Grau°

sexta-feira, 29 de outubro de 2021

MAYA ... O PARECER IRREAL!

 

Maya, minha neta ...

Adi Shankaracharya, alma excelsa tal qual Shiva, nos dá um exemplo, pois que, “o mundo é considerado MAYA no Sistema Advaita”. Logo, os objetivos cotidianos sofrem mudanças e, portanto, não são reais. Minha Maya é real, embora Maya seja irreal do ponto de vista de Shiva. Melhor orientando, Maya é real para alguém que está dentro de Maya, parecendo ser muito real. Porém, do ponto de vista mais alto, do ponto de vista Absoluto do Despertar, Maya é irreal! Maya não existe... Diriam!

Explicando isso, o Dr. S. Radhakrishnan diz: “Brahman e o mundo não são diferentes, então a questão da relação entre os dois é admissível. Qual seja, o mundo tem sua base em Brahman. Mas o Brahman é e não é idêntico ao mundo. É porque o mundo não está separado de Brahman; não é porque Brahman não está sujeito às mutações do mundo. Ou seja: a mente percebe o mundo como realidade, mas assim que a realidade de Brahman é percebida, o mundo desaparece”.

Ainda, Adi Shankaracharya disse em determinado tempo: “Brahman satya Jagat Mithya”. Comparativamente, temos que “Brahman sozinho é irreal e Brahman sozinho existe. Todo o resto é irreal, ilusão”. Desse modo, “o Mayar”, o parecer irreal, o marcar, formar, construir, além do mérito da ilusão... Tudo que arremete àquilo dito feito à irrealidade do Universo Manifesto. De um significado complexo, envolvente, presente, talvez não possa ser irreal... Mas absoluto!

Quando estou caminhando na escuridão, de repente vejo uma cobra e entro em pânico e fico imóvel por causa do medo. Alguém indo para aquele lado, liga sua tocha e mostra que é uma corda, não uma cobra. Maya é assim... Viva na minha existência! Experimente você conhecê-la, se aproximar, ouvi-la, investigar, mais que tudo parecerá “muito real” ... Muito mais! Assim como a cobra antes referida, tal cobra é sobreposta à corda, este mundo, incluindo meu corpo, minha vida, é sobreposta a Brahman/Consciência Pura.

Maya me é real... Linda e bela, para ela que em mim habita... É um caso de coexistência eternizando sentido temporal! E Maya me mostra uma lacuna em meu saber...

“Todo indivíduo deve entender sua verdadeira natureza e ser, que não é a mudança e a mortalidade, mas sim a beatitude eterna. Para compreendermos o verdadeiro móvel de nossos atos e pensamentos devemos despertar para a unidade do ser." Nem que, para tal, se viaje muito além!

Roberto Costa Ferreira, psicanalista – Pesquisador

UNIFESP – UNIVERSIDADE FEDERAL DDE SÃO PAULO




O RCM ... Reliability Centered Maintenance. Um conceito posto em prática!

 

A manutenção centrada na confiabilidade (RCM) é um conceito de planejamento de manutenção para garantir que os sistemas continuem a fazer o que o usuário exige no contexto operacional atual. Originalmente, o termo "manutenção centrada na confiabilidade" de autoria de Tom Matteson, Stanley Nowlan e Howard Heap da United Airlines (UAL) para descrever um processo usado para determinar os requisitos de manutenção ideais para aeronaves (tendo deixado a United Airlines para seguir uma carreira de consultoria alguns meses antes da publicação do relatório final de Nowlan-Heap, Matteson não recebeu nenhum crédito autoral pelo trabalho).

O Departamento de Defesa dos Estados Unidos (DOD) patrocinou a autoria de um livro-texto (da UAL) e de um relatório de avaliação (da Rand Corporation) sobre Manutenção Centrada na Confiabilidade, ambos publicados em 1978. Eles trouxeram os conceitos de RCM para um público mais amplo. Esta foi uma das muitas descobertas surpreendentes que revolucionaram a disciplina gerencial do gerenciamento de ativos físicos e estiveram na base de muitos desenvolvimentos desde a publicação deste trabalho seminal.

O RCM foi definido no padrão SAE JA1011 - Critérios de avaliação para processos de manutenção centrada na confiabilidade (RCM). Isso estabelece os critérios mínimos para o que é e o que não pode ser definido como RCM. O padrão é um divisor de águas na evolução contínua da disciplina de gerenciamento de ativos físicos. Partindo de então, depois de ser criado pela indústria de aviação comercial, o RCM foi adotado pelos militares dos EUA (a partir de meados da década de 1970) e pela indústria de energia nuclear comercial dos EUA (na década de 1980).

Posteriormente, do final da década de 1980, uma iniciativa independente liderada por John Moubray que corrigiu algumas das primeiras falhas do processo e o adaptou para uso na indústria em geral, traduzindo o RCM da indústria aeronáutica em uma técnica universalmente utilizável para estabelecer estratégias de manutenção confiáveis onde quer que máquinas, equipamentos ou, de fato, qualquer ativo físico sejam necessários com confiança.  Moubray também foi responsável por popularizar o método e por apresentá-lo a grande parte da comunidade industrial fora da indústria de aviação, definindo ainda as necessidades de treinamento para garantir a compreensão adequada dos conceitos subjacentes e a possibilidade de implementação real no local.

Proporcionando ao mundo a proliferação de consultorias, antes, na década de 1990 dirigiu pessoalmente dezenas de cursos de treinamento público em RCM2 de três dias – CURSOS INTRODUTÓRIOS – além do Reino Unido. A necessidade de facilitadores para executar as sessões de análise foi resolvida com o aperfeiçoamento do Curso de Facilitador RCM2 que, por sua vez espalhariam o treinamento para os 10 dias e níveis de três dias em todo o mundo, proporcionando rapidamente com que a técnica se tornasse internacional, sendo certo a primeira edição do livro no Reino Unido em 1991 e, vertido para o português, ocorresse em 2001.

A SQL Systems Brasil é líder na divulgação, preparo, formação e implantação no Brasil e América do Sul. 

Roberto Costa Ferreira, membro Facilitador RCM - 

Pesquisador UNIFESP - Universidade Federal de São Paulo.


sexta-feira, 15 de outubro de 2021

DIA do PROFESSOR ... Até Einstein chorou!


 O esquecimento é uma perda. A nossa memória é muito frágil e o risco de memórias falsas é uma constante. Este não é um pensamento einsteiniano... Mas é factível!

Imperdoável seria, esquecer-me desta vida vivida, de todos os tempos preciosos de professorar... Pois que, “a tarefa essencial do professor é despertar a alegria de trabalhar e de conhecer”. Isto sim é einsteiniano... Abrindo a consciência para o outro. E por muito menos já chorei!

“Não basta ensinar ao homem uma especialidade porque ele se tornará assim, uma máquina utilizável, mas não uma personalidade. É necessário que adquira um sentimento, um senso prático daquilo que vale a pena ser empreendido, daquilo que é belo, do que é moralmente correto. A não ser assim, ele se assemelhará, com seus conhecimentos profissionais, mais a um cão ensinado do que a uma criatura harmoniosamente desenvolvida.”

Albert Einstein

No verão de 1913, dois gigantes da ciência moderna viajaram a Zurique com a missão de oferecer o cargo mais prestigioso da vida científica europeia de então, a um homem. Este mesmo que até seis anos antes fora simples funcionário numa repartição de patentes. Em 1914, com o casamento desmoronando e um caso de amor em andamento Albert Einstein se despede de Mileva. Levam os três na estação ferroviária e Mileva Maric, sua esposa – física e matemática austro-húngara - volta para Zurique com os seus dois filhos... E ao voltar para casa triste e só, O GÊNIO CHOROU!

Einstein que amava muito os filhos confessaria mais tarde a sua prima Elza Rosenthal que naquele dia chorou... E foi com grande dificuldade que ele enfrentou a separação dos filhos.

Albert Einstein é, indubitavelmente, um dos maiores nomes da história da ciência, tendo formulado a Teoria da Relatividade - restrita e geral - e colaborado decisivamente para o desenvolvimento da Teoria Quântica - seu primeiro trabalho sobre o quantum, "sugerindo que radiação eletromagnética na região de alta frequência poderia ser pensada como quanta de luz", foi decisivo neste sentido -, ainda que, ulteriormente, se tornasse um crítico contumaz dos desenvolvimentos dados à teoria, pela Escola de Copenhague.

A despeito de suas decisivas contribuições à ciência do século XX, Einstein também é reconhecido como notável humanista, construindo uma profunda reflexão sobre a "natureza" do conhecimento, a vida ético-política e os processos de educação.

É neste domínio que adquire grande importância o livro ‘Einstein e a educação’, dos professores Alexandre Medeiros e Cleide Medeiros, publicado, pela Editora Livraria da Física, em 2006, a quem também homenageio nesta oportunidade. A obra - solidamente alicerçada em ampla bibliografia, constituída por mais de 200 títulos - traz, ao longo de seus capítulos, significativos aspectos da trajetória intelectual de Einstein, enfatizando a seminal vertente pedagógica do seu pensamento.

Nos primeiros capítulos trata da educação primária do pequeno Albert em Munique, da educação secundária do jovem Einstein no Luitpold Gymnasium, avançando para a educação de Einstein na Escola de Aarau, mostrando-nos Einstein como estudante na Escola Politécnica de Zurique seguido de Einstein versus Weber - apresentam aspectos da vida estudantil do físico, na escola e na universidade.

Já neste período evidenciavam-se destacando-se sua aversão pelo aprendizado baseado na pura memorização mecânica - aspecto típico da tradicional educação alemã da época e bastante encontradiço, ainda hoje, nos bancos escolares brasileiros (como, por exemplo, em muitas instituições nas quais se ensina até medicina no país...).

Sua excelência como estudante - aspecto não reconhecido por muitos biógrafos, os quais, muitas vezes, insistem em caracterizar Einstein como um mau aluno... Mas fica patente seu grande poder de concentração, especialmente relacionado à música, momento que os concertos de Bach e as sonatas de Mozart constituíam-se fecundo manancial de inspiração. Ainda, sua independência intelectual - mais claramente manifesta no seu período de graduação na Eidgenössische Technische Hochschule (ETH), a Escola Politécnica de Zurique.

Nos capítulos intermediários temos tentativas, conflitos e sua pugna de ser professor, sua estada na Academia Olímpia, o escritório de patentes e a Universidade de Berna, ainda Einstein como professor na Universidade de Zurique. Da curta estada em Praga ao retorno a Zurique até a longa estada em Berlim - narrando a sua epopeia na docência, abrangendo desde os primeiros anos após a conclusão do curso de graduação - com as malfadadas tentativas de conseguir um posto na academia, nas quais muito pesaram os desentendimentos com Heinrich Weber -, passando por sua colocação, como técnico, em um escritório de patentes em Berna - considerado, pelo próprio Einstein, como fundamental no seu desenvolvimento intelectual -, até sua aceitação como ‘privatdozent’ na Universidade de Berna (em 1908) e a definitiva consagração, como grande docente e pesquisador.

Nos capítulos finais evidenciam-se imaginação, humildade e bom humor, influências sobre as concepções educacionais de Einstein e de Dewey, as sintonias entre os ideários educacionais de Einstein e Dewey, a educação e a busca da liberdade e da justiça social. Einstein e a questão didática também são considerados centrando-se mais na apresentação das características do Einstein - professor - marcadamente sua humildade e o seu bom humor - e dos principais elementos teóricos de seu pensamento educacional, especialmente as interseções conceituais com a pedagogia de Dewey, já referido.

É possível que uma das grandes virtudes do livro, além da escrita clara e da consistência teórica, seja mostrar a principal característica da “libertária pedagogia einsteiniana”, esta sim: o tácito repúdio ao autoritarismo da escola germânica - o que se tornou explícito, por exemplo, na decisão de abandonar o Luitpold Gymnasium, sua escola secundária, pela acérrima discordância em relação aos seus métodos de ensino - e o profundo respeito pelo livre desenvolvimento do educando - valorizando sua curiosidade, autonomia e criatividade como grandes sustentáculos do processo educacional -, algo apreendido na Escola de Aarau, na Suíça, sob influência do pensamento de Pestalozzi - pedagogo profundamente inspirado em Rousseau e Kant -, como ressaltado pelo próprio Einstein:

[...] pelo seu espírito liberal e pela simples seriedade dos seus professores, que não estava baseada em nenhuma autoridade externa, essa escola deixou em mim impressões inesquecíveis. A comparação com os seis anos de escolaridade no autoritário Gymnasium alemão me fez entender claramente a superioridade de uma educação voltada para a livre ação e para a responsabilidade social em relação a uma outra fundada na autoridade e na ambição.  

[Albert Einstein apud Medeiros & Medeiros, 2006:35]

Esta perspectiva parece ser particularmente útil para as atuais discussões no âmbito do ensino, na medida em que se reconhece a obsolescência de procedimentos "pedagógicos" ainda vigentes, centrados na mera transmissão de conhecimento, nos quais o docente assume um papel de "inculcador de conteúdos", cabendo ao discente tornar-se um repetidor dos mesmos, em uma atitude passiva e reprodutora (mormente por ocasião da avaliação, na qual é cobrada a matéria ministrada...). Neste sentido, um dos comentários de Einstein, transcritos no livro, parece se referir ipsis litteris a tal situação, ainda bastante presente na escola brasileira:

[...] por vezes, vemos na escola simplesmente o instrumento para a transmissão de certa quantidade máxima de conhecimento para a geração em crescimento. Mas, isso não é correto. O conhecimento é morto; a escola, no entanto, serve aos vivos. Ela deve desenvolver nos indivíduos jovens as qualidades e as capacidades que são valiosas para o bem-estar da comunidade.                                                      

                                                                 [Albert Einstein apud Medeiros & Medeiros, 2006:201]

Portanto, ao se considerar, de modo einsteiniano, que o ensinar exige respeito à autonomia e à dignidade de cada sujeito - especialmente no âmago de uma abordagem progressiva, alicerce para uma educação que leva em consideração o indivíduo como um ser que constrói a sua própria história -, vale a pena repensar o papel dos diferentes atores envolvidos no ensino, na arte de professorar, especialmente do aparelho escolar, no sentido de formar profissionais mais aptos à construção de consistentes respostas às demandas e às transformações da sociedade.

Neste sentido, é salutar aos debates em educação o escopo de Einstein, como nesta oportunidade, diante desta síntese e por ocasião do Dia do Professor, tendo em vista a educação, trazendo a obra em referência - Einstein e a Educação – e que nas próprias palavras de seus autores:

“servir de inspiração para todos aqueles que detectam na educação um meio para a construção de uma sociedade melhor, mais justa e mais humana.”

Roberto costa Ferreira, 15 de Outubro de 2021 – Dia do Professor.

Professor – Psicanalista e Pesquisador – CEP UNIFESP

UNIVERSIDADE FEDERAL DE SÃO PAULO


quarta-feira, 13 de outubro de 2021

Coincidências ... Deus se faz presente até nas coincidências!


Coincidências boas demais ...

Deus se faz presente até nas coincidências, na igualdade, na identidade de duas ou mais coisas. É sinônimo de coexistência, concordância e simultaneidade. Coincidência é o substantivo feminino que significa o ato de coincidir, indicando acontecimentos que ocorrem em simultâneo.

A palavra incidência significa ocorrência ou acontecimento, enquanto o prefixo "co" remete para a concomitância ou simultaneidade de dois elementos. Em algumas situações a palavra coincidência pode significar acaso, porque descreve uma situação que ocorre sem combinação prévia. Nestes casos, mera coincidência pode ser um mero acaso. 

Ao exemplo: “Eu não sabia que ela ia estar naquela noite, em minha casa, trazida pelos braços de meu filho Diego, dizendo-se apaixonado por ela, eleita a mulher de sua vida!” A gente se encontrou por coincidência. E ela se me apareceu uma linda mulher, portando um olhar de criança ... Aliás, ambos se revelavam crianças. Parecia-me a mim que se haviam todos atrapalhados, encantados e muito crianças!

Muitas pessoas afirmam que não existem coincidências e que tudo está previsto por Deus ou pelo destino. A palavra coincidência também pode se referir à confluência de atitudes ou opiniões, quando se chega a algum tipo de acordo. Então, me dei conta da passagem em Paulo onde este diz que devemos nos separar do que é infantil; que, para nos tornarmos novamente crianças, precisamos antes nos tornar adultos.

Cristo não disse: "Vocês devem permanecer crianças”, e sim: “Tornar-se crianças”! Não vou me tornar oposição à palavra de Cristo, que devemos nos separar do que é infantil, que não se pode permanecer infantil, quando o ideal é justamente preservarmos a fé ao modo da criança, não é?"

E desse amor que apresentou-me inesperado, resultaram outras crianças... Minhas crianças que revestem minha vida, dão significação à tal existencial que se revela superiormente bela e plena, não só em razão de vivermos o "Dia das Crianças", mas, e bem porquê ela aniversaria... Exato! Carina aniversaria no Dia das Crianças! Coincidência ou não, não importa, pois que tal realidade é factível...

Por outro lado, o fato de acreditar ou não em certas circunstâncias, costuma não ter grande relevância, tão pouco poder de mudar a veracidade dos fatos, e sequer servem de embasamento a muitas questões que nos cercam. Assim, algumas décadas atrás, o imortal Albert Einstein chegou a desenvolver estudos que permitissem identificar evidências objetivas que explicassem cientificamente a coincidência.

Para tal, adotou como premissa básica a existência de pontos e/ou questões comum a cerca de um grupo de atividades que fazia parte do seu dia a dia. Partindo de então passou a desdobrar cada uma delas, em subgrupos menores formados por elementos que, eventualmente, pudessem ter outros temas em comum entre eles, algumas vezes de forma unilateral. A intenção inicial de definir os limites do estudo acabou não se tornando possível principalmente por conta do alto nível de complexidade em se estabelecer, minimamente, uma regra que subsidiasse sua existência, que permitisse a estruturação de um algoritmo.

Ainda assim Einstein não seu deu por vencido, e após anos de estudo passou a acreditar e explicitar junto aos seus, que “coincidência era a maneira que Deus tinha encontrado para permanecer no anonimato”. Difícil acreditar que um cientista como Einstein tenha atribuído ao Divino a presença da coincidência em nossas vidas. Mas diante dos resultados apresentados por suas pesquisas, o que realmente o teria levado a isso? Teria sido o caminho mais cômodo?

Cá entre nós, isto pouco importa, mesmo porque não contribui em nada para que acreditemos na existência da coincidência em nossas vidas. Ainda mais por uma questão simples de explicar:

“o fato de não termos explicação sobre algo, não impede nem ajuda que este algo aconteça.”

Tudo que acontece em nossa vida, ocorre por conta de algum motivo e devido a algum esforço, ciente ou não. Todo resultado obtido se origina de uma intenção, explicita ou não, de alcançá-lo. Nem sempre os resultados obtidos possuem uma estreita relação com os objetivos esperados em uma atividade, processo ou projeto do qual fazemos parte. Diante disso, sem querer desmentir Einstein, atribuir a Deus, algo que seja factível de acontecer, talvez não tivesse sido necessário. Tão pouco o universo tem tempo para conspirar ou não algo a nosso favor ou contra.

As coisas, todas elas, acontecem como resultado de esforços em prol delas, assim como o contrário também é fato. E sempre há um aprendizado embutido neste pacote. Desse modo, tenho como relevante que, coincidência ou não, exatamente no “Dia das Crianças Carina, minha querida menina, aniversaria. Isto é perfeito e sob as vistas de Deus!

Parabéns, Carina, votos que se estendem aos componentes do quarteto amado.

São Paulo, 12 de Outubro de 2021.

Roberto Costa Ferreira

Psicanalista e Pesquisador

CEP - UNIFESP - Universidade

Federal do Estado de São Paulo - SP.




quarta-feira, 25 de agosto de 2021

Da Escola de Atenas, uma breve reflexão acerca da natureza humana!

 


Leandro,

Tudo que é previsível é efêmero! Sabe aquele livro, o qual é impossível parar de ler? Considere que é muito certo que a toda contrapartida reside uma correspondência. E bem por tal, neste dia marcante de minha vida, de sua vida, não poderia ausentar-me de redigir um texto à altura de seu merecimento, justificadamente.

Por enquanto, meus parabéns pra você! Mas, no entretanto, tenho que considerar que a vida ocorre nas circunstâncias dos encontros e que evolui em razão dos “enquanto” ... Por quantas e tantos, assim nos realizamos nos encantos!

Cabe, portanto, uma breve reflexão acerca da natureza humana... Mesmo que envolva um pouco de ciência, mas que, em geral, sobre as atividades humanas, a fim de determinar as condições que garantem tais atividades. É certo que passa por lembranças que permitem alinhar ideias que estão no âmago do meu pensar e que restam traduzidas de diferentes modos e maneiras.

Ao exemplo, trago à minha mente aquela visão magnífica da síntese pictórica que Rafael Sanzio (1483-1520), uma das grandes expressões do renascimento, construiu em seu célebre afresco “A Escola de Atenas” (1509-1511), pintado a pedido do Papa Julio II, para compor a Biblioteca do Vaticano:

·     Recoloca-se o homem no centro do universo;

·  Condensa de maneira extraordinária, como peça alegórica de plasticidade,

·   O Saber, a Ciência, a Arte, de diferentes expressões, épocas e lugares,

·     Em personagens emblemáticos, totalizando 56 figuras.

Como exemplo, refiro-me a forma teatral como Rafael colocou e organizou os grupos de personagens expressando conteúdos significativos: Platão segurando o Timeu, apontando para o Céu, gesto este que representa a ”teoria das formas” (abstrata e intangível); Aristóteles, portando a Ética, gesticulando em direção à terra, o que representa a “percepção dos sentidos”, base da sua teoria do conhecimento; ainda Sócrates que argumenta em gestos até, para um grupo de atentos ouvintes.

Notei que Rafael não excluiu possíveis atletas, os artistas da sua composição, que haviam sido expulsos da cidade por Platão, anteriormente, em A República, pessoas tais que pensam de modo diferente, otimistas e que acreditam no potencial do próximo, pensando nestes, personagens que pensam de maneira alegórica, como aquela sequência sustentada de metáforas dentro de uma obra literária, mesmo “pessoas não rigorosas”, até aquele “criador de aparências”.

Pois bem, Rafael, nesta composição se “autorretratou” ao lado de Ptolomeu, representando um de seus discípulos artistas! Certamente, o meu tributo a você, nesta especial oportunidade, é dado quando reedito o seu retrato anterior, à caráter, segurando um bolo e significativamente bem ladeado pelo filho do homem! O seu tributo à arte do triathlon que tão magnificamente abraçaste, sem outra cara “que não a sua”.

Desse modo, quando trouxe a riqueza daquele imenso afresco de Rafael e as inúmeras possibilidades de leituras que se estendem aos domínios do diálogo interdisciplinar, este tem cinco séculos... E a sua foto, quase que presente, e sua belíssima geração, traz o traço de humanidade, partindo da ideia que conduz a reencontrar a riqueza, o desenvolvimento, e as belezas que a vida proporciona, sendo certo que a diferença é a diversidade do empreendimento vital, que faz redescobrir o sábio e sua obra, em seu mundo, sua cultura, seu lugar, sua família, em seu tempo!

Em realidade, no presente artigo, solicitei-me como “pai-autor”, que trouxesse, contando alegoricamente, sua história partindo dos espaços físicos e sociais, materiais e intelectuais, nos quais, meu herói enxergou e se desenvolveu, bem como os seus novos saberes. Tudo perpassando pelos diversos personagens que compuseram, integram e promovem sua existência, cuja dinâmica é vista partindo dos lugares, pelos lidos e estudos, das instituições, dos sabores e amores que compõem sua belíssima vida!

Por finalizar, relembro um personagem – Ricardo Teixeira, 2003 – que apresentou uma tese para a área da saúde e que se ajusta à sua proposta profissional, uma oportuna leitura do filósofo Spinoza, propondo a ideia original de uma “hipotética medicina spinosana”, que se caracteriza por:

ser otimista em relação ao que se espera da natureza” e de criar, para os corpos e as almas, as melhores condições para que se amplie a potência humana de perfazer a verdade, a liberdade e a felicidade, alcançando, assim, a Grande Saúde!       

Parabéns, Leandro, felicidades constantes e plenas!

Roberto Costa Ferreira, 25 de Agosto de 2021.

PROFESSOR,   PSICANALISTA    E   PESQUISADOR

CEP UNFESP – UNIVERSIDADE FEDERAL de SÃO PAULO





quinta-feira, 29 de julho de 2021

Dia de Santa Marta ... Santa sem crise e muita fé!


 Quinta-feira, 29 de Julho de 2021, o Dia de Santa Marta é celebrado. Hoje, quase esquecido!

Estando ausente do meu chão... Vivendo o que estou vendo, ouvindo e coscuvilhando, subsistido o fantasma do cheiro, verdadeira fantosmia, não caracterizando indiferença, mas sim, movido por circunstâncias, tornei proveitoso tal tempo para cuidar, refletir acerca dos últimos acontecimentos. Então, olhei para os céus e assim deparei-me com esta significativa data, permitindo me ler no céu azul, concluindo: Só pode ser uma mensagem! Era mais ... É uma homenagem da Igreja à irmã de Maria de Betânia e Lazáro, duas figuras de destaque na narrativa bíblica!

Marta era amiga próxima de Jesus Cristo e, graças a isso, o Messias teria ressuscitado Lázaro. De acordo com a história, Jesus sempre ficava hospedado na casa de Marta e seus irmãos quando viajava à Betânia. Lá ele conseguia descansar e também refletir, e se sentir à vontade. Após a morte de Jesus, Marta e seus irmãos teriam ido à França para fugir da perseguição contra os judeus. Em terras francesas começaram o trabalho de evangelização até final de suas vidas. Santa Marta, portanto, é considerada também a padroeira das cozinheiras e dos anfitriões, e a devoção popular para esta santa teria começado durante o período das Cruzadas, celebrando Marta como aquela que professou a sua fé em Jesus.

Marta é para nós modelo de seguimento porque, quando Lázaro morreu e ela acolheu Jesus em sua casa, ela mesmo disse: “Senhor, se estivesse aqui, meu irmão não teria morrido”. Veja, ela acreditava que Jesus era a vida. Jesus mesmo disse a Marta: “Seu irmão ressuscitará. Não se preocupe”. Marta responde: “Sim. Senhor, eu sei que ele vai ressuscitar na ressurreição do último dia”. Jesus diz: “Marta, Eu sou a ressurreição e a vida”. Marta proclama: “Eu creio firmemente que Tu és o Messias. Eu creio que Tu és o Filho de Deus que devia vir ao mundo”. No meio da dor, no momento em que perdeu seu próprio irmão, ela estava firme na fé!

No meio das tribulações, aflições e perdas que temos na vida, não podemos perder a fé, pelo contrário, é a hora de manifestarmos o quanto cremos em Deus, qual é de verdade o tamanho da nossa fé e se temos fé; porque, ter fé quando está tudo maravilhoso, quando só vemos abundância na frente é simples. A fé é no meio das tribulações, no meio das provações, viver o que estamos vivendo e não desanimarmos porque tem um Deus cuidando de nós. Olhemos para Marta, a discípula de Jesus, que em meio a grande tribulação da sua vida, em tempos de crise, professou a sua fé e não viveu sua crise!

Crise é uma condição humana e essa constatação pode parecer muito difícil de ser aceita, porque a palavra vem carregada de sentidos desfavoráveis e de pessimismo. Na linguagem mais comum, crise ressoa como angústia diante de uma situação, ou como acontecimento desfavorável e perigo.  Vejamos o desabafo da campeã olímpica americana – Simone Biles - ao desistir de final possível em Tóquio: 

‘Preciso cuidar da saúde mental’ “Tenho que me concentrar na minha saúde mental”, disse Simone, por quatro vezes medalhista de ouro nas Olimpíadas, depois de deixar a final de ginástica feminina por equipes. Um choque para muitos!

Na origem do termo, a palavra crise tem outros significados, desfazendo uma leitura unilateral. Crise pode indicar uma força distintiva ou de separação, uma eleição, decisão ou escolha. Uma pessoa em crise seria alguém que está diante de uma situação difícil, mas aberta a possibilidades que passam pelas escolhas. O processo de purificação de certos metais nos oferece uma imagem da crise, enquanto processo de separação. O crisol, ou cadinho, é um objeto utilizado pelo artesão para purificar metais preciosos como o ouro e a prata. Os metais colocados no crisol são submetidos a altas temperaturas, até que se tornem líquidos e através desse processo são separados das impurezas. Esse caminho da purificação é a verdadeira crise em que  o metal, submetido ao fogo intenso, passa pelo estado líquido e retorna ao Estados sólido livre das impurezas.

Quando, nos comentários realizados por Berríos (1996, Germán Elías Berríos, professor de Psiquiatria na Universidade de Cambridge, no Reino Unido, nascido em 17 de Abril de 1940, no Peru) em seu artigo "Psiquiatria comunitária e a equipe psiquiátrica para a intervenção em crise", encontraremos, dentre várias definições, a de crise como sendo:

"resultado de mecanismos normais frente a um estresse de medidas desproporcionais [...] ou de mecanismos debilitados (seja de forma congênita ou por uma doença intercorrente) que não podem superar nem um estresse normal".

(Berríos, 1996, apud Ávila, C. S., 2011, p. 129).

Sejam quais forem os motivos desencadeantes ou os tipos diversos que encontremos dentro de crise, notamos que este estado "crítico" poderá ser considerado um período, uma passagem de uma situação a outra, gerando um reposicionamento, geralmente acompanhado de sentimentos de desconforto, inquietação e angústia diante da frequente desorganização que se instala. Tal período exigirá reflexão, avaliação das circunstâncias em questão, planejamento, tomada de decisões, ações e conclusões a respeito do ocorrido. Mediante uma crise o indivíduo será convocado a mobilizar seus recursos, até psíquicos, o que lhe dará a oportunidade de poder se exercitar no reconhecimento do seu potencial.

Sob este aspecto, a crise não representa um fator negativo, já que pode propiciar o desenrolar de um processo criativo, de autonomia, mediante novas perspectivas e até um reposicionamento subjetivo. No entanto, é comum a ocorrência de uma sensação de desordem desencadeada por este processo. Porém,  toda desordem pode levar a purificação... Acima, citei alguns exemplos que incidem atos de purificar (mesmo que de forma velada) na sociedade moderna e processo de exclusão do “outro”, como forma de proteção aos “novos direitos”.

Se a complexidade se exibe com traços inquietantes da desordem, como devemos proceder para ordenar tais acontecimentos do cotidiano, isto é, selecionar os elementos da ordem e da certeza sem promover a possível exclusão do outro? E se precisar, classificar, distinguir, servem de mecanismo para o filtro do padrão “aceitável”, como deveríamos agir ou hierarquizar os valores morais referente ao dualismo do bem ou mal, do amigo ou inimigo? Continuo indagando:

   ·  É possível concentrar a atenção em trilhas menos habituais?

   ·  Podemos examinar o próprio mecanismo filtrador?

Nessa arte, a cultura do "após-dever" funciona como um caos organizador. Somos regidos pela desordem organizadora, um futuro não controlável, de mecanismo de segurança controladoras num espaço temporal e aleatório, no qual a liberdade e a igualdade são revistas, senão sacrificadas. "A ideia de dever deu lugar aos deveres negativos", como não matar ou roubar, mas não os positivos, que abrangem causas exteriores a nós. Criam-se fronteiras ou todos os que são identificados como “potencialmente contaminadores”, esses, devem ser “purificados” ou “eliminados”.

Esse caminho de purificação "é a verdadeira crise” em que o metal, submetido ao fogo intenso, passa pelo estado líquido e retorna ao estado sólido livre das impurezas!

Desse modo, quando pensamos a vida humana, encontramos semelhanças entre a purificação do metal e as experiências de vida; entre as crises vividas pelas pessoas e "o resultado dessas crises enquanto experiência de purificação, separação e eleição". Na vida, "somos acrisolados pelos acontecimentos e deles podemos sair mais fortalecidos!"

Outras tantas crises já experimentamos: Na Sagrada Escritura ... Que relata muitas crises vividas pelo povo de Deus. Já nas primeiras páginas do Gênesis, nos deparamos com a “crise fundamental da pessoa humana”. Adão e Eva se encontravam numa situação de escolha, o que atingiu toda a obra criada. A causa foi a “escuta do maligno” que levou a uma mudança de relacionamento do homem com Deus, do homem consigo mesmo, e do homem com a obra criada.

Deus, porém, não se esqueceu da bondade que ELE mesmo imprimiu na criação e, por isso, reafirmou o diálogo de salvação:

Porei inimizade entre ti e a mulher, entre a tua descendência e a descendência da mulher. Ela (a descendência da mulher) te esmagará a cabeça, e tu lhe ferirás o calcanhar”. (Gn 3,15).

Nas experiências vividas por personagens específicos – um patriarca, um profeta, um homem ou uma mulher do povo – e também nas experiências coletivas como o êxodo ou o exílio, encontramos outros momentos de crise na história de Israel. Tomemos alguns exemplos: José e Noemi, no Antigo Testamento:

“José, um dos filhos de Jacó, foi vítima da inveja de seu irmão (cf. Gn 37,11). Sua história pessoal apresenta uma série de acontecimentos aparentemente desconexos, uma crise de sentido. Vendido pelo irmão, ele foi levado para o meio de um povo estranho e de costumes diversos. Sofreu assédio, foi prisioneiro, envolveu-se em questões políticas e econômicas. No reencontro com os irmãos, e na experiência do perdão, a crise de sentido encontrou sua resposta na certeza da presença providente de Deus”. (cf. Gn 45,5).

Um outro significativo exemplo:

“Noemi e sua família que precisaram migrar de seu país por causa da fome! O drama dessa família envolveu ainda outras questões como a mistura de raças, (tema em pauta atualmente) diferenças de fé, cultura e valores. A narrativa descreve os caminhos e as escolhas de Noemi, e como ela superou tudo conservando sua fidelidade a Deus e, finalmente, encontrou Nele sua libertação”. (cf. Rt 4,14).

Portanto, as experiências relatadas indicam que “a Fé não se separa dos fatos da vida cotidiana, isto é, da história, mas integra a vida da pessoa”. A crise é geralmente uma realidade inevitável, ou que foge ao controle”. Desse modo,

Quando essas duas realidades, experiência de fé e crise, se encontram, surge uma força capaz de dar sentido à existência humana! Porém, a fé não esconde a dor do momento vivido na crise, e espera ver realizada a promessa!

 

Roberto Costa Ferreira, 29 Julho de 2021.

PROFESSOR, PSICANALISTA E PESQUISADOR

CEP UNIFESP – UNIVERSIDADE FEDERAL/SP.

quarta-feira, 30 de junho de 2021

A PAIXÃO ... O AMOR ... Um desabafo do sujeito lírico!

 

Sobrinhos queridos: Rogério & Fabiana 

Nessa expressão: Uhulll… Fabi e Rogê! Tenho tudo a dizer relativo ao casal, pois que, conhecendo-os muito bem temos o amor que se revela superior à paixão! Ou não? Senão vejamos: Você não queria que fosse óbvio, mas não conseguiu não olhar outra vez. Bem, isso é algo que acontece com quase todo mundo. Você passou por isso e suas amigas e amigos também. Mas a questão é, será que isso leva ao amor?

Ficar apaixonado por alguém certamente faz pensar que é amor. Bom, se for isso mesmo, então é hora de parar de brincar e encarar a realidade. O erro mais comum que as pessoas têm é confundir amor de verdade e paixão. Quando se sente atraído por alguém você acaba dizendo “acho que estou amando”. Você sabe realmente o que é o amor de verdade? O que quer que seja, não é o mesmo que paixão. Ambos são emoções intensas que se sente por outra pessoa, mas diferem em amor real, intensidade e resultado final.

O amor pode ser descrito como um sentimento de intensa afetividade por outro, enquanto paixão é simplesmente ser levado pela emoção, excitação. Do ponto de vista psicológico posso referir que Amor e Paixão são sentimentos diferentes, mas que caminham juntos: um precisa do outro para uma relação existir e crescer. Uma pessoa dificilmente começa a amar alguém sem antes ter se apaixonado por ele, e uma relação não prospera se não existir amor.

Sobre relacionamentos românticos, como eles devem parecer e como devem se sentir, o seu efeito é o mesmo:

  •       eles criam expectativas para os relacionamentos. 

A tensão entre os relacionamento e a realidade raramente é mais clara do que quando consideramos o papel da paixão nos relacionamentos. A paixão é frequentemente descrita como um desejo intenso! 

Um dos primeiros modelos para o amor segmentou aspetos dos relacionamentos nos três pontos de um triângulo imaginário rotulando-se: INTIMIDADE, COMPROMISSO e PAIXÃO. A maioria das pessoas quer todas as três delas nos seus relacionamentos românticos, isto é, O AMOR CONSUMADO, que é representado pelo centro do triângulo. Nem todos os relacionamentos são mais bem caracterizados pelas três expostas dimensões!

O poema "Presságio", popularizado como "O amor, quando se revela", é uma composição de Fernando Pessoa. Embora trate um tema tão universal como o amor, Pessoa não faz o elogio do sentimento, algo muito comum na poesia. Pelo contrário, é um desabafo do sujeito lírico acerca da sua dificuldade em estabelecer relações amorosas.  A composição é formada por cinco estrofes, cada uma com quatro versos (quadras). Esquema rimático cruzado, com o primeiro verso rimando com o terceiro, segundo com o quarto, assim por diante ...

O amor, quando se revela,
Não se sabe revelar.
Sabe bem olhar p'ra ela,
Mas não lhe sabe falar.

Quem quer dizer o que sente
Não sabe o que há de dizer.
Fala: parece que mente...
Cala: parece esquecer...

Ah, mas se ela adivinhasse,
Se pudesse ouvir o olhar,
E se um olhar lhe bastasse
P'ra saber que a estão a amar!

Mas quem sente muito, cala;
Quem quer dizer quanto sente
Fica sem alma nem fala,
Fica só, inteiramente!

Mas se isto puder contar-lhe
O que não lhe ouso contar,
Já não terei que falar-lhe
Porque lhe estou a falar...

Ah, Fernando Pessoa ... Alma minha gentil, que te partiste tão cedo desta vida descontente!

Destaco ainda que, tanto o AMOR quanto a PAIXÃO são sentimentos que podem ser explicados cientificamente por meio de substâncias químicas, impulsos elétricos e hormônios, sendo certo que “a paixão é um sentimento súbito por outra pessoa, que resulta em várias alterações químicas no cérebro” e, quando uma pessoa se encontra afetada, apaixonada, o seu sistema límbico (unidade do cérebro responsável pelas emoções e comportamentos) uma região constituída de neurônios, células que formam uma massa cinzenta também denominada de “lobo ´límbico”,  produtora de  grandes doses de hormônios, tais que, dopamina e norepinefrina, que agem diretamente no cérebro causando uma série de alterações comportamentais, não raro promovendo “tudo azul” segundo os envolvidos!

Quando se vive esta fase da paixão, é normal sentir um desejo imenso de estar próximo a pessoa amada e ter o comportamento alterado quando se está ao lado dela como:

  •       um tremor nas mãos,
  •       respiração ofegante,
  •       mãos soadas e um frio na barriga.
  •       É também comum sentir-se distraído e ausente,
  •       sem conseguir se concentrar,
  •       sentir-se otimista, mais criativo e entusiasmado,
  •       até seguro e capaz de com limitações lidar.

Além disso, é comum que a pessoa apaixonada fique sem dormir direito, perca a fome e passe o dia inteiro pensando no amado ou amada. Pena que, apesar de intensa, a paixão tem uma duração curta, nem sempre prosperante!

O amor, por outro lado, aquele sentimento de carinho e demonstração de afeto que se desenvolve entre seres que possuem a capacidade de o demonstrar, digo:

  •       é cauteloso, requer carinho, atenção e cumplicidade.
  •       É considerado o mais nobre dos sentimentos.
  •       Não há idealização do amado ou amada, mas ama-se o outro,
  •       Mesmo apesar de seus defeitos e imperfeições.

O amor está muito além das sensações provocadas pela paixão. Pessoas que são movidas por fortes emoções, tendem a não conseguir ter relações duradouras, pois quando passa a fase de euforia a as coisas esfriam, tendem a terminar o relacionamento e partir para outras relações que tragam essas sensações novamente... Então, passado o período da paixão, a pessoa deixa de ser perfeita e é nessa hora, que se colocará à prova o seu amor. É sempre preciso saber como reavivar a paixão, ou não deixar o amor morrer! 

”O amor companheiro envolve conexão emocional e uma decisão cognitiva de ser leal. Para muitos dos nossos relacionamentos, esse é o amor que procuramos, como para amigos íntimos, mentores de apoio ou "cônjuges do trabalho".

Para relacionamentos românticos, as pessoas às vezes pensam que o amor não é suficiente. Portanto, aqui finalizo minhas impressões: “Conheço pessoas suficientes de amor e plenos de vida!

Um caso "inesquecível" de AMOR, cuja foto foi extraída de
postagem no FACEBOOK com texto, em 26 Junho de 2021. 
 

Roberto Costa Ferreira,

Professor, Psicanalista e Pesquisador

CEP UNIFESP – UNIVERSIDADE FEDERAL de SÃO PAULO

sexta-feira, 11 de junho de 2021

O ESPÍRITO QUE NOS AJUDA EM NOSSAS FRAQUEZAS ... NOSSAS OBRAS - Em Romanos 8.26

 

Produção 2019, Roberto C. Ferreira - Depositada em meu jardim.

O espírito que nos ajuda em nossa fraqueza... Em Romanos 8.26 temos que: “O Espírito nos ajuda em nossa fraqueza”.

Assim, quando estou “meio que triste”, um tanto triste, mesmo sabendo que a tristeza é um sentimento que faz parte da vida e que em determinado momento vou me deparar com ela, é importante não deixar que tal sensação desagradável tome conta. Mesmo considerando possível que não tem como fugir dele.  Por mais difícil que possa parecer, sentimento ruim, por vezes, pode estabelecer o início de um novo tempo fértil, pleno de felicidades constantes, repleto de coisas agradáveis, não admitindo que se materialize como algo paralisante. Até porque muitas pessoas estabelecem uma ligação entre a tristeza e o choro constante... E uma das válvulas de escape da tristeza é o aborrecimento frequente. Tais sintomas emergem significativamente, especialmente quando tentamos esconder o sentimento e maquiamos a realidade. Tais “reações emocionais naturais” é frequente de quem não quer encarar o que está diante de seus olhos!

Portanto, em retorno ao 1º parágrafo acima: “O Espírito nos ajuda em nossa fraqueza”, considerei que é possível até que o Espírito venha em auxílio à nossa fraqueza; metaforicamente, porque não sabemos o que devemos pedir, nem orar como convém, mas o Espírito mesmo intercede por nós “com gemidos inefáveis! Lembrando ainda Romanos...

E isto introduz uma nova fonte de consolo e apoio, o que é derivado do Espírito. É uma continuação do argumento do apóstolo, para mostrar o poder sustentador da religiosidade. E considerando aqui, como fonte recursal o "Espírito", sem dúvidas, referindo-se ao Espírito Santo que habita em nós e que nos fortalece, in extremis!

Sendo assim, considerando minhas memórias e pessoa madura que sou, elenco circunstâncias que são as três possíveis verdades sobre uma pessoa emocionalmente equilibrada e madura:

1. A pessoa emocionalmente madura entende que o mundo não é como deseja: Muitos de nós gostariam de poder editar o passado. Ser como o escritor que termina um capítulo e decide apagar certos parágrafos para que a história faça mais sentido.

No entanto, quer acreditemos ou não, às vezes a vida não tem sentido. Há coisas que acontecem sem qualquer explicação; são os eventos, fatos e circunstâncias que somos obrigados a aceitar para continuar avançando. Da mesma forma, a pessoa emocionalmente madura aprendeu que não pode mudar as pessoas... Não se pode esperar que os outros ajam ou digam o que se espera. Tudo isso é, sem dúvida, mais uma fonte de sofrimento inútil.

2. Sabe que para ser feliz, deve ser responsável por si mesma: Malle, Bertrand - psicólogo cognitivo da Universidade de Brown, realizou um estudo em 2004 para analisar a relação entre a felicidade e a forma como a nossa mente entende o conceito de responsabilidade pessoal. Assim, um fato que permanece em evidência é que o ato de assumir que a responsabilidade pelo que nos acontece está nas mãos dos outros gera um claro desconforto. É como viver no território de avestruzes, é esconder a cabeça enquanto culpamos o mundo por nossos fracassos e desânimos. Fica claro, no entanto, que não temos controle sobre todos os aspectos da nossa realidade.

Entrementes, temos a oportunidade de escolher como agir diante da realidade que temos que viver. É aí que reside a chave; este é, sem dúvida, o plano de rota que a pessoa emocionalmente madura tem em mente todos os dias.

Não importa que minha infância não tenha sido exatamente a melhor, não importa que minha parceira tenha me abandonado, me esqueça constantemente … A necessidade de me recuperar de tudo isso é minha, porque o passado não tem que me determinar. O presente me pertence, sou responsável por minha própria pessoa e posso reorientá-lo com novas e melhores ferramentas…

3. Descobriu que tem permissão para mudar quando quiser: A pessoa emocionalmente madura se permite mudar. Porque mudar é crescer e é ajustar o curso com maior precisão depois de ter adquirido novos aprendizados. Dar um passo adiante no nosso crescimento muitas vezes significa deixar as coisas e as pessoas para trás para reduzir as cargas que nos limitam, corroem valores pessoais e o bem-estar.

Algo assim implica reunir coragem, reunir aquela capacidade de agir, de se expressar apesar do medo, do temor e da intimidação, como aquela capacidade de enfrentar algo moralmente árduo; ser perseverante, para entender que o nosso potencial está em assumir mudanças periodicamente. E, bem por tal, a decisão, que deve ocorrer partindo de um desejo ardente, algo que vem lá de dentro” ... Essa é a mola propulsora!

Coraticum! Em épocas remotas tal órgão – coração – que era considerado a sede da coragem, e mesmo inteligência, implica assumir uma outra posição, a busca de algo que não considerava possível. Surge no momento que resolvemos encarar os desafios, uma mudança radical, mesmo uma simples vontade de produzir “qualquer arte”. E o aperfeiçoamento da coragem é adequado desenvolver o autoconhecimento, administrar o medo e separar o que é real do que é fantasia. Então, a determinação ocorre com a certeza de estar direcionado, tendo objetivos claros e metas definidas. Objetivos requerem certeza e força interior que, esta última sem os objetivos é apenas “mera intenção” ... Possível esperança!  Portanto, é previsível considerar que “importa determinar o quanto de energia se colocará no processo de mudança. Coragem, decisão e determinação são requisitos fundamentais e exigem muita energia e motivação.

Um dos fatores motivantes para restabelecer a necessária força interior e estabelecer objetivos reside também em “experimentar” e manter arguta, perspicaz e astuta a curiosidade de produzir. Então quando assim, desmotivado, afetado, imediato construo, componho, pesquiso e executo, engendrando o concebido na imaginação como o Tamanduá Bandeira que, surgido do imaginário proliferou através do isopor, do papelão, do simples lápis de cor, para um pensado pedaço – habitat - em grama sintética, considerando os campos abertos, savanas, regiões de florestas úmidas, secas, típicas no Brasil e América Central, e que, em determinado ângulo do trabalho vê-se em seu peito “uma pomba branca”, como a uma mensagem de paz! Um urso-formigueiro! 

Alternativamente, a anterior produção para uma feira de arte de minha neta Isabela, o meu “Poeta dos Poetas” que, sobre o seu pilar de Ônix – a pedra unha – exuberância da gema negra, neste imaginário, sai da sombra para habitar hoje a janela de madeira e vidro da sala de estar de minha casa para tornar-se o Vigilante Constante do Pássaro Sabiá do peito amarelo – Cambacica, que ágil e irrequieto, solitário e nômade – se permite aproximação a pouca distância, na pretensão de alcançar a jabuticabeira ali posta!

Daí a importância do vigilante antes referido, pois que, no curto espaço de jardim reside uma recém-plantada Jabuticabeira de aproximados 2 metros de altura, vinda plena de jabuticabas ... E o pássaro surgiu para ali se deliciar! Então, razão para a coexistência simultânea de tais personagens. Lembrando que à coexistência humana segue-se o fato segundo o qual o ser humano coexiste com outras formas de vida no planeta que habitamos, ou seja, que existem outros seres além dos humanos e que todos vivem, e podem viver no mesmo ambiente, a Natureza!       

Vigilante Constante do Pássaro Sabiá, produção 2018 - Roberto C. Ferreira -
 postado na janela de minha sala de estar.

Roberto Costa Ferreira, 28/05/2021.

Professor, Psicanalista e Pesquisador

CEP UNIFESP – UNIVERSIDADE

FEDERAL de SÃO PAULO/SP