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terça-feira, 1 de agosto de 2023

REFORMADOR e a COLEÇÃO FONTE VIVA - 70 anos de Chico Xavier/Emmanuel – Um passeio!

 


Originalmente, as  mensagens eram publicadas de modo esparso em periódicos da época, especialmente na revista Reformador, da Federação Espírita Brasileira, culminando com a publicação da primeira coletânea em 2 de setembro de 1948, intitulada Caminho, Verdade e Vida.

Órgão Evolucionista, a primeira edição da Revista Reformador veio para completar o quadro de imprensa espírita estabelecida no país desde o ano de 1869. O número 1, ano 1, foi impresso no dia 21 de janeiro de 1883 no ateliê do fotógrafo e jornalista, Augusto Elias da Silva, que se utilizou de recursos próprios para imprimir e distribuir a produção em formato de jornal com quatro páginas. 

Há 140 anos era lançado o periódico Reformador. A redação desde seu lançamento até o ano de 1888 situava-se na rua da Carioca, 120, 2º andar, Rio de Janeiro, no ateliê de Augusto, onde também residia com sua família. Um marco para a história do Espiritismo no Brasil. No mesmo endereço, no ano seguinte, Elias se uniu a outros confrades na fundação da Federação Espírita Brasileira, incorporando a publicação anos mais tarde ao seu material de divulgação.

Já na época e na década de 40 – 1940 – Emmanuel, cujo nome dado pelo médium brasileiro Chico Xavier ao espírito a que atribui a autoria de boa parte de suas obras psicografadas, (tal espírito era apontado por Chico Xavier como seu orientador espiritual) tendo iniciado um projeto extraordinário de comentário e estudo do Evangelho à luz da Doutrina Espírita, (mensagens estas publicadas até mesmo na revista Reformador), compõe sua coleção de “colares de pérolas”.

E para tal resgatou as experiências em Ávila, ao lado de Alcíone, como Padre Damiano (Pão Nosso -1950), bem como as lições em Éfeso, ao redor de João Evangelista e Policarpo de Esmirna, na roupagem do escravo judeu Nestório (Vinha de Luz  - 1951). O benfeitor espiritual compôs sua coleção abordando os mais variados temas, a partir das lições do Cristo. Assim, diante da missão do medianeiro Francisco Cândido Xavier, consolidou-se o monumental repositório de centenas de mensagens interpretativas dos textos do Novo Testamento, sendo certo que, pelo menos em torno de 70 anos Chico Xavier/Emmanuel inauguraram a coleção Fonte Viva (Fonte Viva -1956), convidando-nos a mergulhar nas profundidades da própria alma, à procura dos traços da Lei Divina inscrita em nossa consciência.

Desse modo, destaco a Lição de nº 168 – Entre o Berço e o Túmulo – que ilustro sob minha compreensão, à luz do texto original, conforme:

“Nossa vida na Terra se limita ao tempo que vivemos “entre o berço e o túmulo”. É neste espaço temporal, que o homem detém o "usufruto da terra", com o fim de evoluir e aperfeiçoar-se. Do berço ao túmulo, nossa maior necessidade é de amor! Sem ele, já na origem, os bebês morrem. Por falta dele, os idosos definham. Em sua ausência, a doença floresce!

Muitos livros são escritos a seu respeito. Grupos de pessoas se juntam para tocarem-se e abraçarem-se, em busca dele ... O Amor! Até distorcendo-no e o degradam. Muitos  chamam isso de “fazer amor”, e mostram sua ignorância a respeito dele. Todavia, aquele "amor salvador" é a nossa maior necessidade... Creiam!

Num determinado seminário empresarial sobre relações humanas, o orador referiu-se acerca de um berçário repleto de bebezinhos órfãos, sustentando seu relato em razão de uma observação científica. Numa longa fileira de berços, os bebês ficavam doentes, e alguns deles até morriam — exceto o bebê no último berço. Este passava bem. O médico pediatra ficou intrigado ... Todos eram bem alimentados, tomavam seu “banhozinho” e eram bem agasalhados — não havia diferença quanto aos cuidados que recebiam.

Todavia, somente o bebê no último berço vicejava. Com o passar dos meses, foram trazidos novos bebês, e a história era sempre a mesma: Apenas o bebezinho no último berço passava bem. Por fim, o médico atento nas suas observações logrou identificar que, num determinado horário a faxineira chegando, e, de joelhos, esfregava o chão, de uma ponta a outra no dormitório do berçário. Quando terminava de limpar o piso, ela se erguia, espreguiçava-se e esfregava as suas costas. Daí, dirigia-se ao último berço, pegava o bebê, andava pelo aposento com ele, acariciando-o, conversando com ele, embalando-o nos braços ...

... Depois ela o colocava de novo no berço e partia. O médico ficou observando na noite seguinte, e na noite depois dessa. A cada noite acontecia a mesma coisa. Era sempre "o bebê no último berço que era apanhado, acariciado", falava com ele e “mostrava-se-lhe tais gestos de amor”. E, em todos os novos grupos de bebês trazidos, era sempre o bebê no último berço que vicejava, enquanto os demais ficavam doentes!

A revista Psychology Today disse, em uma de suas publicações, que:

“durante os períodos formativos do desenvolvimento cerebral, certos tipos de privação sensória — tais como a falta de contato e de embalo da criança por parte da mãe — resultam em desenvolvimento incompleto ou prejudicado dos sistemas neuronais que controlam a afeição”.

O bebê aprende a amar com a mãe amorosa. Em questão de minutos depois do parto, forma-se um vínculo entre a mãe e o bebê. Depois disso, expressões recíprocas de amor nutrem o apego entre eles, conforme mostra o livro “Torne Feliz Sua Vida Familiar”, na página 99:a ...

“A mãe inclina-se sobre o bebê no berço, põe a mão no peito dele e o sacode suavemente, chegando o rosto perto ao do bebê e diz: ‘Eu te vejo, meu queridinho’, ou algo assim...

O bebê, naturalmente, não conhece as palavras (que na realidade talvez nem sejam muito lógicas). Mas remexe-se e arrulha de prazer, porque reconhece que a mão brincalhona e o tom da voz lhe dizem claramente: ‘Eu te amo! Eu te amo!’

Sente-se reconfortado e seguro. Os bebês e as criancinhas aos quais se mostra amor apreciam isso, e, imitando o amor, praticam-no, pondo os pequenos braços em volta do pescoço da mãe e dando-lhe entusiásticos beijos. Agradam-se da acolhedora reação emocional que recebem da mãe, em resultado disso. Começam a aprender a lição vital de que há felicidade tanto em dar amor, como em recebê-lo, de que, por semearem amor, também o colhem em troca.

(Atos 20:35; Lucas 6:38)”

Com o decorrer dos anos, muitos estudos confirmaram a necessidade que os bebês têm de amor. A revista Scientific American, recentemente, publicou o seguinte informe:

René Spitz, do Instituto de Psicanálise de Nova Iorque, e sua colega, Katherine Wolf, colheram histórias de 91 bebezinhos de lares de crianças enjeitadas na parte leste dos EUA e do Canadá. Descobriram que os bebês mostravam, de forma persistente: 

     · "evidência de ansiedade e tristeza"; 

     · Seu desenvolvimento físico foi retardado, 

     · e deixaram de apresentar o ganho normal de peso, ou até perdiam peso. 

     · Períodos de insônia prolongada se alternavam com períodos de estupor.

Dos 91, informaram Spitz e Wolf, 34 morreram ‘apesar da boa alimentação e de meticulosos cuidados médicos’.”

Um outro psiquiatra da Flórida, EUA, não me recordo do nome, em sua literatura disse:

“A criança que não é bastante abraçada e acariciada pode vir a tornar-se, quando crescer, uma pessoa isolada, distante ou arredia . . . O contato físico entre genitor e filho é tão essencial na criação dum filho que, em alguns casos, as crianças que não foram abraçadas ou afagadas no primeiro ano de sua vida não sobrevivem.”

Um informe a respeito das descobertas feitas pelo Dr. James Prescott, do Instituto Nacional de Saúde dos EUA, declara:

“Desde o instante do nascimento, muitos americanos se veem privados de algo que poderia impedir que se tornassem criminosos, doentes mentais ou adultos violentos. Este algo é o toque e a afeição física — uma espécie de ‘prazer sensorial’ do qual os humanos carecem tanto quanto carecem de alimento.”

Muitos distorcem esse correto entendimento! Decorrem dele que se  aprenda a dedicação do amor ... Tolerância e humildade ... Enfim! Portanto, nas consequências, a rebeldia complica os melhores planos da vida. Revolta é o atraso lastimável em qualquer procedimento, concluiu “aquele orador da organização referida ao início”.

Portanto, acolhamos as nossas dificuldades, "nossas ausências",  quando não consigamos  extingui-las, sanando-as, mesmo pouco a pouco, sob o esforço de “energia serena”. Não fujamos à luta que a vida nos propõe, na intimidade de nós mesmo e, atendamos ao trabalho do dia a dia, a fim de superarmo-nos. Conservemos a certeza de que é “pelas próprias prestações de serviço ao bem comum”, plenos de “amor construtivo” que a bênção da vitória nos marcará!”

EMMANUEL

(Do livro “Inspiração”, 23, FCXavier, último §-GEEM)

Por: Roberto Costa Ferreira, 31/07/2023 – FEESP.

Atentos a tais enunciados antes do tema

       1. ENTRE O BERÇO E O TÚMULO “Não atentando nós nas coisas que se veem, mas nas que se não veem, porque as que se veem são temporais e as que se não veem são eternas.” – Paulo. (II Coríntios, 4:18.) Emmanuel. 

       2. O berço nos recebe rodeados de sonhos, sorrisos e esperanças. O túmulo guarda a despedida cheia de lágrimas. 

      3. Esta forma de pensar impede de vermos que nesse intervalo vivemos literalmente ligados ao corpo físico, e sempre às voltas com as peripécias materiais. 

      4. Como nosso cérebro atual não traz registros anteriores ao presente, acreditamos que esta seja a única e verdadeira vida. 

     5. Daí, investirmos toda capacidade interior em conquistas materiais, toda a energia em prazeres fugazes. 

       6.  Mal percebemos que o que julgamos valioso é, na verdade, passageiro.


terça-feira, 25 de julho de 2023

Saudação 73, Anos aniversariados e por inteiro ... Acredites ou não!

Tic, tic, tic, personagem não cego, portanto, sem
bengala mas que, faz parte do conto "73", este!

Fui até lá ... Sete décadas e um triênio, cheguei aos 73, aniversariando e por inteiro, brincando de crescer e quem sabe mais tarde virar “gente” ... Antes, que me perdoem os leitores os erros, mesmo os propositadamente exarados no texto seguinte - erros propositais - providos da devida licença poética. 

Nas sociedades primordiais as comemorações eram restritas, na Grécia e no Egito,  apenas para deusas e faraós, na Roma para o Imperador e sua família. Foi na Alemanha, na Idade Média, que os festejos começaram a se tornar mais tradicionais, pois os camponeses iniciaram os festejos de aniversário dos filhos com bolo e velas, uma com a idade da criança e outra que simbolizava a Luz da Vida!

De origem latina a palavra “aniversário” é a junção das palavras “annus” (ano) e “vertere” (voltar) significando “aquilo que volta todos os anos”. É oportuno considerar que tal fato tem origem pagã, estabelecendo relação com a magia e religião, sendo certo que as velas são símbolos de ligação espiritual e proteção. E para reforçar minhas “coisas ditas”, certezas e outros que tais trouxe comigo meus pares. Por primeiro lembrei-me daquele escritor angolano, o dito Mario Pinto de Andrade, em sua brilhante consideração sobre "O valioso tempo dos maduros”, dizendo:

"Contei meus anos e descobri que terei menos tempo para viver daqui para a frente do que já vivi até agora.

Tenho muito mais passado do que futuro.

Sinto-me como aquele menino que recebeu uma bacia de cerejas.

As primeiras, ele chupou displicente, mas percebendo que faltam poucas, rói o caroço".

Pois bem, eu também contei meu tempo, e descobri que fazer aniversário é viver sem preço e que houve quem dissesse o contrário, bem como aquele que conhece do poema da segunda eleita, Clarice - Poema de trás para frente e vice versa - dizendo em velado namoro que:

"Ainda te quero como sempre quis.

Tenho certeza que

 Nada foi em vão."

Então, eis-me aqui presente e presenteando-me, comemorando, mesmo contando com a presença dos ausentes, e de modo consistente, sendo certo que o processo de envelhecimento acontece em nível celular ... Já se sabe! Aliás, um achado fascinante: que as células da pele de um recém-nascido se divide em até 90 vezes. As de pessoas mais velhas, vinte! É parte de um mecanismo biológico natural, embora, há que se considerar que “elementos externos” interfiram diretamente no material genético, acelerando o desgaste estrutural do organismo, consideradas a variabilidade genética, situações às quais saúdo.

Em razão de “saudações”, discorrendo agora sobre a possível origem da “Saudação73”, bem servida na imagem introdutória do presente pensar, pois que, atualmente uma das siglas mais usadas no hobby é o “73”, mas, de onde vem, qual é a origem, assim como 73 (saudação). Seguem-se algumas teorias, segundo as quais, a primeira, tal origem é atribuída como sinal convencional da saudação telegráfica em razão de um jantar oferecido a Andrew Carnegie em seu 73º aniversário pela “Ordem dos Escritores Militares de Telégrafos”. Tal jantar de referência foi realizado em 27 de Novembro de 1908, e o sinal de “73” foi usado no quadro de seu aniversário. No entanto, há quem indique que o termo foi usado muitos anos antes. 

Outra versão, que para alguns seria a autêntica, é a citada na “Era do Telégrafo e do Telefone”, de 1º de Junho de1934, que surge de uma investigação sobre “as histórias do telégrafo em 1859”, portanto, decorridos 164 anos. Na oportunidade “The Telegraph Association” realizou uma convenção segundo a qual um dos tópicos foi a deliberação sobre a economia de tempo na linha. Um comitê foi nomeado para desenvolver um código objetivando reduzir expressões – padrão a símbolos – ou números. Esse comitê elaborou um código numérico, começando com os números de 1 a 92.

Considerando que a maioria desses símbolos resultou obsoleta ao longo dos tempos, outros caíram em desuso quase que totalmente, mas apenas alguns ainda são usados até recentemente, como é o caso de, talvez o “73” mais usado, que originalmente tinha o significado de “meus respeitos” (meus elogios) e atualmente resume-se a “Saudação”! Contudo, se existe algo em que a maioria das versões de “operadores de rádio e amadores de rádio” que ainda se servem e usam o “termo 73” coincidem ao escrever textos, mensagens, cartões QSL etc., é que esse acrônimo não é usado no Plural, ou seja, não é acompanhado pela letra “S” ou por outros qualificadores, como “73s”, “73 Cordiales”, etc.

Outra possível explicação, agora geométrica, para aclarar o real e possível "73" ... Um número primo!

Os números primos são motivo de fascinação desde os primórdios da civilização. Ou pelo menos há cerca de 3.570 anos, quando o escriba egípcio Ahmes, durante o reinado do faraó Apófis 1°, criou o papiro matemático Rhind e registrou, de forma diferente, as frações cujos denominadores eram números primos.

Os matemáticos já dedicaram milhões de horas de estudo aos números primos. Além de serem belos, sedutores e muito úteis, eles também são exasperantes! São partículas da teoria dos números que não têm um padrão evidente — quanto mais números primos são encontrados, mais erráticos eles parecem ser. Será? Considere que, nem sequer o imenso poder dos computadores é de grande ajuda!

Recordemos que um número primo é um número natural maior ou igual a 2 que tem exatamente dois divisores distintos, a saber, 1 e ele mesmo. Um número natural maior ou igual a 2 que não é primo é dito composto. O número 1 não é considerado um número primo nem composto.

Muito se sabe sobre os primos desde a Grécia Antiga. Nessa época já se conhecia um dos pilares da Teoria dos Números – e que os professores da escola básica de hoje ainda devem garantir que seus alunos conheçam: o Teorema Fundamental da Aritmética, que afirma: Qualquer número natural pode ser fatorado como produto de primos. Essa fatoração é única, a menos de uma possível reordenação dos fatores.

Mas, neste longo e tortuoso caminho para revelar os mistérios dos números primos, às vezes surgem curiosidades que acabam deleitando o público em geral. São como fatias deliciosas de conhecimento que nos relembram quão genial é o mundo dos números. Por isso, de vez em quando, os matemáticos, e agora relembro, nos brindam com estas "delícias", enriquecendo a cultura popular. 

O papiro de Ahmes é o documento mais extenso e conhecido
que lança luz sobre a abordagem matemática dos  antigos egípcios.

Os fãs da série The Big Bang Theory talvez se lembrem de Sheldon Cooper dizendo, em resposta às atuais perguntas: - Porque o número 73 é perfeito?

Ainda, que os fãs da série The Big Bang Theory talvez se lembrem de Sheldon Cooper dizendo que "o melhor número é o 73”. Por quê? Porque 73 é o 21° número primo". E Sheldon prossegue:

"O reverso de 73 (37) é o 12° número primo."

"O reverso de 12 (21) é o produto da multiplicação de 7 x 3."

"Em binário, 73 é um palíndromo, 1001001, que, de trás pra frente, é 1001001."

Sheldon provavelmente também gostaria do número tema desta abordagem! Afinal, além de ser primo, ele tem essa mesma simetria poética dos palíndromos (é igual quando lido da esquerda para a direita ou no sentido inverso) como bem construiu Clarice Lispector, na referência acima! No entanto, ele é mais "diabólico"! Eu também já fui, em determinadas oportunidades ...

Senão vejamos, em razão do "grande caçador de primos", tratando-se do engenheiro elétrico e matemático americano Harvey Dubner (nascido em 14 de julho de 1928 e tendo falecido em 23 de outubro de 2019 ), morador de Nova Jersey,  conhecido pelas suas colaborações para a busca de grandes números primos, momento que tal número foi encontrado, de difícil localização.

Acontece que outro matemático, Cliff Pickover — o nosso contador de histórias — também percebeu que este tal número tinha algumas características pitorescas, portanto, também "um primo". É outro significativo autor de 50 livros, "nesta praia" e sobre temas que variam de matemática e medicina até a vida após a morte e inteligência artificial.

Clifford Alan Pickover, nascido em 15 de Agosto de 1957, contando atualmente 65 anos,  também editor e colunista americano nas áreas de ciência, ficção científica, inovação e criatividade, por muitos anos trabalhou no IBM Thomas J. Watson Research Center em Yorktown, Nova York, onde foi editor-chefe do IBM Journal of Research and Development. Seu objetivo declarado consiste em: "expor a uma audiência ampla as maravilhas da ciência e da matemática". Para isso, ele utiliza conceitos lúdicos, mas complexos, como "números de vampiros" e "hipercubos mágicos". 

"A matemática é o martelo que quebra o gelo do nosso inconsciente", concluiu Pickover.

Ainda que, tal número "73", e nessa ordem, principia com o número SETE, momento que podemos dizer, é o Espírito na Terra, apoiado nos Quatro Elementos; ou seja, a Matéria "iluminada pelo Espírito". É a Alma servida pela Natureza!

"Ele é o número da Perfeição Divina, pois no sétimo dia Deus descansou de todas as suas obras."

Temos ainda, sete notas musicais, sete cores no arco-íris, sete dias na semana ... Também, Francis Bacon, (nascido em 28 de outubro de 1909 – 28 de abril de 1992) foi um pintor anglo-irlandês de pintura figurativa. Descendente colateral de Francis Bacon, produziu algumas das imagens mais emblemáticas da humanidade ferida e traumatizada na arte pós-guerra. Tirando inspiração do surrealismo, do cinema, da fotografia e dos Antigos Mestres, ele forjou um estilo disto que o tornou um dos mais reconhecidos expoentes da arte figurativa nas décadas de 1940 e 1950.

Concentrou suas energias em retratos, muitas vezes retratando hábitos dos bares e clubes do bairro do Soho em Londres. Mas seus sujeitos sempre foram retratados como distorcidos violentamente, apresentados não como tipos sociáveis ​​e carismáticos, mas como almas isoladas presas e atormentadas por dilemas existenciais.

Um dos pintores britânicos mais bem sucedidos do século XX, a reputação de Bacon foi aumentada ainda mais durante o retorno à pintura na década de 1980, e depois de sua morte ele foi visto por alguns como um dos pintores mais importantes do mundo. Disse certa vez:

O trabalho do artista é sempre aprofundar o mistério”. Uso este enfoque em grande parte da minha produção científica", declarou ele à BBC News Mundo.

"Descobri que dar nomes a certos números ou conceitos matemáticos ajuda a estimular o interesse nas pessoas de todas as idades."

"O nome ajuda a concentrar a atenção e a discussão, rejuvenescendo o interesse dos estudantes pela matemática."

Neste contexto, debrucei-me sobre os significados por trás do número 3, que completa o "73", simbolizando  a figura sagrada da Trindade. Três também são os Reis Magos que presenteiam o recém-nascido Jesus, quando acontece o seu nascimento. Na cultura popular, vemos o número em diversas histórias: três são os porquinhos, assim como os mosqueteiros. Significa ainda a afirmação ... Pedro nega três vezes. Antes que o galo cante três vezes ... Três testemunhas!   

Desse modo, enxergo que "não conseguimos viver sem os números”. Já tentou? É impossível. Eles são os responsáveis pelo funcionamento de tudo ... Ou, quase tudo! Ninguém é capaz de viver sem o auxílio de um calendário; passamos o dia olhando as horas e a temperatura; dependemos dos números para o funcionamento da sociedade desde a Antiguidade. Precisamos deles para encontrar, basicamente, qualquer endereço no mundo todo ou para fazer uma simples ligação no smartphone ... A linguagem universal são eles ...

Em caso de uma invasão ou um contato com vida de outro planeta, seria por meio dos números que nós estabeleceríamos contato, pois os números também são expressões e forças da natureza. Há solidez na ideia da existência deles! Por oportuno, você já parou para pensar sobre a força simbólica dos números, de acordo com pseudociências esotéricas, como a numerologia ou a astrologia? Já parou para pensar quais os significados do número 3 na numerologia?

No mundo musical, a formação com três músicos é chamada de “power trio, devido à sua capacidade de inventividade e força energética. Descubra o que pode indicar a recorrência do número 3 em episódios do seu cotidiano, e qual a leitura que se pode fazer dele à luz da numerologia e da espiritualidade, bem como com o auxílio do "feng shui" e da "Bíblia".

Assim, inverte-se o início dessa história: "Era uma vez um caçador, um contador de histórias e um número sinistro. Mais precisamente, trata-se de um número primo — ou seja, que é divisível somente por 1 e por ele mesmo". Oportunamente, diante do exposto e para complemento desta história, reitero que "estou na melhor das idades"! Ou não?

Finalizo meus votos, no abraço do angolano Mário Pinto de Andrade referindo:

"Meu tempo tornou-se escasso ... Quero viver ao lado de gente humana ... que sabe rir de seus tropeços, não se encanta com triunfos ... Caminhar perto de coisas e pessoas de verdade, O essencial faz a vida valer a pena. E para mim, basta o essencial!"

 

Roberto  Costa  Ferreira, 05 / 08

HILASA SA-Instituto Letras, Artes

SANTO AMARO-SÃO PAULO/SP

terça-feira, 11 de julho de 2023

FRANCISCO ANTONIO DAS CHAGAS, O "CHICO DOCE", QUE ERA PAI DE PAULO EIRÓ!

 


Para um homem daquele tempo e por morar em uma Vila do interior - Santo Amaro/SP, seu "Chico Doce", como foi conhecido por ser muito amável e religioso, era um homem culto, politizado e dominava algumas línguas. Nasceu em 1786 e ficou órfão aos 5 anos, sendo criado por uma negra (escrava). 

Pouco se sabe sobre sua infância e seus genitores; apenas que ele era sobrinho do Capitão Bento José de Salles, dono do imóvel mais bonito da Vila: "o sobrado". A pobreza de sua infância não atrapalhou sua cultura e criatividade; contam que tinha apenas uma muda de roupa para vestir e quando a mesma era lavada ele ficava escondido no mato. 

Deste fato ele criou uma estrofe:


"Amanhã é dia Santo
Dia do Corpo de Deus
Quem tem roupa vai à missa
Quem não tem, faz como eu ."

Aos 17 anos, no dia 4 de outubro de 1813, casou-se com Miquelina de Moraes, sua prima da mesma idade. Mas breve ficou viúvo com dois filhos: Claridade e Job, e seus filhos também acabaram sendo criados por uma escrava, a Gertrudes. Era um homem das letras; seu passatempo predileto era a leitura e não tinha muito tempo para se dedicar aos filhos e a outro casamento. 

Sua residência na rua Direita (atual Capitão Thiago Luz) durante a semana era uma escola, mas aos fins de semana ia para sua Chácara, onde além das leituras dedicava-se ao estudo da botânica. O seu parente, aquele do famoso "sobrado", tinha muitas filhas e aos quarenta anos esse professor, viúvo, 2 filhos, fica conhecendo uma das filhas mais novas, Maria Angélica, com a qual vem se casar no dia 8 de maio de 1827.

Deste matrimônio nasceram 5 filhos: Emygdia (1828); Casemiro (1830); Maria Seraphina (1832); Paulo Francisco de Salles (15 de abril de 1836) e Lucas em 1840. Seu quarto filho, Paulo Francisco de Salles, foi batizado em 25 de abril de 1836, mas ninguém sabia era que ele um dia seria o maior poeta que Santo Amaro já teve: Paulo Eiró! 

Quando Paulinho nasceu seu Francisco já havia sido nomeado professor público (1831) e Santo Amaro já era um Município (1832). Na política, Francisco da Chagas, foi um dos líderes da emancipação de Santo Amaro: como recompensa foi o primeiro presidente da Câmara de Vereadores (1832)

Tal tarefa foi árdua pois seus colegas da edilidade não produziam nada para o Município, e em 17 de junho de 1834 tomou a tribuna da Câmara (naquela época ainda na Igreja Matriz) para exortá-los a trabalhar para o Município, pois caso contrário iria propor ao Governo do Estado, retornar o Município à condição de Freguesia. Este discurso inflamado teve efeito pois logo em breve passaram a contar até com um Prefeito! 

Mas a educação e a cultura sempre presentes em sua vida contribuíram para esmerar na educação dos filhos, tanto que seu filho Paulo Eiró conhecia francês, alemão, latim, grego, italiano e inglês. Em 1848 traduziu as "Taboas Cronológicas" junto com seu filho Paulo, que contava na época com apenas 12 anos. 

Sua filha Emygdia, aos 19 anos, prestou exames para professora (naquela época era em São Paulo na Faculdade de Direito São Francisco) e foi aprovada com brilhantismo. O filho Casemiro seguiu a carreira eclesiástica chegando a padre. 

Além da Escola que fundou na cidade também montou uma Biblioteca para que todos tivessem acesso aos seus livros. Por mais de 40 anos dedicou-se ao magistério e aposentou-se em 1855, sendo substituído pelo filho Paulo, que por diversas vezes licenciou-se do cargo deixando o Pai trabalhando em seu lugar. 

Francisco das Chagas, seu Chico Doce, tão importante na Freguesia de Santo Amaro quanto no novo município de Santo Amaro, piedoso, religioso, culto, talvez a sua maior provação de sua vida foi quando pediu a internação de seu inteligente, mas esquisito filho Paulo no manicômio, e isso quando tinha já quase 80 anos de vida. Seu sofrimento foi tão grande que achava que acreditava ser um castigo pelo seu orgulho! 

Faleceu a 7 de outubro de 1867, três anos apenas antes de seu filho doente.

 

Por: Roberto Costa Ferreira

HILASA – Instituto de Letras

Artes Ciências-Santo Amaro/SP


 Fonte: Dr. Pintassilgo - sexta-feira, 16 de junho de 2017

http://maesertaneja.blogspot.com/2017/06/francisco-antonio-das-chagas-o-chico.html?m=1

sexta-feira, 30 de junho de 2023

ROMARIA - 103ª Romaria dos Cavaleiros do Senhor Bom Jesus de Pirapora de Santo Amaro - Maio de 2023.

 

Tenho como pressuposto que a romaria não deve ser considerada uma “sobrevivência” do catolicismo tradicional ou “rústico”. Não se observa, principalmente no Brasil, uma diminuição ou decadência dessas festas e romarias populares. Pelo contrário, naquelas que acontecem em santuários e centros de devoção como em Aparecida do Norte, Pirapora do Bom Jesus ou ainda, a exemplo do sensacional acontecimento da 103a. Romaria dos Cavaleiros de Santo Amaro 2023 havida recentemente — o que se percebe é uma gigantesca congregação de fiéis.

Então, partindo dessa conjectura, considero a romaria como uma prática que engloba a dinâmica do tradicional e do moderno, do religioso e do secular, sem perder a sua especificidade. Para mim, romaria não é apenas uma manifestação do catolicismo popular. Alguns aspectos ligados a um estilo de vida tradicional, que inclui o catolicismo rústico, persistem ao lado de outros novos, ligados a uma cultura das cidades, na qual se aproximam as dinâmicas dos santuários das romarias com as quais nos ocupamos nessa dissertação, especialmente durante as Festas. A romaria mantém elementos tradicionais dessa forma de devoção e, ao mesmo tempo, não está fechada nem vulnerável às transformações que provêm de um mundo urbanizado.  


O mundo contemporâneo apresenta-se de forma caótica devido ao progresso e ao acelerado crescimento tecnológico e científico que provoca alterações no meio ambiente e no comportamento do homem, envolvendo desde sua espacialidade e sua moradia, até as questões de ordem cultural, aspectos inerentes à sua vida, em que as tradições mais antigas se mantêm em convivência com o moderno, com as novas mentalidades. O contexto atual nos aponta a mais clara possibilidade de convivência do novo com o antigo, do profano com o sagrado, do tecnológico com o artesanal, da crença com o ceticismo, da razão com a emoção e do itinerante com o estático, sendo esse último relativizado pelas novas tecnologias da comunicação e informação.
  

Desde princípios da história da humanidade, o homem viveu e vive em perene movimento; mesmo saindo da condição de nômade para adaptar-se a um estado de relativa acomodação, o processo migratório ainda é uma constante. A diáspora, as peregrinações e romarias são os modos de movimentos mais utilizados nos dias atuais, imbuídos de interesses diversos. Na língua portuguesa, usa-se o termo “romaria” para identificar o deslocamento de pessoas (populares) para um lugar sagrado em reverência a um santo.  No Brasil, entre as muitas romarias existentes, cada uma delas tem seu público específico. Esses são os cenários com os quais os romeiros se ocupam.  

E eu tive o privilégio de viver um desses cenários, magnífico na sua existência e temporalidade, como produção humana, como uma ferramenta da história, mais visível como referência expressa em calendários e cronologias, expostos até em um museu local recentemente inaugurado, no qual estive e mesmo em sua inauguração, demarcando os anos e décadas, situando acontecimentos, ajudando a organizar as narrativas históricas para facilitar o entendimento da passagem do homem pelo tempo, onde o tempo é transcendente, enquanto a temporalidade é imanente, constituinte, da consciência do tempo!  


Durante a minha presença, convivência e conhecimento que tive "desse preservar" pude observar que os peregrinos religiosos influenciaram, e influenciam de forma direta, e até indiretamente, o cotidiano e a dinâmica urbana da cidade, projetando-a espacialmente a partir de seu santuário. Apesar disso, ficou evidente para mim maior dedicação e mesmo a carência de pesquisas voltadas para esse cotidiano e esses atores sociais. Bem por tal este meu relato objetivando incentivar e promover tal situação.  

Assim, no retorno dessa oportuna visita, que realizei com Isabel - minha esposa - e minha neta Isabela, no decurso de doze meses, justificada está por desenvolver um contato, um retorno ao tempo e oportunidade de conhecer até do Mini Zoo muito bem cuidado e baias onde mulas, burros e cavalos, todos cuidados diligentemente, responsavelmente, cautelosamente, mesmo porque a veterinária responsável preside tal organização - Dra. Karina, muito bem acompanhada pelo seu marido Dr. Aroldo -  vigilante, até proporcionando promover-se, quem sabe, um estudo de caráter socioantropológico sobre os romeiros, suas circunstâncias locais, pela importância de se aferir as contribuições dessas populações regionais na interação da tradição com o moderno, como bem se observa nesta jornada, na lembrança “in memoriam” de Anna da Conceição Faustino ... Que ora transcrevo, conforme Convite de larga divulgação e conhecimento:

 Que sua alma seja elevada, sua memória honrada, e sua história jamais esquecida”!

 Acresceu-se ao Convite a Oração à Santo Amaro, assim:


“Pela intercessão de Santo Amaro, que nossos pensamentos, palavras e atos andem sempre pelas margens tranquilas e seguras da Vontade e da Graça de Deus”.

Que belo e magnífico registro histórico! Ainda, pois que, tal referido MUSEU da ROMARIA dos Cavaleiros do Senhor Bom Jesus de Pirapora de Santo Amaro, antes referido, resultou inaugurado e, por testemunho estivemos presentes também, no dia 21 de Maio de 2022. Estivemos, o trio, também a presidência e diretoria do HILASA – Instituto de Letras, Artes e História de Santo Amaro em nomes como: Professor Dr. José Jorge Peralta, Professora Dra. Inez Peralta e Sra. Rosana Manfredini Borba, todos em visitação ao cenário do local, alma mater, de onde se inseminam e disseminam os instrumentos e conhecimentos indispensáveis para a garantia das tradições relativas ao cavalgar, ao ideal tropeiro, à memória de tal prática que se confraternizam na realização e participação da romaria. 


Desse modo, o “esquenta” para a atual realizada jornada - 103ª Romaria dos Cavaleiros do Senhor Bom Jesus de Pirapora de Santo Amaro - se viu aumentado no Recanto dos Cavaleiros – Rua Jacarandá – Riviera Paulista – SP Capital – com cavalgada, bingo, show musical, vasta rede de quiosques e barracas expondo e vendendo produtos e lembranças relativas e, principalmente, as bebidas e iguarias disponíveis. Um marco histórico impactando o curso da história! 


Fica então a sugestão, aliás, muito recomendadamente, para que frequentem tal espaço, cujo convite segue na sequência de fotos e vídeos.

                                               Por:

Roberto Costa Ferreira... Em, 20 de Maio de 2023.

HILASA    Instituto de Letras,  Artes e  História de

SANTO AMARO – SÃO PAULO/SP.





Momento de Oração em frente ao Museu

Patos & Gansos ...

O Bingo da Dona Bibi ...


A Bandeira!



 

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sábado, 10 de junho de 2023

CORPUS CHRISTI – Solenidade da transubstanciação e Jesus Eucarístico - Estudo e Artigo de Revisão - 2023.

 


Em referência ao tema a que me proponho apresentar e  analisar – Corpus Christi – dos referenciais teóricos que trago e mesmo fontes bibliográficas, parto de possível síntese que se estrutura ao longo do conceitual, ampliando o entendimento sobre o tema sem a possível exaustão, identificando o que se conhece acerca do tema ora estudado, ou que resultou anteriormente visto e pesquisado e quais aspectos permanecem ainda desconhecidos. Destaco que, ainda que se pareça igual a um possível e determinado artigo comum, ainda que alguns títulos considerados dos apartados coincidam, o conteúdo é diferente e original, materializando a proposta deste Artigo de Revisão.

Assim, Páscoa Cristã é a festividade mais importante para a religião cristã. Páscoa significa passagem e tem origem no termo hebraico Pessach. O "Domingo de Páscoa" celebra a Ressurreição de Jesus Cristo. A origem da celebração da Páscoa está na história judaica relatada na Bíblia, no livro chamado “Êxodo”. E tal significa saída, e é exatamente a saída dos judeus do Egito registrada em muitos livros. Quando Ramsés II, rei do Egito, subiu ao trono, apavorou-se com o crescimento do povo de Israel, achando que esse crescimento colocava em risco o seu poder. Essa preocupação deu início a uma série de ordens e, obras levaram os judeus a um período de grande sofrimento.

Conta a Bíblia que Deus, vendo o que se passava com seu povo, escolheu Moisés para tirá-los dessa situação, dando a ele os poderes necessários para o cumprimento da missão. Na semana em que o povo de Israel iniciou sua jornada para sair do Egito, Deus ordenou que comessem só pão sem fermento e no último dia, quando finalmente estariam fora do Egito seria comemorada a primeira Páscoa, sendo esse procedimento celebrado de geração em geração. Essa celebração recebeu o nome de Pessach, aludido acima, e nesse caso da escravidão à liberdade. Daí, surgiu a palavra Páscoa. Durante os 40 dias que precedem a Semana Santa e a Páscoaperíodo conhecido como Quaresma – os cristãos se dedicam à penitência para lembrar os 40 dias passados por Jesus no deserto e os sofrimentos que ele suportou na cruz.

A Semana Santa começa com o Domingo de Ramos, que lembra a entrada de Jesus em Jerusalém – ocasião em que as pessoas cobriam a estrada com folhas da palmeira, para comemorar sua chegada.  A Sexta-Feira Santa é o dia em que os cristãos trazem à memória a morte de Jesus na cruz. Dados os Símbolos da Páscoa Cristã, temos quais: 

       · Cruz vazia, Sol nascente, túmulo vazio, girassol, borboleta, chocolate (que de amargo se torna doce), símbolos que falam de transformação.

Já a Quaresma, tal contagem do período que faz referência aos 40 dias em que Jesus Cristo esteve no deserto, é feita da seguinte forma: 

         ·  a partir da quarta de cinzas, que neste ano de 2023 datou de 22 de Fevereiro,  contamos os dias até o sábado antes da Páscoa, conhecido como Sábado de Aleluia, ocorrido em 9 de Abril. O resultado é 46. Depois disso, tiramos 6, que é o número de domingos que há no período da quaresma. O resultado é 40!

A explicação para essa contagem é que a partir da quinta-feira santa à tarde, tem início um novo período, o chamado tríduo pascal, que compreende a Sexta-Feira Santa, o Sábado de Aleluia e o Domingo de Páscoa, ocorridas em 07, 08 e 09 de Abril de 2023 - Domingo de Páscoa.

Logo, temos que, a história detalha o retorno à vida de Jesus Cristo ao terceiro dia depois de ser crucificado, morto e sepultado. A Sexta-Feira Santa marca o dia da crucificação e o domingo, o renascimento. No 1° domingo depois da 1a. Lua Cheia que acontece após  o equinócio da primavera (hemisfério norte) e equinócio de outono (hemisfério sul). Segundo a Bíblia, o Domingo de Páscoa celebra  a Ressurreição de Jesus e sua 1a. aparição entre discípulos. A Páscoa já era comemorada antes da época  de Jesus Cristo. Trata-se da comemoração do povo judeu  por ter sido liberado da escravidão no Egitoque perdurou por cerca de 400 (quatrocentos) anos!

Retratada no livro de Mateus, da Bíblia Sagrada, a ressurreição é um marco para a fé Cristã e relatada nas mais diversas religiões. A história detalha o retorno à vida de Jesus Cristo ao terceiro dia depois de ser crucificado, morto e sepultado. A Sexta-Feira Santa marca o dia da crucificação e o domingo, o renascimento. O fato é celebrado na Páscoa, a maior e mais antiga festa do Cristianismo.  No sentido literal, a palavra ‘ressurreiçãosignifica ressurgir; erguer ou levantar. Diante do cenário atual em que o mundo vive, após a pandemia do novo coronavírus, a mensagem carregada pela história da cruz pode trazer um novo significado para a humanidade. Entendido por muitos, a  Ressurreição garante àqueles que creem na história que eles não estão sozinhos durante este momento caótico ...

Um dos aspectos mais importantes na ressurreição de Jesus Cristo é acreditar em um Deus vivo. E essa prova que nós temos, biblicamente falando, ela pode ser encontrada no Evangelho de São Mateus, capítulo 28, versículo 20, quando Jesus vai dizer: ‘Eis que estou convosco todos os dias’. Ele está garantindo que está conosco. Não existe a possibilidade de um Deus morto estar presente na vida de alguém”, digo-vos.

“Neste período que estamos vivendo, neste pós-caos que nos surpreende e abala todas as nossas certezas, partindo do pós-Covid, ou “Covid longa” a ressurreição garante a sua presença conosco, com aqueles que creem e o seguem”.

O pensamento da morte de Cristo traduz-se num convite para que nos situemos com absoluta sinceridade perante os nossos afazeres diários e tomemos a sério a fé que professamos. O evento da Semana Santa que se propaga não pode, pois, ser um parêntesis sagrado no contexto de um viver motivado exclusivamente por interesses humanos; deve ser uma ocasião de adentrar nas profundezas do Amor de Deus, para assim podermos mostrá-lo aos homens, com a palavra e com as obras.

Em Ritos da Semana Santa, que segundo São José Maria Escrivá: “É Cristo que Passa”! Depois da adoração da Santa Cruz, seguem-se a Comunhão Eucarística e a Oração sobre o povo. A Vigília Pascal (Vigília Paschalis), na noite santa em que o Senhor ressuscitou, seja considerada a ‘mãe de todas as vigílias’, na qual a Igreja espera, velando, a Ressurreição de Cristo, e a celebra nos sacramentos. Tal Vigília Pascal compõe-se de quatro partes, quais sejam

        · A Liturgia da Luz, a Liturgia da Palavra, a Liturgia Batismal e a Liturgia Eucarística:

  1 – Liturgia da Luz: compõe-se de:

    1.1. Benção do fogo novo: o fogo representa Cristo-luz.

    1.2. Benção do Círio Pascal: o círio pascal é considerado como uma pessoa, e não como um       objeto.

O círio é aceso para indicar a nuvem luminosa do Êxodo, que conduziu os hebreus, e o Corpo Glorioso de Nosso Senhor. No círio são gravados os algarismos do ano em curso e o alfa e o ômega, para indicar que Cristo atravessa todo o tempo, do princípio ao fim; grava-se também uma cruz, que indica a  natureza humana de Cristo, pois é sinal de Sua morte (o alfa e o ômega indicam a Sua natureza divina).

1.3. Procissão até à Igreja: canta-se a antífona Lumen Christi (“Luz de Cristo”), seguida da resposta Deo gratias (“Graças a Deus”).

Essa procissão recorda os hebreus seguindo a nuvem, na primeira Páscoa. As velas que os fiéis levam acesas indicam que são filhos da luz, e que essa luz vem de Cristo.

    1.4. Pregão pascal (Exultet): escrito provavelmente por Santo Ambrósio, o pregão pascal descreve o significado espiritual da luz na noite iluminada pela Ressurreição de Cristo, aludindo às grandes etapas da história da salvação, desde o Antigo Testamento até hoje.

Chegamos então ao momento: Corpus Christi na Bíblia! Onde, Corpus Christi significa “corpo de Cristo”. O Corpus Christi é uma festa católica que celebra a importância da Eucaristia (Santa Ceia). A festa acontece numa quinta-feira, 60 dias depois do domingo de Páscoa. A festa de Corpus Christi não está na Bíblia. É uma tradição católica que surgiu no século XIII. O objetivo da festa é comemorar a instituição da santa ceia por Jesus. Acontece na quinta-feira porque a última ceia de Jesus foi numa quinta-feira. A festa é marcada por procissões pelas ruas com o pão da eucaristia.

A igreja católica ensina que a ceia do Senhor é mais que uma lembrança do sacrifício de Jesus. Ela afirma que o pão e o vinho se transformam no corpo e no sangue verdadeiro de Jesus. Assim, Jesus está presente fisicamente na ceia, conferindo-lhe poder sobrenatural. Isso se chama transubstanciação. Por isso, na festa de Corpus Christi os católicos são incentivados a adorar o pão e o vinho da eucaristia, que são a manifestação física de Jesus na terra.

O que a Bíblia diz sobre transubstanciação? A Bíblia nunca diz que os elementos da Santa Ceia se tornam realmente no corpo de Jesus. O objetivo principal da Ceia é lembrar o sacrifício de Jesus e mostrar que cremos nele. Quando tomamos a Ceia declaramos que somos salvos pelo sacrifício de Jesus na cruz e que todos somos parte do corpo de Jesus, a Igreja. Se alguém é salvo, Cristo já vive dentro dele. Quando duas ou três pessoas se reúnem no nome de Jesus, ele já está presente lá (Mateus 18:20). Não é preciso literalmente comer a carne e o sangue de Jesus para O receber em nós.

Jesus disse: “... que o pão era seu corpo e o vinho era seu sangue”. Ele ainda explicou: “... que devemos tomar a Ceia em memória dele, para que ninguém se esqueça do seu sacrifício”.

(1 Coríntios 11:24-26).

Em João 6:53-55, Jesus disse que precisamos comer sua carne e beber seu sangue para ter a vida eterna. Mas Jesus não estava falando de forma literal. Ele estava explicando uma realidade espiritual! Os judeus interpretaram isso literalmente e ficaram escandalizados e Jesus explicou que eles não tinham entendido o que ele queria dizer. (João 6:61-63). Um pouco antes, Jesus tinha explicado que “comerdele significava crer nele. Somos salvos pela fé. (João 6:35). Da mesma forma, tomar a Ceia é símbolo da nossa fé em Jesus.

Jesus instituiu a Santa Ceia como memorial de sua morte, que deve ser celebrado até que ele venha. (1 Coríntios 11:26). Mas Jesus não mandou celebrar o pão e o vinho como sendo seu corpo e sangue verdadeiros. Não há nada de errado em criar festas para celebrar acontecimentos da Bíblia, mas a festa de Corpus Christi se baseia em princípios que não são bíblicosO pão e o vinho não se tornam na carne e no sangue de Jesus. São apenas símbolos, para lembrar de Jesus. Adorar o pão e o vinho no Corpus Christi é idolatria (Romanos 1:25).

A Bíblia diz que cada crente faz parte do corpo de Cristo, que é a igreja. (1 Coríntios 12:27). Quando alguém aceita Jesus como seu salvador, Jesus mora dentro de seu coração. A ceia serve para nos lembrar que Jesus já está dentro de nós. Não tem nenhum poder sobrenatural. Não precisamos de “comê-lo” na ceia para receber sua graça porque já recebemos!Gálatas 2:20.

Desse modo, acima quando me referi à transubstanciação, reitero que perante a  Bíblia, Transubstanciação é a doutrina católica que ensina que o pão e o vinho da Santa Ceia se tornam na carne e no sangue de Jesus. Assim, o pão e o vinho não são apenas símbolos; o crente literalmente come Jesus. A Bíblia não diz que o pão e o vinho se tornam na carne e no sangue de Jesus. De acordo com o ensino da transubstanciação, quando tomamos a Ceia o pão e o vinho deixam de existir e se transformam na carne e no sangue de Jesus. O que está lá é o corpo real de Jesus, mas ainda com a aparência exterior de pão e vinho.

Segundo a Igreja Católica, na Ceia (ou Eucaristia) o padre fala com a autoridade de Jesus, dizendo “este é meu corpo” e “este é meu sangue”. Nesse momento o pão e o vinho se transformam na carne e no sangue de Jesus. Assim, Jesus está fisicamente presente no lugar dessa comida, sacrificado novamente por nós. Por isso, o pão e o vinho podem ser adorados porque agora são Jesus!

Roberto  Costa  Ferreira,  07  Abril  2023

Professor  -  Psicanalista -  Pesquisador

UNIFESP-Universidade Federal S. Paulo