes. Dois: são desinformados sobre a realidade que os cerca. Três: são desinteressados das pessoas que realmente dependem deles, que geralmente são as camadas mais humildes da população. Quatro: são adeptos da bajulação mais rasteira” (em referência a uma entrevista à TV Cultura).

Partiu em paz, viajou além dos braços, deitado no peito de seu amor!

Até breve, meu inesquecível e silencioso amigo.


Roberto Costa Ferreira, 14 de Junho de 2019.







domingo, 2 de junho de 2019

Uma receita: Como Sexagenar em Mundos Múltiplos


Seleto grupo de 14 ilustres santamarenses. À direita Isabel Conceição, a esquerda Rosana Manfredini, 
ao centro, em pé, Guilherme Bonfim e sentada, a aniversariante Andréa. 


Nestas fotos, os presentes a caráter, sempre solícitos para uma foto bem posada com a aniversariante. Tantos sorriem. Outros... É como o sorriso do Visconde de Sabugosaaquele sorriso geológico – que, olhando para o barranco, componente da terra-chão, encontrava e compreendia toda a dimensão constituidora da Terra que habitava e nela, enxergava o possível leite - petróleo – possível de se extrair.

O Visconde levava consigo a turma, que como os mais distantes, a principio pouco entendiam, achando até que “pairava no ar uma ironia quase cáustica”. Só após a devida elucidação, residia a compreensão!

Assim, no simples olhar para a foto pode até residir a “ironia da situação...” Uma simples curiosidade: a que se deve? Andréa sexagenou! Isso mesmo... Donde se conclui que a comemoração de tal periodicidade anual, o aniversário de Andrea, proporcionou que atingisse e vive a idade entre sessenta e sessenta e nove anos. Interessantíssimo!

De acordo com a tradição chinesa, o ciclo sexagenário começa no ano do nascimento e termina durante a vivência dos 60 anos, e aí se "inicia tudo de novo". Ou seja: Cogita-se a "Renovação". Portanto, é o ato ou efeito de renovar; renovamento. A reforma, o melhoramento, o restabelecimento melhorado de muitas coisas.  O crescimento... É o rebentar ou desabrochar de novo... É o Rejuvenescer!

Momento que ela, Andréa, se sabe na posse de um poder de iniciar tudo de novo, quando bem lhe parecer; não há passado que a comprometa, e assim como... Estou querendo entender o que as pessoas fazem com o que fazem delas! Ou seja: Por onde anda o árbitro... E as relações com o seu entorno!

Muitos físicos acham que o nosso mundo é tão onírico quanto o subatômico. Para eles, quando algum pesquisador tenta olhar as infinitas partículas-fantasma da nuvem quântica e só consegue ver uma, não é que as outras evaporaram: é que o cientista se dividiu em cópias infinitas, espalhadas por universos paralelos.

Exatamente. É o que diz “a teoria dos Mundos Múltiplos”, moldada pelo físico norte-americano Hugh Everett em 1957. Ela diz que, se a partícula solitária que surgiu daquela nuvem de clones pode aparecer aqui, lá ou acolá, você também pode. Uma versão de você em um universo vai encontrar a partícula aqui. Outra, em um segundo universo, encontra ela lá. Uma terceira, acolá. Sem limite nenhum.

A ideia é que “a gente vive numa infinidade de universos”, cada um com a sua realidade particular. E o conjunto desses cosmos pode ser chamado de “Multiverso”: um lugar onde tudo o que pode acontecer vai acontecer. Tudo mesmo! E tal se sucedeu, entre fatias de bolo de fubá e mandioca, cafezinhos e cocadinhas, também outros que tais, com todos os presentes, como nestas oportunidades fotografadas...

E quão bom que esta nuvem benfazeja pairou nestes ares e em razão desta oportunidade. Então usufruímos, como se possível fosse um clone, tendo o privilégio de conviver com o original, o melhor de você, Antonia de Sousa Andréa!

Roberto Costa Ferreira, 29 de Maio de 2019.





sábado, 25 de maio de 2019

O PRESENTE - Isabela, 8 anos!


Isabela tem um segredo... Não se entregou na oportunidade, a preocupações com o que ainda está por acontecer e, sim, “dar atenção ao que acontece no precioso momento”!


Observemos que, mesmo numa aparente ansiedade, certamente respirou fundo quando soube da notícia do disponível presente. E mais, não agiu automaticamente, saindo tresloucada rumo à portaria. Pediu à mãe que a acompanhasse. Eis a grande ferramenta para promover controlar sua possível ansiedade, mesmo que não consciente.

É muito certo que ainda não conhece do dito do filosofo dinamarquês Kierkegaard:
Quem só espera o melhor, envelhece por causa das decepções”. E ainda:
 Quem só espera sempre o pior, envelhece depressa por conta do sofrimento”.

Como também é muito certo que diante desta contemporaneidade, vivemos a geração “do miojo” e, se não nos atentarmos proporcionamos transferir, promovendo o mesmo olhar para os nossos, às nossas ideias, sonhos e projetos.

Queremos que se realizem de forma instantânea e sem necessidade dos devidos ajustes ou mesmo do trabalho duro, fonte para as grandes e significativas realizações. Porém, tal processo é inerente ao aprendizado e ao caminhar, fazendo parte do processo da conquista da maturidade e consequente preparação e vivência do sonho.

Manter a expectativa: “é importante para a realização dos objetivos, sendo necessário vivenciar cada etapa do processo antes do resultado e, independente da realidade presente, o que importa é a perspectiva que mantemos”.

A bem da verdade, a questão não é a expectativa, mas, é de se considerar a realidade presente, cada vez mais abrangente. E o que importou para Isabela, naquele momento, contrapondo-se a Alberto Caeiro - Heterônimo de Fernando Pessoa, in “Poemas Inconjuntos, Eu não Quero o Presente, Quero a Realidade” – no ato, foi o presente!

Roberto Costa Ferreira, 24 de Maio de 2019,
 – Aniversário de Isabela, minha neta!


Isabela Zanzini - 8 anos, minha neta.


domingo, 12 de maio de 2019

LEMBRANÇA - LUCAS, o neto!

Lucas C. Ferreira Zanzini

LUCAS, meu neto...
Como pudera viver sem um cara assim, ai de mim!
Por vezes me vem saudade... Então te procuro,
Para estreita-lo num longo abraço.
Assim, a saudade mato!

Destinei um livro para leitura, a seu pedido. Esqueci-me que entre folhas havia um rascunho.
Por mim realizado, de 2015 datado. Decorreram-se quatro anos. Momentos quantos!
Esse é o tema do rascunho que ora te destino, e bem por tal, como um presente.
Até pelo teu desempenho poético e refinada veia, muito competente!

LEMBRANÇA... Recordação esta que a memória conserva de uma impressão precedente. Sem desapontamentos, aquele desgosto por fato inesperado, apenas tranquilo, aliviado. Como que desaperrado. É como que reunir apontamentos para ajudar a memória, sem estar logrado. Dos tais, tipo desapoderamento, onde a época priva-nos o sentido, fico sensivo.

Caindo sob a ação da sensibilidade, com a disposição das coisas a serem influenciadas, por tantas e tantas, mais leves ações físicas. Como uma planta mimosácea, cujas folhas se retraem quando se lhes tocam, toques manifestos, excitações sediciosas.

Estou como a marga, aquela terra calcária que se emprega na olaria, disponível para um vaso.  Quem sabe receba flores! Ou com os olhos da poetisa pra ele: Nunca vi, nem sei se existe... Uma deidade! Tão belo, que tenha nos olhos brilhantes como são os olhos d’ele! Seus olhos que brilham tanto, que prendem tão doce encanto, que prendem um casto amor, onde, com rara beleza se esmerou a natureza caprichosamente, com meiguice e com primor!

Roberto Costa Ferreira, 12 de Maio de 2019 – Dia das Mães!



N'algum momento, sempre haverá um sorriso!


Roberto Costa Ferreira, 12 de Maio de 2019 – Dia das Mães!

domingo, 28 de abril de 2019

IMBECIL - L'imbecille - PIRANDELLO

O ator Carlos Meceni, interprete de Leopoldo Paroni - dono do Jornal Vigilia Republicana. 

Thamy Dorazio é Rosa, repórter, Geraldo Ferreira é representante da Fábrica de papéis Sangone,
Renam Felix, o jovem tipógrafo e Fábio Godinho é o Editor Chefe, pretenso dono da Vigilia Republicana.

L'imbecille, O LIVRO, tem a data da primeira publicação fixada em 10 de outubro de 1922. Autor: Luigi Pirandello (Agrigento, 28 de junho 1867 — Roma, 10 de dezembro 1936), que foi um dramaturgo, poeta e romancista siciliano, que pela sua posição de grande autor moderno da dramaturgia mundial passeou e dança pelos nossos palcos.

A família de Pirandello, inicialmente, gostaria de encaminhá-lo para os estudos técnicos, devido ao trabalho de seu pai que comerciava com enxofre, mas, desde sua opção pelos estudos clássicos, a veia humanista de Pirandello preponderou, levando-o a estudar em Roma e, posteriormente, na Alemanha, quando teve oportunidade de conhecer os estudos desenvolvidos por Freud. Um grande renovador do teatro, com profundo sentido de humor e grande originalidade:
      ·  Que se configura como um ardente defensor do teatro direto não só em razão do sentimento, assim como também à inteligência, com vistas à intenção do desenvolvimento e com pano de fundo estratégico da viagem humana através de sua obra, exercendo-se pela conexão entre teatro e filosofia;
       ·  Que ilustra, de maneira enfática, a dramática situação do homem que não consegue ajustar-se às oprimentes normas impostas pela sociedade. A desilusão vivenciada pelos personagens criados por Pirandello é passível de ser reconhecida nos atos e comportamentos excêntricos e bizarros que caracterizam suas trajetórias nessa sociedade finissecular;
        ·  Que mostra, em seus textos, a grave crise de identidade que caracteriza a sociedade italiana do final do século XIX, diante de seu complicado processo de unificação linguística e política.

O escritor, que nasceu na Sicília, não poderia desconsiderar essa conturbada fase da cultura italiana que aportará um expressivo número de modificações no repertório artístico da pátria de Dante. Ele recebeu o Prêmio Nobel de Literatura de 1934 por "seu poder quase mágico de transformar a análise psicológica em um bom teatro" e doou sua medalha do Prêmio Nobel.

O Imbecil é uma comédia em um ato, em adaptação de Carlos Meceni para o texto da novela de Luigi Pirandello – L’imbecille – com duração de quase 50 minutos, em gênero Drama, merecendo o Prêmio Zé Renato de Teatro.

Magnífica noite, cujo espetáculo até nos faz rir! Exatamente no momento onde as redes sociais influenciam fortemente o indivíduo, é oportuno destacar o significativo trabalho da Cia Theatro São Paulo que, partindo da adaptação da novela, proporcionou demonstrar a discussão da atitude do indivíduo dentro de seu grupo social que, em síntese:

“Na redação de um jornal de grande circulação, um encontro inesperado entre dois rivais, que dessa rivalidade nascida de um xingamento público, reúnem motivos banais que os levam a comportamentos cretinos e típicos da sociedade onde são amados e admirados”.

Só pipocas depois!

A comédia original foi apresentada pela primeira vez no Teatro Quirino, em Roma, em 10 de outubro de 1922, acontecendo em Costanova, no apartamento de Leopoldo Paroni, "líder" do Partido Republicano e diretor do jornal "Voz do Povo". Deitado em um sofá, Luca Fazio, visivelmente doente, permanece imóvel na escuridão. Da redação vêm as vociferações de Paroni e os editores da "Voz do Povo". Então vem um vendedor...

Retrato cínico de uma imprensa política sem consciência, o jornal provincial "Vedetta Repubblicana" é um pequeno jornal político cuja equipe editorial está na mesma casa que seu diretor Leopoldo Paroni. As horas antes de sair das bancas são frenéticas: os editores trazem informações animadas sobre uma batalha de rua entre partidários de partidos políticos opostos.

Entre as outras novidades, chega à equipe editorial quem relata que o amigo comum, Lulù Pulino, gravemente doente, tirou a própria vida se enforcando. O diretor comenta cinicamente sobre o incidente:

“PARONI: Ele teve que fazer melhor! Nós estávamos dizendo isso um para o outro. Já que ele teve que se matar para fazer o bem a si mesmo, ele poderia fazer o bem aos outros primeiro, ao seu país, indo matar o inimigo de todos, Guido Mazzarini, em Roma! Não lhe custaria nada, nem mesmo a jornada; eu teria pago a ele, palavra de honra! Então ele morreu como um tolo!"

Suas obras mais famosas são:
      ·  Seis personagens à procura de um autor;
      ·  Assim é, se lhe parece;
      ·  Cada um a seu modo, e mais...
Romances:
      ·  O falecido Matias Pascal;
      ·  Um, Nenhum e Cem Mil;
      ·  Esta Noite Improvisa-se, etc.
Sua primeira peça de teatro foi:
      ·   O Torniquete, escrita entre 1899 e 1900 e encenada pela primeira vez em 1910.

Roberto Costa Ferreira, 27 de Abril de 209,
em noite de Teatro  – Teatro Leopoldo Fróes, Santo Amaro/SP.



Roberto Costa Ferreira, na oportunidade, ladeado por Geraldo Ferreira e Josué Torres,
que interpretou Lucca Fazio, um médico moribundo. Brilhantes atores! 

sábado, 30 de março de 2019

CRUZEIRO... ANIVERSÁRIO de Andressa Ferreira


Andressa Ferreira

Andressa é muito certo que por onde andares o Sol brilhará... Assim como a Areia refina-se, movimentando-se jovialmente, acomodando docemente para receber os pés que nela se depositaram... Os seus pés!

O Mar... Ah! O Mar que ora frequentas com seu Olhar ávido de esperanças e curiosidades, que balança freneticamente até espumar, que loucamente avança até à Praia e retorna pleno de alegrias alcançando a Embarcação que te recebeu e a acomoda, e também balança de alegria, vindo beijá-la sob os teus pés em altas ondas de euforia pela beldade que o faz chorar, quando estás ausente...

Que muito já chorou de alegria, discretamente, pois que suas Lágrimas se misturaram nas suas Águas, só para aquecê-las... E a todos que se envolvem, que te envolvem nesta e em tantas outras oportunidades... Pudera! Com tanta beleza presente, azar dos ausentes! Eu me contento por ora, graças ao poder do pensar e de muito te amar, pois que, embora ausente, sei que vives suas merecidas alegrias!

Que o Ar que respiras, a Areia que pisarás, o Mar que te compensa, o Sol reluzente que te beija, compreenderão que, assim como eu, nós e o Terreno que habitamos, todos, todos te aguardam em breve retorno para de abraçar.

         Feliz Aniversário minha doce menina, amada filha. Parabéns!



Roberto Costa Ferreira, 16 Marco de 2019, sábado.



quarta-feira, 6 de março de 2019

TRANSCENDER! O SURF de Isabela


Quando uma herança transcende aos limites do Eu, do Filho e da Neta ... E nesta filmagem nos situamos no mesmo espaço, concluímos que:
“O impossível só existe para quem acredita na impossibilidade.”

Transcender é ir além do que você acredita ser, identificando seus limites, tendo a consciência de que a vida é muito mais do que um dia após o outro. E este é um momento mágico!

Reside sempre uma missão a cumprir, um grande passo a mais a dar na sua evolução pessoal. É o momento de ir mais e ter a coragem de se desafiar, de ousar. Minha neta justificou tal proposta.

E nesta oportunidade de treinamento, mesmo inconscientemente, conscientizou-se, registrando em sua memoria proativa de como nos limitamos, nos boicotamos e não nos permitimos viver de uma forma mais intensa e feliz.
Então viveu intensamente seu tempo, brincou com as oportunidades da vida, feliz e satisfeita. E, para que isso fosse possivel, foi necessário submeter-se às orientações, transcendendo os seus limites, magnificamente!

Ainda, neste breve treinamento, sob espectativas alvissareira, fortaleceu o seu “eu”. Acreditou muito em si mesma, alinhando-se com suas tarefas ora propostas e com seus objetivos.

Certamente que realizou-se e conscientizou-se do motivo de estar neste momento e pertencer a esta vida, mesmo que não ainda consciente. Fortaleceu-se! Transcendeu a sua própria circunstâncias em que foi cuidada, recebida, tratada, apreciada, entendida, corretamente estimulada, apoiada, ouvida, AMADA! Transcendeu o fato de que ainda não fez da sua vida aquilo que já sabe e que deve fazer, face ao momento.

Transcendeu o fato de que há tempos, inconscientemente, não sente o coração PULANDO, AS PUPILAS DILATADAS, UM FRIO NA BARRIGA OU ESPINHA, porque nunca havia entrado em contato com algo tão grandioso, tão significativo naquela oportunidade, quanto a descoberta da sua Missão...

Foi a surfista e agora, nesta memória, mostra ao mundo...
- Que é mais brilhante e capaz do que sua vida hoje demonstra ou seus resultados explicam;
- Que tem mais amor pra dar do que seus relacionamentos hoje permitem;
- Que tem mais valor do que os outros percebem ou reconhecem;
- Que tem uma missão grandiosa e nasceu para muito mais do que apenas sobreviver... Esse foi e é o seu chamado!

Isabela, nesta vivência, demonstrou possuir uma espécie de força interior que procura orientá-la para a sua missão... Aquilo que deve realizar durante a sua existência!
E não ocultou essa força, pois que:

"A miséria que, possivelmente vier a oprimi-la, não decorrerá de sua profissão que vier abraçar, ou da especialidade que exercitar, mas dela mesma". Ainda,

"Quem quer que nasça com um talento, ou para um talento, certamente o considerará o mais agradável das ocupações! Tudo na terra tem seu lado difícil. Só algum impulso interior - o prazer, o amor - pode nos ajudar a superar obstáculos, a desbravar o caminho e a nos erguer acima do círculo estreito em que outros arrastam suas existências angustiadas e miseráveis!" - Johann Walfgang Von Goeth.

Essa minha neta, como (as) (os) outros e filhos presentes, mesmo ausentes, são adoráveis, são amados!

Roberto Costa Ferreira, 3a. de Carnaval no Guarujá/SP, Isabela, Diego Agustin Ferreira e eu.