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domingo, 3 de maio de 2020

PADARIA SÃO DOMINGOS e Adoniran, o João Rubinato de Valinhos/SP


PADARIA SÃO DOMINGOS e Adoniran, o João Rubinato de Valinhos/SP
O Adilson Correa trouxe esta foto das lembranças no espaço do Viva São Paulo Antiga.


Gente, que fantástico! Feliz lembrança, pois que, morei, ainda na juventude, por volta dos 18/20 anos, ao lado desta padaria lá pelos idos de 1970... E ela, por vezes ainda frequento, mesmo que decorridos 50 anos. Residia eu na esquina da Rua São Domingos, fazendo esquina com a Rua Humaitá - Bela Vista, e de lá só sai para subir ao altar da Igreja da Consolação, casando-me então e estando ainda presente com Isabel Conceição Costa Ferreira!

Quanto ao personagem, qualquer hora te conto de quantas ouvi, vi e vivi... Um personagem que, a par de sua bronquite, não hesitava em baforar seu habitual cigarro. Fui privilegiado pela vida, nas lembranças, na consagração do amor, nas experiências vividas e, deste personagem - Adoniran, o João Rubinato de Valinhos/SP - que representava no rádio das antigas e para o samba, ao longo dos tempos, o Adoniran Barbosa.

Confundindo-se com seu próprio personagem, ainda outro vivido, o “Charutinho”, que através do rádio, contava e vivia as peripécias inclusive das “habitações coletivas”, as malocas situadas nos casarões da Bela Vista e suas andanças. O jornalista Oswaldo Moles, sucessor de Antonio de Alcântara Machado na literatura paulista e tido como o “pai” de Adoniran Barbosa, por volta de 1956, estando na Rádio Record, conheceu e escreveu para o rádio de então o Programa História das Malocas, momento que Adoniran, contracenando com a comediante Mariamélia, vivendo esta o papel de Pafunça, além de Terezeca, tudo sob inspiração do samba Saudosa Maloca que na gravação original não teve tanta repercussão, só posteriormente nas vozes e com os Demônios da Garoa.

Do “Pai do Samba paulistano”, guardo lembranças de sua voz rouca e das diversas interpretações, eu ainda quando criança e assíduo ouvinte do rádio, momento que o programa vinha ao ar às sextas-feiras, sempre às 9 horas da noite e retratava o cenário que muito imaginava do Morro do Piolho e, cujo personagem, de uma malandragem que sempre o levava a sair-se mal, não gostando de trabalhar.  Nos raros encontros que tivemos tempos adiante, tantas risadas e tiradas que fazíamos do cotidiano duro, e duro na acepção da palavra... Pairava muita dureza no bolso, no ar!

Ao seu lado, que naquele tempo no rádio já vivia o humor executado por apenas um comediante e que se apresentava geralmente em pé, sem acessórios, cenários, recurso teatral da quarta parede, diferenciando o stand-up de um monólogo, portanto, nenhuma novidade o modismo atual, onde fabrica-se risadas por meio  de stand-up, “fazendo-se cócegas nos espectadores”,  outros expoentes do samba viviam e muitos vivos, tive oportunidade de conhecer alguns, tal como Geraldo Filme – o “Seu Geraldo”, também “Tio Gê” e que, segundo ouvia contar, na infância de “Negrinho das Marmitas” - o sambista da Barra Funda, Germano Mathias, aquele da “caixa de fósforos” e também da “lata de graxa” herança dos engraxates da Praça da Sé, embora nascido no bairro paulistano do Pari, Aldo Bueno, que chegou a ser puxador da Escola de Samba Vai-Vai, Osvaldinho da Cuíca, o “homem da frigideira”, o “Preto no Branco” e que como passista, e muito nele me espelhei, é o autêntico representante de uma arte popular que transita entre a tradição e a contemporaneidade, além de Thobias da Vai-Vai, o seu Edimar, três anos mais velho que eu e que chegou a ser presidente da escola d’onde fui passista.

Filme, também "o Corvão", igualmente era frequentador das “rodas de Tiririca”, no Largo da Banana, no embrião das escolas de samba em São Paulo na Barra Funda, local hoje substituído por um viaduto que liga dois trechos da Avenida Pacaembu, onde os negros, no início do século 20, se reuniam aguardando a chegada do trem que trazia mercadorias do interior para a capital paulista, então em tempos de espetáculos como “Balbina de Iansã” e “Pagodeiros da Pauliceia”, onde, verdadeiramente, se sambava e pagodeava ao som da “caixa de engraxate”, do “latão de lixo”, da “palma de mão” e “tampa de graxa”. Sambava-se mesmo, algo parecido com capoeira e “fazendo visagem” e, não “só no sapatinho” ... No básico “quadradinho” e sim como se fazia na “Cidade da Folia” onde, tomando-se o bonde desembarcava-se ali perto do Parque Antártica, mesmo depois, tudo com parceria de Plínio Marcos:

Um povo que não ama e não preserva suas formas de expressão mais autênticas jamais será um povo livre”.

Plinio, muito depois, incomodou a ditadura, sendo autor de Barrela e Navalha na Carne, com texto duro e com a característica de apresentar ao público histórias e músicas de compositores desconhecidos, anônimos, gênios de pouca popularidade oriundos das Escolas de Samba da capital paulista e que “não podia ser calada” e, donde, “dessa gente que só berra da geral sem nunca influir no resultado”!

Neste local, o Largo da Banana, Dionísio Barbosa, negro da primeira geração de escravos livres, nascido em 1891 em Itirapina (anteriormente comarca de Rio Claro) um dos precursores do legítimo samba paulista, próximo do pátio de manobras dos trens e ponto de reunião e encontro de sambeiros, fundou o primeiro cordão carnavalesco paulista, do Grupo Carnavalesco da Barra FundaCordão Barra Funda/Camisa Verde, primeiro movimento cultural organizado dos negros e primeiro cordão da cidade de São Paulo, no seu início só com 12 personagens.

Quantas vivi... Aquilo sim... Que tempos!

Roberto Costa Ferreira, 03 de Maio, 2020.



sábado, 2 de maio de 2020

Patricia, uma fala apropriada ... Aniversariante!


Paty, saudades tenho eu, de você...
Saudades tenho eu, todas minhas,
Sabes? Podes até nem se lembrar,
E perguntar, de quê?

Do que? Não importa, se são
saudades, só minhas...
Coisa que mexe entranhas, que escarafuncha estórias,
Que até constrói uma história, e creia, reveste-se de verdade.

Verdade ou mentira, quem lembrará de mim... E ainda de você!
Coisa estranha... Pois você estará presente, sempre, na minha mente.
Constantemente, muito mais que de repente, muito além de, inesperadamente...

Até mesmo que, subitamente!
Entende? São coisas assim 'que pintam' numa tela antecedente, incandescente,
muito mais que um simples adiante,
Mas, apropriadamente possível,
E pretendido abraçar sempre!

Parabéns pra você! Quem sabe, concebivel, para tal viva eternamente!

Roberto Costa Ferreira, 02 de Maio, 2020!


quinta-feira, 30 de abril de 2020

QR CODE – UMA QUESTÃO de RESPOSTA RÁPIDA - "Quick Response"



O QR Code que são de uso livre, sendo um símbolo bidimensional (2-D), criado em 1994 e cuja marca registrada pela empresa Japonesa Denso-Wave Incorporated reúne o principal objetivo de ser um código rapidamente interpretado pelos equipamentos de leitura. A sigla QR deriva do termo “Quick Response” ou “Resposta Rápida” e está associado ao fato de que tais códigos poderem ser lidos e decodificados eletronicamente em grande velocidade.

Pode conter informação tanto na vertical bem como na horizontal, daí o termo bidimensional. Devido a esta característica tais códigos QR possibilitam armazenar centenas de vezes mais dados que os tradicionais códigos de barras. Hoje a informação contida nestes pode ser facilmente lida através de um aplicativo para descodificar o código QR instalado no seu tablet ou smartphone.

Se não possuí ainda instalado um leitor de QR Code no celular, poderá fazer o download gratuito da internet e instalar uma das muitas aplicações compatíveis com a plataforma utilizada. Depois basta abrir o aplicativo e apontar a câmera para o código QR. Aguarde um pouco e já está lá o tipo de informação embutida que, pode ser tão útil “quanto inesquecível” ... Experimente!

Portanto, é uma ferramenta muito particular, inclusive até fazer uma pesquisa por código QR é um dos métodos mais populares hoje em dia. E qual a vantagem? Esta pode ser a indagação, senão vejamos:
  • Coletar informações sem ter os dados de contato dos respondentes;
  • Um código QR pode estar em qualquer lugar: no ponto de venda, no papel, no site, etc.;
  • Você pode obter feedback imediato, por isso pode ser muito útil quando usado após uma compra ou fornecer um serviço;
  • Os códigos QR também podem ser personalizados, o que os torna muito atraentes para o público;
  • Seu uso é fácil e intuitivo;
  • Sendo um elemento interativo, dá um toque moderno e tecnológico à sua pesquisa.

Você pode vincular o código de sua pesquisa a um código QR, imprimi-lo, publicá-lo onde quiser, para que as pessoas que tenham um dispositivo móvel equipado com o aplicativo de leitura correto possam escaneá-lo, abrir a pesquisa e responder.

Se você deseja obter o código QR da sua pesquisa, vá para a sua pesquisa, em “Distribuir” – “Compartilhar” e imediatamente o Código QR associado à sua pesquisa aparecerá para que você possa baixá-lo ou imprimi-lo. Os entrevistados só precisarão escanear esse código QR para abrir e responder a pesquisa.

Como se observa esses pequenos códigos estão agora em toda parte: em um livreto, um cartaz, uma revista, uma página da Internet, uma fatura, no ponto de ônibus, em um bilhete de compra, etc.

Ainda, um código QR pode ser utilizado para cobrir várias necessidades de sua empresa ou organização, por exemplo:
  • Perguntar a um novo cliente sobre sua marca, produto ou serviço diretamente no ponto de venda;
  • Avaliar a satisfação do cliente após abrir seu produto;
  • Receber reclamações de consumidores;
  • Solicitar que os consumidores respondam a um formulário on-line e coletar informações para o banco de dados do cliente;
  • Fornecer acesso a informações adicionais seguidas de um questionário: instruções de uso, contato com o serviço pós-venda, etc.;
  • Avaliar a qualidade de um serviço;
  • Ouvir seus clientes e estar o mais próximo possível deles.

Você pode, ainda, aplicá-lo para fazer pesquisas destinadas a eventos, shopping centres, etc. Desse modo, após os códigos de barras se terem tornado populares devido à velocidade de leitura, os códigos 2-D surgem também para responder à necessidade de códigos capazes de armazenar mais informação, mais tipos de caracteres e poderem ser impressos num menor espaço, oportunidade que as empresas começaram a explorar novas formas de utilização dos QR Code e o seu uso comercial generalizar-se em várias partes do mundo.

Desse modo, em razão das suas propriedades, os QR Code permitem armazenar diferentes tipos de dados, incluindo caracteres alfabéticos, números, símbolos, binários, Kanji e Kana (alfabeto japonês). Enquanto o tradicional código de barras pode ter no máximo 20 dígitos, um QR Code pode armazenar até 7.089 caracteres. E tais caracteres podem ser combinados num símbolo de grande porte ou então divididos até 16 símbolos.

Outra grande vantagem dos QR Code é poderem ser digitalizados a partir de diferentes ângulos de 360 graus. Estes códigos QR também são capazes de codificar a mesma quantidade de dados num décimo do espaço de um código de barras tradicional (Micro QR Codes). Magnífico!

Considere que o atual uso de “códigos personalizados”, com diversas cores e logótipos embutidos apenas são possíveis devido à propriedade de correção de erros dos QR Code. O uso de um nível elevado na criação dos tais recursos possibilita a correta leitura dos códigos artísticos, parcialmente danificados ou sujos. Bom, hein!

Tendo em vista a “Capacidade de Armazenamento”, temos que:
  • Numéricos – máx. 7089 caracteres;
  • Alfanuméricos – máx. 4296 caracteres;
  • Binário (8 bits) – máx. 2953 bytes;
  • Kanji/Kana – máx. 1817 caracteres;
Quanto à “Capacidade de Correção de Erros”, temos:
  • Nível L 7%;
  • Nível M 15%;
  • Nível Q 25%;
  • Nível H 30%.

Em face das “Perspectivas de Utilização” dos ditos QR Code tendo em vista o corrente avanço da tecnologia nos telefones, tablets e a massificação da Internet móvel, os tais códigos são em grande parte utilizados para ações de marketing. Na tentativa de ligar o mundo físico ao mundo online, os QR Code revelam-se eficazes na promoção interativa de marcas e produtos junto aos utilizadores de dispositivos móveis.

Dada a facilidade de utilização dos leitores QR nos smartphones, é bastante simples descodificar e converter um código QR num endereço web e redirecionar o utilizador para conteúdos específicos, campanhas publicitárias ou perfis de empresas em redes sociais. É hoje muito comum encontrarmos QR Code associados a promoções, flyers, cupom de descontos e ofertas especiais.

Embora mais desconhecidos no ocidente que nos países asiáticos os códigos QR ainda captam a atenção dos consumidores pelo mistério que envolvem, mais do que propriamente pela utilidade de transmitir rapidamente informações. Muito útil é também a forma prática que os QR Code possibilitam transferir informações para os dispositivos móveis. Contatos, vCards, localizações, instruções de utilização, cardápios e bilhetes eletrônicos são alguns exemplos do vasto leque de utilizações.

Por oportuno, experimente tocar neste código ora exposto, ampliando-o e, com o celular atualizado, e que leia o QR Code, posicionar sobre o mesmo... Viva esta experiência!

Roberto Costa Ferreira, 27 de Abril de 2020.

QR CODE - MEDLEYTRIATHLON


terça-feira, 14 de abril de 2020

Iluminurista – Poeta - Lucas Teixeira – Frei D. Lucas Teixeira

Obra, "Prece a Anchieta" e texto de
Guilherme de Almeida 
Obra de Lucas Teixeira, nas iluminuras e, texto de
Guilherme de Almeira, tal obra na parede de minha sala 











Assinatura na obra - Lucas Teixeira - 1980
Então, volto no tempo... Agora em 2020, trazendo do ano de 2014 a notícia de que sou detentor de uma de suas obras (abaixo), decorridos seis anos das primeiras citações acerca da obra e do assinante das iluminuras. E neste tempo do calendário perfez cem anos que, em 1918, nasceu no concelho de Felgueiras, no Norte de Portugal, o cidadão Armando Teixeira, mais tarde celebrizado como Frei Lucas Teixeira e por fim admirado como artista iluminurista e poeta radicado no Brasil. Também teremos no próximo dia 28/04/2020 o transcurso de sete anos de seu passamento, totalizando 102 anos das memórias de Armando (Lucas) Teixeira (23 / 3 / 1918 - 28 / 4 / 2013). 


LUCAS TEIXEIRA
Numa espécie de, agora, ampliação da pesquisa de preservação divulgativa, a escabichar sobre temas que jazem algo esquecidos ou mesmo desconhecidos da generalidade conterrânea, qual roteiro por fatos e personagens dignos de nota do interesse Felgueirense, brasileiro e paulistano, damos ensejo a um nome que bem merece admiração por seu valor, pelo prestígio alcançado aquém e além fronteiras, como pelos seus dotes artísticos e engenho de conseguir transmitir sentimentos, em suma por quanto honrou e glorifica a terra Felgariana – o antigo monge beneditino, depois unicamente cidadão e sempre artista e poetaLucas Teixeira.

Natural de Varziela, recebeu o nome de Armando no batismo. Tendo ficado apenas com um sobrenome, atendendo à coincidência de ambos os progenitores serem do mesmo único apelido, sendo filho de Américo Teixeira e de Margarida Teixeira, casal honrado que soube legar bons princípios ao filho.
ILUMINURAS
DOM LUCAS TEIXEIRA
Assim, Armando Teixeira, de sangue Felgueirense fecundo, oriundo de uma família de parentela numerosa (visto uma sua avó, nascida na Pedreira, ter sido mãe de 18 filhos), teve apenas de pai e mãe uma sua irmã, Elvira, que faleceu na flor da idade, aos 20 anos, ficando sepultada no cemitério de Pedra Maria (a Virinha, a quem o irmão depõe uma açucena em verso, aquela flor de pureza, “cecém” colocada num soneto que merece honras, de apoteose!

Para melhoria de vida e poder estudar, Armando Teixeira entrou num seminário conventual, onde acabou por se adaptar e seduzir pela vida religiosa. Professou na Ordem Beneditina em Singeverga, tendo ingressado em 1929 nesse convento, onde depois concluiu o curso de Humanidades e mais tarde, em 1934, ao receber o hábito preto de S. Bento adotou o nome Lucas, tal como em 1937 fez votos solenes e em 1941 foi ordenado presbítero, ficando então a chamar-se Frei D. Lucas Teixeira.

CLAUSURA
DOM LUCAS TEIXEIRA
Cógula de Monge Bento
Dedicou-se ao estudo e execução de iluminuras, tendo sido bolseiro em 1946 pelo Instituto da Cultura. De suas mãos saíram excelentes trabalhos da arte iluminista para arquivos, museus e bibliotecas, merecendo realce uma ilustração em livro de Polifonia realizada para oferta ao Marquês de Rio Maior, bem como um outro trabalho que, servindo de prova do aproveitamento da referida bolsa de estudo, ofereceu ao antigo diretor do museu de Arte Antiga, Dr. João Couto. Segundo o que ficou registado, nas enciclopédias mais completas, executou diversas obras nesse "difícil gênero", algumas das quais enriqueceram o arquivo do Mosteiro de Singeverga.

Ilustrativo da sua obra, foi publicado em 1952 um estudo intitulado “A arte da iluminura / Dom Lucas Teixeira”, inserto como separata no Boletim Cultural de Santo Tirso. Como em 1954, no Porto, teve luz outro estudo intitulado ”Iluminuras de Dom Lucas Teixeira”, com apreciações sobre exposições antes realizadas em 1949 em Lisboa, em Santo Tirso no ano de 1951, em Braga em 1952, no Porto em 1952 também, e servindo de catálogo a Exposição em São Paulo-Brasil, nesse ano de 1954.

Quem é este artista, fora do seu século, que vem renovar a tradição dos nossos pergaminhos, numa pintura delicada e fina, em que “o céu fala com a terra, através de uma alma em êxtase?...”

Como que em resposta, em “Vita Plena” - 1950-1951/ ”À volta dos Iluministas portugueses”, apareceu escrito:

“O amor pelo desenho vem-lhe da infância. Depois, (como escreveu Hipólito Raposo), rezando, começara a pintar, e, pintando continuaria a rezar... “

De sua vasta obra, enquanto Religioso Beneditino, tiveram relevância trabalhos com que iluminou documentos, tais como a Mensagem das Mulheres Portuguesas ao Santo PadreMensagem do Distrito do Porto a Carmona e Salazara Regra de S. BentoMensagem da Câmara de Sintra a Sª Exª o Presidente da República Portuguesa (1954-Craveiro Lopes); o Diploma de Batismo pertencente à igreja de Fátima de Lisboaa Mensagem do Congresso Internacional dos Médicos Católicos, reunido em Dublin no ano de 1954, ao Santo Padre Pio XII; assim como o texto da consagração de Portugal a N.ª Sª de Vila Viçosa foi iluminado por si para a Casa de Bragança. 


Iluminura
DOM LUCAS TEIXEIRA
São Paulo - Brasil 1954
Entre outras obras suas, depositadas em mãos de personalidades nacionais, Salazar teve o “Painel dos Pescadores, do Políptico Veneração de S. Vicente, de Nuno Gonçalves”, pergaminho iluminado de 1948, incluindo um soneto do mesmo autor do desenho, Frei Lucas Teixeira. E ainda os seus “Auto da Cidadania” e “Senhor dos Passos”, também de 1948, ficaram pertences do Cardeal Cerejeira. Entretanto, participou em muitas mais exposições, entre as quais a (referida no catálogo antes registado) do IV Centenário da Cidade de São Paulo, no Brasil, que teve repercussão no seu futuro.

Foi monge sensivelmente até entre os 37 aos 38 anos de idade. Após isso, depois de percurso passado por Singeverga-Santo Tirso, pelo PortoCoimbra e Lisboa, entre outros pontos de passagem e residência conventual, havendo verificado que sua vocação não estava no encerramento monástico, regressou à condição de cidadão normalEnveredou então definitivamente pela carreira da arte de iluminuras, em que passou a assinar os seus trabalhos por Lucas Teixeira, nome que mais tarde encerrou também composições poéticas de encher a alma. Para se afirmar, contudo, precisou rumar ao Brasil, e aí, “recebeu tantas encomendas e convites para dar aulas que acabou ficando”.


Iluminura - Auto da Cidadania”
 e “Senhor dos Passos”, 1948,
pertences do Cardeal Cerejeira
Por isso, diversos artistas brasileiros se orgulham e vangloriaram de nomearem o fato de terem tido o “português Lucas Teixeira” por professor de iluminuras, como acontece em constar honrosamente, por exemplo, no currículo de Maria Amélia Arruda Botelho, natural de São Paulo e figura cultural do Brasil inteiro, saliente pintora, escultora, memorialista, pesquisadora folclorista e ficcionista.
Entretanto, ficara fixado Armando Teixeira na grande nação irmã a partir de 1954, onde estabilizou sua vida, “bem casado com uma portuguesa transmontana”, com a qual constituiu prole bem sucedida, pai de dois filhos brasileiros, que lhe deram quatro netos “e a alegria de os ver bem situados na vida” e onde foi sendo “feliz, muitíssimo feliz”!


Lucas Teixeira - Instantâneo
visual de seu paciente e
minucioso labor iluminarista. 
Faleceu no dia 28 de Abril de 2013, por volta de 22:30 horas da noite, domingo, aos 95 anos... “sem sofrimento, levado pelos anos” — como bem referiu sua filha Maria Margarida, e que ainda lembrou que:
“Logo pela manhã desse domingo de abril se passou algo muito curioso, principalmente pela adoração que meu pai tinha pelos pássaros e os animais pela casa dele. Sempre apareciam, de uma fona ou de outra. No lado de fora da porta de entrada há pregado um São Francisco em madeira com os braços abertos a recebê-los, se assim posso dizer. O enfermeiro após ter feito os cuidados da manhã trouxe meu pai para a sala da casa e o colocou na cadeira em que sempre ficava desde que não pode mais andar. A porta da rua estava aberta e por ela entrou um passarinho que sobrevoou sua cabeça, pouso ao lado dele e logo em seguida foi pousar em uma das iluminuras feitas por meu querido pai e que estava pendurada na parede do lado oposto da janela da sala. O enfermeiro preocupado com o passarinho foi abrir a janela para ele sair e, então, a ave saiu pela mesma porta por onde entrou. Quando minha mãe chegou e soube do acontecido ficou certa que devia chamar os filhos para a despedida.”
Lembrou ainda, parafraseando o autor e escritor israelense Amos Oz, cujo nome original é Amos Klausner, nascido em Jerusalém e co-fundador do movimento pacifista Paz Agora (Shalom Akhshav), onde em determinado trecho de um de seus livros diz

        "a gente vive até o dia em que morre a última pessoa que se lembra de nós."

No Obituário da cidade de Piracicaba/SP, em "Nota de falecimento em Abril de 2013... ARMANDO TEIXEIRA, faleceu anteontem (dia 28) na Cidade de Piracicaba aos 95 anos de idade e era casado com a Sra. Maria Amélia Teixeira, Filho do Sr. Américo Teixeira e da Sra. Margarida Teixeira, ambos falecidos. Deixa os filhos: Augusto Teixeira casado com Nilza Akemi Tsutiya e Maria Margarida Teixeira Moreira casada com Jofelo Moreira Lima. Deixa ainda netos. O seu corpo foi transladado em auto fúnebre para a cidade de São Paulo e o seu sepultamento deu-se ontem as 15:00h. no Cemitério Gethsemani naquela localidade, onde foi inumado em jazigo da família".  

Destaco então, inserindo nesta oportunidade e como complemento da matéria, o conteúdo do original relato de 05 de Abril, postado em 06 de Abril de 2014, momento que discorro acerca da Prece a Anchieta, como se vê adiante, sendo certo que deste autor, Lucas Teixeira – Poeta e Iluminurista, português e que esteve no Brasil – autor de “O Teu Retrato, Mãe”, muito conheço, pois, tenho uma de suas artes na parede de minha sala. Neste ano de 2014, 03 de Marçoo Jesuíta que catequizou índios do Brasil no século XVI e fundou a cidade de São Paulo, o beato José de Anchieta foi canonizado pelo papa Francisco. Tal processo, longo, que começou em 1980 com a sua beatificação por João Paulo II, anteriormente vinha, desde o século XVI, quando foi feito o pedido.

Pois bem, Lucas Teixeira, um felgueirense natural de Varziela - Portugal e nascido em 1918, o qual obteve grande saliência nas artes e nas letras, sobressaiu-se como poeta no Brasil onde se fixou no exercício da arte do desenho Iluminurista a partir de 1954.

Depois de abandonar a vida monástica, ele que fora Monge Beneditino quando se chamava Frei D. Lucas Teixeira e se tornara famoso como autor de iluminuras, assina tal obra da qual sou detentor - um tipo de pintura decorativa, frequentemente aplicado às letras capitulares no início dos capítulos dos códices de pergaminho medievais.

O termo “iluminura” se aplica igualmente ao conjunto de elementos decorativos e representações imagéticas executadas nos manuscritos, produzidos principalmente nos conventos e abadias da Idade Média. A sua elaboração era um ofício refinado e bastante importante no contexto da arte medieval.

Tal obra, “Prece a Anchieta”, datada de 1980 e assinada pelo autor, apresenta-se em tela sob passe-partout de madeira 3 mm, alto-relevo, medindo 397x450mm, branco, emoldurando madeira de 570x630mm, e composta com texto de Guilherme de Almeida.

Conta de quatro estrofes regulares sendo, duas em quadra e outras duas em terceto, caracterizando um soneto. Inicia assim, cuja arquitetura das estrofes em razão da pontuação difere do original do autor:
          
           "Santo, erguestes a cruz na selva escura;
           Herói, plantastes nossa velha aldeia;
           Mestre, ensinastes a doutrina pura;
           Poeta, escrevestes versos sobre a areia"!


Roberto Costa Ferreira, 08 de Abril de 2020.




quarta-feira, 1 de abril de 2020

ESCOLA MUNICIPAL DE SAÚDE - SMS/SP - 30 ANOS em 2020!



A inspiração é que me toca neste momento. Na  inspiração,  é realizada  a  entrada  de  ar  nos  nossos pulmões, movimento essencial para a obtenção de oxigênio e vida no coração!

A inspiração é como um bebê. Não esconde uma hora decente para chegar ao mundo. Não tem nenhuma consideração com o pobre poeta... Mas, é uma loucura envolvente, reunindo nenhum ato de bondade, por menor que seja, jamais será desperdiçado. Esta frase é atribuída aos Sonhadores, mas que, nesta oportunidade me cotizo a tantos outros atores que, juntos, comemoram esta oportunidade, colaborando na construção, na realização desta história, “que tem que continuar a ser escrita”, bem afirmado por sua atual diretora Rosana Cristina – Escola Municipal de Saúde – SMS – SP.

Nesta dimensão, na destinação, na atuação e aproximação como membro integrante do Conselho Municipal de Saúde de São Paulo, quer a Coordenação da Comissão de Educação Permanente, como membro ativo do GTEP – Grupo de Trabalho em Educação Permanente para o Controle Social na SMS/SP, e que se estreita ao GTEPS Grupo Técnico de Educação Permanente em Saúde daquela escola, do qual também sou participante, configurando-se como fluxos de apreciação e encaminhamentos para aprovação de projetos para as capacitações, tudo sob o olhar e participação colaborativa das suas ramificações através das Escolas Regionais, tão bem conduzidas por seus coordenadores que, ora reunidos cantamos “parabéns pra você... Parabéns pelas histórias e estórias contadas”, muito bem dito pelo amigo e dirigente da ETSUS-Sul – Marcelo Scrocco, cujo valor preditivo de sua expressão de empatia reitero: “É um privilégio poder dividir um pedacinho desta linha do tempo com vocês!

Senhores, venho numa demonstração de confiança falar, momento que me enche de orgulho, uma justa exaltação por pertencer a tal oportunidade, da qual só recentemente me aproximei, por uma espécie de timidez que me tolhe o impulso de tentar algo que me pareceu ambicioso demais. Um fato já passado, momento que a instituição sede, o prédio da Escola Municipal de Saúde se viu ameaçado de lá, onde se situa, não mais permanecer. E ides permitir que lembre aqui, neste momento solene, um fato já decorrido, que muito me espremeu o coração, diria, já antigo! O que talvez vos seja novidade é o fato do qual, atuando como personagem, vencendo minha timidez decidi, já entrando nas estratégias, endereçar àquela instituição que queria como a um “amor de coração” um pedido de esclarecimentos e satisfações que, surpreso, respondeu-me o meu consciente: “Senhor, por que vindes tão tarde?

Por que lembrar este fato, num momento grato ao meu coração e à minha inteligência? Porque me pareceu ouvir, na oportunidade, “uma voz coletiva”, vinda em minha direção a questionar-me: “Senhor, por que tão tarde? Por que mais tarde que qualquer um de nós outros?” E, enchendo-me de coragem, responder-vos: “Pelo mesmo motivo que levou o velho poeta a retardar o tempo de sua plena realização. Aceitei-me tal como sou e permiti-me dizer o que sinto”. São palavras simples, de agradecimento até, mesmo pelas confianças creditadas, até pelo conjunto de soluções e realização da obra, do feito!

O prédio lá está, majestoso e sereno, até modestamente proporcionando-me “gentil sombra quando transito externamente por suas calçadas”, como que querendo minimamente contribuir para manter as memórias deste senhor, que num determinado dia também abraçou, com tantos e como tantos, num abraço de proteção, de preservação de sua destinação de promover a formação, o desenvolvimento e o aprimoramento profissional dos servidores públicos, dos trabalhadores das organizações parceiras, residentes, estagiários e dos membros dos conselhos gestores  vinculados às unidades de saúde da Secretaria Municipal de Saúde da cidade de São Paulo, e talvez,  quem sabe, rompendo esta minha timidez, atreva-me a pretender lá ingressar e, quem sabe, saboreie um café sempre posto à entrada do auditório, local onde muitas vozes se ouvem e as tenho ouvido, mesmo que distante, em eco!

Por enquanto canto, baixinho e no meu canto, timidamente, sempre discreto, sereno e contraído, como que “no pé do ouvido”, mas, em consonância, como na sístole ventricular do coração cujas valvas, a semilunar aórtica abre-se, o ventrículo e a aorta tornam-se uma câmara comum, e a pressão em ambos sobe em uníssono. O sangue não reflui para trás em direção ao átrio. Então, bombeemos certeiros! Deixemos o entusiasmo exacerbado para oportuno momento, pois que, sempre costuma falar auto e mais forte esta nossa justa emoção!

Parabéns pra você, Escola Municipal de Saúde, plena de gente contagiante, vibrante e aconchegante, em cuja essência são detentores de tal estrutura triúna. Esta verdade ora expressa de forma clara e inquestionável: de corpo, alma e espirito!

Roberto Costa Ferreira, 30 de Março de 2020


sexta-feira, 20 de março de 2020

Que Março bom é esse?

Roberto Costa Ferreira compartilhou uma lembrança — Facebook - 
Santo Amaro, São Paulo - LUCAS ZANZINI

No dia de hoje, meu brow do coração, aquele cara muito demais, o Christian Zanzini de minha vida, que chegou para somar, multiplicar, proporcionar e promover, enfim gratificar, ocupa 46, isso mesmo, "quarenta e seis anos" de tempos vividos nesta minha existência.

É verdade. Desses tempos alguns primeiros desconheço. Mas no coração, algo já me dizia que "um brow iria pintar"! E veio para colorir e somar e multiplicar... Lembro-me que quando visto, ainda jovem rapaz, de sorriso largo, bochechas proeminentes e coradas, um rabinho de muito cabelo preso, trouxe muitos raios de Sol no meu portão!

Depois, tudo somou com o laço justo e perfeito, atado à Andressa minha filha, que também aniversariou, 44, 2a. feira passada. E não bastando, ambos somados promoveram a um "cara muito moreno e lindo”, 16, comemorado na última 3a. feira - 17 de Março.

Gente amiga, que Março bom é esse? Que tantos preenchem minha vida de felicidades constantes, plenas... E tem a Vera, mãe do Christian, que hoje também comemora o seu nascer e que “parece a cada novo tempo rejuvenescer”!

Que gente linda, belos e agregadores que muito me lembram Summerhill, que desde sua criação por Neil, quanto ao desenvolvimento emocional, proporciona aos estudantes estímulos para entrarem em contato com seus corpos e suas emoções "vivenciando tudo que aprendem, reforçando o próximo"!

Esses meus queridos são assim... Agregadores! E o exemplo se segue no vídeo que ora rola, oportunidade que o Lucas Zanzini - neto amado, então somava 12 anos, mantendo o mesmo brilhante sorrir e espelhar-se e projetar-nos alegria vibrante, agregando muitos outros amigos, ainda hoje e, certamente, por muito tempo presentes.

Eles são assim, que adicionados a mim, só somamos em egrégora magnificante! Para nós, sucesso é aquilo que definimos... Que o indivíduo define, mesmo partindo de um sorriso, de um "Muito obrigado Senhor"! Portanto, reforço agora e sempre: Muito obrigado Senhor!

Roberto Costa Ferreira, 19 de MARÇO de 2020

terça-feira, 25 de fevereiro de 2020

UM DENTINHO CAÍDO... UM SANTO AMARO QUERIDO DE BRAÇOS DADOS NUM CAMPO GRANDE!




O local onde morava... Uma modesta casa que à época, habitava a periferia. Um dia, ainda criança, um dentinho lhe caiu...

Assim, quando a fase banguela chega, pais e filhos já estão sabendo como encarar a queda do primeiro dente, presumível o primeiro aos 6 anos até a do último, aos 12 anos. E, para tornar o momento ainda mais especial e menos traumático para aquela criança, os pais lançam mão de brincadeiras e fantasias, conhecidas suas e de seus tempos como, por exemplo, a lenda da Fada do Dente. Substancial e diversamente, cá entre nós, essa é a lenda mais famosa envolvendo a queda dos dentes das crianças. Ao contar essa história para seus filhos, os pais dizem que “quando o dente de leite cai, ele deve ser colocado embaixo do travesseiro para que a Fada venha buscá-lo à noite. Em troca, ela deixará uma moeda ou um presente para a criança”.

Por conta disso, muitos pequeninos esperam ansiosamente por tais seguidos momentos... Como nessa idade não tinha travesseiros, sequer colchão, o repousar de sua cabeça encontrava aconchego nos seus bracinhos que, não raro, confidenciou-me, acordava em horas idas de sono com um monte de formigas, parecia, no braço servido e, até amanhecia em outras com “o travesseiro adormecido! Com o mesmo objetivo das outras histórias, essa consiste na possibilidade da criança jogar seu dente de leite no telhado de sua casa e fazer um pedido (alguns pais misturam as lendas e falam que os pedidos devem ser feitos para a Fada do Dente). Assim, a cada dente jogado, a criança terá seus pedidos atendidos. Ele fizera o seu. Disse-me que até sonhou! Porém, um dia após o sonho, já então acordado, notou que o dente antes jogado havia ao solo voltado.

 Então concluiu que tal sorte não o atingiria e, assim, reservou-o no interior de um gibi que muito se lia à época - O Fantasma, o primeiro herói mascarado tido em apelido como "O espírito que anda", não detentor de superpoderes e confiante em sua força, inteligência e imortalidade de renome para derrotar seus inimigos, cujo personagem tem um grande amor – Diana Palmer, com quem é casado e que vive sempre distante, como voluntária da ONU, cujo namoro e noivado percorreu quase 40 anos antes do casamento. Este é um verdadeiro recorde de causar inveja a qualquer solteirão mas, o mais duro desafio para o herói, pior que enfrentar um tigre dente-de-sabre, foi mesmo encarar a terrível sogra Lily Palmer que não gostava muito do genro, pois que o considerava um tanto quanto estranho. Ainda, um lobo treinado chamado Capeto o acompanha e um cavalo que atende por Herói. Como os Fantasmas descendentes, ele vive na antiga Caverna do Crânio, ou da Caveira que conta com uma cripta, na qual estão os 20 antepassados da linhagem. Foi o primeiro herói fictício a vestir um traje colante, portando uma máscara preta e um uniforme vermelho! 

Como se observa, ele, ainda criança sonhava com o impossível! Acreditava muito no forte pensar e movido pela fé, um dia pegou do dentinho guardado e o jogou ao alto, para ser levado pelo vento como a uma semente, pensando que este brotaria proporcionando a uma flor, talvez em terra distante... Do alto do arremesso, nunca soube onde caíra tal dente e qual seu paradeiro. Talvez num campo florido de terras largas, de Campo Grande! Então, decorridos anos e largo tempo de experiências vividas restou, a meio caminho desse tempo, um dia morador nessas terras antes sonhada. Que tempos! Então hoje, me diz confidencialmente que, por instantes ao se se afastar das suas terras, ao retorno, distintivamente do comentário do quadro visto pelo antropólogo Levis-Straus que, “quando vindo ao Brasil à convite e chegando na baía da Guanabara - 1935 - indagado do que achava, disse entender tal imagem com o Pão de Açúcar junto, assemelham-se a raízes de dentes perdidas nos quatro cantos de uma boca desdentada", minha boca "vai às escancaras" e "todos os meus dentes se põem à mostra"... sem a ausência de um dentinho sequer! 

É natural que, em meio a tanto entusiasmo, se encontrem também críticas e até mesmo impressões em que as decantadas belezas decepcionaram. Portanto, traz ele consigo tal certeza madura de que pisando no seu terreno, de braços dados com Santo Amaro e tendo sob seus pés um largo Campo Grande, terras da região Centro-Sul, em área de 13,1 km², de considerável evolução demográfica, com expressivo e “muito elevado IDH” em razão da Cidade de São Paulo, tal região de Campo Grande surgiu através de um loteamento e pretendida urbanização através da Cia City, a partir de 1953. Tal Companhia City, é o nome pelo qual é conhecida a empresa fundada em 1912 com o nome de "City of São Paulo Improvements and Freehold Land Company Limited”, que participou ativamente do processo urbanístico da cidade de São Paulo. Fundada em 1912, urbanizou vários bairros importantes de São Paulo, como o Jardim América, City Butantã, Alto da Lapa, Planalto Paulista, Alto de Pinheiros e Pacaembu, todos com a presença de Urbanistas ingleses!

Campo Grande, assim, abriga fábricas, sedes de complexos industriais de diversas multinacionais, ainda inúmeros e isolados galpões do setor industrial, todos instalados ao longo das avenidas Nações Unidas e Eng. Eusébio Stevaux, considerando que, atualmente alguns estão sendo desativados e seus terrenos estão sendo incorporados por grandes construtoras. Contamos também com três times de várzea muito tradicionais da região: o tradicional Grêmio Campo Grande, o Vila Anhanguera e o Estrela. Espaços preciosos também com escolas tradicionais, quer particulares, mesmo estaduais e até as de competência municipal e que, além do dinamismo do setor industrial e construção civil, somos detentores de grandes centros comerciais como os diversos Shopping’s instalados e respectivos Parques como o maior parque indoor da América Latina, o temático Parque da Mônica ocupando área de 12.000m², dois cemitérios de importância regional estão situados no distrito tais como Cemitério do Campo Grande e Cemitério de Congonhas.

O meio de transporte é generoso e saudável. Delimita-se pelas avenidas Interlagos, Yervant Kissajikian, Washington Luis, Vitor Manzini, Ponte do Socorro e em todo limite sudoeste, pelo Rio Pinheiros, oportunidade que esse trecho do rio também é conhecido como Rio Jurubatiba. É certo considerar que nesta extremidade sul, às margens do referido rio está o Aterro de Santo Amaro. Ocorrem também as principais vias, junto com Avenida Nações Unidas e a Nossa Senhora do Sabará. Neste espaço de terras está localizado o mais antigo e principal campo de golfe da cidade, o São Paulo Golf Club, próximo ao bairro Jardim Bélgica, conhecido por suas ruas arborizadas e praças de lazer, sendo visitado por moradores de diversas regiões da cidade, mais precisamente nas adjacências, como Santo Amaro, Capela do Socorro, Interlagos, etc... que se locomovem até as poucas ruas do bairro para descansar à sombra de frondosas árvores, crianças que vão para diversão e lazer nas três praças ali existentes. Um encanto!

São Paulo Golf Club é um campo de golfe particular localizado nesta cidade de São Paulo, primeiro Clube de Golfe fundado no Brasil. No final do século XIX, ingleses e escoceses, que trabalhavam na São Paulo Railway, e em outras empresas britânicas, promoveram as primeiras iniciativas para a formação de um grupo de pessoas interessadas em jogar golfe na cidade de São Paulo. O primeiro local escolhido para a prática do esporte, então tipicamente britânico, foi a Chácara Dulley, localizada entre os rios Tamanduateí e Tietê. Posteriormente, a expansão urbana obrigou esses golfistas pioneiros a se mudarem para outro local. A área escolhida localizava-se onde hoje está o bairro Bela Vista, então pouco habitada. Foi nesse novo local que esse grupo pioneiro, fundaram um clube onde pudessem praticar o golfe, junto com seus familiares. Nascia assim, em 1901, o São Paulo Country Club, ainda não São Paulo Golf Club, consolidado com a construção de um novo campo. Local aprazível, próximo à Avenida Paulista, em cuja via começavam a proliferar os casarões dos barões do café, este campo de golf passou a ser conhecido e visitado por numerosas famílias. Como se situava na parte mais elevada, o local ficou conhecido como “Morro dos Ingleses”.

Outra mudança viu-se necessária, em razão de tal local atrair muita gente e o progresso, inevitavelmente, chegar ao local, deslocando-se para o Bairro do Jabaquara e lá permaneceram até por volta de 1915. Em terreno adquirido da "Light" e situado em Santo Amaro que até então, um município independente, para além do Largo 13 de Maio foi feito um novo campo. Avançávamos para o ano de 1915. Com o Club crescendo, firmando-se como um dos mais tradicionais do Estado – e agora já com o nome de São Paulo Golf Club - passava a ostentar invejável status. Era preciso acompanhar o progresso! Assim em 1935 foi processada a primeira reforma, quando o Club contratou os serviços de um dos maiores nomes em arquitetura de campos de golfe dos Estados Unidos, Stanley Thompson, que com a ajuda do profissional José Maria Gonzalez, este com muitos anos de clube, introduziu as reformas necessárias do campo e “greens de grama”, em substituição aos de areia.

Em 1964, a antiga sede, que já se mostrava pequena, foi demolida, dando lugar à atual. A grama existente foi substituída, então, pelo tipo “tifton 328”. Quase todos os “greens” foram remodelados e novos “tees” foram feitos em quase todos os buracos. Na oportunidade foi construído também o "driving range" (campo de treino) uma antiga reivindicação dos associados. Foi também construído um mini campo com 6 buracos, de par 3, na área compreendida entre buracos números 13, 14 e 15, para o jogo de principiantes e menores. Tal área do São Paulo Golf Club totaliza 59,2957 ha. Seu traçado possui 18 buracos e um mini-campo com 6 buracos todos de PAR 3. Sua topografia apresenta um terreno levemente ondulado com depressões e pequenos lagos. É totalmente gramado e arborizado de acordo às normas que regem internacionalmente o jogo de golfe e, para manter esse padrão, o São Paulo Golfe Club conta com o que há de melhor em equipamentos técnicos e mantém uma equipe de funcionários formada por engenheiros, agrônomos e técnicos que dão suporte mecânico e estrutural. 

Chique no úrtimo...”, parafraseando os vale paraibanos, confidenciou-me o amigo: “... é habitar terras de Campo Grande”! Este componente valoroso da extensão territorial, sempre abraçado à Santo Amaro e que hoje, nesta sintonia, também nos proporciona viver o HILASA – Instituto de Letras e Artes de Santo Amarocomemorando seu 1º ano de atividades!

Roberto Costa Ferreira, 19 de Fevereiro de 2020 – para o Hilasa.




segunda-feira, 3 de fevereiro de 2020

IDOSA SABEDORIA!

Quem não vivenciou deixou de experimentar viver mais! Foi uma festa para comemorar tempos de vida, vivências e experiências. Digo de pessoas que tem muitos anos de vida; do SABEDOR aquele, experiente e bem divertido, bem disposto para ensinar-nos.

É importante ressaltar que para podermos demonstrar nossa honra, satisfação e, reconhecer a fundamental superioridade nessas reações e nem sempre isso ocorre através de só presença, ações de aplausos e sorrisos. Até mesmo o silêncio é capaz de provar quem somos e do que somos capazes. Não deixe se levar, por exemplo, por impressões. Seja sábio!

Por "velhice" entende-se, ainda, a etapa da vida que se segue à maturidade e que apresenta efeitos específicos sobre os organismos em razão do passar dos anos. Nesse entendimento a Sociedade Brasileira de Geriatria e Gerontologia – SBGG, entidade destinada aos estudos e pesquisas em relação aos idosos, em breves considerações, utiliza dois conceitos distintos para definir velhice, quais sejam:

a) Conceito simplista: é o processo pelo qual o jovem se transforma em idoso;
b) Conceito biológico: são fenômenos que levam à redução da capacidade de adaptação e sobrecargas funcionais.
O conceito simplista restringe-se única e exclusivamente ao critério cronológico, enquanto o conceito biológico refere-se aos fatores internos da condição humana.

Psicologicamente, o conceito de idoso leva em consideração a idade cronológica do indivíduo, o seu histórico de vida e o grau de desenvolvimento do país em que ele vive. A idade cronológica observa exclusivamente o tempo de vida do indivíduo desde o seu nascimento.

Sob tais considerações, quer do ponto de vista biológico, no âmbito psicológico, dada a complexidade de sua natureza, estando relacionado à psicodinâmica e às reações psicossociais do "bem vivido" ao seu meio, pode-se considerar que a ausência ou a não participação nessas oportunidades, nessas atividades, promove o envelhecimento social também.

Daí todas as dimensões citadas culminarem no âmbito existencial do Ser. É, portanto, "coisa boa" poder ser entendido por meio da assertiva de que na fase de tal "salutar antiguidade" o indivíduo pode atingir a integridade, sendo esta resultante da satisfação ao avaliar a vida e praticar um cotidiano como este.

Nesse mesmo sentido, destaque-se que aquele encanecido que aprendeu muito pela longa prática, que viveu bem a sua vida e tem vivido bem o seu tempo é unânime em afirmar que "esta é uma fase boa, que lhes proporciona bem-estar, satisfação, estimulando a busca de variáveis que interferem no alcance de um viver bem-sucedido”.

Esse conceito foi muito bem ilustrado, não só com as falas e cantos ou no tocar e cantar... E um dos participantes, aquele cujo tempo passa muito rápido e a velhice nunca chega, quando contou suas histórias, nas entrelinhas quis dizer:

“Eu acho que tudo isso é muito bom e eu gosto. A gente se sente mais realizado; se eu vivi bastante é porque tenho história pra contar. Acho que é experiência posta em prática”.

Há ainda que se destacar que um dos critérios predominantes utilizados pelos "idosos presentes ao evento", para manutenção de sua saúde física e emocional está embasado em sua disposição de participação e manutenção das atividades da vida diária, conceito contemporaneamente presente em termos de qualidade de vida.

Portanto, qualquer pessoa que chega aos 80 anos capaz de gerir a própria vida e determinar quando, como e onde se darão suas atividades de lazer, convívio social trabalho e diversão, certamente será considerada uma pessoa saudável e feliz! Essa concepção pode ser extraída das representações de alguns participantes do sensacional evento, quando expressam:

“Eu me sinto bem, estou com saúde, circulando e aplaudindo, conversando e cantando com o pessoal, então tudo pra mim é muito bom. Faço as coisas de que gosto, tenho vários amigos e amigas, de todas as maneiras e sem preconceitos, por isto tudo me sinto muito feliz”!

Ou ainda, como expressou-se em texto minha querida coordenadora e promotora Andréa, assim:

“Hoje, a sabedoria  foi ao Centro Cultural Sto. Amaro,  e ela tinha 99 anos, como Orlando Donádio, tinha 98 anos como Ímara de Lucia,  tinha 100 anos como a professora Cecília,  tinha 83 como Algacir, tinha 85 como a professora Letícia,  tinha 72 como Do Carmo, tinha 82 como Escurinho , tinha 73, como o magnífico Carlos Sereno, tinha 70 do Roberto Costa, tinha 73 da Neli Araújo,  inclusive  toda a mocidade de Ana Luiza de 14 , de Marcela de 15, de Cauê de 8 e demais outros  tantos queridos de boa vontade, de bem com a vida e que  seguem semeando e disseminando bem estar, respeito ,tolerância e simpatia. Cantaram, tocaram, declamaram, contaram, emocionaram.
Foi lindo o término dos festejos dos 468 anos de Sto. Amaro”!


Roberto Costa Ferreira, 31 de Janeiro de 2020.







Roberto Costa Ferreira, 31 de Janeiro de 2020.