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quinta-feira, 1 de setembro de 2022

Do Descobrimento, O LIVRO: “Esmeraldo de Situ Orbis” … Ou, "O tratado dos novos lugares da Terra, por Manuel e Duarte".


O livro do autor acima referido que, entre 1505 e 1508 - Duarte Pacheco - escreveu o livro “Esmeraldo de Situ Orbis”, momento onde ele conta sobre a sua visita ao litoral norte do nosso país. O livro possui descrições que deixam muito claro que o litoral do Nordeste e do norte do Brasil já era um território razoavelmente conhecido pelos portugueses, pelo menos dois anos antes da chegada de Cabral.


De acordo com a recente pesquisa do historiador português Jorge Couto, da Universidade de Lisboa, a obra esteve perdida durante quase quatro séculos, devido à natureza confidencial das suas informações. O seu título encontra-se cifrado:

  • "Esmeraldo" seria, segundo Couto, na senda de Luciano António Pereira da Silva, um anagrama onde se encontram associadas as iniciais, em latim, dos nomes de Manuel (Emmanuel), o soberano, e Duarte (Eduardus), o cosmógrafo.
  • "De situ orbis" poderia ser traduzido como "Dos sítios da Terra", título da obra de Pompônio Mela, o mais científico dos geógrafos romanos, que terá inspirado Duarte Pacheco Pereira.

O título "Esmeraldo De situ orbis", significaria, dessa forma, "O tratado dos novos lugares da Terra, por Manuel e Duarte".

Existem, todavia, outras hipóteses de decifração do título. O historiador Joaquim Barradas de Carvalho, seguindo as pisadas de Lindolfo Gomes, avançou em 1963 uma solução para a palavra Esmeraldo, que, segundo ele, não poderia ser um anagrama, antes significaria Pacheco (o nome do autor), já que na Pérsia e na Índia a pedra preciosa esmeralda se dizia pachec, como Duarte Pacheco sabia. Esmeraldo De Situ Orbis seria, assim, o "De Situ Orbisde Pacheco, [...] destinado a substituir o De Situ Orbis da antiguidade, o de Pompónio Mela".


D. Manuel I terá considerado tão valiosas as informações náuticas, geográficas e econômicas reunidas na obra que jamais permitiu que ela viesse a público. A obra consistiria num minucioso relato de viagens não só às Américas como à costa de África, principal fonte da riqueza comercial de Portugal no século XV.

Em relação ao Brasil, apresenta informações no segundo capítulo da primeira parte. Resumidamente, o trecho relata:


"Como no terceiro ano de vosso reinado do ano de Nosso Senhor de mil quatrocentos e noventa e oito, donde nos vossa Alteza mandou descobrir a parte ocidental, passando além a grandeza do mar Oceano, onde é achada e navegada uma tam grande terra firme, com muitas e grandes ilhas adjacentes a ela e é grandemente povoada. Tanto se dilata sua grandeza e corre com muita longura, que de uma arte nem da outra não foi visto nem sabido o fim e cabo dela. É achado nela muito e fino brasil com outras muitas cousas de que os navios nestes Reinos vem grandemente povoados."


É, assim, um dos primeiros manuscritos portugueses a mencionar a costa brasileira e a abundância de pau-brasil (Caesalpinia echinata) nela existente. A hipotética viagem está embasada exclusivamente no relato do explorador em seu livro. O texto, contudo, é ambíguo: Pacheco Pereira diz textualmente que o rei de Portugal "mandou descobrir a parte ocidental", o que sugere que ele falava não de suas explorações, mas de tudo que já fora explorado por vários navegadores e era conhecido em 1505. Esta visão é reforçada pelas latitudes e longitudes informadas, que vão da Groenlândia ao atual Sul do Brasil.


Além disso, a possibilidade da existência de uma política de sigilo dos monarcas portugueses, escrita na primeira metade do século XX pelo historiador Damião Peres, não se sustenta, uma vez que era prática comum, na ausência de um tratado, reclamar a soberania de uma terra publicitando a sua descoberta. No Atlântico Sul, entre as ilhas oceânicas, apresenta, com suas "ladezas" (latitudes) conhecidas à época:

Ainda no Atlântico Sul, omite, nessa lista, a ilha de Santa Helena e a atual Ilha de Ascensão.


Por oportuno, em referência ao manuscrito já referido, dito secreto, o manuscrito era, de fato, tão precioso, que, em 1573, uma cópia foi remetida secretamente para Filipe II da Espanhapor um espião italiano, Giovanni Gesio, a serviço na embaixada espanhola em Lisboa. Pela missão, Gesio foi regiamente recompensado, encontrando-se o recibo do pagamento pelos seus serviços atualmente na biblioteca do Mosteiro do Escorial, na Espanha.

O manuscrito só veio a ser publicado em 1892, a partir da localização de duas cópias: a primeira numa biblioteca de Lisboa e a outra na cidade portuguesa de Évora.


De acordo com um dos mais importantes biógrafos de Duarte Pacheco Pereira, o historiador português Joaquim Barradas de Carvalho, que viveu exilado no Brasil na década de 1960, o "Esmeraldo de situ orbis", mais do que um roteiro de viagem, digo:

“é uma obra de erudição e uma síntese de todos os conhecimentos de navegação acumulados pelos portugueses nos séculos XIV e XV”.


Roberto Costa Ferreira,  Agosto de 2022

Professor  -  Psicanalista  -  Pesquisador

Unifesp-Universidade Federal São Paulo

domingo, 28 de agosto de 2022

CARÁTER … Fisionomia moral do homem!

 

Lucas Zanzini

Caráter...

Caráter é um conjunto de características e traços relativos à maneira de agir e de reagir de um indivíduo ou de um grupo. É um feitio moral. É a firmeza e coerência de atitudes. O conjunto das qualidades e defeitos de uma pessoa é que vão determinar a sua conduta e a sua moralidade, o seu caráter.


caráter de um homem, um indivíduo, é formado pelas pessoas que escolheu para conviver. Se quiser por à prova o caráter de um homem, dê-lhe poder. O caráter é a fisionomia moral do homem. Chamo caráter de um homem à sua maneira habitual de ir à caça da felicidade.

Lucas é assim: Um caçador de felicidade!

Un chasseur de bonheur... Dreamcatcher!


Decerto já ouviu falar em “dream catcher”, filtro de sonhos, caçador de sonhos, espanta pesadelos, … São tudo expressões que designam um símbolo dos costumes e da cultura de uma pessoa, de um povo.


Os primeiros “dream catcher” surgiram na tribo dos Ojibwa, que habitavam a região dos grandes lagos da América do Norte. Para eles, era fundamental saber decifrar os sonhos, pois acreditavam que lhes facultavam importantes mensagens sobre a vida, a natureza e o universo.


Segundo esse povo, enquanto se dormia, o ar enchia-se de sonhos e energias (boas e más), desempenhando o dream catcher um meio de proteção e purificação dos sonhos, filtrando e separando as energias e os sonhos negativos. Além disso, o filtro dos sonhos trazia sabedoria e sorte a quem o possuía.

 

Segundo a tradição, o dream catcher, era feito com ramos flexíveis de salgueiro formando um círculo, revestido com tiras de couro, constituindo uma espécie de teia de aranha com uma abertura circular no centro. Este círculo constituía uma mandala, representando a totalidade e o ciclo da vida.


Os fios da teia, presos ao círculo, podiam ser tecidos em 7 pontos (7 profecias) 8 pontos (8 direções sagradas), 13 pontos (13 luas), variando de acordo com cada tradição e intenção. O círculo era depois adornado com uma pena (preferencialmente de coruja, por significar “sabedoria”), assim como com outras penas, contas, cristais e adereços. As penas simbolizavam a respiração e o ar, elemento essencial para a vida.

 

O “dream catcher” devia ser pendurado sobre a cama das crianças e dos adultos, num lugar que recebesse luz solar. Os sonhos bons saberiam exactamente aonde ir, conseguindo passar pelo buraco central da teia, enquanto os sonhos ruins ficariam perdidos, acabarim presos nos fios e desaparecendo com os primeiros raios solares.


Lucas tem este caráter... Bom de conversa, que sempre francas e coerentes, toda boa abordagem tem endereço certo. O indevido, quando cogitado, esvanece, desbota, prevalece o “fading” em cujo procedimento, dado um comportamento que ocorre a situação partindo da mudança gradual do estímulo, da primeira para a segunda ocasião.


“Many of these problems may simply fade into irrelevance when the new rules come into force”.


Assim, permito-me o expressar, sendo certo que a justa compreensão o alcança! E prudência e direito são pressupostos para a Compreensão Prudencial do Direito.


A consideração do direito como algo que, de algum modo, depende da virtude, da prudência, pressupõe, necessariamente, a sua vinculação ao conceito de justiça. Em outras palavras, é pela mediação da justiça que o direito reporta-se à prudência como o caminho mediante o qual opera-se o seu achamento.


A visão clássica do fenômeno jurídico nos permite compreender como se processa este trânsito da prudência ao direito: o direito é uma coisa (res), a própria coisa justa (ipsa res justa), vale dizer, não há direito e o direito não se compreende senão no âmbito da justiça, razão pela qual, a rigor, representa uma contradição a idéia de um direito injusto.


Ora, uma vez que, identicamente, não há justiça sem prudência, tem-se que não pode haver direito, ou melhor, não pode haver descoberta ou achamento do direito que dispense a referência ao agir prudencial.


Este é o meu Lucas, um parceiro, “o parça” que já já nos seus dezesseis anos de vida me permite assim entendê-lo e ele, que bem se compreende, segue iluminado e iluminando, nos delicados e resistentes fios da teia dessa vida!

 

Roberto Costa Ferreira,

Guarujá, 11Out2020-SP.

PSICOLOGIA ... Uma questão psicanalitica, entre outras!


A Psicologia busca a compreensão acerca de como o ser humano cria a sua história, e o papel do psicólogo é utilizar essa ciência para conduzir uma pessoa à autodescoberta, à compreensão sobre as suas dificuldades e a forma com que se relaciona com o seu “mundo interior” e exterior. 

Wilhelm Wundt (1832-1920) médico, filósofo e psicólogo alemão   é geralmente celebrado nos manuais de história da psicologia como o fundador da psicologia científica. A fundação do Laboratório de Psicologia Experimental da Universidade de Leipzig, em 1879, é geralmente celebrada na literatura como o marco inicial da psicologia científica. No entanto, essa celebração raramente vem acompanhada de um maior esclarecimento acerca do significado daquela realização institucional para o desenvolvimento histórico da psicologia. 

Assim, enfatizo a influência de Wilhelm Wundt na formação e no treinamento de toda uma nova geração internacional de psicólogos. É possível compreender, então, que a importância do Laboratório não reside exatamente no fato de ele ter sido o primeiro em seu gênero, mas sim no fato de ele ter se tornado o primeiro centro internacional de formação de psicólogos, embora, às necessárias considerações, a psicologia do século XX não foi "wundtiana em suas feições gerais" simplesmente porque o projeto psicológico de Wundt não foi levado adiante e tomado como base para futuras investigações, mas sim mutilado e adaptado a interesses específicos bem diversos de cada um dos seus estudantes. Ele não deixou discípulos e nem chegou a fundar uma escola de psicologia propriamente dita. 

Em outras palavras, o sistema de Wundt como um todo não foi nem discutido nem refutado pelos psicólogos do século XX, mas simplesmente abandonado e esquecido. De outro modo lembro que a psicologia é uma ciência que teve grandes avanços para fornecer compreensão das relações humanas baseadas em metodologias que abrangem campos como clínicos, sociais, trabalhistas e educacionais, propondo em cada área soluções baseadas no desenvolvimento e bem-estar do ser humano. As diferentes situações que podem afetar emocional de uma pessoa, seja por traumas, problemas cotidianos, ou a vontade de melhorar a vida, faz com que o psicólogo seja importante na vida das pessoas que o buscam. 

Para muitos é difícil confiar a alguém seus sentimentos e questões particulares. Os psicólogos são profissionais "com uma escuta qualificada,  construída por anos de estudo, preparados para analisar e apresentar alternativas".  Aqui, neste hiato, demais experiências de muitos e muito antes contam: Freud e Lacan ao exemplo!

Ao utilizar desde um referencial teórico psicanalítico e orientado pela utilização que Lacan fez do conceito de mito em “A relação de objeto (1956/1995)”, nesta proposta, em moderada análise,  observo os procedimentos utilizados para a leitura e agrupamento de dados que encontraram inspiração inicial no modelo estrutural de Claude Lévi-Strauss (1955/1970). 

Considero esse método conveniente para abordar a hipótese da pertinência de um traço de escuta específica da psicanálise. Reconhecendo sua condição de perpassar o tempo histórico que é coincidente com a sincronia constituinte da língua, autoriza-me à "análise comparativa da escuta como objeto linguístico em diferentes épocas". Estes procedimentos me permitem - também - indicar no percurso de leitura de textos gregos antigos, ao pé da letra, em que momento surge a posição do sujeito. Assim como Saussure (1916/2014) compôs o conceito de língua discriminando seus elementos constitutivos (fonemas, morfemas, semantemas) para unidades de sentido complexas que abarcam simultaneamente uma temporalidade cronológica e não cronológica, Lévi-Strauss (1955/1970, p. 231) cunhou o termo “mitema”, e nele indicou uma unidade semântica que forma parte da história contada, que se repete e delimita seu valor por oposição das diferenças. 

Neste sentido Lacan (1956/1995, p. 260) alertou que a formalização do mito isola elementos cujo funcionamento estrutural se repete sendo “comparável - sem, no entanto, lhe ser idêntico - àquele isolado pelo estudo da linguística”. E aqui, a minha experiência e vivencia. No caso da psicanálise, essas unidades também são reconhecidas como mitemas, sendo adotadas para acompanhar o entendimento do caso clínico do pequeno Hans (Lacan, 1956/1995, p. 262). Não é meu propósito situar o método da psicanálise como sendo similar ao estruturalista, somente estou aproveitando o agrupamento e a diferenciação de elementos para reconhecer dados equivalentes em diferentes tempos. E que se cruzam e auxiliam, vez que, a Psicologia é mais recente ...  

Observo - aqui – “a escuta” que, sem formar parte de um mito, mantém caraterísticas que pretendo  envolver desde sua sincronia, o que me permitirá indicar como ela se sustenta com similaridades em diferentes períodos históricos, permitindo-nos refletir - inicialmente - a partir do procedimento estrutural. Desde esta perspectiva, sirvo-me dos textos de Freud, identificando a proposta de Lacan, e chego assim até um discurso imediatamente anterior à filosofia idealista de Platão, com o personagem Sócrates apresentado por Platão e Aristófanes. Atenção! Sim, mas flutuante ... 

Retomo os textos que prefiguram o tema, nos quais encontro indícios de como Freud acolhia seus pacientes. Ele expôs o que pretendia na primeira parte do capítulo sete do livro A Interpretação dos sonhos, numa descrição da "atitude conveniente da escuta proposta para análise". Sua recomendação começa por afastar o intelecto: “trabalhar como uma besta” (Freud, 1900/2006, p. 554) pela persistência e despreocupação com o resultado. Ou seja, a exposição do material tinha que ser feita considerando qualquer tipo de conexão, sem preocupação pela significação e o sentido que as palavras podiam tomar. Desse modo ficava em suspenso o ato de valorização e, assim, nenhuma parte seria preferível a outra, abstendo-se de críticas por inclinações afetivas ou intelectuais. 

Ao paciente era dada licença para vagar de um pensamento a outro, passando por representações que podiam ocorrer sem motivo, parecendo involuntárias, dando total liberdade para ligar ideias fortuitas e sem meta alguma. No estilo de fala invocado, a proposição é abandonar as representações psíquicas com finalidade, aquelas que determinam a escolha de termos e construções de sentido, que Freud denominou “representações-meta”, para em seu lugar liberar o impulso sobre todas as outras possíveis ligações, inclusive aquelas que somente teriam relação com o momento presente e seriam "projetadas na pessoa que escuta". 

Naquele tempo, além dos sintomas, também os sonhos foram acolhidos junto às falas que provocavam, como as formações do inconsciente, sem julgamentos, sem preocupação pelos resultados, sem pretensões, abandonando as metas e perambulando pelas ligações. A todo momento seguia o princípio de abster-se de críticas e favorecer à livre associação de ideias. Essa regra indicada para o paciente pressupõe uma posição de Freud como analista, o que lhe permitiu estender seu ouvido, distanciando-se de significações imediatas e sentidos preconcebidos. Doze anos depois, em seus escritos de índole técnica, encontro com maior clareza o reconhecimento da escuta que tinha lhe permitido elaborar a proposta de “associação livre de ideias” para invocar a fala incondicionada de seus pacientes. 

No artigo “Recomendações aos médicos que exercem a psicanálise”, diz que seus conselhos se resumem num único preceito para impedir que o psicanalista acrescente “objeções lógicas e afetivas(Freud, 1912/2006, p. 129) que o incitariam a escolher uma parte antes de ter à sua disposição todo o material que o paciente é capaz de oferecer, e, basicamente, suas recomendações situam o analista num estado de reserva. Interrogando sua “disposição para escutar”, negligenciou por princípio qualquer modo de registro imediato que retivesse alguns ditos do paciente, e isto em favor de soltar suas ocorrências que, confiava ele, acompanhariam as associações livres. 

Aquilo a que Freud deu maior importância não era possível de expressar em termos de atenção focalizada, mas também "sua escuta no que podia ficar rejeitando todos os sentidos”. Expressou esta oposição por oxímoro: “atenção flutuante”, ressaltando por um lado a atenção que apropriadamente é a concentração dos recursos psíquicos sobre alguma representação, e, por outro lado, sua flutuação, a descontração e a labilidade que permitem o deslizamento de nexo em nexo pelas correntes significantes. Em outros termos, sua vontade de atender o deslocamento foi crucial para o achado da técnica. 

Das advertências que fez para quem pretende dedicar-se à análise, uma diz respeito à vontade de curar, considerando esse sentimento o mais perigoso (Freud, 1912/2006, p. 128). Advertiu seus colegas sobre a tendência subjetiva que faz ouvir preferentemente o que aparece em torno do mal-estar do paciente e a urgência que nasce em nós quando queremos aliviar a dor do próximo, mas essa tendência, longe de colaborar para a análise, acaba entorpecendo porque age como crítica, como argumento para a resistência do ouvinte, centralizando a atenção sobre uns poucos signos destacados pelo desafeto. Em outros termos, “o furor por sarar, por fazer bem”, faria escolher o que julgamos mais próximo da solução, sem dar espaço às reviravoltas e mudanças que foram as condições das produções sintomáticas que utilizaram ora uma coisa, ora outra, condensando o divergente na complexidade do sofrimento. 

A segunda advertência “para viabilizar a escuta” é sobre a pretensão educativa (Freud, 1912/2006, p. 132). Lembrando que uma análise supõe em "quem escuta um saber a mais", o paciente pode solicitar explicações, conselhos, indicações, demandar com direito, na relação profissional, uma resposta conclusiva para seu problema. Por nossa parte também podemos sentir vontade de expor os nossos recursos intelectuais e conhecimentos para dar um bom caminho a seguir, explicando possíveis causas, justificando a chegada dos sofrimentos e até oferecer soluções possíveis. Mais ainda, recomenda a reserva para não impor nem propor seus valores pessoais, crenças, preconceitos, como o bom caminho. A vontade de educar é perigosa, assim como a de curar, até porque sempre está pronta a aparecer em novos ninhos morais. 

Quando chegou a hora de Freud caracterizar o oficio de analista, "o indicado para seu modo de escuta era não submeter os casos a reflexões teóricas enquanto aconteciam". Ainda ele preferiu oscilar, indo de uma atitude mental sintetizadora de processos psíquicos (Freud 1912/2006, p. 128) a uma outra, de decomposição e análise. Esse movimento oscilante permite um controle conceitual e abstrato daquilo que compõe uma condição psíquica. 

O que o analista deve para si e para o paciente: “Ele deve simplesmente escutar, e não se preocupar se está se lembrando de alguma coisa(Freud 1912/2006, p. 126). A reserva de opinião implica, para Freud, um exercício de suspensão das críticas e dos valores pessoais e permite ao mesmo tempo a valorização das conexões entre ideias, desconsiderando tanto quanto seja possível suas próprias associações. 

Essas primeiras descrições da técnica psicanalítica encontraram apoio na linguística, quando Jacques Lacan, em “A instância da letra no inconsciente ou a razão desde Freud” (Lacan, 1957/1995), situou com precisão conceitual "as condições de uma escuta". Assim, destacou, a partir dos exemplos de Freud, o que vinha perfilando realizar-se ao pé da letra. Para oportunizar um encontro clínico são prolíferas as noções derivadas do estudo da linguagem e, nesse aspecto, é necessário ter como princípio a noção de língua como aquilo que existe da linguagem para além do momento da fala. É determinante para a posição do analista que se abra a escuta a termos imprevisíveis. 

Lacan valeu-se do conceito de língua de Saussure, em primeiro lugar, por indicar essa parte da linguagem que encontramos numa comunidade como um fato já dado no qual o sujeito se inclui passivamente. A língua é um sistema composto de palavras herdado das gerações anteriores, cujos valores funcionam como num contrato preestabelecido, adquirindo assim uma face individual e outra social no uso. As palavras que potencialmente temos e as que utilizamos compõem a singularidade do falante, incrementam seu estilo, mas também são supostas e corroboradas pelos outros membros de uma comunidade, de modo que "quando escutamos alguém falar, sem desatender as palavras ouvidas, podemos também considerar que existem componentes da língua que permanecem latentes". 

Nesse sentido podemos distinguir que a linguagem tem por uma parte a fala com a qual se expressa e por outra parte um rico “tesouro(Saussure, 1916/2014, p. 172) de significantes disponíveis que um enunciado não mostra na hora, mas, como valores diferentes, sustentam in absentia os significantes que, sim, aparecem. O atender de modo flutuante considera ao mesmo tempo estas duas condições, soltando a abertura da escuta, que estaria dada quando resulta, nos termos de Saussure, na língua como presença da “linguagem menos a fala(Saussure, 1916/2014, p. 117). 

O que escutamos, em termos de Lacan, são significantes, palavras ou grupos de palavras ordenados numa linha temporal em que a fala se desenrola num tempo linear e cronológico. Essa temporalidade permite organizar uma cadeia significante e reconhecemos nela a diacronia (palavra composta por “dia”, que indica fragmentação, e “Cronos”, que é o tempo eterno). Quando uma frase começa se articulam os sons e os silêncios, respeitando uma ordem de posições das palavras, e sabemos que esta organização já está pautada pela gramática da língua. Este aspecto é reconhecido como “o caráter linear de uma cadeia de significantes”. Mas a língua deixa virtualmente todas as palavras à disposição, o que nos permitirá ainda distinguir uma segunda abertura da escuta, como consequência do caráter atemporal da língua: a sincronia (em grego, “sun” é junção, do tempo eterno) pela qual permanece suspenso o tesouro dos significantes. 

Assim, compondo com palavras na linha da fala, a atenção pretende uma antecipação do sentido que nos mantém na expectativa do que está sendo dito (avant cup) e uma significação que só se consegue posteriormente (après cup). O dualismo temporal indicado nos permite ainda descompor o que sucede na fala quando diacronicamente se realizam operações psíquicas distintas, uma de seleção e outra de combinação de significantes. Equivale a dizer, na operação de seleção, que a escolha das palavras que proferimos implicou enlaces em que a posição das palavras será mais ou menos determinada e nunca situada arbitrariamente, e esta operação é possível por uma “dimensão sintagmática” (Saussure, 1916/2014, p. 172).   

Por exemplo: Dizemos “o cachorro bravo” e não “bravo cachorro o”, ou seja, a ordem é relativamente flexível e podemos antecipar um adjetivo a um substantivo, mas não um substantivo ao artigo, e quando a ordem é alterada fora do normatizado, uma suspensão do entendimento emerge como equívoco. Por outro lado, constatamos que o falante terá uma série de possibilidades de escolha na hora de selecionar um termo para construir alguma frase, e surgirão palavras como sinônimos do tesouro sempre disponível. Neste aspecto reconhecemos “a dimensão associativa(Saussure, 1916/2014, p. 174), a que se estende como uma rede feita de termos, que pode estar tecida pela sonoridade, pela significação, pela família de palavras, ou tantos laços associativos que podem ser nomeados por tipos de semelhanças. 

Quem fala regularmente mantém sua atenção para se equilibrar no desfiladeiro do significante, e, ao menos enquanto fala, mesmo que operando com a rede de modo dinâmico, sustenta-se num sentido do qual é responsável pela coerência gramatical. Já quem escuta, diferente do falante, segue a linha temporal do significante e também se suspende voluntariamente em mais de uma dimensão dessa rede. Nesse sentido um bom ouvinte aspira entregar-se à sincronia quando pretende aumentar a abertura à rede de paradigmas, ainda que fique atendendo a linha do sintagma. Ao escutar atendemos naturalmente:

     · às leis da gramática e nos advertimos que as alterações podem indicar alguma desordem,

    · por outro lado valorizamos os ditos numa abertura a diversas significações,

    · e a insistência dos fonemas são indicativos tão importantes como as palavras formadas. Assim,                enquanto, 

     · a fala é um exercício individual da língua (Saussure, 1916/2014, p. 45)

    · a escuta, por ficar sempre à espera do outro, pressupõe dependência

    · é participativa partindo do princípio de situar-se no tempo do outro e secundária no processo de               operação da linguagem. 

Quando Lacan retomou de Saussure o signo linguístico bipartido, reformulou-o representando S/s, e nessa proposta traz para a psicanálise a formalização da qual Freud tinha se aproximado com sua “metapsicologia” ao distinguir a representação - coisa da representação - palavra (Freud, 1915/2006, p. 206), no entanto o interesse da fórmula lacaniana está na neutralidade que evoca produzindo consequências clínicas. O significante em Lacan se distingue do proposto por Saussure, como o  observaram Vicenzi (2009) e Arrivé (2001), autores que abordaram a relação entre o signo para a linguística e o significante para a psicanálise. 

Na proposta original de signo linguístico, foram estimadas suas “duas caras, significado e significante”, como as páginas de uma folha (Saussure,1916/2014, p. 159), considerando-as como uma unidade na qual ambas as faces participam do mesmo valor. Já Lacan desenha o significante sobre o significado ressaltando a separação por uma barra resistente à significação, e distingue duas ordens na qual o significado se desliza por baixo do significante, indicando a primazia deste com o S maiúsculo, aí onde a escuta se materializa no som.  

Quando Freud estudou o psiquismo pelas manifestações da clínica, deparou-se com o relato do sonho e o considerou um ato psíquico com um sistema implícito trabalhando para sua formação (Freud, 1900/2006, p. 56). Por essa via régia para o estudo do inconsciente deveu considerar uma nova normativa subvertendo a gramática. As leis da lógica tradicional que sustentam o conhecimento foram um limite para prosseguir o entendimento, e a formação de sonhos como a dos sintomas era um enigma ao qual precisava responder. Nesse contexto a cena do sonho, composta por imagens e palavras que se misturam - “um barco no telhado, […] uma letra solta do alfabeto… um homem correndo, com a cabeça misteriosamente desaparecida” (Freud, 1900/2006, p. 303) -, se apresentou para ele como uma formação pictográfica, “meio palavra, meio imagem de coisa”. A desfiguração tinha princípios, sendo estes a condensação e o deslocamento. Como as partículas de água se condensam nas nuvens antes da precipitação, também as representações psíquicas são plausíveis de tal junção, resultando na elaboração onírica como “uma massa dessas estruturas compostas(Freud 1900/2006, p. 350).  

Para que uma condensação seja possível, temos um movimento de intensidade que permite inicialmente a desfiguração, e logo estas representações se agrupam, configurando novas figuras compostas. Neste sentido, toda condensação implica previamente um deslocamento da magnitude das partes. O deslocamento é proposto por Freud como um processo parcial e anterior à condensação, em que se “despoja os elementos com alto valor psíquico de sua intensidade, […] e cria a partir de elementos de baixo valor psíquico, novos valores. […] assim sendo ocorrem uma transferência e deslocamento de intensidades psíquicas(Freud, 1900/2006, p. 333, grifo do autor).  

Da forma como Freud utilizou algumas imagens para figurar o psiquismo, também o linguista russo Roman Jakobson no capítulo “Dois aspectos da linguagem, dois tipos de afasia”, do livro Linguística e Comunicação (1935/1969), ao estudar as anomalias da fala, identificou que estas podem se diferenciar por classes de deficiências, correspondendo a dois polos da linguagem. Sendo um destes polos de seleção e outro de combinação, nomeou-os respectivamente de metonímico e metafórico. Num enlace equivalente ao de Freud e ao de Jakobson, ao escutar desejos divergentes numa superposição de significantes, Lacan reconheceu a possibilidade de equivalência entre a formação de sintoma e a produção de uma metáfora, e para exemplificar nos apresenta:

O amor é um seixo rindo ao sol(Lacan, 1957/1995, p. 512), como metáfora do altruísmo narcísico.

No instante em que aparece a centelha criadora ou a instalação de um sintoma, um significante irrompe no lugar de outro, no lugar daquele que não aparece na cadeia significante, e traz para quem escuta a interrogação que, na clínica, será reposicionada para o paciente desde o discurso do analista.  A propriedade comutativa presente na linguagem é a que opera na hora da seleção ou troca de uma palavra e, sendo o sujeito afetado por diversas cadeias significantes, pode acontecer o momento de invenção como um múltiplo cruzamento numa vaga significante. Lacan assim nos indicou no instante poético a precipitação de sentido que se produz no “não senso” (ou no mínimo como suspenção de sentido), pela transposição da barra do signo, quando o novo significante se carrega de valor.  

A outra figura retórica que apresenta uma ordem psíquica nas formulações de Jakobson e Lacan é a metonímia. A figura que toma uma parte, uma porção, algo com o qual se pode dar continuidade e passagem de uma ideia a outra e assim produzir um deslocamento de sentido. Quando dizemos “tomamos uma garrafa” não duvidamos que o bebido foi o conteúdo, a “quantidade” de conteúdo fica indicada “metonimicamente” na expressão. Observamos que na expressão tem ênfase um deslocamento como conexão e não substituição. Na medida em que se produz mudança por esta conexão de um significante com outro significante, o que chega mostrando uma modificação, opera tomando a parte pelo todo, sendo a supressão de uma dessas partes que produz o efeito de continuidade da falta.  

A diferença da metáfora com a metonímia está em que esta se dá por conexão de palavra a palavra, e não por permutabilidade, enquanto a metáfora, em lugar de continuidade, atravessa a barra e se enche de sentido pelo próprio efeito de substituição. Prestando atenção nas figuras retóricas comprovamos que correspondem a formações do inconsciente e, muitos dos instantes criativos, patológicos ou não, operam por substituição. Deste modo, chistes, sintomas, sonhos, equívocos podem ser escutados além da surpresa imediata que provocam, com a condição de que se reconheça neles a propriedade de estarem constituídos por cadeias associativas que trabalham engenhosamente no decorrer de uma enunciação. Estas cadeias se formam por ligação, de significante a significante, e nessa corrente ilimitada podemos calcular que uma falta constitutiva garante o movimento. Enquanto "está disposto o analista a escutar" o desejo pela via metonímica, que insiste em apresentar a cada momento que o objeto faz causa, um movimento, a figura retórica varia e relança o sujeito ao polo oposto, balançando das explicações ilimitadas sobre o sintoma ao sofrimento enigmático que resiste às explicações.  

Para favorecer a ação da escuta, em "O eu na teoria de Freud e na técnica da psicanálise", Lacan situou a formação do analista num ideal no qual o ego estaria ausente, virtualmente ausente, porque não existe sujeito sem ego, porém ele visava obter da análise um sujeito afetado do outro lado do muro imaginário da linguagem (Lacan, 1955/2010, p. 334). A presença do analista se dá inicialmente, desde que ele forma parte da comunidade dos falantes, está na linguagem, mas sendo seu ego favorável a uma condição de ausência, possibilita não agir especularmente, mas como um espelho vazio. Quanto mais "o analista sustentar sua escuta, aceitando acolher esse vazio de sentido, abstendo-se de entender, mais a fala terá o ritmo e os percursos dos desejos de quem associa livremente". Essa atitude reservada do analista também é índice do seu desejo de acompanhar pelas vias dos significantes o movimento que interroga o sintoma ou outras formações enigmáticas que demandem uma análise. 

Comportando-se diferente do erudito que sabe sobre determinado tema e se encontra no direito de interrogar, o analista manteria uma relação estável nesse processo de comunicação sem exibir conhecimentos nem tentar cercar a verdade com inquéritos, sua essência teoricamente estaria num discurso sem palavras. Em “O avesso da psicanálise”, trata-se de garantir com presença (Lacan, 1969/2007, p. 11) um modo de sustentar os significantes por vir, a partir de uma estrutura prévia, num discurso sem palavras que se monta no desejo, indicando seu movimento. A mínima diferença importa, mas para se dar conta deve o entendimento ceder espaço à escuta, assim um traço particular da escuta psicanalítica vai se ligando ao som, à materialidade da língua, estruturando a psicologia.  

Às conclusões, dos textos consultados me permitiram reconhecer os traços de uma escuta singular que espero encontrar na escuta analítica, a qual se abstém de críticas, de oferecer opiniões, de procurar benevolências terapêuticas e lições educativas. No mesmo sentido, a partir da segunda metade do século passado, os psicanalistas definiram sua especificidade, até delimitar a singularidade de seu discurso, como discurso sem palavras que evoca o desejo. Estas características se definem quando se abordam textos antigos e mostram que, no século III a.C., "o escutar se vinculou ao acolhimento de necessidades e afetos de desamparo, ao acompanhar a busca, sustentar interrogações, a partir do postulado inicial de não interferir".  

Escutar também se vinculou, de modo especial, com a língua, esperando dela elos associativos, distantes dos raciocínios precisos que ordenaram a lógica nos séculos seguintes. A esta escuta antiga foi possível quando a fala conseguiu aproveitar sua flexibilidade de sentidos partindo da abstinência de verdades universais e de saber. Identifico na Antiguidade um traço especial de escuta, que hoje podemos reconhecer no humor de Aristófanes, que Freud recuperou na fala de seus pacientes e na atitude dos analistas com disposição para escutar. Com inúmeras diferenças entre 24 séculos, devemos estar cientes de que seria um anacronismo extremo pensar uma análise do psiquismo no século III a.C. como se fosse uma psicanálise, ou colocar os gregos como origem da psicanálise contemporânea 

Nesse sentido, somente encontro traços nos textos antigos que se reconstituem ao disponibilizar um dispositivo de escuta moderno, que, como Freud, também partiu da abstinência de críticas e da associação de ideias. Independente de qual seja a língua, e em qual momento histórico seja analisada, ela é constituinte da subjetividade e por ela transitam as possibilidades de fala e de escuta. Nela insistem posições de discurso que mantêm sua dinâmica, sendo identificáveis nestes casos por não precisar se erguer como um agente que sabe o que deve ser feito; e pela escuta, distinguir em silêncio como encorajar o desejo.  

Desdobra-se, assim, um discurso, acompanhando de modo sincrônico os traços que na história nos permitem identificar o ofício de escutar: Lévi-Strauss (1955/1970, p. 231) cunhou o termo “mitema”, e nele indicou uma unidade semântica que forma parte da história contada, que se repete e delimita seu valor por oposição das diferenças. Neste sentido Lacan (1956/1995, p. 260) alertou que:

a formalização do mito isola elementos cujo funcionamento estrutural se repete sendo “comparável - sem, no entanto, lhe ser idêntico - àquele isolado pelo estudo da linguística”.

No caso da psicanálise, essas unidades também são reconhecidas como mitemas, sendo adotadas para acompanhar o entendimento do caso clínico do pequeno Hans (Lacan, 1956/1995, p. 262). Não é meu propósito situar o método da psicanálise como sendo similar ao estruturalista, somente estou aproveitando o agrupamento e a diferenciação de elementos para reconhecer dados equivalentes em diferentes tempos.  

Aqui no Brasil, somente no ano de 1962, João Goulart, o Presidente da República na época, sancionou a Lei 4.119, que tornou a psicologia, de direito, uma profissão. Isso ocorreu após a  mobilização e determinação de diversos profissionais da área na época,  tornando o dia 27 de agosto, o Dia do Psicólogo, no Brasil. A importância da psicologia tem sido demonstrada no decorrer do tempo, por exemplo, nos esportes, onde uma boa preparação emocional é tão importante quanto à preparação física. Evolui cada vez mais com o passar do tempo conforme as necessidades e demandas da sociedade, adaptando seu objeto de estudo em detrimento às constantes mudanças e o aparecimento de novos paradigmas.  

A psicologia , dentre outras, está  dedicada a compreender processos como percepção, memória, raciocínio, que influenciam qualquer tipo de comportamento humano, o que no campo dessa ciência é discriminado como “psicologia básica”, por isso é muito ampla. A área mais conhecida da psicologia é: 

   · a clínica, que visa ajudar a resolver questões emocionais e comportamento para melhorar a qualidade de vida das pessoas. 

    · A psicologia social e a comunitária, tem objetivos semelhantes aos da clínica, mas sua abordagem é macro e trabalha com grandes populações. Outras áreas de atuação: 

  · Psicologia educacional: atua  com as questões relacionadas à aprendizagem e de desenvolvimento em instituições de ensino; 

    · Psicologia das organizações: aplica teorias desenvolvidas por psicologia social  especificamente para profissionais e organizações; 

    · Psicologia forense: concentra-se na avaliação psicológica como suporte para processos judiciais; 

    · Psicologia esportiva: visa melhorar o desempenho atlético.

Todas as pessoas são diferentes, e todas possuem desafios distintos, mas é certo que em algumas fases, ou com algumas situações, pode repetir a forma na qual costumamos reagir!

 

Roberto Costa Ferreira,  27 de Agosto de 2022.

PROFESSOR    -   PSICANALISTA    –   PESQUISADOR

UNIFESP – Universidade Federal São Paulo / SP






 

quinta-feira, 5 de maio de 2022

Dia Mundial da Língua Portuguesa

 


Língua portuguesa que jaz arraigada além do coração, estabelecida na memória, nos costumes e na cultura, é o idioma usado por mais de 260 milhões de pessoas - a quarta mais falada no mundo! Tal língua que falada, dita em prosa e verso, e até cantada no sagrado Coração da Terra por "gente que entende e fala a língua das plantas, dos bichos... Gente que sabe o caminho das águas, das terras, do céu! E como bem lembra a música:

"Velho mistério guardado no seio das matas sem fim... Tesouro perdido de nós , distante do bem e do mal!"

Assim, a exposição temporária Sonhei em portuguêsMuseu da Língua Portuguesa - Praça da Luz s/n – Luz – São Paulo - com ingresso grátis aos sábados  e acesso pelo Portão A (em frente à Pinacoteca), conta com patrocínio do Grupo Volvo, empresa de referência no Brasil e apoio por meio da Lei Federal de Incentivo à Cultura, permanecendo em cartaz até junho de 2022, no primeiro andar do Museu da Língua.

Tal Mostra temporária revela como o deslocamento humano contemporâneo é atravessado pela questão da língua, acrescentando-se que no dia de hoje (5 de Maio), Dia Mundial da Língua Portuguesa, o Instituto Camões informou que 260 milhões de pessoas (3,7% da população mundial) falam o idioma, o quarto mais usado, depois do mandarim, inglês e espanhol.

Instituto que ainda referendou ser o idioma português a língua oficial de nove países-membros da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP) e de Macau. E que, este ano, as comemorações oficiais da data ocorrem no Brasil. Contando com especialíssima curadoria de Isa Grinspum Ferraz, a exposição ficará em cartaz até junho de 2022, no primeiro andar da sede do museu, localizado na Estação da Luz, em São Paulo, tradicional ponto de partida e chegada de migrantes no coração do bairro do Bom Retiro, que também tem todo o seu povoamento baseado na imigração.  

O título - Sonhei em português! - vem de um dos depoimentos exibidos na exposição e alude ao momento simbólico em que o imigrante concretiza sua ligação pessoal com a terra que o recebeu.

“As línguas são diferentes porque refletem ideias, valores, conhecimentos e visões do universo também diferentes entre si. Cada língua é uma visão do cosmo, com seus provérbios, suas sonoridades, seus ritmos e sua poética própria. Cada uma delas organiza a seu modo a experiência do mundo”

E nesta oportunidade,  o dia de hoje,  onde está o presidente da Assembleia da República de Portugal, Augusto Santos Silva, momento destacadamente observado, em caráter pessoal:

"O futuro da língua portuguesa depende de cada cidadão que fala e escreve o idioma".

Antes de viajar para o Brasil, o presidente Augusto Santos gravou vídeo em que homenageia a data e fala dos seus significados.

Em razão das comemorações, a terceira edição do Dia Internacional da Língua Portuguesa será marcada por 139 ações em 52 países, com Angola e o Brasil a assumirem os principais destaques. Boa parte das iniciativas é organizada em cooperação com os países da CPLP. A data, instituída pela Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (Unesco) em novembro de 2019, é comemorada este ano de forma mais organizada, já que as edições anteriores foram limitadas pelas restrições impostas pela pandemia de covid-19.

Além de Angola, que assume a presidência rotativa da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa   e organiza, entre outros eventos, um festival em Luanda com o nome da comunidade lusófona, Moçambique e Cabo Verde, destacam-se na África como países com maior número de atividades programadas. Imperdível!

 Roberto Costa Ferreira,  05Maio2022.

Professor - Psicanalista e Pesquisador

 CEP - UNIFESP - Universidade Federal

                                          São Paulo - SP

 

Publicado  no dia de hoje, 05/05/2022 - 07:38h. por Agência Brasil* Lisboa

*Matéria alterada às 8h28 para acréscimo de informações.

 


terça-feira, 26 de abril de 2022

PANTOMIMA ...

 


Será a proposta de uma tendência estética? Sei não…Na França Etiênne Decroux começou a codificar uma gramática para o preparo da pintura facial, partindo para o corporal, resultando numa técnica que acabou sendo as diretrizes para o surgimento de um novo estilo de pantomima.

O mais representativo pantomímico dessa técnica é Marcel Marceau que criou o personagem Bip e um repertório neoclássico contagiante! Hoje, essa técnica é identificável como uma linguagem de acessório nos trabalhos de vários artistas.

Por exemplo, nas coreografias de Michael Jackson com seus passos de dança sem sair do lugar… Nas performances dos shows de ilusionismo dos mágicos, como David Cooperfield ou nas performances cinematográficas do “clown” inglês Mr. Bean. Essa é a pantomima moderna, a pantomima como se conhece atualmente, que evoluiu partindo da máscara.

Até em Chaplin a pantomima era apenas o pantomímico e o palco vazio, tudo dependia da expressão, inclusive facial, mas graças a ele hoje pode-se utilizar cenário, objetos e figurino, pois era impossível fazer uma pantomima cinematográfica sem recursos cênicos.

Neste ato, tal não ocorre… O que vemos é neta e vó, minhas queridas meninas, em nublada manhã de sábado, nos preparos de base servindo-se de máscara para remoção de toxinas inflamatórias da pele facial - prometida - do tipo “Máscara PinkPerfect”, que diz funcionar como um imã magnetizante para cravos e espinhas. Oh my gosh! Pode?

Roberto Costa Ferreira, 22/04/2022.

Psicanalista - Pesquisador - UNIFESP/CEP

Universidade Federal de São Paulo-S.Paulo





 


terça-feira, 8 de março de 2022

DIA INTERNACIONAL da MULHER ... Nada se compara à amplitude de “ser mãe”!

 


Em 1975, o dia 8 de março foi instituído como Dia Internacional das Mulheres, pelas Nações Unidas. Atualmente, a data é comemorada em mais de 100 países — como um dia de protesto por direitos ou de edulcorada celebração do feminino, comparável ao Dia das Mães. Porém, em outros tantos países, a data é ignorada. É de se lamentar!

Uma vez que, estes tantos países não conhecem, reconhecem e mesmo relutam sequer observar e memorar uma jornada de manifestação pela igualdade de direitos civis e em favor do voto feminino partido da organização do Dia das Mulheres, em 20 de fevereiro de 1909, em Nova York ... Que em Copenhague - 1910 -  foi sugerido, pela líder Clara Zetkin, que o Dia das Mulheres passasse a ser celebrado todos os anos, sem que, no entanto, fosse definida uma data específica ... Que, partindo de 1913, as mulheres russas passaram, as mesmas que sofrem com ações decorrentes da atual guerra, a celebrar a data com manifestações realizadas no último domingo de fevereiro ... Que em 8 de março de 1917 (23 de fevereiro, no calendário juliano), ainda na Rússia Imperial, organizou-se uma grande passeata de mulheres, em protesto contra a carestia, o desemprego e a deterioração geral das condições de vida no país ... Que jornada!

Ainda, com a finalidade de lembrar as conquistas sociais, políticas e econômicas das mulheres, independentemente de divisões nacionais, étnicas, linguísticas, culturais, econômicas ou políticas, em 2008, a ONU lançou a campanha “As Mulheres Fazem a Notícia”, destinada a estimular a igualdade de gênero na comunicação social mundial.

Porém, tendo em vista a Semana da Mulher no seu transcurso, com vistas à maior amplitude, considera-se que a celebração do Dia Internacional da Mulher tenha tido o seu sentido original parcialmente diluído, adquirindo frequentemente um caráter festivo e comercial, como o hábito de se distribuírem rosas vermelhas ou pequenos mimos ... Não basta!

Tais ações em nada evoca o espírito das manifestantes, principalmente face à significação maior em reverenciar à mulher, a mãe, sendo certo que maior que qualquer definição mãe é amor! E nada se compara à amplitude de “ser mãe” ... Aliás, como já escrevera Mário Quintana:

“MÃE...és do tamanho do céu e apenas menor do que Deus!”.

É no abraço dela que alcançamos o infinito, a cura do incurável, o amor indescritível ... E nas horas onde não temos mais força, ela se transforma em nosso porto seguro.

Roberto Costa Ferreira, 08 de Março 2022

Professor – Psicanalista – Pesquisador

Universidade  Federal  de São  Paulo –

CEP UNIFESP

terça-feira, 18 de janeiro de 2022

SAMBA da VELA - Em tempos de aniversário de Santo Amaro - 470 anos - um Fato Pitoresco!

 

Mestre Chapinha na chamada da interpretação - Samba da Vela

Num tempo que vivi e guardo saudades onde, às segundas-feiras, depois da janta, a boa digestão ficava por conta do “samba tamanho família” proporcionado pelo samba à luz de vela no Samba da Vela. Estando lá, aquele surdo, o timbalão de som, tal tambor baixo bem trabalhado pelo surdista , o tom-tom mais grave daquela incomodada bateria seguido dos demais instrumentos realizava o chamamento para o início da boa noite!

Que noite! O surdo é o "coração do samba". Com sua batida simples e marcante, esse grande tambor tem rica história… E no Samba da Vela o samba realiza a história! Daquela invenção legitimamente brasileira criado por Alcebíades Barcelos - o Bide - com latão de manteiga, aros e pele de cabrito, e que, tendo estreado por cerca de 90 anos, lá no “Deixa Falar”, a primeira escola de samba brasileira, a mesma que pôs também tamborim, cuíca e pandeiro na folia. Uma alegria!

Agora, na Comunidade Samba da Vela, tudo isso rola … Aquela retumbante roda de samba, fundada nesta cidade de São Paulo pelos idos do ano 2000, sediada em Santo Amaro/SP e se tornado um dos movimentos culturais mais importantes do Brasil, reunindo simpatizantes, cantores, músicos e compositores os quais apresentam somente suas músicas, inéditas ou não, diretamente para o público presente.

O objetivo do maravilhoso movimento do samba brasileiro, então sediado - Casa de Cultura de Santo Amaro - onde passaram a se reunir todas as segundas-feiras a partir das 20h45m, momento em que a vela é acesa, até o instante em que a vela se apagava e uma sopa era servida para todos no final… Que caldo é esse que incrementa e faz a liga com o objetivo mais óbvio da comunidade: revelar sambas de compositores desconhecidos da grande mídia.

Mas o objetivo mais significante do Samba da Vela é “apresentar as obras diretamente ao público, revelando, transformando, refletindo e promovendo o resgate da cidadania, cultura e lazer, incluindo o cidadão no ambiente das artes de um modo geral, revitalizando sua autoestima através da música, inserindo-o na sociedade. É claro que tal momento que "o samba deixou de ser 'tan tantan tan tantan' e se tornou bum bum” e outras tantas coisas mais, tudo isso magnificamente vem revestido, orquestrado e sob o tom de vozes e presenças como o mestre Chapinha, Maurílio de Oliveira, Magnu Sousá e Paquera (já olhando tudo isso “lá de cima”), seus fundadores.

É bom que se diga e se saiba que, como em toda roda de samba que se preze, o Samba da Vela também segue um ritual, um “regulamento interno”, segundo o qual é inadmissível:

• Manejar um instrumento sem competência;

• Falar mais alto do que o som que vem da roda;

• Interromper quem está puxando o samba.

Essas regras são baseadas na amizade e na intimidade que a roda proporciona, no modo como as pessoas se relacionam. A hierarquia na roda é respeitada, não pelo sucesso ou pelo dinheiro que a pessoa tem, mas por seu conhecimento e história no samba. Ali não tem curioso!

Por oportuno, nome curioso - Samba da Vela - vem da própria organização do evento: a roda de samba que ocorre em torno de uma vela, e tal funcionando como um cronômetro das apresentações. O show se inicia quando a vela é acesa e todos cantam o samba “Acendeu a vela” e termina quando a vela se apaga… A vela e sua chama só termina para aquela noite “bem sambada”, que na liga do caldo de feijão servido ao final, acomoda a emoção e alivia a digestiva função. Quem ainda não provou, deve provar ... É tudo show … Que show!

Ao final do ato - Samba da Vela - próximo à meia-noite de segunda-feira, serve-se o Caldo de Feijão

                                                              Roberto Costa Ferreira – Samba da Vela/Santo Amaro -SP.

Professor – Psicanalista e Pesquisador

CEP UNIFESP – UNIVERSIDADE FEDERAL

SÃO PAULO – SP


sábado, 15 de janeiro de 2022

Joias ... Em tempo de “Novos Tempos – Ano Novo”!

 

Familiares reunidos (14) motivados pela passagem de ano - Ano Novo, 2021/22.

Joias ...

Que agora reunidas, já somam 14, além das 12 antes referidas. Do latim significa “aquilo que traz alegria”.

E nesta oportunidade estreitamos em "laço simbólico", cujo arranjo simboliza o amor fraterno!

Ainda, neste tempo e oportunidade estabeleceram-se "nós" com firmes laçadas, canalizando energias que os presentes distribuem para todos os seus pensados queridos.

Oportunidade única e intensa onde cada um emite e recebe como retorno a energia somada. Este arranjo se eterniza nesta foto e representa, reiterando, os laços de amor fraterno!

Roberto Costa Ferreira, 01Jan2922,

Em tempo de “Novos Tempos – Ano Novo”!